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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Deus faz e faz bem feito! (III)

Como Deus criou todas as coisas?

De onde vieram todas as coisas?

Você também já se fez essas perguntas?

Acompanhe a nossa série sobre os primeiros capítulos de Gênesis.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Uma Velha Canção no Rádio

Duas coisas parecem impregnar-se de maneira mais forte em minha memória. Não sei se continuará sendo assim. No entanto, quando lembro o passado, dentre as coisas que logo me vem à mente estão os cheiros e a música. Especialmente com relação à música é curioso, pois, não venho de uma família de músicos, nem tínhamos qualquer instrumento musical em casa. Sequer havia grande coisa em termos de equipamentos de som. Eu mesmo sou péssimo quando se trata de tocar algum instrumento ou de cantar. Sou bem desafinado.

Não sei exatamente por qual motivo comecei a tentar me lembrar qual seria música a vir a minha
Um dos antigos rádios era semelhante a este
mente numa idade a mais remota possível. Como nasci no ano de 1976 imagino que as primeiras lembranças sejam ainda do final daquela década de 70. Confesso que parece meio esquisito descobrir que poderia ser capaz de me lembrar de algo ainda daquela época. Especialmente porque grande parte de minhas lembranças mais presentes são de 1982 pra cá. Lembro, por exemplo, de músicas sertanejas e do Roberto Carlos no antigo rádio de pilhas que tínhamos em casa. Eu ainda não conhecia a televisão. Ficava, então, imaginando como será que os cantores ficavam lá "do outro lado" cantando para que esse som chegasse por meio do rádio até a nossa casa.

Minhas reminiscências conseguiram me trazer parte de uma letra que joguei no Google: "pipa voadora pipa a voar". Esta é uma música de que me lembro ouvir no rádio quando ainda era bem pequeno, lá no interior do estado do Espírito Santo. Com toda a tecnologia disponível hoje, é claro que depois de poucos minutos, aqui estou eu podendo ouvir a "Melô da Pipa" e até mesmo conhecer um pouco sobre "o conjunto" (era assim que se dizia das bandas na época) Super Bacana, sucesso naquela longínqua década de 1970. Aquela reminiscência, que me trouxe apenas três ou quatro palavras da canção, pode agora ser preenchida com a letra completa.

Outro modelo semelhante às minhas lembranças
Não tenho nenhum interesse em resgatar ou divulgar a música e sequer o conjunto. Até porque hoje, como adulto, percebe-se que já naquela época as letras podiam conter sentidos que passavam completamente despercebidos para as crianças. A melodia e a referência, na inocência dos pequenos, a um simples brinquedo, levou a música a fazer sucesso entre a criançada da época. São apenas lembranças. Descobri hoje que a tal Melô da Pipa foi realmente um grande sucesso no ano de 1978. Logo, devo localizar neste período minhas primeiras lembranças da infância. Eu tinha, então, entre dois e três anos de idade.

Se você me perguntar se consigo lembrar outra música que seria mais ou menos da mesma época eu imediatamente diria que sim, é " O Coisinha tão bonitinha do Pai", de Beth Carvalho. Certamente muito cantarolada por muitos pais para suas filhinhas na época. Acho que minha irmã se lembra desta também, ela nasceu em 1977 e a música estourava em 1979. Esta, sim, uma canção composta por Jorge Aragão para embalar o sono de suas filhas Vânia e Tânia.

Não guardamos os antigos modelos de rádio que tínhamos. Minhas lembranças preservam imagens semelhantes aos modelos que ilustram este post. Hoje tenho dois filhos e se eles também tiverem uma memória musical, certamente, o repertório será maior do que o meu.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Deus Provê bençãos materiais, mas, também intelectuais!

