domingo, 20 de setembro de 2020
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Equipe ou Carrossel?
A partir da observação de como funciona este brinquedo, criou-se a expressão "efeito carrossel". De forma semelhante, por se tratar de uma espécie de dança de roda, se utiliza a expressão "ciranda" para dizer que existem pessoas trocando de lugar sem que no todo se observe muitas alterações. Finalmente, há também a famosa brincadeira da "dança das cadeiras". Creio, no entanto, que não é necessário que eu estique mais esta conversa para fazer um adulto compreender o sentido em que desejo ser interpretado no uso das expressões "carrossel", "ciranda" ou "dança das cadeiras". Muito provavelmente a brincadeira de criança já não é mais o significado primeiro e direto que vem à mente.
Você trabalha com outras pessoas? Muito bem, seu departamento de trabalho, seu ministério, este grupo onde você está inserido, funciona como uma equipe ou como um carrossel? Explico. Numa equipe as pessoas ocupam funções específicas sem, necessariamente, terem que se ocupar com todas as atividades de um processo. Cada um pode se dedicar naquilo que faz melhor sem perder a perspectiva do todo. Numa equipe a pessoa sabe que aquilo que ela está realizando contribui para algo mais amplo que é complementado pela atividade de outra pessoa.
Vemos que muitas paróquias da IECLB, por exemplo, onde até se consegue ter mais de um ministro trabalhando, não há trabalho em equipe de fato. Ou se divide a paróquia por regiões geográficas e cada um fica na sua, fazendo tudo (Obviamente é preciso levar em conta que determinados contextos, especialmente onde as distâncias são longas, requerem tratamento próprio) . Ou, todos fazem tudo num verdadeiro carrossel, passando de uma atividade pra outra enquanto os demais fazem o mesmo. Com isso, todos gastam a mesma energia preparando-se para as mesmas atividades sem que haja otimização de tempo e recursos. E, sem que cada um possa, de fato, dedicar-se àquilo que faz de melhor. Um excelente pregador precisa, portanto, fazer um esforço enorme para também organizar o encontro de jovens, enquanto o outro, que é excelente na condução do trabalho com jovens, precisa também dedicar-se à pregação, o que lhe toma o dobro do tempo sem que atinja a mesma qualidade e eficácia do outro que é ótimo nisso.
O responsável por esta incapacidade de trabalhar em equipe nem sempre é só dos ministros. Na maioria das vezes os membros e, especialmente o presbitério da comunidade ou o conselho paroquial, fazem questão de "ver" todos os seus ministros girando pelo carrossel da agenda paroquial, afinal, são pagos para isso. Impera ainda na cabeça de muitos a ideia de que o trabalho de pastoreio se dá do púlpito. Ledo engano! O dia a dia de um trabalho pastoral passa por relacionamentos, contato pessoal, visita, preparo em oração e leitura da Bíblia, descanso e tempo para a própria família. São muitas coisas que geralmente são ignorados, pois não são atividades que acontecem diante dos olhos de uma grande plateia. Basta ver como os relatórios são montados com dados estatísticos na ânsia de mostrar serviço.
A maneira como muitas paróquias tem definido a vaga a ser ocupada pelo próximo ministro já é revelador. Pede-se alguém que, simplesmente, não existe. Afinal de contas, quem é que pode assoviar e chupar cana ao mesmo tempo, como muitos esperam de seu pastor? O tema "trabalho em equipe" é necessidade urgente a ser trabalhado em nossa igreja. Não existe nenhuma receita pronta. Mas, isso não é desculpa para fugirmos do fato de que há muito o que progredir nessa área!
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
O Ministério em Equipe
Considerando que o ser humano é um ser relacional por natureza, não chega a surpreender que, além de sabermos conviver, também se espere que saibamos trabalhar em cooperação uns com os outros. “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas” já dizia o sábio (Eclesiastes 4:9). A Bíblia, aliás, se tornou fonte de inspiração para muitos autores de best-sellers nas áreas da gestão e de recursos humanos.
Enquanto testemunhamos tudo isso, por outro lado, vemos a igreja muitas vezes sem saber direito o que fazer quando o assunto é liderança, trabalho em equipe e planejamento. Há, inclusive, quem pense serem estes assuntos “seculares” ou “do mundo” com os quais a igreja não deveria se importar, pois não se aplicam a ela. Uma verdadeira contradição já que até mesmo as organizações seculares já descobriram a riqueza dos princípios bíblicos e sua contribuição para estas áreas. Pensando nisso é que o elogio de Jesus Cristo a um administrador desonesto faz todo sentido: “O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz” (Lucas 16:8).
