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terça-feira, 5 de julho de 2011

O Unico Segredo

Existem muitos livros e vários tipos de mensagens procurando despertar a atenção do público com títulos que prometem revelar algum grande segredo para o sucesso. Não passam, em sua maioria, de tentativas para destacar-se em meio a uma era saturada de informações. Infelizmente, também muitas igrejas caem na tentação de reduzir a sua mensagem às técnicas de marketing. Por outro lado, haveria ou não algo de essencial para a vida cristã? Qual seria "o segredo" de uma vida cristã bem sucedida? Arrisco-me a apontar três questões.
1. Meditação: não se trata de nenhum tipo de meditação transcendental como tantas outras. Não tem nada a ver com um mero esvaziar-se. A meditação cristã consiste em deixar-se preencher (Efésios 5. 18ss). Permanece a importância do silêncio e da solitude. A meditação cristã consiste em conhecer, estudar e refletir na Palavra de Deus. A Bíblia, portanto, é indispensável, leia-a.
2. Oração: inúmeros líderes cristãos concordam que orar é simplesmente dialogar com Deus. Além da Bíblia, a oração é outra maneira indispensável de manter comunhão com Deus. Orar, porém, não é tentar impressionar a Deus com palavra bonitas ou piedosas. Orar é deixar que seus pensamentos mais íntimos e sinceros sejam dirigidos ao Senhor. Descobrir um Deus que nos conhece totalmente e ainda assim é capaz de nos amar é uma experiência profundamente libertadora. Você pode orar em qualquer lugar, com palavras ou pensamentos. Ore.
3. Comunhão: Uma autentica vida de meditação na Palavra de Deus e de oração inevitavelmente nos tornarão sensíveis ao próximo. Não existe comunhão com Deus sem comunhão com outras pessoas. A fé cristã não foi feita pra ser vivida no isolamento. É na comunhão e por causa da existência de outras pessoas que os fruto do Espírito (Gálatas 5. 22, 23), por exemplo, fazem todo sentido. Afinal, "se alguém afirmar: 'Eu amo a Deus', mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê" (I João 4. 20). Essa comunhão se traduz em serviço, amor e perdão. Perdoe.

A estas coisas chamamos de disciplinas. Pois não possuem nenhum poder em si mesmos para agradar a Deus ou para com isso ganharmos pontos para a nossa salvação. Somente podemos praticar essas disciplinas porque Ele nos amou primeiro (I João 4. 19). E, nessa consciência, sinto-me motivado a viver no Seu amor. Ah, não fique surpreso se você concluiu que já sabia disso o tempo todo. O desafio permanece: fazer com que aquilo que você já sabe torne-se uma prática.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Com ou Sem Sobressaltos

Neste mês de julho completam-se dez anos que a Débora e eu nos casamos. Dia vinte e dois de julho, uma tarde de domingo em Curitiba. Uma gaucha e um capixaba. Dois anos depois, em agosto de 2003, viemos para Pelotas. Em 2009 nasceu a Sophia e, em 2011, o Henrique. Esta é a nossa família. E, falando a respeito da fé, que tem influencias enormes nesta história, gostaria de falar um pouco mais sobre os 'saltos'.
A Sophia tem dois anos e meio. É uma criança alegre, simpática e carinhosa. Como toda criança, ela gosta de brincar. Uma de suas brincadeiras prediletas é pular. Talvez, a melhor palavra seja saltar. Ela gosta de subir até o braço do sofá, por exemplo, e saltar de lá. Mas, a Sophia, apesar de se arriscar bastante, é verdade, jamais saltou para o escuro. Ela só pula quando vê o seu pai a uma distância segura que lhe permita pegá-la. A Sophia salta do sofá, da cama e até da escada do apartamento. Ela confia. Porém, a Sophia jamais saltou de nenhuma altura sem que acreditasse que o seu pai estaria lá para segurá-la.
Reconheço as minhas limitações. Por isso, procuro orientar a Sophia, educá-la para que tome cuidados. Participo da brincadeira procurando, porém, não ser irresponsável. A sua confiança e inocência poderão, em algum momento, pegar-me distraído. Posso falhar.
Tentar descrever a nossa relação com Deus com ilustrações a partir das nossas experiências humanas é correr o risco de limitar Deus à nossa humanidade. De fato a religiosidade nada mais é do que a tentativa humana de criar caminhos até Deus. Por isso, a fé cristã é algo mais do que religiosidade. Ela consiste no caminho que Deus faz até nós. Se a Sophia confia e salta é porque o Pai já está lá. E, antes disso, uma experiência, um relacionamento, uma proximidade já se estabeleceu. Levaria um tempo para você, leitor, conseguir que a Sophia saltasse no seu colo.
O Novo Testamento ensina muito sobre a fé. Um texto clássico encontramos em Hebreus 11 que começa assim: " A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê". Gosto das versões que trazem a tradução fundamento. Lembro das palavras de Jesus: "quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha" (Mateus 7. 24). Um bom fundamento fornecerá resistência até mesmo aos "temporais da vida". Somente por isso, Hebreus 11 pode incluir também versos como os 36 e 37. Uma fé em si mesma ou por si mesma não passa de algo que pode ser encontrado em qualquer livro de auto-ajuda. Não motivei, porém, dizendo: "Salta que você consegue!" Mas, "Salta que o papai te pega!"