A história nos revela que, assim como em nossas vidas, também os países, com a sua política e a sua economia, tem seus altos e baixos. Tempos de bonança são seguidos por épocas de escassez. Quando não nos precavemos enquanto tudo vai bem, pode ser que num período difícil as coisas sejam ainda piores.
Atualmente muitas nações tem experimentado isso. Um destes casos é o da Grécia. Mais próximo de nós temos como exemplos a Argentina e a Venezuela. Falta planejamento e pensamento de longo prazo. Na história bíblica vemos que Deus não apenas chama pessoas para o serviço da evangelização com a pregação da Palavra. José foi um administrador que foi benção para todo um povo, inclusive pagãos e descrentes. Mediante a realidade de sete anos de vacas gordas e, depois, um período de vacas magras, o plano de José revelou a sua sabedoria e o faraó do Egito concluiu que não haveria outra pessoa melhor para ser o seu "primeiro ministro" (Genesis 41).
Que Deus continue chamando pessoas para atuarem em todas as áreas da sociedade. E, que possamos aprender com José e a história a nos precavermos com sabedoria e confiança em nosso Senhor! Não ignoremos a sabedoria de nosso Senhor!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sem Corações Transformados Não Haverá Nação Transformada

Quando no dia 31 de outubro de 1517 o monge Martim Lutero pregou 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, a situação religiosa era bastante desfavorável ao povo. Uma igreja que concentrava o poder e a informação impedia o acesso das pessoas de modo que havia muita insatisfação. Relíquias eram literalmente vendidas pelos líderes religiosos. A cada dia surgiam novos badulaques que eram oferecidos às pessoas em forma de amuletos que prometiam a benção de Deus. Desde pedaços da cruz de Cristo até ossos do Apóstolo Pedro, tudo servia aos interesses de clérigos inescrupulosos que estavam longe das reais necessidades do povo. Muito do dinheiro arrecadado com as indulgências serviria para a construção de um grande templo. Considerável parte do clero estava totalmente corrompida.

O mais impressionante é que muitas coisas não mudaram depois destes quinhentos anos. É claro que muito se aprendeu, as instituições mudaram, os tempos são outros. Mas, assim como na história está registrado, a maldade humana não tem cor, partido, ideologia ou religião. Simplesmente dizer que “a religião mata” ou que “o capitalismo é o mal do Ocidente” é incorrer num equívoco que apenas favorece a violência e a intolerância. Quando Lutero compreendeu que “o justo viverá por fé” (Romanos 1. 17), ele já sabia também que “não há nenhum justo, nem um sequer” (Romanos 3. 10). Com isso estamos dizendo que o mal não está no outro apenas ou, numa força impessoal, mas, em mim mesmo.

 Enquanto não compreendermos que somos todos falhos, limitados, sujeitos ao erro, dados ao orgulho, à ganância, à cobiça, enfim, pecadores, será difícil uma abertura sincera e humilde capaz de gerar a mudança tanto almejada. A revolução que muitos defendem ignora que o revolucionário não é melhor que aqueles a quem procura destruir. A história não nos deixa mentir. Seja no âmbito político, econômico ou religioso, segue-se uma sucessão de erros e acertos. Também as igrejas que surgiram com a Reforma no século dezesseis, não tardaram em demonstrar que as instituições que criamos apenas refletem aquilo que está em nosso coração. As mazelas, infelizmente, não são privilégio apenas desta ou daquela religião (Romanos 3. 23).

Uma lição que tiramos da Reforma Protestante é que Deus continua fiel aos seus propósitos. Ele está sempre pronto a auxiliar homens e mulheres que humildemente ousam submeter-se aos seus desígnios. A revolução protestante questionou o status quo da época, mas, isso foi fruto da contestação de um monge que lutava primeiro contra si mesmo! E, Lutero não foi o único, graças a Deus!

Mais sobre a Reforma Protestante neste blog:
A Porta de Wittenberg
Graça Reformadora
Sempre em Reforma
Réplicas...
Sacerdócio Geral

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A Cada Um o Que Lhe é Devido

Escrevendo para a igreja de Roma, o apóstolo Paulo apresenta um trecho interessante e que deveria ser motivo de reflexão neste momento que o Brasil está vivendo. Já naquela época Paulo trata de questões que envolvem a relação entre cristãos (igreja) e Estado. A época e o contexto político obviamente são diferentes. Paulo não está falando de nenhum Estado cristão. Também sequer está falando de governantes cristãos. O cristianismo era marginal, estava iniciando. Não havia governantes cristãos ou alguma coisa parecida com um Estado cristão. Pelo contrário, eram todos romanos ou judeus e, na maioria dos casos, bastante hostis aos cristãos. Refiro-me ao trecho de Romanos 13. 1-7.

