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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Uma Velha Canção no Rádio

Duas coisas parecem impregnar-se de maneira mais forte em minha memória. Não sei se continuará sendo assim. No entanto, quando lembro o passado, dentre as coisas que logo me vem à mente estão os cheiros e a música. Especialmente com relação à música é curioso, pois, não venho de uma família de músicos, nem tínhamos qualquer instrumento musical em casa. Sequer havia grande coisa em termos de equipamentos de som. Eu mesmo sou péssimo quando se trata de tocar algum instrumento ou de cantar. Sou bem desafinado.

Não sei exatamente por qual motivo comecei a tentar me lembrar qual seria música a vir a minha
Um dos antigos rádios era semelhante a este
mente numa idade a mais remota possível. Como nasci no ano de 1976 imagino que as primeiras lembranças sejam ainda do final daquela década de 70. Confesso que parece meio esquisito descobrir que poderia ser capaz de me lembrar de algo ainda daquela época. Especialmente porque grande parte de minhas lembranças mais presentes são de 1982 pra cá. Lembro, por exemplo, de músicas sertanejas e do Roberto Carlos no antigo rádio de pilhas que tínhamos em casa. Eu ainda não conhecia a televisão. Ficava, então, imaginando como será que os cantores ficavam lá "do outro lado" cantando para que esse som chegasse por meio do rádio até a nossa casa.

Minhas reminiscências conseguiram me trazer parte de uma letra que joguei no Google: "pipa voadora pipa a voar". Esta é uma música de que me lembro ouvir no rádio quando ainda era bem pequeno, lá no interior do estado do Espírito Santo. Com toda a tecnologia disponível hoje, é claro que depois de poucos minutos, aqui estou eu podendo ouvir a "Melô da Pipa" e até mesmo conhecer um pouco sobre "o conjunto" (era assim que se dizia das bandas na época) Super Bacana, sucesso naquela longínqua década de 1970. Aquela reminiscência, que me trouxe apenas três ou quatro palavras da canção, pode agora ser preenchida com a letra completa.

Outro modelo semelhante às minhas lembranças
Não tenho nenhum interesse em resgatar ou divulgar a música e sequer o conjunto. Até porque hoje, como adulto, percebe-se que já naquela época as letras podiam conter sentidos que passavam completamente despercebidos para as crianças. A melodia e a referência, na inocência dos pequenos, a um simples brinquedo, levou a música a fazer sucesso entre a criançada da época. São apenas lembranças. Descobri hoje que a tal Melô da Pipa foi realmente um grande sucesso no ano de 1978. Logo, devo localizar neste período minhas primeiras lembranças da infância. Eu tinha, então, entre dois e três anos de idade.

Se você me perguntar se consigo lembrar outra música que seria mais ou menos da mesma época eu imediatamente diria que sim, é " O Coisinha tão bonitinha do Pai", de Beth Carvalho. Certamente muito cantarolada por muitos pais para suas filhinhas na época. Acho que minha irmã se lembra desta também, ela nasceu em 1977 e a música estourava em 1979. Esta, sim, uma canção composta por Jorge Aragão para embalar o sono de suas filhas Vânia e Tânia.

Não guardamos os antigos modelos de rádio que tínhamos. Minhas lembranças preservam imagens semelhantes aos modelos que ilustram este post. Hoje tenho dois filhos e se eles também tiverem uma memória musical, certamente, o repertório será maior do que o meu.

terça-feira, 24 de abril de 2018

De Maria, Ricardo, Lutero, Valério...

Eu não sei se consigo ser muito bom em contar histórias. Sequer acredito que eu tenha uma boa história para contar. Falo história assim mesmo, com 'h', que é quando nos referimos aos fatos passados de vidas reais. Se é que ainda é possível permanecer fiel à realidade quando restam ainda e tão somente lembranças! Ou seria o que temos hoje ainda algum resquício daquilo que fomos e passamos algum dia? Poderíamos, portanto, dizer que sim, ainda resta uma história!?

Não sei se também acontece com você, mas, existem diversas coisas na minha história, portanto, do meu passado (se é que dá pra chamar assim, de 'meu!), que eu não gosto muito de lembrar. Não sei bem a razão. Os psicologistas diriam, provavelmente, que é porque remetem à coisas ruins. Mas, se por um lado parece ser verdade, por outro, diria, nem tanto. Ás vezes parece somente ser parte de querer seguir em frente. Isso, claro, se for sem pensar muito, pois afinal de contas, quanto mais se vive e conhece da vida, menos parece que há lá adiante a esperar por nós. Será que ainda há algo à espreita, preparado para nos surpreender?

A pequena vila onde nasci, hoje ostenta título de município, emancipado, embora ainda mantenha a humilde designação vila, Vila Valério. Muitos hoje se surpreendem se digo que nasci em casa, minha mãe sendo auxiliada por uma parteira. Aquela humilde casinha de madeira, com bananeiras no fundo do quintal, já não existe mais naquela que é hoje, vejam só, a rua Martinho Lutero. Entenderão minha surpresa (sim, somente agora eu também me conscientizo de que é este o nome da rua!) aqueles que me conhecem bem, sabem da minha trajetória, estudos e atividades profissionais. Enfim, foi aquela a residência que o Ricardo podia oferecer à Maria e começar uma nova família.

Esta é uma região, no norte do estado do Espírito Santo, com muitos descendentes de alemães, mais especificamente, pomeranos. Um povo de tradição religiosamente protestante. Haverá outras oportunidades para falar mais sobre isso. Ambos, Maria e Ricardo, eram de tradição luterana, embora, de denominações diferentes.

O período de vida lá naquela casinha, na Vila Valério, não representa nada em minhas lembranças. O que sei é aquilo contado pelos meus pais. Mas, sabe aquelas coisas que vão te contando e, depois, você já nem sabe ao certo se lembra dos fatos ou das histórias, ou..., quem sabe de tudo um pouco!?
Realmente eu não poderia lembrar de nada, pois saímos da vila quando eu ainda era um bebê. E, então, sim, na nova casinha, igualmente de madeira, às margens da rodovia ES-344, eu começo a ter lembranças de minha infância. Havia começado a saga de mudanças, casas, locais, pessoas, sempre mudando...

Esta é um fotografia do centro de Vila Valério de 1960. Portanto, 16 anos antes de eu nascer. Aquela casinha, onde nasci, ao que parece, sequer existia ainda.

sábado, 21 de abril de 2018

Retalhos

Minhas primeiras lembranças devem ser de quando eu tinha entre dois e três anos de vida. Uma casa de madeira, alta do chão, típica da época lá no norte do estado do Espírito Santo. Os colonos aproveitavam para utilizar aquele espaço debaixo da casa para guardar coisas. Também costumava ser um espaço para as crianças brincarem enquanto a mãe se ocupava com os afazeres domésticos.

