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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

O Que Você Vai Ser Quando Crescer?

 Já não é mais assim que, no Brasil, todo menino quer ser um jogador de futebol e toda menina sonha em ser modelo.

Os novos tempos e as novas tecnologias permitiram também às crianças ampliarem os seus horizontes.

Enquanto, sim, ainda muitas sonham em ser astronauta, há também tantos que sonham em ser youtuber ou tiktoker.

Embora não haja qualquer necessidade de acelerar nada na vida das crianças, o fato é que as brincadeiras de infância acabam despertando a imaginação e influenciando, de alguma maneira, as futuras vocações.

Vocação é algo fundamental na vida de qualquer pessoa. É muito triste saber, no entanto, que tantas pessoas não podem dedicar-se ao seu verdadeiro chamado. Isso acontece por diversas circunstâncias.

Num país com tantas dificuldades econômicas e de educação como é o caso do Brasil, ter um emprego, para muitos, já é um sonho realizado.

Enquanto aguardamos dias melhores, podemos tentar fazer a nossa parte, aquilo que nos cabe, para somar na vida das pessoas.

Olhando para a minha própria trajetória, já trabalhei na lavoura, desde adolescente. Depois, trabalhei num bar, numa fábrica de costura, numa loja de conveniências, numa igreja e numa faculdade.

Enquanto não podemos nos dedicar àquilo que realmente queremos, precisamos manter e o foco e perseguir os nossos sonhos. Assim, nos fortalecemos na certeza de que muitas coisas em nossa vida são provisórias. São degraus, etapas de aprendizado e crescimento.

A verdadeira vocação está para além de trabalho, emprego, profissão e carreira. Descobrir isso é libertador. É uma reflexão que trabalha em nossa motivação, naquilo que nos move todos os dias.

Podemos trabalhar para ganhar mais dinheiro, obter uma promoção, sermos reconhecidos pelas pessoas, ou, simplesmente para trazermos o sustento para casa. Quando compreendemos a nossa vocação, no entanto, percebemos que se trata de dar a nossa própria contribuição ao mundo numa determinada área.

Para descobrir o seu lugar e fazer a diferença no mundo, é necessário compreender como funciona a vocação. 

Vocação tem a ver com chamado. É isso que a palavra vocação significa: um chamado. Uma voz que chama. Podemos imaginar a voz de uma mãe que chama o filho ou a filha para lhe auxiliar numa tarefa. Um pai que chama o filho para auxiliar na preparação do almoço.

Estas pequenas atividades inescapáveis do dia a dia, porém, ainda não tocam a profundidade e abrangência universal e existencial da vocação. 

Se a vocação consiste num chamado para dar a nossa própria contribuição no universo, então, a voz que chama é maior, está além da confusão de vozes humanas. Não basta um pai que deseja que eu seja advogado, uma mãe que gostaria que eu fosse médico, a universidade que me quer pós graduado e assim por diante.

É mais que um sonho. Vai além de nossos pais que tanto gostariam de ver realizado nos filhos os sonhos que eles mesmos viram frustrados em suas vidas. Vai além da demanda de um mercado frio, impessoal e competitivo.

Quando encontro a minha vocação, faço escolhas que nem todos compreenderão. Os critérios mudam. Promoções, maiores salários, status, poder, tudo isso fica para segundo plano. Haverá, até mesmo, quem te chame de louco por causa das coisas que você é capaz de abrir mão.

Ainda assim, vale a pena. Haverá também aqueles que te compreenderão. Estes, geralmente, são aqueles que te amam e que também já descobriram a sua própria vocação. Eles também ouviram a voz e atenderam o chamado.



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Estudar Teologia

Não fuja!!!

Estudar teologia é algo que todo cristão deveria considerar. Mas, não, eu não estou falando que todo cristão deveria ir para um seminário ou faculdade de teologia e passar 4 ou 5 anos estudando para obter um diploma de bacharelado em teologia.

O que fazer, então?

