sexta-feira, 28 de julho de 2017
Confundimos Tudo
Muitas narrativas alternativas à visão bíblica e cristã da criação surgiram na busca por explicar a origem de todas as coisas. Acontece que muitos acabam dando os créditos ao autor errado. Isso acontece porque, por julgarmos saber as respostas, acabamos ignorando em nosso empreendimento que também nossa mente é passível de erros e equívocos. A queda não apenas nos separa de Deus como também afeta nosso intelecto e nossa capacidade de acessar a verdadeira realidade das coisas.
O Apóstolo Paulo lembra que, como consequência do pecado, nossos pensamentos tornam-se fúteis, nossos corações tornam-se insensatos e, acabamos, assim, suprimindo a verdade para abraçar a injustiça. Confundimos a loucura com sabedoria. A humanidade substitui a glória do Deus imortal pelas coisas que nós mesmos criamos. Ignoramos o grande autor da vida como se tudo tivesse um fim em si mesmo. Assim nosso mundo se torna opaco, sem vida. E, na ânsia pela vida, produzimos coisas que não mais refletem a beleza, a verdade, a justiça do Criador. Paulo diria que trocamos a verdade do Criador pela mentira. Adoramos e servimos as coisas criadas em vez do Criador (Rm 1.25).
É por isso que dependemos de Deus e de sua revelação. Somente o Criador de todas as coisas para nos reconduzir à perspectiva correta. Nele reside toda a realidade das coisas. A verdadeira sabedoria consiste em depender e confiar inteiramente em Deus: o temor do Senhor é o princípio da sabedoria; todos os que cumprem os seus preceitos revelam bom senso [...]. (Sl 111.10).
Senhor, perdoe meu orgulho e autossuficiência. Quero abraçar o princípio correto. Dá-me sensatez para reconhecer que há algo mais do que meus fúteis pensamentos.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Um Corrupto Entre os Discípulos
O Brasil vive mais um período difícil de sua história. Em meio a uma grande operação investigativa, há muitas acusações, delações, batalhas judiciais e políticas. Pessoas com muito dinheiro e acostumadas ao poder estão sendo expostas e até mesmo presas. Diante do noticiário nem sempre é fácil saber onde está a verdade, qual a versão mais condizente, qual posição tomar frente aos acontecimentos. Uma questão pertinente a ser lembrada é que a corrupção não se localiza em partidos políticos, não é privilégio de apenas uma ou outra ideologia, não poupa religiões, gera escândalo em toda parte. O realismo bíblico explica que não são instituições impessoais, sistemas abstratos ou movimentos ideológico-partidários que, a priori, geram a corrupção. É verdade que cada uma destas, dependendo de como se organiza, pode potencializar o mal. As Escrituras ensinam que “não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:22-23). Corrupção é coisa do ser humano. “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jeremias 17.9).
Não sejamos, pois ingênuos. O próprio Jesus sabia muito bem dessa disposição humana para o mal. Havia entre os doze discípulos, que ele havia escolhido a dedo, também um que deu vazão a toda corrupção do coração. É verdade que o potencial da corrupção estava em todos eles. Todos cometiam seus erros. Uma coisa, porém, é errar, cometer equívocos, reconhecer, fazer a autocrítica, aceitar admoestações e corrigir o caminho. Havia um, no entanto, que não se permitia um coração quebrantado e humilde. Além de ser conhecido na história como aquele que traiu Jesus por um punhado de moedas, Judas era um corrupto entre os doze. Ele tinha a sua própria agenda paralela a tudo aquilo que Jesus estava propondo. Mais uma vez é preciso admitir que essa agenda paralela também pode ser identificada nas palavras e atitudes dos demais discípulos. Estes, porém, deixaram-se orientar e terminaram os dias como mártires da causa do evangelho. Não foi o caso de Judas Iscariotes.
Uma semana antes da páscoa judaica Jesus estava numa casa quando foi surpreendido pelo gesto de uma mulher. Ela começou a ungir Jesus despejando sobre ele um perfume caríssimo. Diante da cena um dos discípulos de Jesus se apressa em protestar: “Por que isso!? Este perfume é caríssimo, veja a marca, poderia ser vendido facilmente por mais de trinta mil reais. Teríamos, assim, um bom dinheiro para ajudar os pobres!” (João 12. 5). Jesus repreende Judas afirmando que ele não entendia o que realmente estava acontecendo (João 12.7-8). Há, porém, uma denúncia de João a respeito de Judas que Jesus, naquele momento, não deixa claro. O autor do relato afirma que Judas não dizia aquilo protestando porque realmente se importava com os pobres, mas porque era ladrão. Judas era o tesoureiro do grupo e costumava se apropriar indevidamente do dinheiro que guardava (João 12.6). Fazia o discurso em favor do pobre porque isso propiciava oportunidades de levar vantagem.
