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domingo, 31 de maio de 2020

O que você Sabe Sobre o Apocalipse?

Quase todos os dias eu recebo algum vídeo ou mensagem alertando para a volta de Jesus.

Isso acontece especialmente porque estamos vivendo aquele que talvez seja o tempo mais difícil da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial. A pandemia do novo coronavírus gera dúvidas, medo e ansiedade. Os cristãos não estão imunes a isso.

Eu preciso fazer uma confissão aqui! Nunca fui muito fã desse tema que envolve apocalipse e fim do mundo. Tá, eu admito que não podemos fugir do assunto! Aqui mesmo neste blog já compartilhei textos importantes sobre isso.

Observando as pessoas em geral percebo que muita gente é simplesmente fascinada pelo tema. Em qual dos dois grupos você se encaixa?

Pensando nisso, percebi que ser um expositor da Palavra de Deus é semelhante a ser um radialista, DJ ou programador musical. Não dá pra tocar somente a minha música predileta.

Embora pregar a Palavra não signifique falar somente aquilo que as pessoas desejam escutar, é preciso estar atendo aos seus anseios. Especialmente, é preciso falar daquilo que Deus deseja que as pessoas saibam.

Apesar de não ser o meu tema favorito, houve duas ocasiões na minha vida que decidi encarar o assunto com mais atenção. A primeira vez foi há quase dez anos atrás. Preparei uma série com dez mensagens para pregações na igreja. A segunda vez foi mais recente. Recebi um convite para ministrar aulas de escatologia numa faculdade de teologia.

Se é pra confessar, então, vamos ser sinceros. Ambas as vezes, enquanto mergulhava nos livros, artigos e comentários bíblicos, me deparava com palavras, símbolos e imagens, a vontade era de ‘deixar para depois’. O sentimento era de que havia coisas mais interessantes para ler.

Esta incursão mais recente no tema coincidiu com a pandemia e a quarentena. As pessoas estão assustadas, fragilizadas. Ao mesmo tempo, recebem ainda mais mensagens alarmistas, confusas e de pouca credibilidade.

Não dá pra tocar apenas a minha música favorita! 

Foi então que decidi fazer uma coisa que jamais imaginei faria um dia. Aproveitei meus estudos e pesquisas no assunto para elaborar um breve curso sobre escatologia cristã.


O curioso é que é exatamente o público que costuma fugir do assunto que mais poderia ajudar a gerar informação relevante e de credibilidade. Por quê? Este é o público que não gosta das fantasias, do sensacionalismo e das especulações vazias. Logo, é um público que prefere a realidade dos fatos. Por isso, costumam levar a sério a informação e a pesquisa. Perfeito.

Atenção. Não podemos deixar um tema tão fundamental ser tratado com leviandade. A narrativa bíblica concede um espaço significativo para aquilo que ainda está por vir. Como ignorar isso? Não dá.

Você quer dar respostas inteligentes e sensatas quando o assunto surgir novamente nas redes sociais que você participa? O apóstolo Pedro disse que os cristãos devem estar “sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1 Pedro 3.15).

Para que possamos dar uma resposta significativa nós precisamos estar preparados.


Eu realmente espero que este curso ajude você a perceber que a mensagem do Apocalipse não é uma mensagem de terror, mas, de esperança. E, ajude também a elevar o nível de conhecimento sobre a narrativa bíblica em sua igreja!

Que Deus conceda a você lucidez e discernimento para atravessar esses dias difíceis!

Deus abençoe você e seja você uma benção!


Rodomar Ricardo Ramlow

Teologia Missional

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ainda Não é o Fim

O ano de 2013 vem sendo marcado por uma série de manifestações pelo mundo. Seria arriscado querer listar os motivos dos protestos, uma vez que vários fatores vêm sendo apontados, dependendo do país onde ocorrem. Nota-se, no entanto, que em alguns casos uma reivindicação bem específica e pontual gera o primeiro movimento que torna-se o desencadeador de algo maior. Foi assim na Turquia com os primeiros protestos devido a um plano das autoridades para fazer mudanças no parque Gezi, na praça Taksim, em Istambul. Foi assim no Brasil onde o movimento começou protestando contra mais um aumento no preço das passagens do transporte coletivo. Vários fatores desde o desemprego até o aumento nos índices de criminalidade parecem ter sido o estopim das manifestações no Egito que acabou depondo o presidente Mohammed Morsi apenas um ano depois de sua eleição. Podemos acrescentar ainda a crise econômica e a instabilidade que são ameaça em todo mundo. Na era da informação, como manter alguma sensação de segurança diante de tantos rumores?