Se for este o chamado de Deus para você, então, siga em frente. Se você estiver em paz com a ideia de fazer um bacharelado em teologia e servir como um ministro de tempo integral a igreja, vá em frente! Deus continua, sim, chamando pessoas para servir de tempo integral na sua seara, seja como pastor, missionário, catequista, diácono e etc. No entanto, estudar teologia é para todos. Não se trata de apenas buscar um 'canudo'.

Ninguém deveria pensar que se estuda teologia para se obter uma profissão. Tal perspectiva é muito superficial e está aquém daquilo que significa a teologia enquanto possibilidade de mergulhar no conhecimento de Deus.

Explico melhor...

A teologia prepara não para uma profissão. Uma boa teologia prepara para a vida. Quando dizemos, então, que a teologia é para todos, é disso que estamos falando. Envolve buscar conhecimento e sabedoria em Deus e, assim, deixar que haja transformação diária em nosso modo de pensar e viver.

Isso não te lembra algum texto bíblico?
Exatamente, estamos nos referindo às palavras do Apóstolo Paulo:

"Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12.2)

A oportunidade nunca esteve mais ao alcance da igreja brasileira do que agora. Ninguém precisa mais sair de sua cidade para estudar teologia. São inúmeros cursos, de diversas instituições, nos mais variados formatos.

Mas, como discernir entre tantas propostas?

Sem dúvidas cabe a cada um de nós pesquisar sobre a seriedade dos cursos e também sobre a proposta teológica oferecida.

Nós temos uma proposta de um breve curso e convidamos você para experimentar. Um curso que visa ajudar pessoas cristãs que querem ter uma visão panorâmica da história de Deus com o mundo.

Inscreva-se no curso BASE BÍBLICA DA IGREJA MISSIONAL.

PARA MAIORES INFORMAÇÕES ENTRE EM CONTATO CONOSCO PELO E-MAIL: teologia.missional@gmail.com

sábado, 12 de março de 2016

Instruções de Jesus aos Seus Colaboradores

Jesus enviou os doze trabalhadores com esta responsabilidade:

Para converter quem não crê, não comecem viajando para longe. Não tentem ser dramáticos, travando batalhas contra inimigos públicos. Procurem os perdidos, os que se sentem confusos aqui mesmo na vizinhança. Digam-lhes que o Reino já está aqui. Levem saúde para os doentes. Ressuscitem os mortos. Toquem os que são considerados imundos. Expulsem demônios. Vocês são tratados com generosidade, por isso vivam generosamente.

Não pensem que será necessário uma campanha para levantar fundos antes de começar. Não será necessário muito equipamento. Vocês são o equipamento. Tenham em mente de que tudo de que precisam são três refeições por dia. Não carreguem muito peso na viagem. Quando entrarem numa cidade ou numa vila, não procurem nenhuma hospedagem de luxo. Consigam um lugar simples, onde haja pessoas simples: não queiram mais do que isso.

Quando baterem à porta de uma casa, sejam educados. Se forem bem recebidos, sejam gentis na conversa. Se não forem, retirem-se sem estardalhaço, sem fazer cena. É hora de dar de ombros e continuar o caminho. Estejam certos de que no dia do juízo eles irão lamentar o que fizeram, mas isso não será mais problema de vocês.

Mantenham-se alerta. Eu os estou incumbindo de um trabalho perigoso. Vocês serão como ovelhas correndo no meio de um bando de lobos, portanto não chamem atenção para vocês. Sejam espertos como a serpente, mas inofensivos como as pombas.

Não sejam ingênuos. Alguns irão contestar as motivações de vocês, outros tentarão manchar sua reputação – só porque vocês creem em mim. Não fiquem deprimidos se forem levados perante as autoridades civis. Sem saber, eles fazem a vocês - e a mim – um grande favor, dando-lhes um palanque para pregar as novas do Reino! E não se preocupem com o discurso. As palavras certas serão ditas. O Espírito do pai de vocês irá providenciá-las.

Quando o povo perceber que é o Deus vivo que vocês representam, não algum ídolo que os faça sentir-se bem, eles irão volta-se contra vocês, até mesmo membros da família. Aqui está uma grande ironia: proclamar tanto amor e experimentar tanto ódio. Mas não desistam. Não se deixem abater. No final, valerá a pena. Vocês não estão perseguindo o sucesso, mas apenas tentando sobreviver. Sejam sobreviventes! Antes que se esgotem as opções, o Filho do Homem estará de volta.