Nesta época típica das descobertas e de muitas curiosidades, as crianças recebem as primeiras impressões da realidade para dentro da qual se descobrem. Lembranças que nos acompanharão por toda a vida. Cresci vendo a velha máquina de costura Philips sendo companheira de minha mãe. O trabalho de confecção das peças de roupas, tanto costuradas para nós, da família, quanto para atender encomendas de fora, sempre geravam retalhos, as sobras. Destes, minha mãe geralmente fazia tapetes e colchas. Quem nunca ouviu falar da colcha de retalhos!?

As lembranças de uma vida costumam se apresentar também assim, como retalhos que nos ajudam a montar um cenário maior. Quando deixo minhas lembrança resgatarem o passado, um destes retalhos me remete a uma cena que aparece bem clara em minhas memórias. Provavelmente seja a lembrança que mais longe me permite viajar ao meu próprio passado.

Lá estava eu, pequenino, brincando pelo quintal, nos arredores de casa. Minha mãe estava num velho tanque a lavar as roupas. Na época era tudo no braço. De repente, bem no meio de uma pequena moite de espada de são jorge, uma planta decorativa muito comum no Brasil, vi alguma coisa colorida que chamou a minha atenção. Para mim, mais um dos retalhos coloridos que minha mãe guardava para dar utilidade em momento oportuno. Sei ainda com mais clareza hoje, daquilo que me livrei naquele dia. Em vez de matar a minha curiosidade abaixando-me para pegar aquele retalho, perguntei antes à minha mãe o que aquele retalho colorido fazia ali.

Como todas as mães, também a minha não era de dar logo muita atenção às conversas de menino. No entanto, as boas mães sabem também que de criança a gente cuida. Especialmente numa época em que, devido à muita vegetação e presença de todo tipo de animais, o perigo pode estar sempre à espreita. Quando ela finalmente resolveu conferir o que era aquilo que despertara a minha atenção em meio à folhagem, constatou tratar-se, sim, de algo colorido e chamativo. Mas, aquelas tonalidades de preto, vermelho, branco e amarelo não vinham de um retalho de cetim, mas, o colorido de uma cobra coral.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Na Varanda

Eu contei. Desde quando nasci foram dezessete casas. Muitas mudanças. Quase uma a cada dois anos. Só não consigo me recordar da primeira. Foi onde nasci. Das cinco primeiras casas, até os meus dez anos de idade, todas elas tinham varanda. Depois, quanto maior as cidades, menos varandas.
As varandas da minha infância permanecem vivas na lembrança. Lugar de sentar com os irmãos, a família. Não se importar com o tempo que passa lentamente. Lugar de onde se enxerga longe. Observar e contar os carros que passam na estrada. Varanda é onde o vento passa livremente e a chuva alcança a gente. Lugar de brincar e de comer pão com doce de leite. Lugar também de ensaiar os primeiros desenhos com caroço de abacate. Como a tela foi a parede, os pais não gostaram muito. A varanda era lugar especial nas noites quentes de verão. Lugar de bater papo com os vizinhos.
Varanda virou sacada. Do lugar de convívio sobrou um cubículo decorativo. Hoje me dei conta de que a vida sem varandas é mais triste!
Casas de tios... ES

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Semeador

Neste mundo nos deparamos todos os dias com coisas maravilhosas. Lugares fantásticos como a Cascata do Caracol em Canela-RS; o esplendor do pôr do sol do Guaíba em Porto Alegre; a beleza do sul da França retratada em importantes obras de Van Gogh; a música de Johann Sebastian Bach; os incríveis aparelhos eletrônicos com seus múltiplos recursos... Por que tudo isso está aqui? De onde vieram todas estas coisas? Nenhuma pessoa com algum bom senso diria que é acaso ou sorte. Para tudo aquilo que existe a partir da engenhosidade humana ninguém responderia que veio do nada, da sorte ou do acaso. Essa resposta é permitida apenas para as coisas maiores, como o Planeta, o Universo e, até para o próprio ser humano.

Quando se sobe a qualquer ponto mais alto no norte do estado do Espírito Santo é possível contemplar os montes e rochas imensos no horizonte. Dos morros mais próximos com suas plantações de café e pastagens até as rochas mais longínquas. A tonalidade vai passando cada vez mais do verde para o azul. Se eu fosse poeta poderia descrever melhor, sem dúvida, o que significava, na minha adolescência, contemplar a formação de uma tempestade ao longe nessas paisagens. Sentia-se a chuva antes mesmo dela chegar. O cheiro de terra molhada é simplesmente inconfundível. Os dias quentes de verão suavizados pela brisa no alto de uma mangueira com seus frutos bem ali, ao alcance das mãos! A percepção clara da presença de Deus! O semeador estava a semear...!

Contemplando a natureza, as paisagens do campo, a simplicidade dos panoramas rurais, de repente nos sentimos diante de verdadeiras parábolas da Criação. O mundo natural, diferente do que muitos possam pensar, ajudam a iluminar o evangelho. É “quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste”, declama o salmista, que “pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes?” (Salmos 8:4). Se não acreditamos que as maravilhosas obras de nossas mãos sejam fruto de mero acaso, como deduzir assim de todo esplendor à nossa volta? Fico imaginando o que estava diante de Davi, inspirando-o quando compôs o Salmo 19: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Um dia fala disso a outro dia; uma noite o revela a outra noite...” (Salmos 19:1-2). O que levou às conclusões de Paulo: “desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20). O semeador continua a semear...!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Próprio Umbigo

Costuma-se dizer do egoísta que ele vive em torno do próprio umbigo. O egoísta seria aquele sujeito ingrato que não reconhece que já foi ajudado por alguém. É aquele que acredita ser merecedor de tudo o que já fizeram por ele. Olhar para o meu próprio umbigo me remete ao verão do ano de 1976. Foi num dia 1º de fevereiro no ainda distrito de Vila Valério, norte do estado do Espírito Santo. Não que eu seja capaz de lembrar-me do dia em que eu nasci. Apenas sei o que me contaram. Com a vida, no entanto, aprendi que as pessoas não são encontradas em bananeiras no fundo do quintal. Nem mesmo são trazidas por cegonhas ou coisas assim. Olhar para o meu próprio umbigo deveria ser não tanto uma expressão do meu egoísmo, mas, um sinal, uma lembrança de que eu jamais me faria sozinho. Não precisamos do umbigo para ser egoístas, simplesmente o somos. É o umbigo, portanto, que me ajuda a ser menos ensimesmado.

