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domingo, 28 de agosto de 2011

A Graça Salva da Auto-Suficiência

Você também já viveu a experiência de ler um desses livros de auto-ajuda e ficar empolgado durante a leitura? É como se tudo ficasse mais claro e você finalmente soubesse como agir de agora em diante. Mas, de repente, o livro termina e por algum tempo você até muda algumas atitudes. E, quando menos espera, está novamente frustrado, deprimido, sentindo-se incapaz para uma série de coisas. Tudo até parece pior do que antes! O que aconteceu? Suspeito que a resposta esteja no fato de que tudo aponta somente de volta para nós mesmos. Sentimo-nos fragilizados e incapazes diante da vida e do mundo. Procuramos resposta, buscamos por alguma ajuda, e tudo o que obtemos é um sonoro "se vira você mesmo". E, enquanto as pessoas buscarem soluções nas prateleiras, a roda do consumo continuará a girar. É natural que busquemos por bem-estar. E, é certo também que temos responsabilidades perante a vida. Devemos agir em todas as coisas que pudermos para melhorar a nossa situação por pior que ela seja. Existe uma carência, no entanto, que não pode ser suprida por nossos próprios esforços. Agostinho de Hipona já dizia que o nosso coração vive inquieto enquanto não encontrar descanso em Deus. A Bíblia revela que Deus "pôs no coração do homem o anseio pela eternidade" (Eclesiastes 3. 11). Sabemos que existe um algo mais. Na tentativa de encontrar, acabamos mergulhando em ilusões. Muitos querem nos fazer acreditar que a resposta está em nós mesmos. Jesus faz um convite interessante: "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus 11. 28-30). O convite é para que tiremos os olhos de nós mesmos. É um convite gracioso. A graça é compreendida quando eu admito que não posso sozinho. A graça não combina com auto-ajuda. A graça é um gesto que vem na minha direção. Não é algo que eu posso produzir por ou para mim mesmo. Ninguém é auto-suficiente. Simplesmente não fomos criados dessa forma. Dependemos uns dos outros. Todos dependemos de Deus. Ao reconhecer isso, começo a experimentar o que é descansar na graça. Deixar que Deus me conduza, me liberte, me fortaleça, me salve. Somos salvos pela graça. E, isso tem início por um processo que me faz tirar o foco de mim mesmo. Somente quando eu saio do centro da minha vida é que eu deixo lugar para Aquele que me criou. Encontro paz e descanso. Compreendo-me como alguém que faz parte de um todo, algo maior. No fim, descubro que eu não fiz nada. Ele já fez tudo. Está consumado.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Graça Anula o Orgulho Espiritual

O fato de alguém estar numa igreja não faz dela alguém mais querida e amada diante de Deus. Deus ama a todos as pessoas, independentemente de credo, raça, cultura, classe social, etnia, etc. O fato de que muitos de nós nos ressentimos porque aparentemente algumas pessoas parecem ter mais sorte ou melhores condições do que outras, é reflexo de nós mesmos. Deus criou todas as coisas e deu ao ser humano para que este administrasse a boa criação. A nossa rebeldia e incapacidade de viver numa inter-relação com Deus e com o próximo é que resultaram no desequilíbrio da criação de Deus. Assim, passamos a viver neste mundo como se estivéssemos numa competição. Logo, na busca por Deus, produzimos uma religião onde alguns se destacam e são mais abençoados que outros. Criamos um sistema religioso que reflete a corrupção do nosso próprio coração. O resultado disso é que muitas pessoas acabam não mais discernindo entre aquilo quem é Deus no meio disso tudo, daquilo que não passa de projeção humana. Culpamos a Deus pelas desgraças e injustiças no mundo, quando na verdade, miramos apenas o resultado da ação de seres humanos caídos. Conhecer a Deus e compreender a graça nos ajuda a redirecionar o foco. Nas palavras bíblicas, "vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2. 8-9). Vivendo num mundo de desordem e injustiças, podemos facilmente nos orgulhar por agirmos diferente aqui e ali. A nossa saudade de Deus - resquícios da sua imagem e semelhança - faz com que continuemos a desejar um mundo melhor. O problema é imaginarmos que somos melhores do que os outros pelos critérios que nós mesmos estabelecemos para definir quem é mais e melhor. O orgulho espiritual é cruel. Orar mais, cantar melhor, ser mais assíduo num programa religioso, ser mais generoso nas ofertas, sacrifícios mais exigentes e etc., no entanto, não representam nenhum pontinho a mais diante de Deus. Há dois mil anos atrás o apóstolo Paulo já ensinava: "Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele. É, porém, por iniciativa dele que vocês estão em Cristo Jesus, o qual se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção, para que, como está escrito: "Quem se gloriar, glorie-se no Senhor" (1 Coríntios 1. 26-31). Se não há mérito nenhum em nós mesmos; se a graça não é uma conquista; se ela não é um prêmio por merecimento; então, como eu poderia me vangloriar dela? Se a graça está à disposição do mundo, quem sou eu para querer me apropriar dela com soberba?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Graça Me Liberta de Ser Juiz