O aluno não ocupa uma posição mais elevada que a do professor. O empregado não ganha mais que o patrão. Portanto, deem-se por satisfeitos quando vocês, meus alunos, meus trabalhadores na colheita, receberem o mesmo tratamento que eu recebi. Se a mim, que sou mestre, eles chamam ‘demônio das moscas’, o que os criados podem esperar?

Não fiquem com medo. No tempo oportuno, tudo será manifesto, e todos irão saber como as coisas realmente são. Assim, não vacilem em torna-las públicas agora.

 Não se calem diante dos blefes e das ameaças dos valentões, porque não há nada que eles possam fazer contra a alma de vocês. Mantenham-se tementes a Deus: ele é quem sustenta em suas mãos a vida – corpo e alma – de todos.

 Mateus 10. 5-28 na versão A Mensagem de Eugene Peterson para as orientações de Jesus aos doze discípulos

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Orem e Trabalhem Pelo Melhor!

Ao lermos as Escrituras, vemos que desde o início Deus tinha propósitos claros para a humanidade neste mundo: sujeitar a terra, multiplicar, dar nomes aos animais, cuidar e cultivar (Gênesis 1 e 2). É, portanto, equivocada a ideia de que o trabalho e o desenvolvimento cultural sejam fruto da queda e do pecado.
O desejo de que as pessoas se envolvam com este mundo e assumam a sua responsabilidade por uma vida melhor está evidenciado em outras passagens da Bíblia. Enquanto o povo de Deus estava em terra estrangeira, exilado e oprimido, a palavra de Deus para eles foi esta: "Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e deem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam. Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela" (Jeremias 29:5-7).
Enquanto somos estrangeiros neste mundo, há muito que fazer, portanto. De que forma nós estamos envolvidos com a nossa cidade, lutando para sua prosperidade? Temos nos lembrado de orar por nossa cidade, estado e nação? Que tipo de embaixadores do reino de Deus os cristãos tem sido no mundo? Não basta apenas criticar os outros, importa começar por mim!

"...o Senhor, o seu Deus, estará com você"

Grandes líderes fazem sucessores. Depois de Moisés chegou a vez de Josué liderar o povo de Israel. E, o que se vê mais uma vez é que Deus está ao lado daqueles que são chamados para um grande propósito: “Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar" (Josué 1:9).
Com certeza deve ter sido muito encorajador e estimulante para Josué receber de Deus esta palavra. Mais do que uma palavra é a confirmação de uma companhia, de alguém que se põe ao lado, que instrui, orienta, ensina e fortalece! Se há um Deus que nos chama é ele também quem capacita e se coloca junto na caminhada.
Se Deus está chamando você saiba também que ele não deixará que você siga em frente sozinho. A obediência implica em ter Deus ao nosso lado. Obedecer e seguir na direção dos propósitos de Deus nos fará experimentar o cuidado de Deus e o seu agir na história.

#Partiu II

Quando somos desafiados para algo novo podemos esboçar diferentes reações. Por um lado podemos nos sentir empolgados e agarrar a chance. Ou, podemos sentir medo, fugir, dar inúmeras desculpas. Como reagimos diante dos propósitos de Deus para a nossa vida?
Moisés levava uma vida tranquila com sua família, cuidando das ovelhas do sogro, meditando na paz das paisagens rurais. De repente Deus lhe aparece com uma proposta que daria uma reviravolta incrível na sua história. Antes de partir, no entanto, Moisés argumentou com Deus e apresentou suas desculpas: 1) Insegurança; 2) Medo; 3) Impotência; 4) Falta de capacitação (Êxodo 3 e 4).
Não há nada, porém, que Deus não possa suprir na missão que Ele tem para nós. O importante é que Moisés partiu rumo aos planos de Deus e foi um agente de transformação para o seu povo. Que tal deixar que sua vida tenha também um antes e um depois?