Como cristão me incomoda essa comparação de Jesus. Pois fico imaginando qual seria o limite entre a humildade e a ousadia, entre a sabedoria e a ingenuidade, entre a autoridade e a omissão. Inevitavelmente lembro outra palavra de Jesus onde ele oferece uma orientação aos discípulos, sua equipe de trabalho: “sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mateus 10:16).
Qual é a dificuldade para se trabalhar em equipe no ministério cristão? Quais os desafios que precisam ser superados? Se “a manifestação do Espírito” nos é dado “para o proveito comum” (1 Coríntios 12:7) então, onde reside a nossa ignorância? De que precisamos que Deus nos liberte?
Não somos todos um só membro (1 Coríntios 12:14). Fazemos parte de um Corpo. Encontrar o meu lugar significa também reconhecer o lugar do outro. O trabalho em equipe só é possível entre pessoas que reconhecem de forma equilibrada seus dons, talentos e potencialidades ao mesmo tempo em que reconhecem suas fragilidades, fraquezas e limitações! E, claro, sabem reconhecer o valor das habilidades de outras pessoas que devem receber espaço para preencher as lacunas deixadas por minhas limitações.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Quando a Igreja Deixa de Ser Igreja
É importante que tenhamos isso em mente para que não façamos leituras equivocadas quanto ao propósito e razão de ser da igreja. Quando surge uma comunidade como uma igreja local, temos ali, um grupo, uma pequena "igreja" que se encontra a fim de celebrar, adorar a Deus, cultivar a comunhão entre os irmãos, vivenciar a fé, prestar auxílio e servir. A pregação da Palavra de Deus e a ministração dos Sacramentos (batismo e santa ceia) são as marcas centrais da igreja, especialmente na tradição protestante. O propósito central da igreja, neste sentido, portanto, é fortalecer a fé dos fiéis, anunciar a palavra da graça de Deus, convidar a todos para que se arrependam e creiam no evangelho da salvação. Só isto já justifica a existência da igreja e constitui sua relevância social e espiritual na sociedade.
Como organização (internacional, nacional ou local), as igrejas precisam de uma estrutura mínima para que se organizem e atuem como corpo de Cristo na pregação da Palavra e ações de misericórdia. A questão fundamental aqui é que a estrutura deve estar sempre a serviço desta missão da igreja e nunca o contrário. Quando isso é mantido na perspectiva correta, então, não haverá crise ou grandes conflitos a cada vez que a estrutura tiver que ser modificada, reformada e adaptada. A estrutura, diferente do evangelho, é circunstancial, temporária, útil enquanto servir aos propósitos da igreja. Portanto, nenhuma estrutura pode ser sacralizada, tornando-se um fim em si mesma. O propósito da organização, da estrutura, é servir à igreja, é favorecer a missão da Igreja, é ser um vaso de barro, um instrumento, um meio. E, como tal, deve estar sempre sujeito à revisão, reforma, adaptação, e, até, extinção. Extinguir uma instituição não significa, jamais, extinguir a Igreja ou uma igreja. Portanto, é sábio que toda forma de organização eclesiástica, bem como suas programações, podem e devem ser constantemente avaliadas, remodeladas e melhoradas. Lembrando sempre, é claro, que a organização visível em algum tipo de instituição é inevitável!
Sempre que um modelo de organização eclesiástica com todo o seu aparato e formas se torna um fim, a igreja tende a perder o seu diferencial na sociedade. Logo, perde também a sua relevância. Uma igreja local, por exemplo, pode se tornar um clube, uma associação com outros interesses, um clube étnico, um grêmio recreativo, uma espécie de sindicato, uma ONG, etc. Não que qualquer destes outros interesses, em si, sejam ruins. O fato é que a igreja não existe para isso. Para todos os fins na sociedade existem outros meios, outras instituições que, não raro, cumprem com suas funções com muito mais competência que uma igreja que está desvirtuada daquilo que ela deveria ser. Logo, quando uma igreja (como denominação ou como comunidade local) está mais concentrada em obter dinheiro e se dedica a promover eventos e desenvolver produtos com este fim, ela está atuando na esfera do mercado, o que, definitivamente, não é seu papel. Não que uma igreja, seja ela uma organização local ou nacional não precise de recursos financeiros. Mas, em sua esfera de atuação, estes recursos devem ser levantados através da doação e contribuição voluntária de pessoas, nunca fruto de negociações, venda de produtos e promoção de eventos. Cabe aqui mais um esclarecimento: não estamos dizendo que é necessariamente errado que se levante recursos com eventos e venda de produtos e promoções, etc. para os mais diversos fins na sociedade em geral. O caso é que quando uma igreja faz disso o seu "carro chefe", o que temos não é mais uma igreja, mas qualquer outra instituição social que, embora ainda possa se denominar igreja, se degenerou em alguma outra coisa.