O que nós, hoje, podemos aprender deste relato bíblico? Primeiro que Jesus conhece bem aqueles que afirmam estar com ele e defender a sua causa. Não deveria ser, portanto, espanto para a igreja e os cristãos que haja aproveitadores, traidores e corruptos entre eles. Isso nunca foi novidade. O relato bíblico e a história o revelam. Cabe a admoestação, a repreensão e o chamado ao arrependimento e à mudança de rumo. Uma segunda e importante lição é que o discurso em favor do pobre também sempre foi utilizado para encobrir intenções escusas. Políticas sociais e iniciativas a favor dos mais necessitados costumam sensibilizar corações e gerar arrecadação de fundos que, lamentavelmente, costumam ser desviados pela corrupção. A instrumentalização da pobreza é comum no meio político para gerar votos e financiar projetos de poder.
Em meio aos escândalos, denúncias de corrupção, desvios e tudo aquilo que contribui para o que costumamos escutar como crise política e econômica, muitos cristãos, confusos, mas, bem intencionados, se apressam em tomar partido. Cientes de que, sim, os cristãos e a igreja são chamados a defender a causa da viúva, do órfão e do estrangeiro (Deuteronômio 27.19), como encontramos em todo o Antigo e Novo testamento, tendemos a aderir facilmente ao discurso pela causa do pobre. O risco em meio a tudo isso é de nos esquecermos de que a causa do evangelho - o amor e a misericórdia, o cuidado com o necessitado - é anterior às ideologias modernas. Cuidemos, pois, para não nos encontramos ostentando a bandeira do evangelho ao mesmo tempo em que, equivocadamente, nos colocamos ao lado da injustiça. Mesmo que seja legítimo o envolvimento político-partidário, bem como a adesão às causas e movimentos organizados, o cristão possui fundamento e motivação na causa contra a injustiça que é anterior e está acima de todas as disputas humanas.
Antes, portanto, de qualquer adesão cega às ideologia humanas, cuidemos para não nos encontrarmos legitimando atos de corrupção sob o argumento da promoção da justiça em favor dos mais pobres. Não nos deixemos seduzir e assumir, assim, o slogan de que “os fins justificam os meios”. Estes meios, muitas vezes, podem causar mais dor, maldade e injustiça do que o fim pretensamente nobre. Antes, portanto, de entramos em acaloradas discussões envolvendo ideologias políticas ou famosas figuras do cenário político, peçamos sabedoria e discernimento a Deus. Oremos, inclusive pelos adversários. Calemos e não nos precipitemos! Não devemos nos omitir, é verdade. Mas, também não há motivo para palavras e gestos afoitos. Que mesmo quando uma palavra mais dura for necessária, que seja o último recurso. Como pessoas reconciliadas com Deus, somos feitos seus embaixadores para vivermos de tal modo que nosso testemunho sirva de luz àqueles que praticam a injustiça.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Priorizando Com Sabedoria
Não há nenhuma dúvida de que quando se trata de tempo e dinheiro nós temos muitas dificuldades em utilizar bem tais recursos. Muitas vezes achamos que Deus nada tem a ver com estas coisas. Muito interessante a forma como Eugene Peterson traduziu o verso acima: “Por que gastam dinheiro em comida ruim, seu dinheiro ganho com tanto sacrifício em algodão-doce?” (Versão A Mensagem).
Realmente conseguimos gastar mal, adquirindo porcarias e lamentando depois a falta de recursos para o que é mais importante! A parábola dos talentos deveria nos incomodar e ajudar a revermos nossas prioridades. Tempo e dinheiro são talentos que Deus confia a nós. A maneiro como ocupamos o nosso tempo e como gastamos o nosso dinheiro revelam muito de nossas prioridades, daquilo que é de fato importante pra nós!
sexta-feira, 6 de março de 2015
Pessoas, Poderes e Autoridades
Basta um olhar mais atento para perceber que parece ser o contrário. Se os políticos não estão ainda pior, no mínimo, também não temos muita melhora (embora, quando se trata das pessoas envolvidas na política, existam obviamente exceções). A defesa apaixonada de políticos através de eventos, passeatas e manifestações na internet (desde redes sociais, blogues, sites de notícias, etc.) não costuma revelar uma análise coerente, pormenorizada, atenta às ideias e projetos (novamente reconhecemos as exceções). As redes sociais contribuíram para o fenômeno que faz com que as pessoas apenas precisem gostar de determinado tema e debater sobre ele para considerarem-se especialistas (cá estou eu, dando uma de... rs...). Não que seja errado ou um crime emitir opiniões. O que assusta mesmo não é isso. Pois, discordância, discussões acaloradas, debates e conversas sobre temas diversos do cotidiano sempre estiveram presentes nas rodas de boteco e outros fóruns populares. Embora não livre de certas exaltações e, até mesmo, atitudes mais radicais de violência, estas rodas da vida real permitiam uma proximidade com a própria realidade, com o outro de carne e osso, o olho no olho. No mundo virtual, devido a impessoalidade e consciência de não ser responsabilizado de forma mais direta, a violência e agressividade tornam-se mais evidentes.