Viver é arriscar-se. Diz-se que o primeiro grande trauma a que somos submetidos ocorre no nascimento. Deixar o útero seguro da mãe é entrar neste mundo repleto de riscos, ameaças e todo tipo de mal. Ainda assim, todos celebram o dia de seu nascimento. De modo geral as pessoas encaram a vida como algo que vale a pena. De fato, por mais que um país seja pacífico e todas as coisas pareçam funcionar em seus lugares, permanece certo grau de risco. A morte permanece à espreita. Sempre foi assim. No entanto, uma palavra bíblica comum é “não tema”. Ao mesmo tempo, enquanto caminhamos orgulhosos, mostrando aos outros nossas conquistas e símbolos de status e poder, escutamos de Jesus algo como seu grupo mais próximo teve que ouvir: "Vocês estão vendo tudo isto? Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas" (Mateus 24:2).

Dentre as diversas vantagens em se ler e estudar a Bíblia, o fato de com isso não nos espantarmos mais com tantas coisas que acontecem ao redor é só mais uma delas. Enquanto Deus continua a erguer e derrubar impérios pelo mundo ao longo da história, aos seus Ele deixa um recado aparentemente singelo, porém, cheio de graça e misericórdia: “Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados” (Mateus 10:30). Nada foge à soberania e à autoridade de Deus. Ele que criou todas as coisas permanece no controle de tudo. Portanto: “Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim” (Mateus 24:6).

domingo, 13 de março de 2011

O Céu Não é o Limite

Indonésia, Haiti, Chile, Japão. Santa Catarina, Rio de janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul. Blumenau, Petrópolis, Morretes, São Lourenço do Sul. Países, estados e cidades. Terremotos, tsunamis, enchentes. Lares, propriedades, objetos, vidas que se perdem. Difícil fugir das perguntas básicas diante do incompreensível: o que está acontecendo, afinal? Por que tudo isso precisa acontecer? Existe algum propósito nisso tudo? Haveriam respostas sensatas e aceitáveis para tantas questões levantadas em meio às tragédias?
Ao assistirmos os noticiários veremos inúmeras análises e tentativas de explicações. Não faltam especialistas competentes oferecendo explicações de como as tragédias acontecem. Nas ruas, nos ambientes de trabalho e na internet todos tem o seu palpite. Uma das perguntas mais comuns envolvendo a tragédia nas cidades serranas do Rio era: de quem é a culpa? Obviamente a resposta sempre de novo recai no poder público. O problema é que enquanto a humanidade permanecer buscando culpados 'lá fora', pouca coisa de fato será feito para prevenir as catástrofes. Enquanto eu não admitir e assumir a minha parte nas responsabilidades, vou esperar sempre pela iniciativa de algum outro. Assim, novamente terei a quem culpar quando as coisas derem errado.
Fato histórico, mito ou lenda, não importa. O princípio da queda e do pecado estão aí: Adão culpa Eva que, por sua vez culpa a serpente. A serpente, finalmente, culpa Deus. Uma das perguntas que mais ouvimos nessas horas, tanto de crentes como de céticos, é: Onde está Deus numa hora dessas? No entanto, quem de nós ousa questionar onde esteve e o que fez? Após a criação Deus avaliou tudo como 'muito bom'. Mas, Ele não criou marionetes. Deus colocou os seres humanos no jardim para que estes cuidassem e cultivassem. Enquanto uns ignoram propositalmente, outros sequer fazem idéia do que isso significa. Não gostamos da idéia do pecado por ela ser ilógica ou absurda, mas porque ela é desagradável. Precisaríamos admitir que somos parte do problema enquanto já dominamos os meios de solução para a maioria deles. Enquanto isso, a natureza segue gemendo, aguardando com grande expectativa que os filhos de Deus se revelem (Romanos 8.19-25). Cobiça, ganância, sede de dinheiro e poder... Você sabia que pode estabelecer os seus próprios limites? Mas, dificilmente conseguirá isso sozinho!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse

A abertura dos selos no livro de Apocalipse é uma demonstração simbólica da presença do juízo e da salvação de Deus na história da humanidade. A presença de Jesus na figura do cordeiro que abre os selos mostra que só ele possui a autoridade para tal. Os quatro primeiros selos revelam cavaleiros montados em cavalos de cores diferentes. Cada uma dessas cores tem um significado. As cores em Apocalipse correspondem ao caráter do cavaleiro.
Quando o primeiro selo é aberto uma voz ordena que o cavaleiro branco se revele. Este empunhava um arco, recebe uma coroa e cavalgava como vencedor determinado a vencer. Significa o espírito de conquista. Por causa da cor branca, alguns interpretam como se este cavaleiro fosse Cristo. Porém, não se trata de Jesus, pois este já está presente na visão na figura do cordeiro que abre os selos. Portanto, trata-se, aqui, de um cavalo branco diferente daquele que aparecerá em Apocalipse 19. 11, este sim, Jesus. Portanto, o cavaleiro branco representa o espírito de conquista sempre visto entre os poderosos da terra (reis, imperadores, governantes).
O segundo selo revela o cavaleiro vermelho. Este possui o poder para tirar a paz da terra. Com uma grande espada, simboliza a guerra. O vermelho lembra sangue. A seguir é revelado o terceiro cavaleiro. Mais um selo é aberto e o cavalo preto aparece com uma balança na mão. A balança simboliza o racionamento de alimentos, a fome. Quando da abertura do quarto selo, o cavaleiro amarelo (pálido) é revelado. Foi-lhe dado poder sobre um quarto da terra para matar pela espada, pela fome, por pragas e por meio dos animais selvagens da terra. Por isso esse cavaleiro representa a morte.
Existe um verdadeiro sensacionalismo em torno dos cavaleiros do Apocalipse. Muitos têm procurado uma interpretação bastante literal do texto. A nossa imaginação pós-moderna moldada pelos filmes de Hollywood e pelos vídeos-games rapidamente fantasia além daquilo que a Bíblia realmente diz. Na época da composição do livro de Apocalipse os cavalos, tanto no esporte como nas guerras, estavam muito presentes nas cidades do Império Romano. O cavalo branco geralmente pertencia ao rei e ia à frente, comandando os demais. Vejam que o cavaleiro branco é o primeiro a ser revelado. Ao se mostrar revela também aquilo que o segue: sofrimento, guerras, fome e morte. A sede por dominação, conquista e poder resultam em guerras. A guerra produz fome. A fome leva às pestes. Assim, todo poder contrário à vontade de Deus e que se opõe a Cristo, promoverá a injustiça, a opressão e a destruição. O livro de Apocalipse, porém, revela que nenhum poder está além da soberania de Deus.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Quarto Cavaleiro no Egito???

Nos últimos dias, alguns vídeos sobre um suposto aparecimento do 4º cavaleiro do Apocalipse entre as manifestações e conflitos no Egito tem gerado inúmeros acessos à internet. O fato aconteceu justamente quanto estamos tratando do livro de Apocalipse aqui no blog.
Confira e tire as suas conclusões:

Os Selos do Apocalipse

O sexto capítulo do livro de Apocalipse apresenta a abertura dos seis primeiros selos. O relato da abertura do sétimo selo encontra-se mais adiante, no capítulo oito. Na época que João redigiu o Apocalipse os selos já eram utilizados no sistema de correspondência dos romanos. O selo representava um lacre inviolável. Ainda hoje sabemos muito bem qual a importância de um lacre. Uma vez rompido, significa que o produto pode ter sido corrompido e, o que é mais grave, por alguém que não tinha a autoridade para tal. Na antiguidade romana, o selo ou lacre marcavam a propriedade e, consequentemente, identificava quem tinha autoridade para abri-lo. Assim, o lacre garantia o sigilo e a proteção do conteúdo. Os testamentos, por exemplo, eram selados com sete selos. Por isso, quando João viu "na mão direita daquele que está assentado no trono um livro em forma de rolo escrito de ambos os lados e selado com sete selos", ouviu logo a seguir "um anjo poderoso, proclamando em alta voz: 'Quem é digno de romper os selos e de abrir o livro?'" (Apocalipse 5.1 e 2).
Muitas vezes a nossa tentação é responder a esta pergunta do anjo. Não o fazemos explicitamente. Porém, sempre que nos deparamos com as tantas tentativas de interpretação que procuram descrever detalhadamente os significados do livro de Apocalipse, é como se estivéssemos diante de alguém que respondeu ao anjo: 'Eu!' A tentação é a de querer saber mais do que o próprio João. O simples exemplo de como os selos eram utilizados na época do Império Romano já nos deveria alertar sobre tantas outras questões históricas e culturais que precisamos considerar para um bom entendimento da mensagem apocalíptica. Trata-se de um princípio que vale para toda a Bíblia.
Na verdade, nem mesmo João é aquele que tem a autoridade para abrir os selos. Ele apenas observava enquanto o cordeiro abria os lacres (confira Apocalipse 6.1). E, quem é o cordeiro? De acordo com a tradição bíblica, o cordeiro é identificado com Jesus Cristo (João 1. 29 e 36; Atos 8.32; I Pedro 1.19). Portanto, é ele o único com autoridade para abrir os selos. João recebe apenas aquilo que o cordeiro permite ser revelado. Na verdade, após a abertura de cada selo, aquilo que é revela para João é bastante enigmático para nós hoje. Inúmeras interpretações já foram dadas aos quatro cavaleiros, por exemplo, que surgem à medida que cada um dos primeiros quatro selos vai se abrindo. No entanto, o que permanece é muito mais mistério do que conclusões dignas de crédito.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Que Você Acha?