Uma igreja, portanto, deve ser conhecida e respeitada na sociedade pelo amor com que os seus membros demonstram uns pelos outros e pelo serviço que estes mesmos membros estão dispostos a dispensar para com a realidade à sua volta (Atos 2. 42-47). Com isso, sugiro que você faça uma pesquisa em sua cidade. Saia pelas ruas e pergunte às pessoas o que elas pensam da tua igreja local. Como a tua comunidade é conhecida na cidade? Obviamente você obterá respostas de pessoas que vão querer desabafar seu ódio e frustração contra toda e qualquer igreja, mas, na maioria dos casos, obterá uma impressão que a tua igreja está causando ali. Se a tua comunidade for mais conhecida, por exemplo, como a igreja das "boas festas do chopp e da linguiça", com certeza alguma coisa está errado. E, não que o erro esteja em que haja boas festas, ou, que exista algum problema em apreciar um bom chopp ou gostar de pão com linguiça. Afinal de contas, sempre poderemos encontrar boas festas, bons chopps e boas linguiças. Mas, onde as pessoas encontrarão, quando quiserem ou precisarem, uma boa igreja? Se a igreja se degenerar em qualquer outra coisa, dificilmente a farmácia, o açougue, o supermercado, o hospital, a rádio, o banco, o clube social, o sindicato, a cooperativa, e etc., cumprirão o papel que somente uma boa igreja, fundamentada no evangelho, pode cumprir. Por mais que em todas as instituições da sociedade existam cristãos espalhados, testemunhando e servindo à partir de suas vocações, as igrejas locais, como a assembleia dos santos, continuam como essenciais para um mundo caído (Mateus 5. 13-14 e Hebreus 10. 24-25).
Alguns outros textos que já publicamos sobre o tema "igreja" e que podem servir àqueles que querem complementar a reflexão:
Três Lições Sobre Igreja
O Que é Igreja?
Aos Líderes Que Ainda Desejam Edificar Igrejas Relevantes
A Igreja e as igrejas
Ser Discípulo - Ser Igreja
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Mais Médicos, Menos Cura
A corrupção vista na esfera política e nas organizações privadas, também está presente na igreja. Onde há pessoas, ali está o potencial para desvirtuar tudo. Cristãos familiarizados com a Bíblia e seus ensinamentos obviamente não se surpreendem. O verdadeiro cristianismo é realista quanto à natureza humana. A perfeição que muitos exigem daqueles que professam o cristianismo não existe. Como o próprio Jesus disse “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mateus 9.12). E, neste sentido, doentes somos todos nós, crentes e não crentes, frequentadores ou não de uma comunidade cristã, “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3.23).
As novas igrejas não sabem mais tratar estes “doentes”. Elas não são os “hospitais” que as pessoas necessitam. Imagine que você precise de um médico. E, em vez de ele fazer um diagnóstico preciso, te examinando com cuidado e paciência, escutando seus sintomas, simplesmente dissesse que você deve tomar este ou aquele remédio! E, pior, aquela pessoa vestida de branco sequer é um médico de verdade. Simplesmente ele resolveu que era e montou o seu consultório. Ele é também dono da farmácia e do hospital. Este é o seu negócio. Como negócio, ele quer lucrar. Logo, seu foco não será mais a cura dos pacientes, a qualidade de vida de quem o procura. Tudo o que ele quer é que as consultas sejam pagas, os remédios de sua farmácia sejam vendidos e os leitos de seu hospital particular sejam ocupados.