Quando deixamos de ver o outro como pessoa, um ser humano, alguém criado à imagem e semelhança de Deus como eu mesmo o sou, para ver apenas a camiseta estampada, a bandeira empunhada, o discurso ideológico proclamado, e tantos rótulos que saltam de nossos teclados sem nem ao menos refletirmos sobre o que estamos atribuindo apressadamente ao “oponente”, então, um sinal de alerta deveria soar. Pode ser que alguma espécie de fanatismo já esteja nos dominando de tal forma que nossa luta passou, sim, a ser contra carne e sangue, em favor de potestades e dominadores deste mundo (Efésios 6. 12) que cativaram nossos corações de tal forma que não mais nos importamos em sacrificar família, amigos, enfim, seres humanos no altar de algum ídolo que nos escravizou. Se ainda nos resta algum sinal de lucidez, oremos para que Deus nos conserve humanos, sensíveis, e, com algum discernimento. Além se sermos seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, a cosmovisão cristã revela também que o pecado corrompeu a boa criação de Deus. Assim, somos todos carentes da graça e da misericórdia do Senhor.Cientes da soberania de Deus, cuidemos para não absolutizarmos nossas convicções a tal ponto de não mais conseguirmos escutar, ponderar, refletir e, quem sabe, admitir que não somos os donos da verdade. Quem sabe, estejamos, sim, equivocados. Talvez eu mesmo, com este texto, esteja. O que importa, não é se devo ou não me manifestar, mas, o quanto estou também disposto a deixar que esta minha posição, tornada, agora, pública, possa sofrer, críticas, questionamentos, correções. Tudo isso, sem que eu considere o autor das opiniões contrárias um inimigo, mas, tão somente, um instrumento de Deus nesta confusa peregrinação humana onde, muitas vezes, não passamos de cegos querendo guiar outros... Neste sentido, sim, mas, sem querer justificar ninguém com isso, nossos políticos são reflexo daquilo que somos todos, enquanto indivíduos falhos, propensos a escorregar, corromper, fraudar, tirar vantagem, legislar em causa própria. A pergunta que fica, portanto, é: Como organizar uma estrutura e processos que protejam os cidadãos de si mesmos? A quem ainda prestamos conta!?
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Mais Médicos, Menos Cura
A corrupção vista na esfera política e nas organizações privadas, também está presente na igreja. Onde há pessoas, ali está o potencial para desvirtuar tudo. Cristãos familiarizados com a Bíblia e seus ensinamentos obviamente não se surpreendem. O verdadeiro cristianismo é realista quanto à natureza humana. A perfeição que muitos exigem daqueles que professam o cristianismo não existe. Como o próprio Jesus disse “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mateus 9.12). E, neste sentido, doentes somos todos nós, crentes e não crentes, frequentadores ou não de uma comunidade cristã, “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3.23).
As novas igrejas não sabem mais tratar estes “doentes”. Elas não são os “hospitais” que as pessoas necessitam. Imagine que você precise de um médico. E, em vez de ele fazer um diagnóstico preciso, te examinando com cuidado e paciência, escutando seus sintomas, simplesmente dissesse que você deve tomar este ou aquele remédio! E, pior, aquela pessoa vestida de branco sequer é um médico de verdade. Simplesmente ele resolveu que era e montou o seu consultório. Ele é também dono da farmácia e do hospital. Este é o seu negócio. Como negócio, ele quer lucrar. Logo, seu foco não será mais a cura dos pacientes, a qualidade de vida de quem o procura. Tudo o que ele quer é que as consultas sejam pagas, os remédios de sua farmácia sejam vendidos e os leitos de seu hospital particular sejam ocupados.
Restaria alguma esperança para alguém que procurasse um “médico” assim? Os “crentes” das pseudo igrejas de nossos dias são perfeitamente capazes de agirem como “sacerdotes” mercenários ou, no dia a dia, em sua profissão, como médicos, advogados, políticos, engenheiros, comerciantes, empresários, etc sem nenhuma preocupação além daquilo que sua doença lhes permite enxergar como sendo normal! Ninguém mais os confronta com a cura. Igrejas socialmente irrelevantes produzem mais do mesmo!