#Partiu

Deus nunca deixou o comando da história. Ele agiu e continua agindo. Tudo segue ao seu divino propósito. E, a maneira preferencial de Deus agir na história é através de nós, seus filhos.
Desde o Antigo Testamento testemunhamos o agir de Deus na vida de homens e mulheres que se movem em obediência e serviço para cumprir a vontade de Deus. Um destes exemplos é Abraão. Basta uma lida a partir do capítulo 12 do livro de Gênesis para nos surpreendermos com a maneira que a história toma um rumo todo especial a partir da intervenção de Deus na vida de Abraão.
Entregues à nossa própria sorte, seguindo os rumos do nosso coração idólatra, também podemos fazer história. Mas, para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus é necessário uma coisa: obediência.
Daquela família que deixou Ur dos caldeus, o Senhor escolheu um homem para algo especial. O que acontece a partir daí é fruto da coragem, da obediência, da fé de Abraão. Depois de ouvir as orientações do Todo Poderoso, “partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor...” (Gênesis 12:4).

Deus Provê bençãos materiais, mas, também intelectuais!

A história nos revela que, assim como em nossas vidas, também os países, com a sua política e a sua economia, tem seus altos e baixos. Tempos de bonança são seguidos por épocas de escassez. Quando não nos precavemos enquanto tudo vai bem, pode ser que num período difícil as coisas sejam ainda piores.
Atualmente muitas nações tem experimentado isso. Um destes casos é o da Grécia. Mais próximo de nós temos como exemplos a Argentina e a Venezuela. Falta planejamento e pensamento de longo prazo. Na história bíblica vemos que Deus não apenas chama pessoas para o serviço da evangelização com a pregação da Palavra. José foi um administrador que foi benção para todo um povo, inclusive pagãos e descrentes. Mediante a realidade de sete anos de vacas gordas e, depois, um período de vacas magras, o plano de José revelou a sua sabedoria e o faraó do Egito concluiu que não haveria outra pessoa melhor para ser o seu "primeiro ministro" (Genesis 41).
Que Deus continue chamando pessoas para atuarem em todas as áreas da sociedade. E, que possamos aprender com José e a história a nos precavermos com sabedoria e confiança em nosso Senhor! Não ignoremos a sabedoria de nosso Senhor!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Obstáculos ao Trabalho em Equipe

Apesar de no contexto da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB) existir o discurso e até mesmo um documento que fala sobre o Ministério Compartilhado, são poucas as paróquias onde o trabalho em equipe entre ministros ordenados de fato acontece. Obviamente não precisamos nos restringir ao ministério ordenado para falar a respeito do trabalho em equipe na igreja. No entanto, o documento mencionado se aplica especialmente a este caso. A IECLB, lembremos, possui quatro ministérios para os quais reconhece a ordenação oficial: pastoral, missionário, catequético e diaconal.

No entanto, é uma bela herança da Reforma que também devemos destacar aqui e que amplia a possibilidade de envolvimento das pessoas nos trabalhos do ministério cristão na igreja: o sacerdócio geral de todos os cristãos. Com isso, deixamos claro que existe esta realidade mais ampla e necessária na prática e reflexão constante no cotidiano da igreja, bem como para a vocação de cada crente no seu dia a dia.

A pergunta que nos colocamos no momento é a seguinte: quais seriam os motivos que dificultam o trabalho em equipe entre ministros ordenados da igreja? Várias respostas podem surgir. Desde falta de recursos suficientes para manter mais de um ministro até a própria falta de ministros à disposição. Vamos abordar, então, alguns problemas que podem nos ajudar a fazer uma autoavaliação sobre isto e, quem sabe, progredir para um trabalho em equipe que ajude nossas comunidades.

Uma questão fundamental que sem dúvida atrapalha o trabalho em equipe é a insegurança pessoal. Quando eu não estou certo quanto às minhas aptidões e pontos fortes passo a ver o outro como uma ameaça. Basta uma pessoa elogiar o colega na minha frente para que eu fique enciumado. A insegurança não me permite dar ao outro o espaço para que ele realize aquilo que ele faz muito melhor do que eu. Assim, mesmo trabalhando pelos mesmos propósitos, acabamos instaurando um clima de competição e, até mesmo, boicote. Afinal de contas, para que eu me sinta valorizado preciso ver o outro abaixo de mim.