Fui gerado, cuidado, carregado, alimentado, feito durante nove meses dentro do corpo de outra pessoa. Não há como eu compreender a minha vida senão como graça. Não escolhi existir. Hoje, não escolheria não existir. Outra expressão comum relacionada ao umbigo é utilizada quando as pessoas querem falar de independência ou autonomia: cortei o cordão umbilical. Lembro também, de há alguns anos, ter conhecido a mulher que serviu de parteira e auxiliou a minha mãe quando eu precisava nascer. Nem isso eu fiz, foi alguém outro que precisou cortar o cordão. Sim, quando olho para o meu próprio umbigo lembro a minha origem. É um sinal. Todos nós temos um umbigo. Ele me faz entoar com o salmista: “Ah, sim! Tu me moldaste por dentro e por fora; tu me formaste no útero de minha mãe. Obrigado, grande Deus – é de ficar sem fôlego! Corpo e alma, sou maravilhosamente formado! Eu te louvo e te adoro – que criação! Tu me conheces por dentro e por fora, conheces cada osso do meu corpo. Sabes exatamente como fui feito: aos poucos; como fui esculpido: do nada até ser alguma coisa. Como um livro aberto, tu me viste crescer desde a concepção até o nascimento; todos os estágios da minha vida foram exibidos diante de ti” (Salmo 139. 13-15).

Gratidão. Sim, a Deus, aos meus pais e a tantos outros sem os quais eu não estaria aqui. Quando olho para o meu umbigo, posso fazê-lo, sim, por puro egoísmo. Essa pode ser uma expressão utilizada para lembrar a minha verdadeira natureza que é egocêntrica, rebelde, ingrata. Refletir melhor sobre o umbigo, no entanto, pode ajudar-nos exatamente naquilo que sempre de novo precisamos. Não foi para o egoísmo e a ingratidão que fomos criados, nem é nisto que está a nossa felicidade. Assim, declaro também com o salmista: “Sê o meu Senhor! Sem ti, nada faz sentido” (Salmo 16. 2). Olhar para o meu umbigo ajuda-me a lembrar de onde e de quem eu vim!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Com ou Sem Sobressaltos

Neste mês de julho completam-se dez anos que a Débora e eu nos casamos. Dia vinte e dois de julho, uma tarde de domingo em Curitiba. Uma gaucha e um capixaba. Dois anos depois, em agosto de 2003, viemos para Pelotas. Em 2009 nasceu a Sophia e, em 2011, o Henrique. Esta é a nossa família. E, falando a respeito da fé, que tem influencias enormes nesta história, gostaria de falar um pouco mais sobre os 'saltos'.
A Sophia tem dois anos e meio. É uma criança alegre, simpática e carinhosa. Como toda criança, ela gosta de brincar. Uma de suas brincadeiras prediletas é pular. Talvez, a melhor palavra seja saltar. Ela gosta de subir até o braço do sofá, por exemplo, e saltar de lá. Mas, a Sophia, apesar de se arriscar bastante, é verdade, jamais saltou para o escuro. Ela só pula quando vê o seu pai a uma distância segura que lhe permita pegá-la. A Sophia salta do sofá, da cama e até da escada do apartamento. Ela confia. Porém, a Sophia jamais saltou de nenhuma altura sem que acreditasse que o seu pai estaria lá para segurá-la.
Reconheço as minhas limitações. Por isso, procuro orientar a Sophia, educá-la para que tome cuidados. Participo da brincadeira procurando, porém, não ser irresponsável. A sua confiança e inocência poderão, em algum momento, pegar-me distraído. Posso falhar.
Tentar descrever a nossa relação com Deus com ilustrações a partir das nossas experiências humanas é correr o risco de limitar Deus à nossa humanidade. De fato a religiosidade nada mais é do que a tentativa humana de criar caminhos até Deus. Por isso, a fé cristã é algo mais do que religiosidade. Ela consiste no caminho que Deus faz até nós. Se a Sophia confia e salta é porque o Pai já está lá. E, antes disso, uma experiência, um relacionamento, uma proximidade já se estabeleceu. Levaria um tempo para você, leitor, conseguir que a Sophia saltasse no seu colo.
O Novo Testamento ensina muito sobre a fé. Um texto clássico encontramos em Hebreus 11 que começa assim: " A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê". Gosto das versões que trazem a tradução fundamento. Lembro das palavras de Jesus: "quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha" (Mateus 7. 24). Um bom fundamento fornecerá resistência até mesmo aos "temporais da vida". Somente por isso, Hebreus 11 pode incluir também versos como os 36 e 37. Uma fé em si mesma ou por si mesma não passa de algo que pode ser encontrado em qualquer livro de auto-ajuda. Não motivei, porém, dizendo: "Salta que você consegue!" Mas, "Salta que o papai te pega!"

segunda-feira, 7 de março de 2011

Férias... acabaram!

Pois é, as férias acabaram. Mas, ainda no clima! Afinal, devemos chegar em casa somente na sexta feira, dia 11. Neste feriadão acontece um retiro de jovens aqui em Luzerna-SC. Já aconteceram palestras no sábado e no domingo. Amanhã, terça-feira, darei a última palestra pela manhã. Está muito legal! A juventude aqui da região é bem animada e tem potencial! Vamos fazer a diferença galera!

Na quarta-feira de manhã, o plano é sairmos cedo rumo à São Leopoldo-RS. O ano letivo do mestrado já iniciou e não posso mais perder aulas. E, vamos nessa!
Mais uma vez, obrigado a todos que nos acompanham aqui No Coração do Pai.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Férias...