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Ou Tudo ou Nada?
Claro, não é simples, pois como verificar diretamente os fatos? Dependemos dos meios. Resta, ao que parece, escolher em quem vamos acreditar. E, convenhamos, voltamos à estaca zero. Afinal, a nossa tendência é acreditar naqueles que compartilham de nossas preferências. E, assim, subdividimo-nos em grupelhos, pequenos rebanhos à mercê daqueles que nos conduzem. Logo, cada segmento terá criado também o seu próprio código de ética. Se o outro faz é errado, mas, se o beneficiado sou eu, ou o meu grupo, então, está tudo certo.A maior demonstração da crise em que nos encontramos vem sendo refletido na mídia com o caso que se tornou famoso como o “Escândalo do Mensalão”. Uma verdadeira guerra de notícias e informações vem sendo travada. E, consciente de ter feito também as minhas próprias escolhas, ouso dizer que algumas coisas deveriam incomodar quem ainda se preocupa com os rumos deste país. Por exemplo, a maneira como muitos tentam justificar uma possível impunidade dos mensaleiros presos pelo fato de outros corruptos estarem soltos. Ora, querem dizer, então, que ou se prende todos os corruptos ou, na impossibilidade disso, o correto seria deixar todos soltos? É isso mesmo??? Pensei que eu deveria celebrar por, finalmente, ver neste país políticos poderosos sendo legalmente punidos pelos seus crimes! Como já dizia o sábio: "A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo” (Provérbios 14.34).
Infelizmente, no país do jeitinho, parece normal justificar um erro com outro erro. Afinal, já que não se pode ser perfeito, vamos desmoralizar com tudo de uma vez! Não. Não é assim. Não deveria, ao menos, ser assim. A prisão de alguns políticos corruptos mostra que não é assim. Há esperança! Muitos já não acreditam. Mas, os últimos acontecimentos mostram que a corrupção não é algo normal que deve ser tolerado. Os fins não justificam os meios. Embora saibamos também que nem sempre o que é legal é justo! Celebro, no entanto, por enquanto, que finalmente o Brasil começa a ser também um país de “políticos presos”!
Leia Também:
Sem Corações Transformados Não Haverá Nação Transformada
O Brasil Em Confusão
O que a Bíblia Diz Sobre Honestidade
Eu Também Sou Corrupto
terça-feira, 29 de outubro de 2013
O Brasil Em Confusão
Em meio às discussões acaloradas que se travam a respeito de tudo o que acontece no país, falar em oferecer a outra face, amar o inimigo, perdoar a quem lhe ofendeu é quase pedir para ser agredido também. Mas, uma coisa é lutar pela justiça, outra, bem diferente, é querer fazer justiça de forma inconsequente com as próprias mãos. Em junho vimos cartazes nas mãos de jovens que diziam terem saído do Facebook para lutar de verdade. Um embuste. A crise maior do Brasil não é do Brasil. Não é uma crise política. Tampouco se trata de uma crise na educação. Vivemos uma crise moral. E, ela não é do Brasil, um ente impessoal, etéreo, subjetivo, mas, é do brasileiro. O que precisamos mesmo é de arrependimento e transformação pessoal. Pessoas transformadas é que poderão construir um país, reformando as instituições precárias e viciadas. Enquanto enxergarmos nos cargos públicos apenas um trampolim para alcançar ambições pessoais, não haverá esperança de algo muito melhor pela frente.
É sempre muito fácil fazer análises dos outros. É cômodo apresentar o diagnóstico a respeito dos problemas quando a origem de tudo pode ser apontado “lá fora”. Vivemos uma verdadeira cultura da vitimização. Ninguém mais é responsável por nada. Tudo é culpa de alguém outro. De Deus ao diabo ninguém escapa. Se a culpa não é do sistema, então, deve ser do chefe. Os políticos são corruptos, os outros que não sabem votar é que os elegeram. A igreja, os Estados Unidos da América, o Ocidente cristão, o homem branco, qualquer coisa, menos eu. Sou apenas uma pobre vítima tentando sobreviver no meio de toda esta confusão. Ninguém mais acha que pode ser responsabilizado por alguma coisa!
Lembrei-me de Paulo, o apóstolo, quando escreveu algumas palavras a um jovem líder de sua época: “Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1 Timóteo 1:15).