Se for este o caso, então, realmente ficará muito difícil estabelecer um trabalho em equipe que seja produtivo, saudável e eficaz. Pois o clima de confiança, tão indispensável, não existirá. Antes de compor uma equipe de trabalho, preciso, então, estar resolvido comigo mesmo. Uma pessoa insegura tende a utilizar o próprio ministério para receber aquilo que lhe falta na busca por autoestima, auto confiança, amor próprio. Quando ainda não nos convencemos de que o amor e a aprovação de Deus nos bastam, então, continuaremos a buscar a aprovação dos homens!

Compartilhar o ministério depende, essencialmente, de humildade, espírito de cooperação e uma profunda consciência a respeito de quem é o verdadeiro Senhor da Igreja. Todos nós gostamos e até precisamos de reconhecimento e elogio. Mas, se nosso agir depende disso, então, quem sabe, esteja na hora de buscarmos uma terapia. E, talvez, seja este o primeiro passo para um ministério saudável a serviço do reino de Deus e não uma mera busca por identidade e auto afirmação. Trabalhar com outras pessoas começa com a possibilidade de ser eu mesmo diante dos meus colegas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Uma Voz Que Chama

Se a palavra vocação significa, originalmente, um chamado, a pergunta lógica que faço é: quem chama? E, se vocação está ligado ao que fazemos, poderíamos perguntar ainda para quê sou chamado. Pois o chamado pressupõe, além de uma voz que chama, também uma missão. Compreendendo o meu envolvimento com a realidade como algo que possui algum significado, somente a fé num Deus que chama explica este significado. Posso fazer por fazer, realizar para ganhar dinheiro, elogios, reconhecimento pessoal. Mas, será que não existe algo maior? De maneira bem geral, o relato da criação, em Gênesis, fornece pistas sobre a missão humana. Deus, ao criar os seres humanos, confia-nos a responsabilidade de cuidar e cultivar esta boa criação.

Na teologia reconhecemos estas atribuições humanas como o mandato cultural de Deus. Dentre os verbos que denotam ação, uma responsabilidade confiada às criaturas racionais, nós encontramos: dominar, subjugar, sujeitar, multiplicar, nomear, cuidar e cultivar. Percebemos, portanto, o Deus criador chamando a todos nós para participarmos da criação, desenvolvendo todo o potencial deste mundo. Importante destacar que ao final do primeiro capítulo de Gênesis, Deus faz uma avaliação de todo o resultado de seu trabalho criativo: “Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom” (Gênesis 1:31). Logo, também as atribuições humanas e o fato de que as pessoas deveriam se envolver estava avaliado como algo bom.

A pergunta seguinte que precisamos fazer é: o trabalho que realizamos pode ser avaliado da mesma forma? O fruto de nosso envolvimento com a realidade produz algo bom? Se eu compreendo que toda a minha vida e aquilo que eu faço está conectado com algo maior, a perspectiva muda. Estou contribuindo com algo superior. Atendo ao chamado de Deus. Trabalhar não é pecado. Tampouco é um castigo que recebemos por sermos pecadores. Trabalhar é uma característica intrínseca ao ser humano. Ninguém conseguiria viver o tempo todo no ócio, sem produzir nada. Sentimos falta de nos ocuparmos com algo.

Se Deus é quem me chama e, se ele me chama para algo significativo, a um envolvimento responsável, que tipo de resposta eu estou manifestando? Pense na tua profissão, no teu trabalho... Você consegue enxergar aquilo que você faz como uma contribuição maior para a humanidade? Ou, estamos saindo da cama todos os dias apenas para cumprir uma obrigação enfadonha em troca do salário ao final do mês?