Restaria alguma esperança para alguém que procurasse um “médico” assim? Os “crentes” das pseudo igrejas de nossos dias são perfeitamente capazes de agirem como “sacerdotes” mercenários ou, no dia a dia, em sua profissão, como médicos, advogados, políticos, engenheiros, comerciantes, empresários, etc sem nenhuma preocupação além daquilo que sua doença lhes permite enxergar como sendo normal! Ninguém mais os confronta com a cura. Igrejas socialmente irrelevantes produzem mais do mesmo!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Sacerdócio Geral
Assim, Lutero entendia que mediante o batismo todo cristão é um sacerdote. Quando necessário, mesmo que não seja o seu ofício cotidiano, o cristão pode e até mesmo deve assumir tarefas consideradas eclesiásticas. Pois todo serviço é uma atividade em favor do próximo. Foi no texto de 1 Pedro 2. 9 que Lutero encontrou uma base bíblica que o deixou ainda mais convicto sobre isso: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Não há, portanto, uma hierarquia entre os cristãos. Ninguém precisa de um pastor, um padre ou mesmo um papa para intermediar a sua relação com Deus. Se há alguma distinção entre os cristãos, esta se dá tão somente no âmbito das diferentes funções que somos chamados a desempenhar em serviço no reino de Deus. No mais, pastores e “leigos” estão em pé de igualdade.
Portanto, a salvação não se dá pela instituição eclesiástica ou pela figura de um sacerdote intermediário. Todos são diretamente reconectados com Deus por meio de Jesus Cristo. Uma consequência direta dessa compreensão é que a interpretação das Escrituras não é mais monopólio de alguns especialistas. O poder é descentralizado e a comunidade valorizada. Sempre que alguém hoje se levanta reivindicando uma autoridade especial ou se declarando ‘o ungido’ intocável, lembre a essa pessoa que esta é uma ideia medieval há muito superada. Os ministros ordenados são importantes e tem a sua função. Mas, eles não têm autoridade para se autodeclarar como tais. A ordenação é algo que se recebe e não uma conquista pessoal que se autolegitima.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Onde Estão os Cristãos Brasileiros?
Os evangélicos poderiam ser subdivididos em diversas classificações: protestantes históricos – protestantismo de imigração e protestantismo de missão - pentecostais, neopentecostais. E, dentro de cada um destes grupos teríamos ainda uma série de denominações independentes. O que eu gostaria de chamar a atenção aqui, no entanto, é que tanto evangélicos quanto católicos, em última análise, declaram-se cristãos. Portanto, antes de serem grupos opostos deveriam ser parceiros na causa do Evangelho de Jesus Cristo. Olhando por este ponto de vista, daria para dizer que o número de cristãos no Brasil continua o mesmo há muito tempo. Somos hoje quase 87%. Esta é a porcentagem que tem, por exemplo, a Bíblia como texto Sagrado. Considerando que o cristianismo, em sua origem, é um movimento subversivo, de contestação, que não se amolda aos padrões de um mundo injusto, pergunto: onde está este povo? O que estão fazendo? Por que os cristãos parecem fazer tão pouca diferença na política, na sociedade e na cultura brasileira em geral?
Jesus disse que os seus discípulos são sal da terra e luz do mundo (Mateus 5. 13 e 14). Ou os cristãos (católicos e evangélicos) brasileiros ainda não descobriram o que isso significa, ou, declarar-se cristão ainda está longe de significar aquilo a que Jesus estava se referindo por discípulos. É claro que existem, sim, muitos discípulos de Jesus fazendo a diferença por este Brasil afora. Mas, 87%? Não. Nem mesmo 64,6% (Católicos). Infelizmente, pelo que se pode observar, não somos sequer 22,2% (Evangélicos). O IBGE, com suas dificuldades já criticadas por outros, não é capaz de mensurar o número de discípulos que Jesus tem por este Brasil afora. Ao que parece, são poucos. Mas, como o sal, uma pitada já é suficiente para dar um sabor todo especial!
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Três Lições Sobre Igreja
Para a segunda questão, vejamos as palavras do Apóstolo Paulo: “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1 Coríntios 12. 27). Paulo está escrevendo para a Igreja. É para uma comunidade cristã que ele afirma: “vocês são o corpo de Cristo”. A pergunta correta, portanto, não é o que é igreja, mas, quem é igreja? Se a igreja é comparada a um corpo, então, ninguém de nós é um corpo completo se isolado. Somos membros deste corpo que é a igreja. Por isso, a palavra correta geralmente utilizada sobre a filiação de alguém a uma comunidade de fé é membro. O mesmo Paulo diz ainda que “assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros” (Romanos 12. 4-5).