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Sem Corações Transformados Não Haverá Nação Transformada
O mais impressionante é que muitas coisas não mudaram depois destes quinhentos anos. É claro que muito se aprendeu, as instituições mudaram, os tempos são outros. Mas, assim como na história está registrado, a maldade humana não tem cor, partido, ideologia ou religião. Simplesmente dizer que “a religião mata” ou que “o capitalismo é o mal do Ocidente” é incorrer num equívoco que apenas favorece a violência e a intolerância. Quando Lutero compreendeu que “o justo viverá por fé” (Romanos 1. 17), ele já sabia também que “não há nenhum justo, nem um sequer” (Romanos 3. 10). Com isso estamos dizendo que o mal não está no outro apenas ou, numa força impessoal, mas, em mim mesmo.
Enquanto não compreendermos que somos todos falhos, limitados, sujeitos ao erro, dados ao orgulho, à ganância, à cobiça, enfim, pecadores, será difícil uma abertura sincera e humilde capaz de gerar a mudança tanto almejada. A revolução que muitos defendem ignora que o revolucionário não é melhor que aqueles a quem procura destruir. A história não nos deixa mentir. Seja no âmbito político, econômico ou religioso, segue-se uma sucessão de erros e acertos. Também as igrejas que surgiram com a Reforma no século dezesseis, não tardaram em demonstrar que as instituições que criamos apenas refletem aquilo que está em nosso coração. As mazelas, infelizmente, não são privilégio apenas desta ou daquela religião (Romanos 3. 23).
Uma lição que tiramos da Reforma Protestante é que Deus continua fiel aos seus propósitos. Ele está sempre pronto a auxiliar homens e mulheres que humildemente ousam submeter-se aos seus desígnios. A revolução protestante questionou o status quo da época, mas, isso foi fruto da contestação de um monge que lutava primeiro contra si mesmo! E, Lutero não foi o único, graças a Deus!
Mais sobre a Reforma Protestante neste blog:
A Porta de Wittenberg
Graça Reformadora
Sempre em Reforma
Réplicas...
Sacerdócio Geral
terça-feira, 18 de junho de 2013
O Brasil Em Ebulição
Os governantes, num país democrático, são eleitos para cargos específicos e devem atender a objetivos bem concretos. Quando estes não cumprem aquilo para o que foram eleitos, a população tem todo o direito de se manifestar. A violência e o vandalismo devem ser repudiados. Dentre as expectativas pelo desdobramento das manifestações vislumbra-se um ano de eleições em 2014. Será que tudo isso repercutirá nas urnas? Pois é fato que muitos dos que hoje ocupam cargos nas diversas esferas de poder precisam ser retirados de lá. As vultosas quantias de dinheiro que são desviados com a corrupção poderiam garantir melhores condições de saúde, educação, segurança e transporte. Aliás, o discurso sobre a falta de recursos para estas questões básicas em contraste com os bilhões gastos para construir estádios suntuosos Brasil afora, soou como um despertador para um país que repousava em berço esplêndido.
A revolução dos vinte centavos extrapolou para uma pauta mais ampla. O perigo é se perder em generalizações e questões intangíveis que dispersam. Também não faltarão aqueles para se aproveitar do momento. Muitos oportunistas tentando se promover à custa! É quase impossível evitar algumas anomalias deste tipo bem como aqueles que saem para depredar o patrimônio público. Existe um risco sempre presente em grandes aglomerações. Mas, se o movimento ainda não mobilizou ao patamar das “Diretas Já” de 1984 ou dos “Caras Pintadas” pelo impeachment de Fernando Collor em 1992, é fato que a mobilização popular volta a pressionar. A primeira eleição direta após a ditadura não foi imediata. E, quando ocorreu, elegeu Collor. Estaríamos demonstrando que estamos aprendendo mais algumas lições sobre democracia?
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Sobre as Manifestações Pelo Brasil
"Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes. Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações"
(Salmos 82:1-8)
Um comentário da época da Reforma Protestante:
"[...] tudo o mais precisa ser tentado antes de se recorrer às armas. E nas duas espécies de atividade [a guerra e a punição de criminosos] os magistrados não devem se deixar empolgar por nenhuma paixão de ordem pessoal, porém ser guiados exclusivamente por uma preocupação pelo bem público. Fazer qualquer outra coisa representa o pior abuso de sua autoridade, que lhes é dada para o benefício e o serviço de outros, e não deles próprios"
(João Calvino, As Institutas - Sobre o Governo Civil)
O desafio consiste em observar os princípios e manter a capacidade de indignar-se contra a injustiça!