“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra” (Romanos 13:1-7).

Nosso partidarismo pode fazer com que tenhamos diferentes reações diante destas palavras. Alguns podem celebrá-lo, outros condená-lo. Enquanto para alguns o texto não passa de manipulação religiosa para manter as coisas como estão, outros o tomam como justificativa para falar contra toda e qualquer manifestação. As reações aos acontecimentos em torno das manifestações no Brasil tornaram-se uma disputa ideológica. As leituras mais superficiais veem tudo como uma disputa entre esquerda e direita. Enquanto permanecer esse tipo de disputa partidária e ideológica do poder pelo poder, as razões legítimas que levam o povo a clamar nas ruas mais uma vez ficam em segundo plano. E, o que é pior, não importa quem, no final, vencerá a guerra, o mais importante não é o que se pode agora fazer pelo povo, mas, apenas impor a sua agenda pelo poder absoluto. Enquanto se desenrola batalha após batalha na luta pelo poder, a única certeza que se têm é que os perdedores continuam os mesmos.

Para ler mais sobre o meu pensamento a respeito de como os cristãos deveriam se colocar frente às ideologias e pluralidade de propostas, lei o artigo O Cristão Retém O que é Bom.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O Brasil Em Ebulição

O dia dezessete de junho de 2013 ficará para a história como aquele em que o Brasil acordou mais uma vez. Manifestações por todo o país tomaram conta das manchetes. A televisão não consegue mais ter o mesmo poder de distorcer os fatos. A internet e as redes sociais parecem começar a mostrar a sua força. Entre as diversas frases em cartazes erguidos por jovens podia se ler um que dizia: “saímos do Facebook!” Outra marca deste momento é o repúdio demonstrado contra os partidos políticos. Embora algumas bandeiras de partidos pudessem ser vistas, os protestantes em geral as hostilizavam. Em Belo Horizonte a letra de uma canção estampava outro cartaz: “o meu partido é um coração partido”. Enquanto nas grandes cidades do país milhares saem às ruas, na internet, no rádio e na televisão “especialistas” são entrevistados e chamados a dar sua opinião sobre o momento. Embora ainda não se saiba ao certo quais serão as consequências práticas de toda esta mobilização, o Brasil chamou a atenção do Mundo com algo mais que samba, mulatas e futebol.

Os governantes, num país democrático, são eleitos para cargos específicos e devem atender a objetivos bem concretos. Quando estes não cumprem aquilo para o que foram eleitos, a população tem todo o direito de se manifestar. A violência e o vandalismo devem ser repudiados. Dentre as expectativas pelo desdobramento das manifestações vislumbra-se um ano de eleições em 2014. Será que tudo isso repercutirá nas urnas? Pois é fato que muitos dos que hoje ocupam cargos nas diversas esferas de poder precisam ser retirados de lá. As vultosas quantias de dinheiro que são desviados com a corrupção poderiam garantir melhores condições de saúde, educação, segurança e transporte. Aliás, o discurso sobre a falta de recursos para estas questões básicas em contraste com os bilhões gastos para construir estádios suntuosos Brasil afora, soou como um despertador para um país que repousava em berço esplêndido.