Uma das mensagens que praticamente desapareceu no anúncio das igrejas evangélicas nos últimos tempos é aquela que fala sobre a volta de Jesus Cristo. Talvez seja o reflexo de um mundo imediatista e materialista que, cada vez mais, vem perdendo a dimensão do eterno. Na busca desesperada por se viver tudo hoje, aqui e agora, as pessoas cada vez menos dão importância para o amanhã. Sem esperança a humanidade também evita os assuntos que lembrem o fato de que um dia terão que encarar a morte. A morte é cada vez mais evitada, escondida, prorrogada. A ressurreição vem deixando de fazer parte das perspectivas humanas. Para a Igreja de Corinto Paulo escreveu que “se os mortos não ressuscitam, ‘comamos e bebamos, porque amanhã morreremos’. Não se deixem enganar: ‘As más companhias corrompem os bons costumes’” (I Co 15. 32). Poderíamos nos perguntar quem ou o quê vem nos corrompendo?
Um dos livros bíblicos mais lembrados quando se fala na volta de Cristo ou no final dos tempos é o Apocalipse. A questão em Apocalipse é a grande confusão, os mitos, o sensacionalismo que se criou em torno desse livro. Hoje é fácil ouvir nas igrejas coisas sendo repetidas como verdades, mas que sequer encontramos no livro do Apocalipse. Livros e filmes ajudam a aumentar ainda mais a confusão. Poucos separam hoje o que é realidade daquilo que é ficção. Identificar o que é de fato autoria bíblica e o que é devaneio da cabeça de autores e diretores bem como de líderes religiosos inescrupulosos ou desavisados, exige um pouco de estudo e discernimento.
Depois da mensagem às sete igrejas, o livro do Apocalipse apresenta um simbolismo com figuras e personagens que podem amedrontar. Isso se acentua ainda mais quando não nos preocupamos em obter um conhecimento mais integral da Bíblia. A literatura de linguagem fácil e romanceada bem como os filmes com todas as suas imagens, suspense e ação, prendem muito mais a atenção das pessoas. E, é daí que muitos tiram as suas conclusões e elaboram as suas opiniões. O resultado é a perpetuação de um senso comum que vai gerando idéias tomadas como verdades sem que nos demos conta disso. Logo estaremos defendendo com unhas e dentes idéias e opiniões que sequer sabemos de onde vieram. E, o que é pior, não possuem nenhuma sustentação na realidade. O resultado final será uma crença popular distorcida e equivocada com relação à intenção original dos autores bíblicos. O que ajuda a explicar o tipo de igreja e de cristãos que muitas vezes não conseguem dar o testemunho que Jesus viveu e ensinou.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Efatá!