Ainda no oeste de Santa Catarina, hoje seguiremos para Luzerna e Tangará. Em Luzerna mora meu irmão e em Tangará minha irmã. Ficaremos por lá até o dia 09 de março. Nos dias de carnaval haverá uma programação organizada pelos jovens da Comunidade Luterana de Luzerna onde estarei palestrando.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Férias

Olá amigos e amigas que nos acompanham aqui No Coração do Pai. Como vocês devem ter percebido, estamos meio parados! É que depois do nascimento do nosso segundo filho, o Henrique no dia 26 de janeiro, resolvemos tirar alguns dias de férias. Estamos aqui nos meus sogros que moram em Cunha Porã - SC.
A residência fica a poucos minutos da cidade. Um tempo bom para descansar, no interior, curtir a chuva, o mato, o cantarolar dos pássaros, ler um pouco. Li em poucas horas a obra O Grande Abismo do C. S. Lewis. Recomendo!
Já levei bastante picadas de mosquitos capinando a beira da estrada para dar uma ajeitada no visual de chegada do sítio... rs... Lembrando os tempos quando cresci no interior lá no estado do Espírito Santo!
No último domingo também tive a oportunidade de compartilhar uma mensagem no culto da Igreja Luterana aqui da cidade (IECLB). Falei sobre Apocalipse, é claro. Uma mensagem de esperança!
A internet aqui não é lá essas coisas. Por isso não é muito fácil acessar e postar. Ficaremos por aqui até na próxima sexta quando partiremos para o município de Tangará, também em Santa Catarina.
A Sophia está curtindo bastante esses dias de liberdade no sítio do Vovô!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Por causa de Uma Bíblia

Levar a bíblia a todos os povos, em uma língua que possam entender e a um preço que possam pagar, essa missão das sociedades bíblicas teria sido inspirado na humildade, determinaçao e coragem de Mary Jones. E, eu descobri isso só hoje. Claro, talvez eu já o soubesse e tenha esquecido. Afinal, descobrir ou redescobrir esse fato se deu exatamente enquanto eu pesquisava sobre Mary Jones. Na verdade, eu procurava pelo livro, na sua versão em português, que conta a saga de Mary Jones. Um dos raros livros que tínhamos em casa quando eu era criança. Se não estou enganado, o título era 'Por Causa de Uma Bíblia'. Devo ter lido pelo menos umas três vezes. A história nunca mais foi esquecida. Assim como para Mary Jones, livros eram também coisa rara onde vivíamos. No entanto, além desse livro que contava a história de Mary, nós tínhamos alguns exemplares da Bíblia em casa. A lembrança sobre a a determinação daquela menina em ter a sua própria Bíblia nunca mais sairam da minha cabeça. A ponto de hoje me levar a pesquisar a respeito. Assim, descobri somente agora que, a admirável determinação de uma menina galesa em conseguir um exemplar da Bíblia, inspirou a fundação da primeira Sociedade Bíblica. E, com certeza inspirou também a minha curiosidade e desejo sobre as Sagradas Escrituras. Posso dizer que sou mais um cristão por causa de uma Bíblia...
Compartilho abaixo um texto que pode ser encontrado em outros sites e blogs na internet. Só não encontrei ainda outro exemplar do livro sobre Mary Jones e sua Bíblia.
Conta-se que as Sociedades Bíblicas, entidades dedicadas à produçao e distribuiçao do Livro Sagrado, em atividades no mundo todo, tiveram sua origem na bela história de uma menina. O lema das Sociedades Bíblicas - levar a bíblia a todos os povos, em uma língua que possam entender e a um preço que possam pagar - teria sido inspirado na humildade, determinaçao e coragem de Mary Jones, que viveu no Pais de Gales (Gra-Bretanha), durante o século XVIII. Em 1792, aos 8 anos de idade, Mary Jones começou a acalentar um sonho: ter a sua própria Bíblia. Ela queria poder ler, em sua casa, aquelas histórias tão bonitas que costumava ouvir na igreja. Esse desejo, no entanto, parecia impossível de ser realizado. Mary, que morava em uma pequena vila chamada Alan, ainda nao sabia ler - e, infelizmente, não havia escolas nas redondezas. Além disso, naquele tempo, as Bíblias - assim como os demais livros - eram muito raras e caras. Só poucos privilegiados podiam ter um exemplar das Escrituras Sagradas. E este nao era o caso da menina, cuja família era muito pobre. Mesmo assim, Mary Jones fez uma promessa a si mesma: um dia, ele teria a sua própria Bíblia.

O Primeiro Passo

Ao completar 10 anos, a menina viu surgir uma oportunidade de aprender a ler. Seu pai foi vender tecidos numa vila próxima, chamada Aber, e soube que ali seria aberta uma escola primária. Tempos depois, quando a escola começou a funcionar, Mary foi uma das primeiras crianças a se matricular. Muito motivada, ela logo se tornou uma das primeiras alunas de sua classe. Em pouco tempo, aprendeu a ler.

Enquanto isso, a menina continuava firme em seu propósito de conseguir a sua Bíblia. Agora que já sabia ler, a grande dificuldade era conseguir a quantia necessária para comprá-la. Para isso, fazia pequenos trabalhos, com os quais ganhava alguns trocados. Pegava lenha na mata para pessoas idosas e cuidava de crianças. Depois, com a intençao de ganhar um pouco mais, a menina comprou algumas galinhas e passou a vender ovos.

Passado o primeiro ano de economias, Mary abriu o cofre para conferir quanto havia guardado. Mas chegou a uma triste conclusao: havia conseguido economizar apenas uma pequena parte do que precisava para comprar a sua Bíblia. Durante o segundo ano em que estava juntando dinheiro, Mary aprendeu a costurar. Com isso, conseguiu guardar um valor maior - embora nao o suficiente, ainda para concretizar o seu sonho.

Mais um ano

Entao, no correr do terceiro ano, Mary teve de enfrentar uma acontecimento imprevisto - seu pai, ficou doente e deixou de trabalhar. Por isso, ele teve que dar tudo o que havia economizado durante aquele ano para sua família. E, desta vez, Mary nao pode colocar nada no cofre. Mas continuou trabalhando e, no final do quarto ano, conseguiu completar a quantia de que precisava para comprar a Bíblia. Nessa época, Mary tinha 15 anos de idade.

Ela já podia, entao, comprar a sua tao sonhada Bíblia. Mas onde iria encontrá-la? O pastor de sua igreja lhe informou que nao era possível comprar Bíblias em Alan, nem nas vilas vizinhas. Ela só conseguiria encontrar um exemplar na cidade de Bala, que ficava a 40 quilômetros dali. Naquela cidade, morava o Rev. Thomas Charles, que costumava ter em sua casa alguns exemplares das Escrituras Sagradas, para vendê-los as pessoas da regiao.

Com esta informaçao, Mary foi para casa e pediu a seus pais que a deixassem ir a cidade de Bala. No inicio, eles nao queriam que ela fosse sozinha. Mas a mocinha insistiu tanto, que os pais acabaram concordando.

Sem sapatos

A longa viagem de Mary Jones foi feita a pé. Pensando em poupar seus sapatos da dura caminhada, a fim de poder usá-los na cidade, ela resolveu ir descalça. Depois de caminhar o dia todo, por fim, no inicio da noite, Mary chegou à casa do Rev. Thomas Charles. Ali, no entanto, mais uma dificuldade a esperava: o Rev. Thomas havia vendido todas as suas Bíblias. Ele ainda tinha alguns poucos exemplares, mas esses já estavam todos encomendados.