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| jovem com cartaz em manifestação em Belo Horizonte |
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Esse Cara Sou Eu
É depois deste episódio que o profeta Natã confronta o poderoso rei contando-lhe uma pequena estória: "Dois homens viviam numa cidade, um era rico e o outro, pobre. O rico possuía muitas ovelhas e bois, mas o pobre nada tinha, senão uma cordeirinha que havia comprado. Ele a criou, e ela cresceu com ele e com seus filhos. Ela comia junto dele, bebia do seu copo e até dormia em seus braços. Era como uma filha para ele. Certo dia, um viajante chegou à casa do rico, e este não quis pegar uma de suas próprias ovelhas ou do seus bois para preparar-lhe uma refeição. Em vez disso, preparou para o visitante a cordeira que pertencia ao pobre" (2 Samuel 12:1-4). Davi ficou muito indignado com esse desfecho e disse que aquele que fez isso foi injusto e teria que pagar. Qual não foi a surpresa ao ouvir de Natã a seguinte resposta: "Você é esse homem!”(2 Samuel 12:7).
Mentiroso, promíscuo, egoísta...! Este é Davi. Mas, abaixemos o dedo, esse também sou eu! Por mais que erremos, no entanto, não perdemos a capacidade de discernir bem e mal, o certo e o errado. A capacidade de indignar-se mostra que Davi continua com algum senso de justiça. Davi, que tinha tudo que podia desejar. Deus o fez rei sobre Israel e nada lhe faltava. Mesmo assim, deixou-se levar cometendo injustiça com adultério, mentiras e assassinato. É impressionante como um erro pode nos levar fatalmente a outro. Uma mentira exige outra mentira maior na tentativa de encobrir o erro anterior. Logo nos vemos envolvidos numa rede da qual não conseguimos mais sair. E, o pior, é que o nosso pecado fatalmente acaba atingindo e prejudicando também a outros. Por isso, pensemos duas vezes antes de acharmos que tudo o que fazemos é apenas “um problema meu!” Jesus que nos conhece bem, já alertava os discípulos: "Vigiem e orem para que não caiam em tentação” (Mateus 26:41). Viver segundo a vontade de Deus não é apenas seguir cegamente as leis de um Deus caprichoso. Mas, é viver como alguém que compreendeu o que significam as palavras de Cristo quando disse: “amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros” (João 13:34). O amor pensa primeiro no bem do outro e não em autossatisfação a qualquer preço!
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
A Campanha Eleitoral
Alguns candidatos devem pensar que é assim que os eleitores se definem para votar. O meu medo é que eles estejam certos! No entanto, é difícil acreditar que eleitores conscientes façam a sua escolha desta maneira. É lamentável o que se vê e o que se escuta pela cidade em época de campanha eleitoral. Falta criatividade, faltam propostas, falta bom senso. Candidatos que se apresentam portadores de uma nova proposta, que ostentam a bandeira da renovação, que se declaram diferentes, não conseguem libertar-se de velhos vícios. Fazem o discurso do novo, mas, apenas repetem o velho. Há um abismo entre o discurso e a prática. Dizem-se preocupados com o bem e o futuro da cidade, mas, não hesitam em poluir tudo com cartazes, estacas e cavaletes no espaço público. Falam em qualidade enquanto conseguem piorar o que já é ruim nas paródias infelizes que seus carros e motocicletas espalham sem a menor preocupação com a poluição sonora. Não importa o dia, se é domingo de manhã ou feriado. Não importa se há um hospital ou se é um bairro residencial. A tarefa é repetir como a um mantra na esperança de que o eleitor grave aquela informação e não hesite no dia sete de outubro.
Nem tudo está perdido. Pode ser difícil encontrar. Mas, acredito que existam, sim, candidatos sérios e que deveriam ser eleitos. Estes, provavelmente sentem-se até constrangidos em se anunciar. Não querem entrar nessa corrida desvairada que gera até suspeitas tamanha é a sede por “estar lá”. É possível encontrar candidatos além destes que poluem o nosso ambiente já tão castigado. Quais são as suas propostas? Como descobri-los? Como estão conseguindo fazer a sua campanha? Certamente existem muitas maneiras. Pode ser que não seja apenas pelo tipo de campanha que devemos fazer a escolha pelo candidato em quem votar em outubro. Mas, penso que já seja um bom indício. Quem não respeita a cidade e a sua população nem em época de campanha, o que não fará depois de eleito!? Cabe a nós, eleitores, exercer a nossa cidadania com responsabilidade e compromisso com a nossa cidade. Talvez isso dê um pouco de trabalho, pois nos obriga a buscar pelos melhores candidatos e não apenas ouvir aqueles que gritam na porta de nossas casas.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Reinos, Gerações, História, Pão e Circo
Conta a história que a fundação da Roma Antiga (753 a.C a 509 a.C) resulta da mistura de três povos que foram habitar a península itálica: gregos, etruscos e italiotas. O povo brasileiro é uma mistura de descendentes europeus, africanos e índios. Na Roma antiga a religião era politeísta, com deuses semelhantes aos dos gregos, porém com nomes diferentes. O Brasil apresenta um pluralismo religioso. Os principais deuses romanos eram Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco. No Brasil tem Aparecida, Padre Cícero, frei Damião, Madre Paulina, Senhora de Navegantes, Mídia, Pornografia, e, pasmem, até Jesus.Como todo império Roma vivia para conquistar. Assim, a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O império passou a ser muito mais comercial do que agrário. Com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de trabalho e melhores condições de vida. Com medo de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo - oferecer aos romanos alimentação e diversão. Para os imperadores era disso que o povo precisava. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios, onde eram distribuídos alimentos. O coliseu de Roma era uma espécie de Maracanã. Assim, o MST ficou para mais tarde. A população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta. No Brasil, a política ‘pão e circo’ é reproduzida como, talvez, nunca antes na história: bolsa família e copa do mundo de futebol.