Os capítulos 2 e 3 do livro de Apocalipse apresentam sete mensagens para diferentes comunidades cristãs da região da Ásia Menor. São palavras específicas para diferentes igrejas que têm, cada uma delas, as suas particularidades. No entanto, um refrão se repete para todas elas: "Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas". O Espírito Santo de Deus fala na congregação. Mas, nem tudo que é falado no âmbito da igreja é a voz do Espírito. João já alertava sobre isso em outra carta: "Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo" (I João 4.1). Jesus disse que "aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz" (João 8.47).
É muito fácil falar. Muitos estão falando. Existem inúmeras vozes reivindicando o tempo todo a nossa atenção. Na verdade, vivemos uma época saturada de ruídos. Sequer conseguimos mais conviver com o silêncio. A pergunta instigante aqui é: de tudo o que temos ouvido, o que realmente escutamos? Nossa vida geralmente é moldada e dirigida pelas vozes que temos escutado. O ser humano é influenciável.
O apelo de Deus no livro de Apocalipse é fruto do seu amor. Nem sempre o amor é demonstrado com palavras brandas e afáveis. O ser humano rebelde se faz de surdo para aquilo que não deseja ouvir. Essa é mais uma daquelas coisas que aprendemos já quando crianças. Quem nunca ouviu algo parecido com um 'mas porque você não me escuta, menino!?'? Como o apóstolo Paulo já chamava a atenção, preferimos escolher mestres para nós mesmos que nos afaguem a coceira dos ouvidos. E, assim, "se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (2 Timóteo 4. 3, 4). Podemos alegrar-nos por ainda vivermos no tempo da graça! A mão de Deus permanece estendida! E, sua voz audível! "Por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem" (João 18.37). Palavras de Jesus Cristo.
Sempre de novo precisamos do milagre realizado por Jesus com aquele surdo relatado no Evangelho de Marcos: "Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele (...). Então voltou os olhos para os céus e, com um profundo suspiro, disse-lhe: 'Efatá!', que significa: Abra-se" (Marcos 7. 33, 34). Deus continua falando. Deixemos que Cristo abra os nossos ouvidos. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz...

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mudando o Foco

Se cada um de nós fizer um exame sincero da própria vida, considerando pensamentos, palavras e ações, não poderá deixar de concluir uma coisa: somos maus e isso é visível. Diante das escolhas que fazemos na vida, nem sempre usamos bem a liberdade que temos. Os caminhos que tomamos sempre geram uma consequência ou outra. E, essas consequências, raramente, envolvem apenas a nós mesmos. Dentre as lições que se pode tirar de nossos erros, uma é não querer repeti-los. A maior dificuldade porém, não está em nossa capacidade de aprender com os erros, mas, em admiti-los.
Deus conhece o ser humano mais do que ninguém. Em Jesus de Nazaré, Deus encarnou a humanidade. Além de nos criar, Deus experimentou o que é ser humano. E, Ele não fez isso como mera experiência ou curiosidade individual. Em Jesus, Deus está deixando claro que outro caminho é possível. Por isso a sua mensagem inclui o chamado ao arrependimento. Dentre as sete igrejas que recebem uma mensagem em Apocalipse, cinco delas são criticadas em seu comportamento e atitudes: Éfeso, Pérgamo, Tiatira, Sardes e Laodicéia. A elas é dirigido a palavra: "Arrependa-se..." Esmirna e Filadélfia, que ouvem somente elogios, recebem uma palavra de exortação (Apocalipse 2.10 e 3.11). Somente quem conhece tão intimamente a alma humana pode desnudá-la dessa forma.
Afinal, o que é arrependimento? O que significa arrepender-se? No contexto do próprio livro de Apocalipse, olhando especificamente os capítulos 9 e 16, encontraremos palavras sobre aqueles que se recusam a arrepender-se. A partir da mensagem que lemos ali, concluímos que arrepender-se significa dar honras somente a Deus, afastando-se de outros senhores diante dos quais se estava ajoelhado. Conforme Apocalipse 9.20, aqueles que se recusam "não pararam de adorar os demônios e os ídolos de ouro, prata, bronze, pedra e madeira, ídolos que não podem ver nem ouvir nem andar". Arrepender-se é, portanto, fazer como aqueles mencionados na primeira carta aos Tessalonicenses 1.9: "deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro". Arrependimento consiste em mudar o foco da nossa adoração. Aquele (ou aquilo) a quem adoramos é que define o que nos tornamos (Salmo 135. 15-18). Adorar não é cantar de olhos fechados e mãos erguidas. O 'objeto' da tua adoração não é tão facilmente identificado quando você está num culto ou templo religioso como quando você está na privacidade do seu lar, ou, dirigindo pelas ruas, na rotina do seu trabalho e negócios, nos estudos, nos seus relacionamentos... (Confira Mateus 3.8 e 7.20).