Sobre a terceira questão, Paulo declara que “Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador” (Efésios 5. 23). Se a igreja é um corpo, então, este corpo tem uma cabeça. Quem seria a cabeça dentre os diversos membros? O corpo humano é apenas uma metáfora para representar a igreja. Porém, uma metáfora bastante útil. Ela nos ajuda a entender a verdadeira natureza da Igreja de Cristo. Cristo é cabeça da Igreja. Lembremos que é na cabeça que está o cérebro. Qual é a sua função? A função do cérebro é controlar todos os movimentos do corpo humano. O cérebro é o órgão mais importante do sistema nervoso, pois é ele que controla os movimentos, recebe e interpreta os estímulos sensitivos, coordena os atos da inteligência, da memória, do raciocínio e da imaginação. Vejam porque tão facilmente encontramos pessoas que gostariam de ser cabeça. Queremos isso, no entanto, porque gostamos do poder, queremos controlar, fazer as coisas do nosso próprio jeito. Mas, por sermos pecadores, muitos de nós brigaríamos para ocupar esta função.
Felizmente o cabeça da igreja não é eleito por voto e nem nomeado por quem quer que seja. Jesus Cristo é o cabeça. É Ele que edifica a Igreja. Os que crêem são os membros. Você crê? Então você é Igreja.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Igreja
Alguém pode acreditar que é correto uma coisa que, na realidade, não é. Uma pessoa pode achar, por exemplo, que é certo ou normal utilizar agrotóxicos nas plantações. A pessoa irá, então, agir de acordo com isso. Ou, podemos saber o que é correto, porém, agir de modo contrário. Nem sempre agimos de acordo com o que sabemos ser o correto. Alguém pode ter todas as informações sobre uma determinada coisa, saber o que é errado, e mesmo assim agir contra o bom senso, contra aquilo que sabe ser o certo. Por isso vemos tanta gente que não cumpre certas leis, mesmo que estas sejam boas. Muitas pessoas sabem e conhecem os prejuízos causados pelo uso de agrotóxicos, porém, continuam utilizando assim mesmo. Por quê? Por diversos motivos: não acreditam de fato no que é mais correto (possuem as informações, mas não levam tão a sério); não acreditam que exista uma outra opção melhor (pelo menos não estão convencidas disso); ou, ainda, porque colocam outras prioridades acima disso (lucro, comodidade, funcionalidade). Neste último caso poderíamos entrar na questão dos valores. O que vale mais? O dinheiro ou a saúde? O lucro ou uma vida mais plena? O trabalho ou a lei do mínimo esforço?
Poderíamos ainda lembrar outros exemplos sobre o que sabemos ser certo e, ainda assim, agirmos de modo contrário: fumar, abusar das bebidas alcoólicas, desrespeito à legislação de trânsito, etc. O apóstolo Paulo certa vez expressou esse dilema humano assim: “tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Romanos 7:18-19).
É claro que não podemos saber de tudo com certeza. Não sabemos, por exemplo, a maioria das coisas com relação ao futuro. Se eu sei que vai chover daqui a pouco, por exemplo, eu levo um guarda-chuva. Precisamos, portanto, trabalhar naquilo que é possível saber e, assim, corrigir, ou, pelo menos, reorientar a nossa vida de acordo com isso. Para Lutero a Igreja é algo muito simples: “os santos crentes e os cordeirinhos que ouvem a voz de seu pastor”.
sábado, 24 de abril de 2010
O Que é Igreja?
Se você gostou do vídeo, pode gostar de ler os textos:
O Que é Igreja?
A Igreja e as igrejas
A Igreja
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Aos Líderes Que Ainda Desejam Edificar Igrejas Relevantes
A quantidade de informações sobre a proliferação de igrejas nas cidades brasileiras só é maior, talvez, do que o número de igrejas. Uma de nossas comunidade de bairro em Pelotas fica a menos de três quilômetros de nossa casa. Para chegar lá não transitamos em mais do que quatro ruas, e, no trecho maior de uma delas, passamos por quatro igrejas. O que chama a atenção do observador mais critico é a semelhança entre elas. O mesmo estilo de pregação, as mesmas músicas e estilo de louvor, os mesmos apelos emocionais, uma ordem simples e previsível: saudação, louvor, pregação, apelo, oferta. Os líderes geralmente não têm a Bíblia como fundamento do seu ministério, mas, as técnicas de marketing, mensagens de internet e imitação de pregadores de rádio e televisão. Os músicos, por sua vez, buscam inspiração em shows, workshops e discos de artistas renomados do meio gospel.Diante disso temos uma igreja sem identidade, superficial, sem impacto na sociedade. Quando muito, contribuem causando escândalos como frequentemente aparecem nos noticiários. As mensagens não desafiam a uma transformação de caráter, à ética e ao engajamento por um mundo melhor. Deus, Jesus e a Bíblia tornaram-se apenas palavras mágicas utilizadas para ordenar e determinar milagres de acordo com a vontade de cada um. Não se sabe mais o que é reverência, santidade ou autoridade. Explora-se o que já existe de pior no ser humano: cobiça, ganância e sede de poder. Diante disso, quero oferecer algumas dicas ou conselhos aos líderes que ainda sonham em edificar comunidades cristãs sérias.