Ao receber essa noticia, Mary começou a chorar. Em seguida, mais calma, ela contou toda sua longa história ao Rev. Thomas Charles. Entao o pastor, comovido, dirigiu-se até um armário, retirou de lá uma das Bíblias vendidas e entregou-a à Mary.

Impressionado com a história daquela menina, o Rev. Thomas resolveu contar o que tinha ouvido aos diretores da Sociedade de Folhetos Religiosos, uma entidade Crista local. Profundamente tocados com a luta de Mary Jones para conseguir seu exemplar da Bíblia, os diretores daquela organizaçao chegaram à conclusao de que experiências como a dela nao deveriam mais se repetir. Decidiram, entao, fazer alguma coisa para tornar a palavra de Deus acessível a todos. E, depois de muito estudo e oraçao, resolveram organizar uma nova sociedade, com a finalidade de traduzir, imprimir e distribuir a Bíblia. Foi assim que, no dia 7 de dezembro de 1802, foi fundada a primeira sociedade Bíblica, que recebeu o nome de Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Pode! Não Pode!



Quando criança e adolescente lá no interior do Estado do Espírito Santo, uma das coisas que eu e meus irmãos sempre fazíamos era subir nas árvores. Fosse por brincadeira ou para apanhar alguma fruta sempre estávamos lá nos arriscando nos galhos mais altos. Os pés de ingás e goiabeiras tinham os galhos mais flexíveis. As mangueiras eram as mais altas. Já os pés de laranja, apesar dos galhos mais resistentes, ofereciam o risco dos espinhos. Essas lembranças me ocorrem agora lendo mais uma vez o livro bíblico de Genesis. Não posso deixar de imaginar que o Éden era não apenas um jardim, mas também um imenso pomar. As árvores frutíferas estavam lá para alimento dos seres humanos e animais. Além da liberdade, as pessoas receberam também uma advertência: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá” (Genesis 2. 16, 17).
Eu não sei bem que árvore proibida era essa lá no Éden, mas, lembro que meus pais tinham também suas advertências e proibições: ‘não subam tão alto, ‘cuidado, não se arrisquem nas pontas dos galhos tão finos’, ‘vocês podem cair daí e quebrar uma perna ou um braço’, ‘não comam fruta quente do sol que pode dar dor de barriga’, entre outras coisas. Felizmente, nunca chegamos a nos acidentar gravemente. No entanto, eu sei que se um dia eu tivesse caído e realmente me quebrado todo, isso não teria acontecido porque minha mãe disse que aconteceria. Ela apenas me alertou sobre uma conseqüência óbvia e possível de acontecer quando se desafia a lei da gravidade. A mesma lógica se aplica ao aviso sobre os riscos de se brincar com fogo, de entrar em águas profundas, provocar animais ferozes, etc. Deus criou todas as coisas com ordem. Existem leis que ajudam a manter a harmonia da criação. E, sempre que essas leis são quebradas as consequências são inevitáveis.
Muitas vezes nós resmungamos insatisfeitos ao ouvir coisas que parecem somente proibições autoritárias ou recomendações chatas. Chegamos a reagir como se algumas coisas existissem apenas para limitar, cercear, restringir. Deixamos de perceber a beleza, a ordem, a harmonia possibilitada pelo amor gerador da vida. Quando me queimo não lembro de que é o mesmo fogo que ajuda a preparar aquela comida saborosa. A mesma gravidade que se torna um risco para quem sobe é a que me mantém seguro ao chão. A mesma abelha que ferroa é a que produz o mais doce mel. O mesmo Deus que disse para não comer de UMA das árvores do Jardim, disse que TODAS as demais estavam à disposição...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Cuidado de Deus

Estou procurando escrever sobre sinais e experiências de transcendência de antes de eu ter uma clareza maior da graça e do amor de Deus em minha vida. Na semana passada escrevi sobre um desses momentos durante o trabalho na lavoura. O episódio que passo a narrar a seguir aconteceu mais ou menos na mesma época e em situação semelhante.
Pelo ano de 1992 eu estava no ensino médio. O colégio ficava 9 Km da minha casa. Havia uma caminhonete que levava o pessoal do interior para estudar a noite. Livros era coisa rara em casa. Minha infância e juventude não foram de muita leitura, embora o interesse existisse. A dura vida no campo aumentava o desejo por estudar. Um dia apareceu no colégio um pessoal vendendo livros. A ‘promoção especial’ do momento era uma gramática de português, um dicionário e um atlas mundial. Fiquei encantado. Como eu quis aqueles livros! No fundo sabia que seria impossível. Nossa família era muito humilde e meu pai nunca soltou dinheiro nas mãos da minha mãe ou dos filhos. Meus irmãos e eu sentíamos dor de barriga só de pensar em pedir algum dinheiro pra ele, mesmo que fosse por motivos relevantes (jamais ousaríamos pedir dinheiro se não fosse situação de emergência). Meu pai era capaz de fazer verdadeiro escândalo diante de um pedido de dinheiro para qualquer coisa.
Os livros, apesar da promoção, ainda representariam 10% do nosso orçamento, dependendo do ano e da colheita. Impossível! Mesmo assim, não sabia como e nem a razão, era como se eu acreditasse que poderia tê-los. A idéia não me saía da cabeça. Lembro só de relacionar tudo a um tipo de expressão cognitiva que poderia ser traduzido como oração. Era como se eu soubesse que se havia uma chance ela estaria na intervenção divina. Dormi pensando nisso e acordei pensando nos livros. A manhã foi de capina com meu pai e meu irmão. Estava só com meus pensamentos e orava. Como falar sobre isso com meu pai? Qual seria o melhor momento? E se ele estivesse em mais um daqueles maus dias? Foi numa parada para descansar à sombra entre o almoço e o café do meio dia. Tentei parecer despretensioso. Como se apenas quisesse compartilhar sobre a noite anterior no colégio, falei. Logo eu já estava encarnando o típico vendedor a mostrar as vantagens do produto e a oportunidade única de fazer um bom negócio. Não cheguei a pedir nada. Eu não teria coragem. A rigidez e o espírito nervoso, bravo do meu pai, me traumatizaram a ponto de até hoje eu não conseguir pedir nada a ninguém. Ficou assim.
Voltamos ao trabalho. Minha esperança aumentou devido ao interesse que meu pai demonstrou pelo assunto. Até cogitou possibilidades de como proceder para conseguir dinheiro. Eu experimentava um misto de incredulidade e esperança. E, não é que de tarde, ele disse que iria junto ao colégio! Disse que passaria num amigo, emprestaria um cheque e iria pessoalmente falar com os vendedores. Eu não estava acreditando, aquele não parecia meu pai. No entanto, foi o que aconteceu. O Dicionário e o Atlas eu tenho comigo até hoje. Nunca fui tão grato a Deus. E, acho que nunca soube ser grato ao meu pai. Foi uma experiência realmente marcante, pois vi como até mesmo o impossível pode se tornar possível.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Saudades no Silêncio