Leia mais sobre Arrependimento
:
Valores Apreciados Pelos Brasileiros
O Jesus de Cada Um
Como Um Espelho

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Como Um Espelho

Sobre as mensagens às sete igrejas do Apocalipse, uma das coisas em comum a cada igreja é a identificação do remetente. Jesus se revela de um modo peculiar para cada uma delas. E, na revelação à igreja de Éfeso, uma coisa chama atenção: "Ao anjo da igreja em Éfeso escreva: Estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro" (Apocalipse 2. 1). A partir do capítulo um, sabemos que os sete candelabros representam as sete igrejas. A maneira como ele se identifica, nos leva a concluir que o remetente é Jesus. Logo, Jesus é aquele que anda entre os candelabros. Com isso, concluímos que Jesus conhece a igreja bem como as suas obras. É por isso que Ele repete às igreja "conheço as tuas obras..."
Uma das coisas que o ser humano aprende a fazer desde criança é dissimular. Nos especializamos de tal modo que logo começamos a mentir para nós mesmos. E, como precisamos nos convencer de nossas próprias mentiras, praticamos contando-as aos outros. Muitas vezes chegamos a estar sinceramente enganados a respeito de nós mesmos. Não conseguimos mais ter uma opinião ou um conceito saudável a nosso próprio respeito. Quando isso acontece, só um relacionamento com alguém que verdadeiramente nos ama e que ainda nos enxerga como de fato somos é capaz de nos salvar. Alguém que possa dizer a verdade a nosso respeito sem bajulações ou espírito de competição. Sem puxar o saco, mas também, sem querer nos desqualificar. Alguém que nos chama à realidade e nos desafia para algo novo.
Ter um conceito falso a respeito de si mesmo pode acontecer com pessoas, grupos, empresas, países e até igrejas. Acontecia com a igreja de Laodicéia: "Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu" (Apocalipse 3.17). Somente alguém que conhece esta comunidade, que anda entre as igrejas pode conhecê-la tão bem. E, o Cristo, o cabeça da igreja, aquele que deu a sua vida por amor, possui a autoridade e o conhecimento para uma afirmação tão corajosa. Quantas vezes deixamos de dizer aos nossos amigos a verdade sobre eles por medo de perder a amizade? No entanto, quem ama de fato, corre o risco. Pois o verdadeiro amor não tolera a mentira. É por isso que as mensagens às igrejas trazem também o convite "arrependa-se..." Arrependimento implica cair em si, dar-se conta do erro, do engano, do equívoco. E, dispor-se a dar meia volta, mudar o rumo, ajeitar-se, começar de novo. Eis a oportunidade que Deus nos concede todos os dias.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Apocalipse: Uma Mensagem Para a Igreja

Um dos trechos mais conhecidos do livro de Apocalipse é conhecido como carta às sete igrejas. O número sete ocorre com frequência no livro de Apocalipse. Representa inteireza, plenitude, perfeição espiritual. A palavra hebraica para sete significa 'ser cheio', 'estar satisfeito', 'ter o suficiente'. Os capítulos 2 e 3 do livro trazem uma mensagem específica para sete diferentes comunidades: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Cada comunidade é identificada pelo nome da cidade onde se encontra. Com isso, o próprio Apocalipse revela o significado dos sete candelabros ou candeeiros mencionados no primeiro capítulo "Este é o mistério das sete estrelas que você viu em minha mão direita e dos sete candelabros: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas"(Apocalipse 1. 20).
Ao lermos os capítulos 2 e 3 do livro de Apocalipse, costumamos dizer que são as cartas às sete igrejas. No entanto, todo o livro de Apocalipse é uma carta às igrejas da Ásia Menor onde se encontram as sete igrejas. O que acontece nos capítulos 2 e 3 é uma menção específica para cada uma daquelas comunidades. Trata-se de uma demonstração de como Deus conhece cada comunidade e como Ele se dirige especificamente a cada uma delas. No entanto, os princípios ali encontrados servem para toda e qualquer comunidade cristã, seja daquele tempo ou dos dias atuais. Afinal, de acordo com o significado do número sete na Bíblia, uma mensagem enviada às sete igrejas pode ser interpretado como sendo uma mensagem à igreja, simplesmente. Ou seja, à igreja toda, na sua plenitude. Assim, os primeiros capítulos do Apocalipse merecem a nossa atenção. Não há nada de importante nos capítulos seguintes que já não tenha sido indicado nos três primeiros capítulos.
Dentre as questões que as sete mensagens tem em comum, uma delas é a revelação do remetente. O modo de se revelar é diferente para cada igreja. Porém, fica claro que se trata do mesmo remetente. Cada auto-apresentação revela uma peculiaridade associada ao primeiro capítulo de Apocalipse. Vejamos a apresentação à igreja em Éfeso: "Ao anjo da igreja em Éfeso escreva: Estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro" (Apocalipse 2. 1. Existe uma referência ao capítulo 1, versos 12 e 16). Este padrão segue em todas as sete mensagens. Quem é, portanto, 'aquele' a quem pertencem as palavras a serem escritas e enviadas às igrejas? Quem tem toda as coisas em suas mãos? Quem é o princípio e o fim? Quem morreu e tornou a viver? Quem é o Filho de Deus? Quem é santo e verdadeiro? Quem é a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da Criação? Quem é, portanto, o remetente da mensagem?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