1. Substituam o marketing, a internet e a televisão pela Bíblia. Estudem e formulem as suas própria conclusões. Paulo, o apóstolo, só tinha autoridade para pedir que a igreja o imitasse porque ele mesmo tinha consciência que era um imitador de Cristo. Leia menos livros sobre a Bíblia e tire mais tempo para ler a própria Bíblia.
2. Preste atenção às pessoas, ao contexto em que a sua comunidade está inserida. Valorize as particularidades, respeite a caminhada de cada um, deixe que a igreja cresça naturalmente e que a palavra de Deus seja a inspiração.
3. Conheça e deixe-se conhecer pelas pessoas. Não banque o super-crente que não passa por problemas. O caminho de Jesus foi um caminho humano, de fragilização e identificação. Jesus não andava em jatinhos, não tinha camarim e também não dependia de roupas de grife para se sentir importante.
4. Fuja das tentações: de ser famoso, de querer edificar uma igreja grande, do imediatismo, de ficar rico no ministério, de poder e do sexo. Tudo isso costuma andar junto. Uma coisa puxa a outra.
5. Ajude os ministros de louvor da tua igreja a compreenderem que unção e autoridade dependem muito mais de submissão, obediência, vida comunitária, oração e estudo da Palavra de Deus do que da participação em shows, workshops e congressos com cantores e bandas famosas. Ajude-os a compreenderem que o trabalho deles é um serviço cuja qualidade dependem 50% de inspiração e 50% de transpiração. O Espírito Santo não supre o desleixo, a falta de ensaio, estudo e preparo. Essa última parte vale também para os pregadores.
sábado, 12 de dezembro de 2009
O Que é Igreja?
1. Igreja não é clube – Por isso, sua programação não tem o objetivo de divertir, entreter e oferecer recreação ou paparicos aos sócios. A Igreja não é uma sociedade recreativa.
2. Igreja não é associação – Assim, a igreja não possui sócios. Ela é composta de membros. O sócio paga mensalidade em troca de alguns benefícios. Igreja não cobra mensalidade, ela sobrevive das ofertas voluntárias oferecidas pelos membros de coração grato.
3. Igreja não é time – Por isso, na igreja não são apenas algumas pessoas que participam do jogo enquanto a maioria assiste a tudo de forma passiva. A igreja também não se resume a uma turma de amigos ou de pessoas de atividades ou classes semelhantes.
4. Igreja não é empresa – Por isso ela não está obrigada a desenvolver produtos ou programas para obter lucro ou mesmo gerar empregos e renda.
5. Igreja não é supermercado ou shopping center – Assim, igreja não é lugar para passar o tempo ou ir apenas buscar uma benção nova na prateleira espiritual.
6. Igreja não é casa de espetáculo – Por isso, igreja não é lugar onde procurar ou oferecer shows e apresentações bizarras com efeitos especiais.
7. Igreja não é prédio – O local onde um grupo de pessoas se reúne para louvar, adorar, comungar e ouvir a pregação da palavra de Deus não pode ser confundido com igreja. O templo físico é apenas um espaço onde parte da igreja se reúne.
A diferença básica é que para participar da maioria das entidades ou eventos acima, basta estar vivo, ter prestígio, talento ou dinheiro. Mas, a igreja é a comunhão daqueles que crêem e confessam o nome do Senhor Jesus Cristo. Fé, Cristo e Igreja estão intimamente relacionados. No livro Meu Sonho de Igreja, o pastor Hartmut Weyel diz que “uma pessoa somente se torna alguém que crê quando passa a participar, pela fé, pelo arrependimento e renascimento, daquilo que foi dado à igreja, a saber, ser corpo de Cristo”.