Enquanto a cultura romana foi muito influenciada pela cultura grega, o Brasil vive da cultura de entretenimento americana. Se o império romano caiu, muitos dizem que a vez dos EUA está chegando. Hoje vivemos a aldeia global. Não existe mais um império que se mede pela expansão geográfica apenas. É cada vez mais estranho pensar em um país impondo-se como um império mundial. Fato é que a estratégia é a mesma: "pão e circo". Circo através da mídia e, pão...!? Bem, digamos que enquanto houver bolsa, vale e assistencialismo social por parte de governos, ONGs e empresas, ta garantido. Mas, nem só de pão e circo viverá o povo. E, vamos sobrevivendo. Mas o fato é que existe uma tal de vida em abundância da qual falou um galileu dos tempos do Império Romano. Você já sonhou com algo mais? Jesus também falou em um novo Reino... Gerações vêm e gerações vão... O que restará!?
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Na Cidade
A cidade é esse espaço de
vida e morte, de ordem e caos, de idas e vindas, de multidões e ao mesmo tempo solidão, do calor do sol no asfalto e da frieza nos corações. Nas últimas décadas as cidades brasileiras representaram esperança para famílias do campo que migraram em massa. As cidades tornaram-se metrópoles. O crescimento desordenado inchou a periferia. Miséria, abandono, drogas, exploração sexual, criminalidade, desemprego e todo tipo de problema social foi recebido com certa complacência pelos dirigentes públicos e poderosos das cidades. Sob a justificativa do desenvolvimento, todo tipo de programas e produtos de consumo encontrou mercado. Hoje, no Brasil a miséria é um negócio que rende bilhões. O desmatamento na Amazônia, a seca no nordeste e as favelas jamais poderão ter fim, pois servem de justificativa para alimentar cofres sem fundo de tiranos vorazes e insaciáveis. Tiranos que manobram o poder político e comandam a direção ideológica da grande mídia.
O templo de Ártemis na antiga cidade de Éfeso (Atos 19) foi uma das sete maravilhas do mundo antigo. O templo dava muito lucro. Muita gente passava por ali levavando algum suvenir de lembrança. A idolatria geralmente tem dimensões ignoradas por grande parte do povo. Uns poucos se beneficiam. São os promotores de um ídolo que a grande massa segue num fanatismo obscurantista e ignorante. A sinceridade da busca humana por Deus e por condições melhores de vida representa prato cheio a quem não tem escrúpulos para tirar disso algum proveito.
Depois de alguns poucos anos de anúncio corajoso de um Evangelho libertador, as coisas em Éfeso já não eram mais as mesmas. Um dos grandes parasitas da sociedade dos efésios se levanta num discurso ao povo: “Senhores, vocês sabem que temos uma boa fonte de lucro nesta atividade e estão vendo e ouvindo como este indivíduo, Paulo, está convencendo e desviando grande número de pessoas aqui em Éfeso e em quase toda a província da Ásia. Diz ele que deuses feitos por mãos humanas não são deuses” (Atos 19. 25, 26). Ou, que deuses produzidos nos corações humanos não são deuses. E qual foi a reação do povão? “Grande é a Ártemis dos efésios!” E hoje, como reage a ‘opinião pública’ diante dos eloqüentes discursos do deus mercado? “Todos contra a AIDS”; “Abaixo ao preconceito”; “Deixa o homem trabalhar”; “Salve Rainha”; “Roubou, mas fez”; “deus nos fez cabeça e não cauda”; “Jesus é 10, Jesus é 10”; “Aleluia”; “Viva a modernidade”; “Tudo pelo desenvolvimento”.