A graça é mais do que uma palavra singela. É um gesto na direção do ser humano. Mas, não é um gesto que escolhe alguns. A triste realidade da religião arquitetada pelos homens é a sua distinção baseada em méritos, qualidades, esforços, exercícios e etc... Tudo depende de você. Portanto, 'se' você 'isso', então, poderá conseguir 'aquilo'. O apóstolo Paulo escreve que "Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos" (Efésios 2. 4, 5). A Bíblia utiliza o plural: "pela graça vocês são salvos". Quem sou eu para excluir alguém? Não é isso também o que Jesus ensina na sua parábola do joio e do trigo (Mateus 13. 24-30)? Se existe alguma separação, nenhum ser humano está autorizado a traçar a linha divisória. Existe uma diferença entre julgar, exortar e condenar. A maneira como a Bíblia considera julgar é diferente de condenar. Não se trata de julgar como se estivéssemos num tribunal onde vamos, ao final, condenar alguém. Julgar significa examinar uma causa, avaliar uma idéia ou analisar uma questão. E, mediante isto, sim, tomar uma posição. É dessa maneira, por exemplo, que Paulo se expressa ao dizer: "Estou falando a pessoas sensatas; julguem vocês mesmos o que estou dizendo"(1 Coríntios 10. 15). Pessoas sensatas estão em condições de analisar as coisas e chegar, assim, às suas próprias conclusões. Pensar diferente de alguém, no entanto, não faz de mim um inimigo dessa pessoa. Já a palavra condenar significa impor uma pena. E, isso nenhum de nós tem o direito de fazer contra o outro. Esta é a lição da parábola do Joio e do Trigo. Exortar, por sua vez, significa incitar ou aconselhar à prática do que é bom ou conveniente. Jesus mesmo declarou, em João 3. 17 que "Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele". Ora, nem mesmo a intenção de Deus é de condenar. É por isso que "todos falavam bem dele (Jesus), e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios" (Lucas 4. 22). Se houver algum tipo de condenação, ela será imposta por quem tem a autoridade para tal. E, no devido tempo. A única certeza de que disponho hoje é que a graça de Deus é superabundante e está à disposição de todos. Não tenho, portanto, o direito de estabelecer critérios que determinem quem está dentro e quem está fora em se tratando de salvação. Sim, alguém pode argumentar pela Bíblia que isso é possível. No entanto, um olhar mais criterioso a partir do contexto revelará que não é bem assim. Portanto, a graça deveria nos tornar mais humildes, uma vez que não depende de nós. E, a graça é estendida a todos, inclusive àqueles que eu tenho dificuldades para aceitar ou lidar. Somente alguém que compreende-se agraciado será capaz de deixar essa graça transbordar para outros. Então compreenderemos também que podemos julgar e exortar, porém, jamais condenar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Graça Ignora os Méritos