terça-feira, 21 de junho de 2011

Um Salto Para a Luz

Se você participa de uma comunidade cristã há algum tempo já deve ter ouvido alguma vez a história do alpinista que não cortou a corda. Ele buscava superar desafios e resolveu, depois de muita preparação, escalar o monte mais alto de seu país. Partiu sozinho e, a medida que subia foi ficando mais tarde. Como não havia se preparado para acampar, resolveu seguir a escalada. A escuridão cobriu a montanha até que não se via mais absolutamente nada. A lua e as estrelas estavam cobertas pelas nuvens. Quando faltavam cerca de cem metros para atingir o topo, ele escorregou e caiu. Até que, de repente, sentiu um puxão forte que quase o partiu ao meio. Alpinista experiente, havia cravado estacas de segurança com grampos a uma corda fixada na cintura. No silêncio da noite, suspenso pelos ares na escuridão total, restava gritar: 'Oh, meu Deus! Me ajude!' E, uma voz grave e profunda vinda do céu respondeu: 'O que você quer de mim, meu filho?' O alpinista pediu socorro. Ao que a voz perguntou: 'Você realmente acredita que eu posso te salvar?' A resposta foi imediata: 'Eu tenho certeza, meu Deus'. 'Então corte a corda em que está pendurado'... Silêncio. O homem agarrou mais ainda a corda e refletiu. Se fizesse isso morreria. Dois dias depois uma equipe de resgate o encontrou congelado, estava morto. Ele estava a menos de dois metros do chão!
Certamente toda ilustração, assim como as parábolas, possuem suas limitações. Elas servem para transmitir algum princípio ou lição e, portanto, seria tolice querer analisar e questionar todos os seus detalhes. Sem dúvida muitos têm encontrado inspiração nesse relato. Porém, fico pensando se essa mesma história não pode também gerar uma compreensão equivocada sobre a fé. Afinal, a voz que disse 'corte a corda' sabia a que distância o alpinista estava do solo. Por que, então, não dizer tudo? Que tipo de ser se contentaria em simplesmente dizer 'corte a corda' e, por não dar a informação completa, assistir um ser humano congelar aos poucos e morrer de hipotermia?
Muitas vezes temos ouvido também que a fé é 'um salto no escuro'. Dentre os diversos versículos bíblicos utilizados para reforçar esse argumento, um dos principais está em Hebreus 11. 1: "a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos". Ora, se tudo isso significa realmente que a "fé é um passo no escuro", então, tem razão também aqueles que dizem: 'não importa no que você crê, contanto que tenha fé!' Como eu sou daqueles que discordam de ambas as frases, acredito que a fé se baseia em passos firmemente baseados em evidências históricas, como disse Nicky Gumbel. Um filósofo que talvez também tenha influenciado essa idéia de salto no escuro é Soren Kierkegaard ao rejeitar a filosofia racional. A verdade é tomada como mera subjetividade. Acredito, no entanto, acompanhando R. C. Sproul, que "o cristianismo pode conter mistérios e paradoxos, mas não é irracional (...). A Bíblia nos diz para saltarmos das trevas para a luz" e, não o contrário.

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