A definição mais correta para a igreja é a Bíblica: Um corpo (Efésios 1. 22; 4. 15; 5. 23 e Colossenses 1. 18). Por isso, as pessoas que compõe a igreja não são associadas, empregadas, clientes ou espectadores, mas membros.
A igreja é o corpo de Cristo, onde Ele mesmo é a cabeça. Os crentes são os membros desse corpo. E, como membros, estamos sempre sujeitos à vontade da cabeça. Assim como não existe uma cabeça sem um corpo, também não pode existir um corpo sem uma cabeça.
Assim, a igreja pode apresentar características de tudo aquilo que o ser humano já conseguiu criar ou organizar, afinal, a igreja é composta por seres humanos, porém é única e diferente de tudo o que ele já produziu em seu mundo ganancioso e capitalista. Isso porque a igreja não surge primeiro com pessoas, mas ela existe porque Deus existe e a elege. O Espírito Santo é dado a igreja e o corpo de Cristo está presente antes da fé pessoal de cada indivíduo.
E, se não podemos falar de igreja sem falar de Cristo e fé, cabe ainda lembrar as palavras do pastor Weyel: “Fé sem Cristo é incredulidade. Fé sem igreja é fé deturpada. Fé fora da igreja é supertição”. Ou seja, a igreja é a comunhão de todos aqueles que crêem e confessam a Jesus Cristo como seu único e suficiente senhor e salvador. Numa sociedade onde a maioria das pessoas espera ser servida, as pessoas que constituem a igreja precisam aprender sempre de novo com o seu Cabeça: “Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Jesus Cristo - Marcos 10. 45).
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Balizas da Fé Cristã VIII
A igreja é feita de pessoas que crêem no Senhor Jesus. As pessoas é que são o mais importante na igreja. Porém, não podemos esquecer uma coisa. Pessoas são pecadoras, ou seja, imperfeitas. Por isso, a igreja também não é perfeita. O problema é quando pessoas mal intencionadas usam o nome de igreja para tirar vantagem e explorar os inocentes. Mais uma vez, devemos permanecer atentos. Jesus avisou que “surgirão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos. Vejam que eu os avisei antecipadamente” (Mateus 24. 24, 25).
No mundo existem as instituições ou denominações. O que é isso? São as igrejas diferentes: católica, luterana, batista, quadrangular, presbiteriana, assembléia de Deus, etc. Essas igrejas são organizações humanas que procuram cumprir o propósito de Deus no mundo. Também elas têm as suas falhas. São administradas por pessoas pecadoras. Por isso é que existem tantas igrejas diferentes. Por causa de desentendimentos ou pensamentos diferentes a igreja acaba se dividindo. Mas, como saber se uma igreja é Cristã? Como saber se ela é legítima e se segue os ensinamentos de Cristo? A primeira coisa é ver se ela ensina a salvação (perdão – santificação – glorificação) em Jesus Cristo. Outra coisa fundamental é ver se ela é fiel àquilo que a Bíblia diz e ensina. Normalmente, as igrejas mais sérias possuem já uma longa história. Elas existem há bastante tempo com uma longa tradição. É claro que existem igrejas novas que também possuem uma liderança séria e comprometida. “Se o propósito ou atividade deles for de origem humana, fracassará; se proceder de Deus, vocês não serão capazes de impedi-los” (Atos 4. 38, 39).
Igreja é gente. Instituições, programas e prédios estão lá porque as pessoas estão lá e ‘precisam’ dessas coisas. Portanto, a igreja é uma realidade onde aqueles que creem no amor de Jesus procuram viver no exercício desse amor a Deus e ao próximo.
sábado, 17 de maio de 2008
Jesus no Templo
Ainda hoje Igreja é confundida com denominação, religião e principalmente o templo. A figura do templo foi bem forte na época anterior a Jesus Cristo. Mesmo depois de Cristo e seus primeiros discípulos terem ensinado que a Igreja são as pessoas que formam a comunidade de fé, muitos ainda a confundem fortemente com instituições e prédios específicos. Os templos hoje deveriam ser lugar onde a igreja se reúne para orar, adorar e celebrar o amor de Deus. Um espaço também de comunhão entre os irmãos na fé. Richard Wurmbrand no livro "Alcançando as alturas" explana sobe o episódio onde Jesus entra no templo e expulsa os mercenários. A casa de oração não deveria ser conhecida como um covil de ladrões e mercenários.