A graça de Deus é o que existe de mais peculiar no cristianismo. Só compreende a diferença do cristianismo, quando comparado às demais religiões, quem compreendeu a graça. A graça nos permite abrir mão de todo e qualquer esforço religioso. A religião do fardo, dos sacrifícios, das exigências e da lei é totalmente incompatível com a graça. Por isso, para compreender a graça é necessário render-se. Literalmente, desistir dos caminhos da religião. Reconhecer que esta é uma luta vã, cansativa e frustrante. A maior benção da graça é descobrir que devemos definitivamente desistir de tentar agradar a Deus para obter salvação.
É sempre mais fácil falar a respeito da graça do que compreender e viver de fato as suas implicações. Quais seriam as consequências na vida de alguém que finalmente compreendeu a graça? Nas próximas semanas vamos refletir um pouco sobre as implicações da graça. Primeiramente, sabemos que a graça elimina qualquer necessidade de méritos. Isso significa que Deus nos ama não devido às nossas obras, ou por alguma aptidão especial que apresentamos e, sequer, por todo trabalho que pudéssemos exercer. O Apóstolo Paulo lembra que nada há que possamos reivindicar "com base em nossos próprios méritos, mas a nossa capacidade vem de Deus" (2 Coríntios 3. 5). Sim, a graça não espera enxergar os méritos para dizer eu te amo. Afinal, "se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça" (Romanos 11. 6).
Vivemos numa sociedade que recompensa por méritos. Em si, isso não é um problema. Pode ser interessante que empresas, por exemplo, procurem estruturar-se desse modo quando elaboram o seu plano de gestão. Mas, nesse caso, estamos falando de outra coisa. Um relacionamento entre patrões e colaboradores numa empresa não é exemplo para o tipo de relacionamento que Deus deseja com os seus filhos. Da mesma maneira, também numa família os pais devem amar os filhos de igual modo apesar das diferenças entre estes. Essas diferenças, no entanto, levarão os pais a agir de modo unico com cada filho. E, quando um filho se dá conta de quem ele é, já terá apenas o que agradecer.
A graça é Deus nos encontrando de mãos vazias. Nada temos a oferecer. Ela é anterior a qualquer possibilidade de podermos oferecer algo de bom em nós mesmos para nos tornarmos merecedores. A graça nos surpreende como se nós nos apresentássemos com uma considerável quantia em dinheiro para comprar algo que já é nosso. Pode ser frustrante olhar pra trás e ver que tanto esforço, tantos "pontos" conquistados e todo o dinheiro poupado, não fazem a mínima diferença. Pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho... (João 3. 16)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Causa Gay e o Texto Bíblico da Mulher Adúltera

As razões porque o texto de João 8. 1-11 não deveria ser utilizado como argumento pelos homossexuais que dizem que a prática homossexual não é pecado.

Quero, aqui, argumentar sobre um texto bíblico bastante utilizado por homossexuais e simpatizantes da causa. Antes de mais nada, preciso confessar-me um militante da causa. Sou totalmente favorável aos direitos de todos, das minorias, dos diferentes, dos oprimidos... Favorável, inclusive, ao direito dos homossexuais de poderem ter acesso a todos os recursos necessários caso queiram largar a prática. Lembrando que existem as mais diversas interpretações para aquilo que se compreende como direitos. Por isso, preciso esclarecer que neste texto vou tratar da questão sobre a homossexualidade no contexto religioso cristão que se refere ao pecado. Pois, apesar de muitos homossexuais e simpatizantes não confessarem a fé cristã, aqueles que buscam legitimação para a prática no contexto cristão costumam também argumenta a partir da Bíblia.

Esclareço ainda que se em algum momento pareço exagerar ou utilizar ironias não é de forma alguma para ridicularizar, mas, para tentar dar força e clareza ao argumento. E, obviamente não posso aqui escrever um tratado sob o risco de ninguém ler. Então, considerem o fato de não ter entrado em maiores detalhes. Permaneço, no entanto, à disposição para eventuais questionamentos e pedido de esclarecimentos.
O texto em questão é João 8. 1-11.

Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras.
Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo.
Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos
e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.
Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? "
Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela".
Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele.
Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? "
"Ninguém, Senhor", disse ela. Declarou Jesus: "Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado
". (João 8. 1-11)

Por que esse texto, na minha leitura, é utilizado de forma equivocada como argumento na discussão sobre a questão homossexual?
O caso relatado nos revela que os escribas e fariseus trouxeram a Jesus uma mulher que fora flagrada em adultério. O Adultério era considerado pecado nos tempos bíblicos e assim o é até os dias de hoje.
Os fariseus na verdade estavam pouco interessados naquela mulher. Eles estavam mesmo é interessados em fazer uma 'pegadinha' pra Jesus. Pensavam que Jesus teria apenas duas opções e qualquer uma delas o incriminaria. Ou porque Jesus se colocaria contra a lei de Moisés ou porque iria contra a lei do império romano.
Jesus demonstra, com a sua atitude, que além de conhecer a natureza humana melhor do que ninguém, Deus ama e acolhe apesar do pecado.
Isso, no entanto, não significa que o adultério deixa de ser pecado. Tanto que o texto não está completo nessa narrativa se formos somente até o verso 7 ou, mesmo até o verso 10. Uma boa exegese e uma boa hermenêutica pedem que o texto seja considerado em sua totalidade.

Portanto, o fato que principalmente torna complicado a utilização desse texto na argumentação homossexual recorrente é que adultério era e é considerado pecado. Creio que ninguém discorda disso.
Já a homossexualidade, embora que fosse considerado pecado no período bíblico e pela igreja (ou pelos cristãos) até bem recentemente (e, para a maioria, continua sendo), é hoje reivindicado como algo de que se pode orgulhar. Bem diferente do caso de adultério. Ainda não existe, pelo menos que eu saiba, nenhuma parada do orgulho adúltero. A questão, então, é que existe uma diferença de 'natureza' nas duas 'acusações'. Embora os fariseus estivessem testando Jesus e pouco interessados na vida daquela mulher e, Jesus com sua atitude tivesse desmascarado a hipocrisia destes, ninguém nega o fato de que o adultério é pecado. Se não fosse, Jesus não poderia jamais ter lançado contra os acusadores o argumento: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela" (verso 7). A partir do argumento de que estavam apresentando a Jesus uma pecadora (flagrada em adultério) é que Jesus dá essa resposta.

No caso da homossexualidade, não sendo pecado, os fariseus sequer poderiam usar um homossexual como 'isca'. E, vejam, estou apenas tentando raciocinar do ponto de vista daqueles que argumentam que a homossexualidade não é pecado. Que trata-se simplesmente de preconceito de religiosos fanáticos.

Agora, se admitirmos que a homossexualidade é sim pecado, então precisamos também admitir que Jesus assim o considera se quisermos continuar a usar o texto de João 8. 1-11. E, a pergunta inevitável é o que significam as palavras de Jesus no verso 11: "vai-te, e não peques mais".

De acordo com a argumentação utilizada pelos militantes gay, a prática da homossexualidade não é pecado, logo, Jesus não pediria algo assim. Então, mais uma vez, esse texto não serve à argumentação. No caso da mulher adúltera, dificilmente podemos imaginar que ela tenha entendido algo diferente do que 'vá e não continue nessa prática do adultério'. O texto não revela em nenhum momento que ela tenha contestado os fariseus ou mesmo a Jesus. Ela não tentou se defender e parece que ninguém mais ousou fazê-lo. Seria incorrer em pura conjectura tentar achar que tratava-se uma falsa acusação (A acusação de adultério só se tornava legal quando confirmada por pelo menos duas testemunhas. Ver Deuteronômio 19. 15). Até mesmo porque, repito, o adultério era, sim, pecado como, acredito, todos continuamos acreditando que seja. Sabemos também sobre a cultura machista da época e que sequer menciona o homem que foi, portanto, igualmente adúltero. Mas, isso em nada interfere naquilo que estamos tentando demonstrar aqui.

O fato é que os homossexuais procuram se utilizar de um texto em que se acusa uma pessoa flagrada num ato considerado pecado comparando-o e aplicando-o com um ato que não é pecado. Pelo contrário, é algo perfeitamente legítimo, do que a sociedade deve, inclusive se orgulhar, afinal, nada mais é do que demonstração de amor.