Quando criança, eu acompanhava meus pais a igreja (IECLB). Fui batizado com três anos de idade. Na fase adolescente a minha mãe foi a maior influência cristã. Freqüentei os dois anos do Ensino Confirmatório na Igreja Luterana. Minha adolescência e juventude foram marcados por uma vida de oração diária e pelo envolvimento maior com as atividades eclesiásticas: edificação de uma nova comunidade, liderança de grupos de juventude, participação em presbitério de comunidade, etc.
Entre 1986 e 1996 morei com minha família no interior e vivíamos do trabalho na lavoura, principalmente café. Foi o tempo mais longo que morei num mesmo lugar até hoje. Lá no estado do Espírito Santo eu devo ter morado em mais ou menos dez casas diferentes. Nossa família se mudava muito. Lembro-me bem que no serviço braçal a mente ficava mais livre para deixar voar a imaginação, fluir a criatividade e filosofar sobre a vida. A insatisfação com a realidade difícil gerava tristeza e sentimentos de profunda depressão. No entanto, mesmo capinando debaixo de sol forte, o que eu definitivamente não gostava, experimentava flashes de profunda alegria inexplicável. Algumas dessas experiências estão diretamente relacionadas à oração e certeza da presença de Deus.
Uma dessas experiências, eu não me lembro bem quando e nem o que desencadeou o processo, aconteceu na lida da roça. Não sei se nos dias anteriores eu havia participado de alguma programação da igreja ou coisa parecida, mas, enquanto capinava minha mente livre estava a mil... Entre os pensamentos e sentimentos envolvidos, de repente experimentei uma profunda alegria e certeza do amor de Deus na minha vida. Algo inexplicável. Se alguém olhasse poderia ver que eu ria sozinho. A vontade era de gritar até, coisa que minha timidez e preocupação com a opinião alheia não permitiram. Normalmente trabalhávamos juntos em família. Apesar de já terem se passado cerca de quinze anos, nunca esqueci aquele momento.
A vida no campo suscita lembranças de momentos onde a mente era livre para refletir, os olhos podiam alcançar mais longe do alto dos morros capixabas, a natureza era uma realidade envolvente, o silêncio permitia ouvir a ausência do coração. Alguns daqueles momentos lembravam o sentimento da saudade. Saudades de algo que eu ainda não tinha vivido. Saudades de voltar para onde eu nem sabia que tinha partido. Hoje, o silêncio é mais difícil. Falta contemplação. Sei que Deus não se prende a um lugar. Sou eu quem precisa deixar-se encontrar!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

1976:

Steve Jobs e Steve Wozniac lançam a Apple

Acontecem os Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá

O Internacional vence o Campeonato Brasileiro de futebol

James Hunt é campeão mundial de Fórmula 1

Salvador Dalí pinta 'Gala Contemplating the Sea'

Com gol de Joãozinho aos 43 do segundo tempo, o Cruzeiro vence o River Plate da Argentina e de igual maneira conquista a Taça Libertadores da América pela primeira vez

Fidel Castro torna-se presidente da república de Cuba

O punk rock se torna um movimento musical de grande repercussão nos EUA e Inglaterra, a partir das bandas Ramones e Sex Pistols.

Lançamento dos filmes Carrie, a Estranha; Rocky, Um Lutador;

Falecem: Juscelino Kubitschek, 24° Presidente do Brasil; Mao Tse-Tung , político República Popular da China; Di Cavalcanti, pintor Brasileiro; João Goulart , 27º Presidente do Brasil

Nascem: Colin Farrell, actor irlandês; Simony, cantora e de igual maneira apresentadora de televisão brasileira; Gustavo Kuerten, tenista profissional do Brasil; Ronaldo Nazário, jogador brasileiro de futebol e, muitos anônimos mundo a fora, inclusive eu.

terça-feira, 22 de abril de 2008

"Pé de chimarrão"


Pois é, a curiosidade de um capixaba morando no Rio Grande do Sul para ver um pé da erva mate foi satisfeita em Santa Catarina. Aí estão as fotos... Foi no interior, municípios de Luzerna ou Água Doce.
Até lembra café quan
do está madurinho no pé! Prá beber ainda sou muito mais um café bem quentinho!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Embora Eu Não Saiba Como

Eu vivi dezoito dos meus primeiros vinte anos de vida no campo (na roça como se diz no estado do Espírito Santo). Até então a minha vida se resumia a brincar, estudar e trabalhar na lavoura. De tudo que se pode fazer na lavoura eu já capinei, rocei, podei, plantei e colhi. A agricultura principal sempre foi o café. Mas, também plantei e colhi arroz, feijão, milho, cacau, melancia, abóbora, mandioca, amendoim, eucalipto, banana, abacaxi e diversas outras árvores frutíferas. Também já plantei e reguei muitas verduras, legumes e flores. O trabalho sempre foi braçal, tanto a colheita quanto a capina. Com a constante falta de chuva vi muitas colheitas serem frustradas. Nossa família nunca teve a sua própria terra, por isso, também não tínhamos condições para irrigar as plantações.

Dizem que a realização na vida acontece depois que a pessoa pelo menos tenha escrito um livro, tido um filho e plantado uma árvore. O livro e o filho ainda não aconteceram, mas, pelo menos, posso dizer que já plantei centenas de árvores. Com certeza, muitas delas devem estar dançando ao embalo do vento agora. Um dos prazeres de quem planta é ver a sua plantação crescer e produzir. Normalmente o agricultor e o jardineiro vão dar uma olhada no campo para acompanhar a germinação, o crescimento, a florada e os grãos e frutos se formando. Depois que lançou a semente na terra, a pessoa não tem mais muito o quê fazer. A tarefa principal consiste em esperar.

Todo ser humano deveria ter a oportunidade de plantar alguma coisa na vida. Experimentar a sensação de impotência e expectativa de quem semeou e aguarda ver os resultados. Uma virtude importante na vida de quem planta é a paciência e a confiança. Quando a gente vive na agitação de uma cidade grande o tempo parece voar. Tudo passa ligeiro. Ninguém tem tempo pra nada. Já o agricultor planta e espera. Os dias são longos. As semanas se arrastam. Um mês é tempo que não acaba mais.