A revolução dos vinte centavos extrapolou para uma pauta mais ampla. O perigo é se perder em generalizações e questões intangíveis que dispersam. Também não faltarão aqueles para se aproveitar do momento. Muitos oportunistas tentando se promover à custa! É quase impossível evitar algumas anomalias deste tipo bem como aqueles que saem para depredar o patrimônio público. Existe um risco sempre presente em grandes aglomerações. Mas, se o movimento ainda não mobilizou ao patamar das “Diretas Já” de 1984 ou dos “Caras Pintadas” pelo impeachment de Fernando Collor em 1992, é fato que a mobilização popular volta a pressionar. A primeira eleição direta após a ditadura não foi imediata. E, quando ocorreu, elegeu Collor. Estaríamos demonstrando que estamos aprendendo mais algumas lições sobre democracia?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Jesus, O Cristo e os Genéricos

Sempre houve tentativas de apresentar Jesus de uma forma “adaptada”. É o que o teólogo anglicano John Stott chama de “tentativas de modernizar Jesus”. Se por um lado esta pode parecer uma iniciativa nobre buscando a relevância de Jesus Cristo para o presente, por outro, há também o risco ou mesmo o esforço deliberado de falsificar totalmente a sua imagem. Ao colocar Jesus em nossa própria roupagem acabamos perdendo de vista sua característica judaica do primeiro século. O fato, porem, é que Jesus não é apenas uma figura mística ou mítica de uma religião qualquer. Estamos falando de uma pessoa real, que viveu num determinado lugar do planeta num determinado período da história. Se os esforços visam nos aproximar desse Jesus a partir de estudos e pesquisas sérias para então perguntar o que ele tem a dizer para os nossos dias, então, o esforço é louvável.

Em seu importante livro Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, Stott lista diferentes retratos de Jesus que ilustram as tentativas de moldar um Cristo com apelo contemporâneo. Temos o Jesus asceta que se abstém das coisas do mundo e inspirou os monges e eremitas; o Jesus como pálido galileu, com uma auréola celestial, retratado na arte medieval e vitrais; o Cristo cósmico que governa tudo acima de todos mas, alienado do mundo real; Jesus como o mestre do senso comum, inteiramente humano e nada divino, um mestre moral; o Jesus palhaço de Godspell, o jovem descomprometido que não quer saber de nada sério; o Jesus fundador dos negócios modernos, um verdadeiro garoto propaganda, forte e bronzeado, um líder de convicção ardente que conhece o segredo do sucesso; o Jesus economista que recomenda distribuição igualitária que, para alguns é capitalista, promotor da livre empresa e, para outros, é socialista, um verdadeiro revolucionário; o Jesus lutador da liberdade, um guerrilheiro urbano que vira as mesas dos mercadores.

Enfim, poderíamos acrescentar ainda as diversas encenações, representações mais contemporâneas que se faz apresentando Jesus como um homem casado, com filhos, um Jesus gay, um Jesus negro ou índio, etc. Sem falar das distorções de teologias contemporâneas que apresentam um Jesus que legitime as intenções de seus líderes. Tudo isso seria legítimo se Jesus jamais tivesse existido. Se ele fosse realmente apenas uma lenda, um mito a alimentar a religiosidade de cada um. No entanto, não é o caso. Quer gostemos ou não, houve um Jesus real. A história o comprova. Sua influência no mundo é indiscutível. O simples fato de contarmos os anos como fazemos é prova desta influência. Ao desejar ‘feliz ano novo’ na virada de 2012 para 2013 você estará admitindo a influencia de Jesus no mundo. Estaremos no ano 2013 A.D. que vem do latim “anno Domini” (no ano do Senhor) ou, simplesmente d.C., depois de Cristo. Embora não tenhamos como seguir com uma completa neutralidade em nosso olhar para Jesus, podemos, sim, escutar a Palavra de Deus numa busca humilde e reverente pelo verdadeiro Jesus.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Próprio Umbigo

Costuma-se dizer do egoísta que ele vive em torno do próprio umbigo. O egoísta seria aquele sujeito ingrato que não reconhece que já foi ajudado por alguém. É aquele que acredita ser merecedor de tudo o que já fizeram por ele. Olhar para o meu próprio umbigo me remete ao verão do ano de 1976. Foi num dia 1º de fevereiro no ainda distrito de Vila Valério, norte do estado do Espírito Santo. Não que eu seja capaz de lembrar-me do dia em que eu nasci. Apenas sei o que me contaram. Com a vida, no entanto, aprendi que as pessoas não são encontradas em bananeiras no fundo do quintal. Nem mesmo são trazidas por cegonhas ou coisas assim. Olhar para o meu próprio umbigo deveria ser não tanto uma expressão do meu egoísmo, mas, um sinal, uma lembrança de que eu jamais me faria sozinho. Não precisamos do umbigo para ser egoístas, simplesmente o somos. É o umbigo, portanto, que me ajuda a ser menos ensimesmado.