No Amor Não Existe Medo

Enquanto João escreve as palavras do livro de Apocalipse, ele está preso numa ilha conhecida como Patmos. Roma, a cidade das sete colinas, fica a oeste. As comunidades cristãs para quem João destina os seus escritos ficam na região da Ásia Menor, atual Turquia. Era uma região próspera, com grandes portos e comércio forte. Um grande centro cultural da época. O império Romano já dava sinais da sua decadência. Na época da composição do Apocalipse o imperador era Nero ou Domiciano. É mais provável que João tenha escrito o Apocalipse durante o reinado de Domiciano (entre os anos 81 ao 96).
Domiciano havia instituído o culto ao imperador. Apesar de isso não ser em si uma novidade, com Domiciano o culto ao imperador foi considerado uma lealdade ao império. Assim, procurava-se implantar um governo absoluto sobre os corpos e as almas das pessoas. Todos deveriam chamar Domiciano de 'Senhor e Deus'. Ele mesmo chamava a sua cama de o 'leito de um deus'. O palácio era o seu santuário. Foi um período de extrema violência e perseguição a todos que se negavam a adorar o imperador como Deus. Todos, além dos cristãos, filósofos, políticos e até membros da própria família que oferecessem resistência eram banidos ou mortos. Nesse caso, o que estava em jogo era a adoração. Domiciano foi o imperador que reivindicou de todas as formas aquilo que pertence somente a Deus.
O cristianismo já havia se espalhado bastante, alcançando, inclusive o círculo dos governantes. Já havia, também, se separado claramente do judaísmo. Domiciano via o cristianismo como grande ameaça contra o culto ao imperador. Os cristão se negavam a prestar culto a qualquer outra divindade. Com a perseguição, também João acabou preso na ilha de Patmos, um local para onde os prisioneiros do império eram levados. Assim, João escreve com a intenção de levar esperança e orientação a respeito do único Deus que é digno de adoração. Seus irmãos na fé, que continuam sendo mortos e torturados, recebiam a mensagem de Apocalipse com grande alegria e se fortaleciam para continuar fiéis apesar de todas as dificuldades.
O Apocalipse, portanto, não é uma mensagem de terror, medo e perplexidade. Mas, uma mensagem de esperança que visa exortar à coragem, à fé e perseverança em meio às tribulações e dificuldades que possam se abater (confira o Salmo 23). O Deus que se revela no Apocalipse não é outro que aquele revelado em Jesus Cristo nos Evangelhos. É desse Deus que João está falando. Quem confia não tem motivos para temer.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Revelação