Você já viu um colono dizer que está estressado? O agricultor não se estressa. Ele planta e espera. Ele não fica angustiado com o grão que não germina, com a espiga que não aparece e nem com o fruto que não amadurece. Ele sabe que no tempo certo, com as condições favoráveis, a colheita estará garantida. Outra coisa que não costuma preocupar o agricultor é saber como todo esse processo de germinação e crescimento acontece. Ele consegue conviver com esse fenômeno com uma naturalidade incrível.

O que tudo isso tem a ver com o Reino de Deus? Para Jesus tem tudo a ver: “O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra...” (Marcos 4. 26-29).

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Minhas Meditações Sobre o Natal

Calor, Trovoadas, Mangas... É Natal!
Mais um natal! São muitas as sensações nesse tempo mágico. Apesar de toda a banalização e exploração comercial em cima da data, algo ainda insiste em permanecer! Uma nostalgia misturada com esperança. O vivido e o por viver! O natal me faz recordar os tempos de criança e, depois, já adolescente. Um tempo onde as coisas eram mais simples. Não sei se porque eu era criança ou se porque era um tempo anterior ao de agora! Dos dez aos vinte anos morei num lugar chamado Córrego São Luiz, interior de Vila Valério no estado do Espírito santo. Região agrícola onde o forte é o café. Vivíamos lá, meus pais com três filhos e uma filha.
O terreno não era nosso. Trabalhávamos entregando sempre a metade da colheita ao proprietário das terras. Apesar da pobreza e da vida simples, o natal sempre era aguardado com expectativa. Não tinha ceia, nem árvore de natal, não tinha papai noel, muito menos troca de presentes... Lembro umas duas vezes, quando penduramos goiabinhas verdes enroladas com o papel chumbo (dourado ou prateado) num pinheiro que tinha na frente de casa. O papel era guardado do ano anterior, aqueles de embrulhar bombom. Os bombons eram os dois ou três que vinham no pacotinho de natal da igreja. Ah sim! Pacotinho muito aguardado também! Algumas vezes participamos de programas de natal recitando poesias, jograis ou encenando uma peça natalina. Não tinha preparativos especiais, comida e bebidas diferentes... Não tinha enfeites de natal, exceto algumas coisinhas simples e improvisadas que a mamãe arranjava. Algumas vezes ela nem queria ir conosco a igreja, que era para não vermos as outras crianças recebendo aquilo que ela não podia dar aos filhos... Os pacotes eram pagos! Algumas vezes nós ficamos sem.
Final de ano é muito quente no Espírito Santo. Época de manga, melancia e abacaxi. Quantas vezes íamos aos ensaios na igreja e voltávamos debaixo de muita chuva. O calor propicia temporais maravilhosos no Espírito Santo. Até hoje gosto de ver uma tempestade se formando no céu escuro. Como não saíamos e nem recebíamos visitas, o passatempo era assistir os filmes e desenhos animados com temas natalinos na pequena TV preto e branco. Talvez essa experiência dos natais passados seja que hoje não me permite encontrar nenhum significado naquilo que vejo e ouço sobre o natal da mídia.
Eram tempos difíceis. Mas, lembro com saudades. Tempo em que o natal era mais mágico. O natal, assim, ainda permanece para mim como um tempo bom. Não sei explicar. Não tem nada a ver com tudo o que vemos e ouvimos nessa época... Sei que Maria “deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2. 7).
Dezembro de 2007
Tá aí a 'família Buscapé':
Rodomar, Ricardo (Júnior), Romildo, Rosimere, Mamãe (Maria) e Papai (Ricardo)
Foto de Janeiro de 1994 lá no Córrego São Luiz/ES.
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Natal Feliz
Chegamos à época do ano em que as pessoas desejam um feliz natal. Mas, o que seria um natal feliz? Para milhões de crianças nada pode trazer maior felicidade do que ganhar do papai Noel o presente tão esperado. Para um papai “Noel” desempregado que não pode atender o desejo do filho, a felicidade está em finalmente conseguir emprego. Para os familiares e amigos que tem alguém num leito de hospital a felicidade está em que a pessoa querida se recupere e volte para casa.
Comida para quem tem fome; saúde para quem está doente; trabalho para quem está desempregado; companhia para quem vive solitário; reencontrar os familiares que a tempo não vê; recordar os tempos de outros natais que borbulham da nostalgia provocada pelos cânticos natalinos; receber aquela visita inesperada; ter uns dias para poder dormir até mais tarde... Sentir-se vivo.
Engraçado. Desde o mês de outubro assistimos uma enxurrada de propagandas relacionando felicidade com presentes. Todos correm num consumismo desenfreado. Comprar, comprar, comprar... Parcelar, financiar, quitar... E o novo ano que todos queriam que também fosse feliz, acaba se tornando mais uma vez a luta para pagar o preço de um “feliz” natal.
Mas, quanto custa um prato de comida para quem tem fome? Quanto custa a presença e o abraço de um pai ausente o ano todo imerso em seu trabalho? Quanto custa um bom papo com os amigos e familiares onde se relembra, entre boas risadas, aqueles natais do passado? Como pagar a alegria de poder voltar para casa depois de um longo tempo preso na cadeia ou no leito hospitalar? Quanto custa um abraço? Quem pode pagar por um sorriso? Você já viu alguma promoção de cosquinhas? Qual é o papai Noel que pode trazer aquela comidinha que só a mamãe sabe fazer? Você já tentou embrulhar um beijo? Não, nada pode pagar um colo...
Neste natal, dê o seu presente, aquele que você comprou lá na loja e fez um pacote bonito. Mas, não esqueça o mais importante. Para o seu natal ser feliz é preciso fazer alguém feliz. E, para isso, um presente caro e embrulhado com capricho pode ser apenas o detalhe. Ás vezes, um detalhe dispensável. Pode parecer clichê o que vou dizer, mas, nenhum presente equivale a se fazer presente. E o curioso é que isso custa pouco, muito pouco para quem dá. E, vale muito, muito mesmo para quem recebe. A moda passa. Os presentes logo são esquecidos. Aquilo que você viveu na presença das pessoas que ama permanece para sempre. O presente mais importante e valioso para um ser humano é outro ser humano. Um presente, presente.
Um natal humano e feliz para você e toda a sua família!
Dezembro de 2006
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Seja Rico ou Seja Pobre Ele Vem