Portanto, não há como utilizar esse texto sem considerar o homossexualismo pecado e, se assim o for, aceitar a exortação final de Jesus "vai-te, e não peques mais". Agora, se o homossexualismo não é pecado, esse texto deveria ser abandonado para justificar-se. A menos que se cometam verdadeiras distorções e se fantasie em cima. Isso porém, não seria nada honesto com o texto e nem mesmo com a tradição cristã no que se refere à leitura e à interpretação dos textos sagrados.
Obviamente aqueles que consideram o homossexualismo pecado, continuam tendo que ouvir de Jesus: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra". Agora, para aqueles que dizem que o homossexualismo não é pecado, essa fala de Jesus não faz o menor sentido, tampouco o "vá e abandone sua vida de pecado".

Concluo, então, compreendendo que só existem duas opções diante desse texto caso queira-se continuar lançando mão dele pra argumentar nesse contexto: ou o homossexualismo é pecado e admite-se honestamente refletir sobre o que Jesus quer dizer com o verso 11. Ou, o homossexualismo não é pecado e abandona-se definitivamente este texto por não se aplicar ao caso.

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Quem não tiver Pecado...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Graça

Se me perguntassem o que o cristianismo tem de peculiar, de especial, de diferente e original quando comparado às demais religiões, eu diria que é a graça. Não estou sozinho nisso. A história revela que muitos outros antes de mim já pensavam assim. Nenhuma outra religião do mundo, além do cristianismo, tem a graça. É a graça que faz toda a diferença. A graça faz do cristianismo algo mais do que uma mera religião. A graça do cristianismo está na graça. Eu sei que essa conversa pode soar arrogante, presunçosa e exclusivista. Principalmente numa época em que o politicamente correto mascara a autenticidade. Porém, é um paradoxo inevitável. Justamente a graça, tão sublime, tão humilde, tão aberta, tão inclusiva, se tomada meramente como discurso, pode soar como algo totalmente contrário à sua essência.
Quem se considera adepto do cristianismo, mas não compreendeu a graça, pode mudar a qualquer momento de religião, afinal, sem a graça, o cristianismo não passa de mais uma oferta no menu de propostas religiosas. E, para quem não entendeu a graça e está fora do cristianismo, não há como ver o cristianismo como mais do que apenas uma religião entre tantas outras. Só entende a diferença, quem compreende a graça. Logo, é inútil envolver-se num debate religioso quando não há uma compreensão mínima sobre a graça. Pois, quem entende a graça sabe que é impossível confessar outra fé, pois nenhum outro sistema religioso é coerente com a graça. Considerar a graça desmontaria todo o sistema em qualquer outra religião.
Graça, sublime graça. Curiosamente, a graça, algo muito simples é, ao mesmo tempo, tão distante de nossa capacidade de compreensão e apreensão! Talvez porque a graça seja algo tão divino, tão sublime, tão libertador..., que é o que existe de mais hostil à nossa natureza rebelde e pecadora. A graça é o que existe de mais próximo e acessível à natureza divina. A graça subverte a nossa lógica. Ela nos ofende. A graça é algo tão desafiador, que preferimos, muitas vezes, rejeitá-la a ter que admitir que a compreendemos. Pois compreendê-la implicaria em mudanças radicais. Teríamos que rever muitas coisas e, na verdade, não é exatamente isso que nós gostaríamos.
Sim. A graça subverte a religião. Religião é aquilo que os seres humanos constroem na busca por salvação. Religião é a tentativa humana de construir pontes até Deus. A religião é uma obra humana. E, por isso, gera vaidade, orgulho, sacrifícios, auto-suficiência, baseia-se nos méritos, esforço e muita dedicação. Na religião pode-se facilmente classificar quem está dentro e quem está fora. A religião produz os seus mediadores e gurus. Dá muito dinheiro também. Assim, a religião acaba refletindo a corrupção humana. A religião, portanto, não pode suportar a graça. Porque a graça põe abaixo qualquer sistema religioso humano. O impulso religioso, no entanto, é algo inato ao ser humano. E, este, apenas encontra sossego na graça.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Pedofilia nos Cinemas