Fui gerado, cuidado, carregado, alimentado, feito durante nove meses dentro do corpo de outra pessoa. Não há como eu compreender a minha vida senão como graça. Não escolhi existir. Hoje, não escolheria não existir. Outra expressão comum relacionada ao umbigo é utilizada quando as pessoas querem falar de independência ou autonomia: cortei o cordão umbilical. Lembro também, de há alguns anos, ter conhecido a mulher que serviu de parteira e auxiliou a minha mãe quando eu precisava nascer. Nem isso eu fiz, foi alguém outro que precisou cortar o cordão. Sim, quando olho para o meu próprio umbigo lembro a minha origem. É um sinal. Todos nós temos um umbigo. Ele me faz entoar com o salmista: “Ah, sim! Tu me moldaste por dentro e por fora; tu me formaste no útero de minha mãe. Obrigado, grande Deus – é de ficar sem fôlego! Corpo e alma, sou maravilhosamente formado! Eu te louvo e te adoro – que criação! Tu me conheces por dentro e por fora, conheces cada osso do meu corpo. Sabes exatamente como fui feito: aos poucos; como fui esculpido: do nada até ser alguma coisa. Como um livro aberto, tu me viste crescer desde a concepção até o nascimento; todos os estágios da minha vida foram exibidos diante de ti” (Salmo 139. 13-15).

Gratidão. Sim, a Deus, aos meus pais e a tantos outros sem os quais eu não estaria aqui. Quando olho para o meu umbigo, posso fazê-lo, sim, por puro egoísmo. Essa pode ser uma expressão utilizada para lembrar a minha verdadeira natureza que é egocêntrica, rebelde, ingrata. Refletir melhor sobre o umbigo, no entanto, pode ajudar-nos exatamente naquilo que sempre de novo precisamos. Não foi para o egoísmo e a ingratidão que fomos criados, nem é nisto que está a nossa felicidade. Assim, declaro também com o salmista: “Sê o meu Senhor! Sem ti, nada faz sentido” (Salmo 16. 2). Olhar para o meu umbigo ajuda-me a lembrar de onde e de quem eu vim!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sacerdócio Geral

Um dos importantes legados da Reforma Protestante do século XVI foi, sem dúvidas, a ênfase de Martinho Lutero no sacerdócio geral de todos os cristãos. Tornou-se, por isso, um ponto importante na confessionalidade luterana. Mas, o que isso quer dizer exatamente? O que significa, afinal, o sacerdócio geral? Lutero queria dizer, basicamente, que não há qualquer distinção entre os cristãos. No período medieval tornou-se popular uma ideia de que aqueles que possuíam funções clericais eram mais nobres ou espirituais do que as pessoas que trabalhavam na lavoura, como artesãos ou em serviço doméstico. O fato de as pessoas desempenharem tarefas diferentes no dia a dia não significa que isso faz de alguém um ser superior a outro.

Assim, Lutero entendia que mediante o batismo todo cristão é um sacerdote. Quando necessário, mesmo que não seja o seu ofício cotidiano, o cristão pode e até mesmo deve assumir tarefas consideradas eclesiásticas. Pois todo serviço é uma atividade em favor do próximo. Foi no texto de 1 Pedro 2. 9 que Lutero encontrou uma base bíblica que o deixou ainda mais convicto sobre isso: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Não há, portanto, uma hierarquia entre os cristãos. Ninguém precisa de um pastor, um padre ou mesmo um papa para intermediar a sua relação com Deus. Se há alguma distinção entre os cristãos, esta se dá tão somente no âmbito das diferentes funções que somos chamados a desempenhar em serviço no reino de Deus. No mais, pastores e “leigos” estão em pé de igualdade.