Se o Papai Noel existisse, ele seria o homem mais solitário do planeta. Apesar de, conforme a crença, ele ser um velhinho bondoso que sai por aí distribuindo presentes no natal, nunca ninguém disse que ele tivesse amigos. Embora que todos que recebem seus presentes possam considerá-lo um amigo – mas, “todos são amigos de quem dá presentes” (Provérbios 19. 6). De acordo com a lenda, Papai Noel conhece todo mundo. Mas, ninguém conhece Papai Noel! Ninguém sequer o vê para agradecê-lo. Na verdade, quem se importa? Desde que o pressente esteja lá como de costume! Sim, ele conhece todos, “seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem...” Quando eu era criança, ouvia essa música e ficava pensando: Puxa! Acho que eu não sou rico e nem sou pobre!
Dizem que ele só trás presentes para ‘quem se comportou’ durante o ano. Ele segue uma espécie de justiça retribuitiva, ou seja, só ganha presente quem mereceu. Mas, quem poderia ganhar alguma coisa por merecimento? Aquele menino da outra rua que vive implicando com todo mundo, adora maltratar os cachorrinhos, cola nas provas do colégio, ta sempre xingando palavrão e, ainda assim sempre ganha coisas incríveis no natal!? Será que mais uma vez eu fiz alguma coisa que faz de mim uma pessoa pior do que ele!?
No teto da capela Sistina, no Vaticano, Michelangelo pintou a figura de um senhor de cabelo e barba grisalhos. Seria o Deus de Michelangelo um Papai Noel apenas um pouco mais jovem? Ou seria o Papai Noel de cabelo e barba branca a representação de Deus no imaginário de milhões de pessoas? Aprendemos que Deus criou todas as coisas. Ele conhece todas as pessoas. Ele mora mesmo num lugar distante onde ninguém sabe ao certo onde fica? Muitos gostam de repetir que Deus é amor. Seria por isso que ele sai, uma vez por ano, distribuindo presentes para quem foi comportadinho?!
Para os cristãos, o tempo de quatro semanas que antecede o natal é conhecido como advento, do latim adventus, que significa vinda. É um tempo de espera, alguém está por chegar. É uma época onde muitas pessoas limpam bem suas casas, o pátio, o caminho de chegada... Lembro-me bem de ver e viver essa realidade no interior do estado do Espírito Santo. Mas, ainda hoje não é diferente. Mesmo não sabendo bem o quê esperam as pessoas vivem uma expectativa, fazem arranjos como se alguém especial estivesse para chegar. Em alguns bairros e cidades ele até já chegou antecipadamente. Puxa vida! E nem deu tempo de dar uma geral na casa! Ainda bem que ele ficou só ali pela praça mesmo!
É triste como uma figura tosca, todo empacotado em pleno verão de um Brasil tropical, símbolo do consumismo e garoto propaganda do marketing natalino se transforma em mais um bezerro de ouro, fazendo com que tudo seja deturpado! Ainda bem que deixei cedo de acreditar em Papai Noel. Isso sim, não passa de “ópio para o povo”. Uma maneira de iludir os mais incautos e fazê-los dormir num sonho para acordarem num pesadelo. A alegria do décimo terceiro de hoje pode se transformar na dor de cabeça de um SPC amanhã. Eu sou mais Deus. Ele, nunca ninguém conseguiu retratar. Ele não seria insensato a ponto de usar gorro, paletó e botas em pleno verão brasileiro. E, o que é mais reconfortante: Ele demonstra o seu amor por nós quando ainda éramos pecadores (Romanos 5. 8). Ele sim, vem e não decepciona. Mais do que presentinhos, Ele dá a própria vida! E tudo isso, mesmo que eu não tenha sido assim tão comportadinho!
Dezembro de 2005
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Chegamos a época do ano em que o centro da cidade é o pior lugar para se estar. Vendedores ambulantes oferecem os seus produtos, novas lojas abrem as portas, enfeites natalinos de todos os tipos acrescentam luz e um tom avermelhado a paisagem, muito barulho de carros e pessoas se trombando pelas esquinas, o comércio anuncia suas novidades e promoções... É natal ou, quase.
Na verdade ainda estamos no tempo da espera. É o advento que antecede aquele dia tão esperado. Advento é vinda, é chegada. Todos se envolvem pelo clima. Cada um numa expectativa pessoal: as crianças esperam o papai Noel; todos aguardam ansiosos pelo seu presente; famílias esperam a visita de amigos e familiares; trabalhadores cansados estão ansiosos pelas férias; outros não vêem a hora de viajar e comerciantes e empresários aguardam contabilizar bons lucros obtidos nesses dias de euforia... E..., finalmente, festa!
Sim, é hora de celebrar! É tempo de comemorar! Mais um ano se foi, o tempo passou, muita coisa aconteceu. Dormimos, acordamos, trabalhamos, brincamos, choramos e rimos. Cada um a sua maneira, de acordo com as particularidades de sua própria vivência. No meio disso tudo, às vezes, se ouve falar coisas bonitas. Dizem que natal é tempo de solidariedade. É hora de reunir a família, ouvir mensagens de amor e paz. Na verdade é o que mais ouvimos nesses dias, no entanto, é o que menos se vê na prática.
Alguns poucos aguardam o nascimento do menino Jesus. Sim, Jesus. Para surpresa de muitos é Ele mesmo a razão do natal. Porém, Ele não nascerá mais. Não existe mais menino Jesus. Como diz bem a música: “já nasceu Deus menino para o nosso bem...” Nasceu! Também cresceu, viveu, caminhou e ensinou pelos caminhos empoeirados da Palestina. Morreu! Ele sabia bem que essa seria uma das etapas de sua existência na terra. Falou de um tempo onde “muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade o amor de muitos esfriará” (Mateus 24. 10-12). Falou ainda muitas outras coisas antes de ser pregado à cruz. Como Ele sabia que entre os propósitos de Deus constava a sua ressurreição, ascensão e uma nova vinda, disse ainda que “o seu povo estivesse preparado, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam” (Mateus 24. 44).
É esse o tempo de espera que vivemos hoje. Jesus não virá mais num dia 25 de dezembro qualquer. Não virá mais como menino e Salvador. Não haverá mais presentes, papai Noel e enfeites baratos. Na verdade haverá muito mais lamento que alegria naquele dia (Mateus 24. 30). Não haverá nascimento. Haverá um retorno, o dia em que Jesus voltará.
Talvez não fosse essa a mensagem que você esperava nesses dias. Mas não é enganando a si mesmo e tapando o sol com a peneira que você mudará a realidade. O que você está esperando? Quais são as suas maiores expectativas? O Apóstolo Paulo disse que até a natureza aguarda com grande expectativa que os filhos de Deus sejam revelados e conclui que “nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. Pois nessa esperança fomos salvos” (Romanos 8. 19-27). Um final de ano de esperança para você e todos os seus!
Dezembro de 2004

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