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Trabalho e Vocação

Você já consegue ver a sexta-feira daí? Basta chegar a segunda-feira que muitas pessoas já começam a esperar ansiosamente pela sexta-feira. Quem nunca viu expressões, imagens e desabafos neste sentido? Parece que a vida acontece mesmo nos finais de semana. Os outros dias precisam ser suportados para que possamos desfrutar de algumas horas de puro êxtase, euforia, realização, enfim, a felicidade. O trabalho é um mal necessário, um preço a se pagar para que a vida valha a pena, nem que seja somente quando chegar a sexta-feira! De onde vem essa ideia? Por que o trabalho precisa ser encarado como castigo? Será que simplesmente a maioria das pessoas está na atividade errada? Ou esta cultura de desprezo pelo trabalho é fruto de algo mais profundo em nossa cultura?

Existe uma crença popular que relaciona o trabalho com castigo. Mas, de onde vem esta crença? Por muito tempo, na história, houve uma interpretação equivocada dos três primeiros capítulos do livro bíblico de Gênesis a respeito disso. E, como o nosso mundo Ocidental, especialmente, é marcado pelo cristianismo, muitos acabam disseminando a falsa doutrina de que o trabalho é um castigo por causa do pecado. Adão e Eva teriam desobedecido a Deus e, assim, como castigo, a humanidade sofre precisando trabalhar para obter do suor de seu rosto o pão de cada dia. Há quem ainda acredite nisso! Para piorar, a origem etimológica da palavra trabalho também remete à dor, sofrimento, tortura, castigo. O termo vem do latim TRIPALIUM, que designava um instrumento de tortura formado por três estacas agudas (tri + palum = Três paus). Esta palavra passou ao francês como TRAVAILLER, significando “sofrer, sentir dor”, evoluindo depois para “trabalhar duro”. Logo, trabalhar é sofrer como num Tripalium. Não nos admiremos, pois, que muitos encarem o trabalho como algo a se evitar a todo custo.

Com a tradição protestante, homens como Martim Lutero e João Calvino contribuíram para resgatar uma compreensão novamente próxima ao que a Bíblia realmente apresenta sobre o tema. O trabalho jamais pode ser encarado como um castigo de Deus. Pois não existe nenhum ensinamento bíblico neste sentido. Assim, precisamos reaver o sentido e a importância da palavra vocação em nossos dias. Mesmo que não houvesse ocorrido a desobediência de Adão e Eva, o trabalho já estava nos planos de Deus na origem da Criação. Originalmente a palavra vocação vem de VOX e VOCARE, do latim significando “voz que chama”. Uma releitura dos capítulos um e dois de Gênesis no levará a concluir que Deus chama os seres humanos para envolverem-se na administração e cultivo da sua boa criação. Logo, esta atividade humana constava na avaliação de Deus que concluiu que “tudo havia ficado muito bom” (Gênesis 1.31).

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Carreira: escolhas e perspectivas

Muita frustração, depressão e infelicidade na vida das pessoas é consequência de opções feitas na hora de escolher uma carreira ou uma profissão. Aquilo com o que nos ocupamos durante a maior parte de nosso tempo é algo fundamental e não deveria ser tratado com desprezo e negligência. Se os vendedores de colchão gostam de dizer que gastamos pelo menos um terço de nossa vida dormindo, é verdade também que uma parcela considerável da vida é investida no trabalho. Descobrir a sua própria vocação é, portanto, algo de muita importância. Atualmente não se espera mais que uma pessoa permaneça toda a sua vida num mesmo emprego, numa mesma função, e, nem mesmo numa única carreira. Se já houve um tempo em que começar num emprego e ficar nele por anos a fio era sinônimo de competência e sucesso, este tempo ficou para trás. O mercado de trabalho hoje é muito mais dinâmico e requer atualização constante. Nesta realidade de múltiplas opções, a pressão e a ansiedade aumentam.

 Diante do chamado mercado de trabalho, existe algo fundamental que muitas vezes deixamos escapar. Trata-se da motivação. Não me refiro ainda à motivação com que você acorda e vai trabalhar todos os dias. Esta tem a sua importância e pode ser reveladora. Mas, refiro-me à motivação anterior, aquela com que você escolhe um curso, uma carreira, uma profissão. Por que fazer este curso e não outro? Por que você está nesta empresa e não em qualquer outra? Quais foram as razões que te levaram a escolher esta profissão? Se pensarmos nos jovens que tem nos exames de seleção a oportunidade de iniciar uma faculdade, talvez as respostas sejam as mais variadas. Desde a forte influência dos pais, passando pelo leque de opções disponíveis até a escolha pelo curso que promete status e mais dinheiro. Não há dúvida de que começar com a motivação errada trará consequências para toda a vida.