Portanto, a salvação não se dá pela instituição eclesiástica ou pela figura de um sacerdote intermediário. Todos são diretamente reconectados com Deus por meio de Jesus Cristo. Uma consequência direta dessa compreensão é que a interpretação das Escrituras não é mais monopólio de alguns especialistas. O poder é descentralizado e a comunidade valorizada. Sempre que alguém hoje se levanta reivindicando uma autoridade especial ou se declarando ‘o ungido’ intocável, lembre a essa pessoa que esta é uma ideia medieval há muito superada. Os ministros ordenados são importantes e tem a sua função. Mas, eles não têm autoridade para se autodeclarar como tais. A ordenação é algo que se recebe e não uma conquista pessoal que se autolegitima.

domingo, 1 de abril de 2012

De Fato, Feliz Páscoa!

A páscoa é um dos feriados mais marcantes do calendário. O mais impressionante é saber que esta data é celebrada por causa de um evento espetacular ocorrido na história da humanidade. Aliás, por ser um evento magnificamente espetacular não é de surpreender que este seja um feriado tão popular e consolidado na sociedade. O que seria estranho é se o evento que marca a páscoa não tivesse ocorrido e, mesmo assim, o mundo celebrasse este dia. Embora não se saiba precisamente o dia em que Jesus ressuscitou, fato é que ele ressuscitou. O mesmo é verdade quanto ao seu nascimento. Existem muitas datas de eventos importantes ocorridos na história que não correspondem exatamente ao dia em que é lembrado, registrado ou celebrado. Mas, nem por isso deixa-se de acreditar que o evento tenha ocorrido de fato. Até mesmo as festas e celebrações de aniversário em nossos dias costumam acontecer em dias diferentes daquele que marca o nascimento.

Mas, o que nos permite acreditar que Jesus de fato ressuscitou? A maior evidência de que Jesus Cristo ressuscitou é o túmulo vazio. De acordo com o texto bíblico: “No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres tomaram as especiarias aromáticas que haviam preparado e foram ao sepulcro. Encontraram removida a pedra do sepulcro, mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus” (Lucas 24:1-3). Este é um fato que abalou a história. E, tanto é verdadeiro que jamais se encontrou qualquer resto mortal de Jesus. Na história religiosa os sepulcros dos mártires geralmente são transformados em santuário. Não foi o que aconteceu com o sepulcro de Cristo. A mudança na ênfase do sábado para o domingo na igreja primitiva também só se explica se algo extraordinário tivesse ocorrido naquele dia. E, será que os discípulos de Jesus estariam mesmo dispostos a sofrer e até mesmo morrer por uma mentira? Pois foi isto o que aconteceu com a maioria dos primeiros seguidores de Jesus. Eles estavam plenamente convencidos de que Jesus estava vivo e viveram segundo as suas convicções assumindo o risco e pagando o preço por isso.

Outro aspecto importante e que comprova a ressurreição de Jesus Cristo é o grande número de testemunhas que viram, ouviram e, até tocaram o mestre depois de ele sair do túmulo. De acordo com o testemunho do Apóstolo Paulo, Jesus “apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez (...). Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim...” (1 Coríntios 15:6-8). Vejam, Jesus apareceu aos doze discípulos, também para mais de quinhentas outras pessoas, foi tocado, as pessoas falaram com ele e Jesus também compartilhou a mesa fazendo as refeições como qualquer pessoa viva (Lucas 24. 42,43 e João 20.27).