Você sabe qual o significado da palavra apocalipse? Significa descobrir, desvendar ou revelar. Uma ironia, considerando que apresenta poucas dicas do significado de seus símbolos. O livro da revelação é o menos desvendado da Bíblia. Apocalipse não é a mesma coisa que escatologia. O termo escatologia tem origem em duas palavras gregas (éschatos = último e logos = estudo). Portanto, teologicamente, 'o estudo das últimas coisas’.
O livro de Apocalipse foi escrito por João, o Apóstolo, filho de Zebedeu (Apocalipse 1. 1 e 4). Porém, há controvérsias. É possível que, assim como divergem alguns historiadores, a carta tenha outra autoria. Há quem acredite ter sido escrito por algum discípulo de João, ou, mesmo um outro João da época. Isso, porém, não compromete o seu conteúdo. João foi alguém que conheceu e andou com Jesus pessoalmente. Foi um dos 12 discípulos. Autor também do Evangelho de João e das 3 cartas de João no Novo Testamento.
Dos 66 livros da Bíblia, o Apocalipse se encontra no final. São 22 Capítulos e 404 versículos. Foi escrito originalmente em grego. Embora o autor não faça citações diretas do Antigo Testamento, dos 404 versículos, 278 fazem alguma referência clara. Muito mais do que qualquer outro livro do Novo Testamento. Compreende-se porque muitos especialistas afirmam que não é possível obter uma boa compreensão do Apocalipse sem estudar a Bíblia no seu conjunto. As referências ao Antigo Testamento são, principalmente, aos livros de Salmo e de Isaías.
O número sete ocorre com muita frequência no livro. Representa inteireza, ou, plenitude, perfeição espiritual. A palavra hebraica para sete vem de uma raiz que significa 'ser cheio', 'estar satisfeito', 'ter o suficiente'. O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias; a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa. Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos – Levítico 25) e depois de 7 vezes 7 anos, vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7 (Mateus 18. 22).
O livro foi escrito por volta do ano 90 da era cristã. Portanto, uma época histórica em que vários livros do Novo Testamento já estavam escritos. No entanto, aqui também existem controvérsias. Há quem situe a composição do livros numa época anterior, quando Nero era imperador e os cristãos sofriam severa perseguição. A maioria dos eruditos apontam para uma data posterior, quando o imperador já era Domiciano, que também perseguiu severamente os cristãos. João foi mais um dos perseguidos, por isso, escreve enquanto está preso numa ilha conhecida como Patmos. Seu objetivo é levar uma mensagem de esperança às igrejas perseguidas da região da Ásia Menor. É com essa perspectiva que o Apocalipse deve ser lido.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Apocalipse: mitos e verdades

Apocalipse. Armagedon. Fim do mundo. Juízo final. Anticristo. Muitas pessoas sentem calafrios só de ouvir essas palavras. Outras sentem-se fascinadas. A imaginação vai longe. Temas relacionados à possibilidade de um fim costumam gerar diferentes sensações. Vários livros já foram escritos e muitos filmes produzidos explorando o assunto. A dificuldade em discernir entre fatos históricos, conteúdo bíblico e ficção acabam gerando todo tipo de fantasia. Mas, o que é realmente possível saber a respeito de tudo isso?
Um dos filmes do gênero apocalíptico de sucesso recente é 2012 do diretor Roland Emmerich. Trata-se de uma superprodução a respeito de um cataclisma planetário de proporções épicas que se anuncia para o ano de 2012. A possibilidade de um fim e o confronto com a morte somados à grandiosidade dos efeitos especiais atraem muita gente. O misto de terror e impotência que toma conta das pessoas acaba garantindo o lucro e o sucesso de outros. No meio cristão, a série de livros Deixados Para Trás já vendeu mais 70 milhões de exemplares e foi publicada em mais de 34 idiomas. Também já foram produzidos quatro filmes baseados na obra. Portanto, a indústria do 'juízo final' rende bastante!
A ficção não é problema, desde que lido e visto como tal. Na era da informação e do entretenimento, no entanto, as mídias que unem som, imagem e movimento acabam liderando a preferência e moldando a cultura. Facilmente as pessoas tomam como verdade aquilo que veem no cinema e na televisão. Faltam oportunidades de estudo, debate e esclarecimentos em torno dos grandes temas que afligem a humanidade. Acaba-se construindo uma idéia apenas superficial e, muitas vezes confusa e incoerente sobre as coisas.
Sem a pretensão de esgotar o assunto, a Comunidade São João promoverá uma série de palestras sobre o livro de Apocalipse. Nas quintas-feiras dos dias 13, 20 e 27 de janeiro e 03 e 10 de fevereiro, sempre às 20 horas. O objetivo será apresentar uma visão panorâmica dos 13 primeiros capítulos de Apocalipse. O restante do livro será tratado numa continuação da série que ainda está sendo planejado. Em Apocalipse: mitos e verdades, apresentaremos uma introdução ao livro, curiosidades, significados, contexto da época, as sete igrejas, os sete selos, os quatro cavaleiros, as sete trombetas e os personagens que aparecem nos capítulos 12 e 13. Você terá também a possibilidade de trazer a sua dúvida através de perguntas que serão respondidas na medida do possível. A Comunidade Luterana São João fica na esquina das ruas Quinze de Novembro com a Dr. Amarante na cidade de Pelotas/RS.

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