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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Os Domingos Precisam de Feriados

Texto do Rabino Nilton Bonder


Toda Sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação.

Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo...

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim. Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.

As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o Domingo de um feriado...

Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.

Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.

O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.

A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos fazer hoje?' já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.

Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A Melhor Parte

No interior, em alguns lugares, as pessoas ainda preservam o hábito de se visitarem uns aos outros. Lembro-me da época em que a minha família mais visitou nossos vizinhos mais próximos foi quando a nossa televisão deu defeito. Não tínhamos dinheiro para mandar concertar e ficamos meses assistindo TV na casa deles. Pois é, a televisão, ou a falta dela, é capaz de coisas impressionantes. O fato é que as pessoas não se visitam mais. E, se isso isolou as famílias, hoje temos o computador que é capaz de afastar as pessoas umas das outras dentro da própria casa. É claro que também existem as coisas boas nessa tecnologia toda. Informação, material de pesquisa, entretenimento e, incrível, até relacionamentos podem nascer ou se aprofundar pelo bom uso da máquina.

Certo dia Jesus foi visitar uma família de amigos. Como ainda não existia televisão, o mestre não encontrou Marta e Maria assistindo novela. Parece que as irmãs foram pegas de surpresa. Marta logo se apressou em arrumar as coisas e preparar uma boa comida. Ela queria impressionar. Seria uma boa anfitriã. Maria, por sua vez, sentou-se aos pés de Jesus e ouvia... Marta não gostou do comportamento de Maria e reclamou: “Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!” (Lucas 10. 40). Como Maria pode ficar ali sentada e descansada com tanta coisa pra fazer!?

Chegamos a uma época do ano onde as pessoas estão cansadas e estressadas. O ano vai acabando e tem muita coisa pra terminar. Lá no interior, a gente limpava a volta da casa e a estrada de chegada. As mulheres faziam uma faxina geral no ambiente interno. É como se alguma visita estivesse por chegar. Assim como Jesus esteve na casa de Marta e Maria, Ele também quer estar em nossos lares. É uma época do ano de diversos afazeres, diversões e festas, preocupação, avaliações e planejamentos. Qual é a melhor parte? Diante da murmuração e todo estresse de Marta, Jesus responde: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lucas 10. 41, 42). Ali na sala, sentada aos pés do Senhor, Maria ouvia...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

História...


Hoje, 20 de outubro, a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana São João em Pelotas completa 120 anos de história. 
Clique Aqui para ler mais a respeito.

sábado, 11 de outubro de 2008

vilarejo: marisa monte

Composição: 

Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes

Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

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