Tantas pessoas não podiam estar simplesmente loucas ou deslumbradas com uma aparição fantasmagórica qualquer! Tampouco a igreja poderia ter surgido sobre uma mentira ou delírio de homens e mulheres que apenas tinham a perder com isso! Jesus ressuscitou. Podemos celebrar. A morte não tem a última palavra! Portanto, feliz Páscoa!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Graça Transformadora

Aos 5 anos de idade John Wesley escapou de um incêndio que consumiu toda a casa da sua família. O pequeno John foi o último a ser resgatado. Este homem se tornaria um dos principais protagonistas do grande avivamento na Inglaterra do século XVIII. Vindo de uma família com dezenove filhos, sua mãe foi uma cristã piedosa que muito influenciou na educação e ministério de Wesley. Talvez devido à educação rígida, John tenha se tornado por demais exigente consigo mesmo. E, durante um período da sua vida, passou por perturbações por causa de dúvidas. Foi nessa época que aceitou um chamado para pregar o Evangelho aos silvícolas na colônia de Geórgia, na América. Seu desejo era ganhar sua salvação por meio de boas obras. Apesar das grandes multidões que iam ouvir as suas pregações, alguns acontecimentos logo o fizeram retornar à Inglaterra. E, uma declaração do próprio Wesley nesse período é surpreendente: "fui à América para converter outros, mas nunca fora realmente convertido a Deus". Faltava a Wesley a compreensão da graça que permitisse servir a Deus como um filho e não como um servo.

Naquela época a situação da igreja na Inglaterra era de apatia espiritual e irrelevância na sociedade. Muitos ministros foram expulsos da Igreja por recusarem a dobrar-se diante de um governo corrupto. Isso contribuiu decisivamente para o declínio espiritual e moral na Inglaterra. Os bispos que restaram não passavam de meros interesseiros e mercenários que não demonstravam mais compromisso com as Escrituras. A corrupção se espalhou até alcançar toda a população. Todo o país estava tomado por uma onda de devassidão e crimes. Uma igreja corrompida, perseguição aos cristãos que desejavam manter-se fiéis, escravidão, nepotismo, desigualdades sociais, injustiça, pena de mote, mortalidade infantil de 3 para cada 4 crianças nascidas, vícios e bestialidade, pobreza, violência, prostituição e assassinato. O esporte era marcado por tortura de animais e lutas sangrentas. No teatro e na literatura a depravação era total. As pessoas viviam com medo, pois ladrões e sequestradores se escondiam por toda parte.

Foi nessa época que João Wesley se tornou um pastor que pregava centenas de sermões por ano. Liberto e sob a graça de Deus, seu objetivo era ensinar o simples e ortodoxo cristianismo bíblico. Foi perseguido, difamado e proibido de pregar nas igrejas. Fez então do mundo a sua paróquia. Pregava ao ar livre e multidões saiam para ouvi-lo. Wesley sabia que só a regeneração pessoal é capaz de gerar regeneração social. O que se viu a partir daí permite à história falar de uma Inglaterra antes e depois de John Wesley. Os resultados do ministério de Wesley e do Grande Despertamento não ficaram restritos ao âmbito da Igreja. Mas, transformaram a economia, a legislação, a política, as artes, a teologia e a filantropia naquele país. A verdadeira compreensão da graça gera consequências práticas e concretas que transformam o mundo.

Assista aqui o filme e saiba mais a respeito de John Wesley:

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Reinos, Gerações, História, Pão e Circo

Conta a história que a fundação da Roma Antiga (753 a.C a 509 a.C) resulta da mistura de três povos que foram habitar a península itálica: gregos, etruscos e italiotas. O povo brasileiro é uma mistura de descendentes europeus, africanos e índios. Na Roma antiga a religião era politeísta, com deuses semelhantes aos dos gregos, porém com nomes diferentes. O Brasil apresenta um pluralismo religioso. Os principais deuses romanos eram Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco. No Brasil tem Aparecida, Padre Cícero, frei Damião, Madre Paulina, Senhora de Navegantes, Mídia, Pornografia, e, pasmem, até Jesus.
Como todo império Roma vivia para conquistar. Assim, a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O império passou a ser muito mais comercial do que agrário. Com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de trabalho e melhores condições de vida. Com medo de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo - oferecer aos romanos alimentação e diversão. Para os imperadores era disso que o povo precisava. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios, onde eram distribuídos alimentos. O coliseu de Roma era uma espécie de Maracanã. Assim, o MST ficou para mais tarde. A população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta. No Brasil, a política ‘pão e circo’ é reproduzida como, talvez, nunca antes na história: bolsa família e copa do mundo de futebol.
Enquanto a cultura romana foi muito influenciada pela cultura grega, o Brasil vive da cultura de entretenimento americana. Se o império romano caiu, muitos dizem que a vez dos EUA está chegando. Hoje vivemos a aldeia global. Não existe mais um império que se mede pela expansão geográfica apenas. É cada vez mais estranho pensar em um país impondo-se como um império mundial. Fato é que a estratégia é a mesma: "pão e circo". Circo através da mídia e, pão...!? Bem, digamos que enquanto houver bolsa, vale e assistencialismo social por parte de governos, ONGs e empresas, ta garantido. Mas, nem só de pão e circo viverá o povo. E, vamos sobrevivendo. Mas o fato é que existe uma tal de vida em abundância da qual falou um galileu dos tempos do Império Romano. Você já sonhou com algo mais? Jesus também falou em um novo Reino... Gerações vêm e gerações vão... O que restará!?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