Na época, as ruas, praças e os templos eram lugares onde os oradores tinham acesso ao povo. Hoje a TV, rádio, revistas e jornais encontram uma tribuna de honra dentro das nossas próprias casas para manobrar as nossas mentes como bem entendem!
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Unimultiplicidade
Em Mianmá (ex-Birmânia), nas últimas semanas, milhares de pessoas estão saindo em protesto contra o regime militar. A junta militar do país começou a fazer ameaças depois que pelo menos 100 mil pessoas (entre elas, 20 mil monges) marcharam na antiga capital, Rangum, no maior protesto desde 1988 - quando manifestações contra o regime militar imposto em 1962 foram violentamente reprimidas pelo Exército. Acredita-se que pelo menos 3 mil pessoas tenham sido mortas naquela ocasião. A sociedade birmanesa é profundamente marcada pela vivência do Budismo desde o berço. Os monges budistas aderiram a um movimento de protesto desencadeado em 19 de Agosto contra o regime na Birmânia, após o forte aumento dos preços dos combustíveis e dos transportes em geral, que afeta duramente a população deste país pobre do Sudeste da Ásia. Mianmá é governada por sucessivas juntas militares desde 1962. O regime atual do general Than Shwe se caracteriza por não aceitar nenhum ato de protesto. A principal opositora, Aung San Suu Kyi (que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991), está em prisão domiciliar desde 2003 e passou a maior parte dos últimos 18 anos detida.
Enquanto isso, no Brasil, as estatísticas dizem que só cresce o número de evangélicos. Seriam quase 30 milhões. Maioria absoluta de evangélicos e católicos fazem do Brasil um dos maiores países cristãos do mundo. Infelizmente, isso não é suficiente para mobilizar o país na direção de uma revolução contra a corrupção, marginalidade, miséria e injustiças. Será que não podemos ou simplesmente não nos convém esse tipo de mobilização!? O que cantamos? O que pregamos?
A criatividade dos nossos ‘artistas’ ‘evangélicos’ não está lá grande coisa. Sua sensibilidade para com a situação do mais pobre e a injustiça no país também não consegue inspiração o bastante. Assim, resta mesmo é ‘navegar em outras águas’. Enquanto lavo a louça e ouço Ana Carolina, coisas vão passando pela mente. A música que tocava não era essa, mas lembrei Brasil Corrupção. Eu não sei cantar e muito menos tocar qualquer instrumento. Quem sabe um dia me arrisque a aprender viola caipira, mas, deixa para adiante... Se eu fosse de um grupo de louvor iria propor cantar Brasil Corrupção bem no meio do culto (talvez use o CD mesmo um dia). Em muitas igrejas talvez, fosse minha última vez no louvor ou, quem sabe, disciplina ou excomunhão direto, mas, acho que valeria a pena assim mesmo!
Enquanto a maioria ‘cristã’ está mais interessada em músicas e discursos gospélicos, em ficar rico e travar batalhas quixotescas com o demônio, experimente ouvir essa música de composição de Ana Carolina e Seu Jorge, do Álbum de 2005:
Neste Brasil corrupção/ pontapé bundão/ puto saco de mau cheiro/ do Acre ao Rio de Janeiro/ Neste país de manda-chuvas/ cheio de mãos e luvas/ tem sempre alguém se dando bem de São Paulo a Belém/ Pego meu violão de guerra/ pra responder essa sujeira./ E como começo de caminho/ quero a unimultiplicidade/ onde cada homem é sozinho/ a casa da humanidade./ Não tenho nada na cabeça/ a não ser o céu/ não tenho nada por sapato/ a não ser o passo./ Neste país de pouca renda/ senhoras costurando/ pela injustiça vão rezando/ da Bahia ao Espírito Santo/ Brasília tem suas estradas/ mas eu navego é noutras águas./ E como começo de caminho/ quero a unimultiplicidade/ onde cada homem é sozinho/ a casa da humanidade.
Não é curioso como esses artistas não aparecem na mídia conservadora e hegemônica do país!? Você já ouviu essa letra em alguma grande rádio!? Pois é, na Birmânia a imprensa controlada pelo estado também não publica relatórios sobre as demonstrações dos monges. Deve ser coincidência. Ou, nossos programadores musicais ainda não descobriram o Brasil Corrupção!?
Ninguém precisa olhar para a Birmânia, Brasília, Rio ou São Paulo para enxergar situações que precisam ser transformadas. Comecemos por nossa própria cidade!
Links:
'Só de sacanagem'
Birmânia e Budismo
Sobre a Birmânia
Protestos de monges em Mianmá