É fato que nem todas as pessoas podem contar com uma ampla gama de possibilidades no momento de escolher qual carreira seguir. Condicionamentos culturais, familiares, econômicos, geográficos e etc geralmente se impõem fortemente. Assim, muitos hoje podem dizer apenas: “Eu não tive outra opção!” Há, no entanto, aqueles que não se acomodam. Usam a formação que lhes foi possível no momento para alavancar o sonho que apenas foi prorrogado. Fazem o que lhes é possível no momento visando um objetivo maior à frente. Temos, portanto, questões chave no que se refere à vocação: Como fizemos ou faremos as nossas escolhas? O que faremos com aquilo que já escolhemos? Como temos encarado o trabalho que temos diante de nós todos os dias? Somos meras vítimas ou algumas coisas dependem de uma reorientação de perspectivas?

sábado, 13 de julho de 2013

O Mandato Cultural

O Semeador de Vincent Van Gogh
Você já ouviu falar em Mandato Cultural? Mandato implica numa ordem, uma delegação, uma autorização ou procuração que alguém dá a outrem para, em seu nome, praticar certos atos. Quando os cristãos se referem à Grande Comissão, por exemplo, referem-se, normalmente, às palavras de Jesus encontradas em Mateus 28.19-20. Com isso, interpretam que Jesus comissionou, ou seja, deixou um mandato evangelístico à igreja. Significa que cada cristão é um missionário encarregado de propagar o evangelho. Porém, o Mandato Cultural é anterior ao mandato evangelístico. O termo cultural, obviamente, refere-se à cultura. Em sua origem a palavra cultura estava relacionada com o ato de plantar e cuidar de plantas. Se existe um texto bíblico referência para o mandato evangelístico, encontramos também uma referência ao Mandato Cultural. Na criação o relato de Genesis nos diz que “o Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo” (Gênesis 2:15). Portanto, aqueles que creem num Deus criador assumem também esta responsabilidade para com a criação. As responsabilidades dos seres humanos para com a criação estão explicitadas também nos relatos de Gênesis 1. 26-30 e 2. 15-20. Estes textos que compreendem a criação do ser humano revelam aquilo que se espera destas criaturas feitas à imagem e semelhança do seu criador.

A ordem de Deus desde o princípio foi para que os seres humanos dominassem, subjugassem, cuidassem e cultivassem a criação. E, esta não poderia ser uma tarefa possível sem o envolvimento direto que configura trabalho para os seres humanos. Tal responsabilidade pressupõe a participação ativa do ser humano no desenvolvimento cultural do mundo. Deus chama o ser humano como um cooperador na tarefa de colocar ordem na sua Criação. Desde o princípio, trabalhar e cultivar o jardim são parte de nossa vocação divina. A cultura é, portanto, o resultado de nossa interação com a realidade. Todo resultado de nossa interferência na realidade é um produto cultural. Desta intervenção humana no mundo e na realidade é gerado algum tipo de desenvolvimento. Logo, temos uma relação entre a cultura e a história. Deus comissionou os seres humanos a participarem ativamente na sua criação e a desenvolverem cultura.

No desenvolvimento cultural a humanidade progrediu do cultivo de plantas até pesquisas de ponta que permitiram as descobertas mais extraordinárias. Temos hoje tecnologias que os seres humanos mais primitivos jamais poderiam imaginar. Que tipo de resultados essa nossa intervenção na realidade tem gerado? O padrão para compreendermos as palavras envolvidas no Mandato Cultural é o próprio Deus e sua avaliação da Criação em Gênesis 1.31: “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom”. Além de evangelizar, portanto, somos chamados por Deus a desenvolvermos a cultura de modo que esta reflita a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

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