História...


Hoje, 20 de outubro, a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana São João em Pelotas completa 120 anos de história. 
Clique Aqui para ler mais a respeito.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A Cidade no Propósito de Deus

Éfeso se assemelha em muito com nossas cidades pós-modernas

Na época do antigo império romano existia na Ásia uma cidade chamada Éfeso. É onde atualmente fica a Turquia. Éfeso era a mais importante cidade comercial da Ásia Menor, capital da Ásia provincial e protetora do templo de Ártemis (a deusa romana Diana). Todos se orgulhavam dos impressionantes monumentos históricos da cidade. O templo de Ártemis se destacava. A moeda local tinha esculpido ‘Guardiã do templo’, pois era assim que a cidade era conhecida. Esse templo era na época, uma das sete maravilhas do mundo. Éfeso era uma das mais famosas e populosas cidades da Ásia. Tinha uma população de cerca de 350 mil habitantes. Sua localização estratégica próximo ao Mar Egeu fez com que a cidade se tornasse importante rota comercial graças ao grande porto em torno do qual a cidade se organizou. O seu teatro comportava 25 mil pessoas sentadas. A cidade era também orgulhosamente chamada de ‘A Luz da Ásia’.

Guardadas as devidas proporções, principalmente as diferenças culturais e históricas, Éfeso se assemelha em muito com nossas cidades pós-modernas. Cidades de médio porte, com muito comércio, exploração, imperialismo, religiosidade de todos os tipos, gente procurando se dar bem a qualquer preço, miséria, orgulho de um passado que não volta mais, o povão servindo como massa de manobra aos políticos e poderosos sem escrúpulos, etc... Num contexto assim, tudo que possa ameaçar as forças opressoras que estão levando vantagens terá que ser eliminado (ou comprado). Só para ficar em um exemplo, O templo de Ártemis em Éfeso dava lucro. Muita gente passava por ali e levavam algum suvenir de lembrança. As miniaturas do templo confeccionadas em prata vendiam como água no deserto. O povo consome objetos sagrados de uma forma impressionante! Inúmeros templos se multiplicam até hoje nesse ramo de negócios que rende milhões.

A coisa em Éfeso começou a esquentar quando um certo Paulo chegou acompanhado de uns amigos ensinando algumas coisas diferentes. “Paulo entrou na sinagoga e ali falou com liberdade durante três meses, argumentando convincentemente acerca do Reino de Deus” (Atos 19. 8). Como muitos se opuseram, Paulo alugou uma escola e ali passou mais dois anos ensinando. A partir desse trabalho de Paulo muita coisa começou a mudar na cidade: pessoas foram libertas, curas e milagres aconteceram, muitos abandonaram as práticas antigas, houve confissão e arrependimento, famílias eram reestruturadas, enganadores e aproveitadores foram desmascarados, livros, amuletos e todo tipo de material sobre ocultismo foi queimado e o nome de Jesus era engrandecido. O Evangelho libertador de Jesus trouxe transformação. Inevitavelmente, para alguns, os negócios começavam a piorar. Pois é, o Evangelho não tem muito a ver com negócios e comércio...!

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