Muitos cristãos estão insatisfeitos com as suas igrejas. Isto era de se esperar em vista do trabalho de autodemolição que bispos e pastores sem fé tem feito na igreja. Será que Jesus chamaria essas igrejas modernas de "covis de ladrão"? Ou, talvez, ‘agencia de mercenários’? Quantos "ladrões" havia na casa de oração? Alguns dos mais altos líderes do templo eram desonestos e traziam má reputação para o templo. Mas no meio dos sacerdotes e do povo em geral havia muitas pessoas consagradas. Zacarias, um sacerdote, e sua esposa, Isabel, pais de João Batista, "ambos eram justos diante de Deus". Eram justos no covil de ladrões. Simeão, movido pelo Espírito foi ao templo (ao covil de ladrões). Portanto, o Espírito Santo trabalha nos templos (na Igreja), mesmo quando eles se tornam em covis de ladrões.
Um publicano (agente cobrador de impostos a serviço do imperialismo romano) foi ao templo, ao "covil de ladrões", e não teve coragem de continuar na sua vida de pecado. Ao contrário, batia no peito, dizendo, "Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador". Este homem desceu justificado para sua casa (Lucas 18. 13).
Portanto, um homem pode achar a salvação até mesmo num templo que se deteriorou ao ponto de se tornar covil de ladrões. Mas, as exceções não impediram Jesus de se indignar e entrar no templo para purificá-lo. O templo judeu não era uma igreja morta ou apóstata. Era um covil de ladrões que o Messias não tinha abandonado, aonde ele ia adorar, onde os rituais ordenados por Deus eram realizados, onde a lei podia ser cantada e onde havia muitos santos.
Procure os santos da sua igreja também. Não abandone a igreja, nem por descuido nem por negligência. Melhor ainda, seja um santo. Deixe que Deus faça de você um instrumento de purificação da Igreja dos nossos dias.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Teólogos!?
E eu achando que o Brasil deveria ter uma prova tipo OAB para o indivíduo poder ser teólogo em condições de abrir igreja CRISTÃ, seminário ou ser professor de qualquer curso de faculdade...!
quarta-feira, 12 de março de 2008
O que Fazer?
Como será que os líderes, gurus e mestres das diversas religiões responderiam a pergunta do jovem rico? Eis uma questão interessante! Moisés provavelmente diria: Os 10 Mandamentos... Obedeça-os e será salvo. Maomé, por sua vez: basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadã, pagar dádivas rituais e efetuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca. E Buda? “Todas as pessoas já estão salvas, mas, não percebendo esta verdade, cada um sofre no mundo”. Esforce-se para purificar o ego, pois ele é o problema que impede de percebermos a salvação. A salvação está em perceber que, na verdade, já estamos salvos. Outro líder dos tempos modernos diria: Boas obras; faça o bem, e assim nas próximas encarnações você será melhor. Você irá evoluindo até se tornar um ser elevado, perfeito... “Fora da Caridade não existe salvação”. Através de sucessivas reencarnações, pelos seus próprios esforços e pela prática das boas obras vai aprimorando-se a si mesmo até conseguir a salvação.
Voltando ao contexto cristão, temos as seitas que manipulam a Bíblia conforme interesses estranhos. Como elas responderiam ao jovem rico? A teologia da prosperidade: Vida eterna? O que é isso? Diga-me o seu problema que a gente já faz uma sessão de descarrego, você nos dá a sua oferta, compra umas rosas, uns sabonetes e uns lenços que a sua vida vai mudar. É aqui e agora...
E, por fim, as nossas próprias teologias confusas e meritocráticas. O contexto gospélico que cada vez mais se confunde com o sincretismo religioso brasileiro, o que diria? Ore pelo menos duas vezes por dia, jejua uma vez por semana, vá a igreja e participe de tudo que é programa que inventam lá, pára de pecar, não ouça mais música do mundo, faz um pacto com Deus, começa a chamar as pessoas de irmão e irmã, pergunta se ele ta na benção, deseje sempre a paz, ande com roupas de inverno mesmo que seja verão, dê o dízimo, fale em línguas, seja batizado nas águas, não durma na vigília, etc...
Com esse tipo de resposta, a pergunta do Jovem faz sentido: O que fazer? Todas essas respostas dizem bem o que fazer. Ele sairia satisfeito. Porém, na conversa com Jesus, o jovem “ficou abatido e afastou-se triste”.