Em fevereiro deste ano, numa sessão parlamentar sobre um projeto de lei relativo a crimes sexuais contra crianças em OTTAWA, Ontario, Canadá, especialistas em psicologia afirmaram que a pedofilia é uma “orientação sexual” comparável à homossexualidade ou heterossexualidade. Já não é tão difícil encontrar na internet quem defenda a pedofilia como algo normal, apenas mais uma forma de expressão amorosa na diversidade de possibilidades. Na Holanda, já existe até um partido político criado por pedófilos com o objetivo de defender os seus interesses. É evidente que hoje a mídia é quem dita as tendências. Basta que os donos do poder mediático queiram para que um determinado produto faça sucesso e arrecade milhões. É assim que jogadores de futebol são projetados, roupas são colocados em evidência e viram moda, comportamentos são moldados. Quem algum dia já assistiu a uma telenovela sabe do que eu estou falando. Quem nunca ouviu a expressão "já é normal!"?
Os festivais de cinema no Brasil estão apresentando atualmente o filme "A Serbian Film: Terror sem Limites". Para que o leitor tenha uma idéia, este é o filme mais censurado dos últimos 16 anos no Reino Unido (só foi liberado para exibição após 49 cortes). De acordo com o site Folha.com "o longa tem incesto, pedofilia, necrofilia, violência a granel (incluindo dois assassinatos em que a arma é um pênis) e, em seu momento mais polêmico e chocante, o estupro de um recém-nascido". O trailer do filme já pode ser visto em sites e blogs na rede. Enquanto alguns argumentam que o filme mostra apenas a 'realidade', outros ainda conseguem demonstrar a saudável capacidade humana de se indignar. Já o diretor do filme, o sérvio Srdjan Spasojevic, 35, argumenta contra as críticas dizendo que "estamos no século 21, seria de imaginar que tudo já foi dito e visto, mas de novo estamos vendo uma caça às bruxas porque alguém não gostou de um filme". Ou seja, parece que estar no século XXI justifica qualquer coisa. O diretor estreante se surpreende de que ainda haja alguma coisa que não seja normal!
Mesmo que o filme não queira exaltar a pedofilia nem a necrofilia, fica a questão a respeito dos limites da arte. Sim, o ser humano é capaz das coisas mais horrendas. E, o fato de muitos sentirem algum tipo de prazer mórbido com esse tipo de espetáculo, apenas confirma isso. Portanto, não serei surpreendido quando os 'moderninhos' da televisão começarem a 'inovar' também nas telenovelas brasileiras, gerando debates e entrevistas em programas de auditório para abrir a mente da retrógrada sociedade brasileira sobre a beleza do amor 'diferente'. Afinal, é a realidade, não é!? Viva a diversidade! Dizer algo mais seria atentar contra a liberdade de expressão! Enquanto isso, os verdadeiros artistas, aqueles que realmente conseguem enxergar a realidade e expressar isso em sua arte, permanecem no ostracismo.

E você leitor, iria ao cinema com a família para assistir "A Serbian Film: Terror sem Limites"? Deixe o seu comentário e participe do debate sobre a pedofilia, a arte e a natureza humana.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Você Também é Religioso

É cada vez mais comum ouvirmos alguém dizendo que possui um lado espiritual independente de religião. A intenção da frase e, o que geralmente compreendemos, é que a pessoa cultiva uma certa espiritualidade sem frequentar programas promovidos por instituições religiosas. Trata-se de alguém, por exemplo, que não é filiado e nem mesmo frequenta uma igreja. A grande questão aqui, porém, é se realmente é possível para alguém ser autônomo ou independente da religião. Para refletirmos melhor sobre isso precisamos compreender bem o que queremos dizer quando falamos do religioso. Trata-se de muito mais do que meros programas ou instituições. Ser religioso é algo que vai além de ser budista, islâmico, judeu ou cristão. As instituições, os programas e os ritos poderiam ser classificados como formas de dar expressão á nossa religiosidade. E, mais do que isso, religiões são sistemas que sintetizam uma determinada filosofia de vida que procura oferecer uma compreensão de mundo.
Desde sempre o ser humano procura explicar o mundo de forma que este faça sentido para ele. Os mitos, a religião e a ciência são os instrumentos que servem a este propósito. Porém, a partir da Modernidade passou-se a acreditar que apenas a ciência possuía a autoridade para dar essa explicação. Testemunhou-se uma grande evolução na ciência e tudo aquilo que cheirasse à religião deveria, no máximo, ser relegado à vida privada. Logo a religião passou a ser vista como obscurantismo, fanatismo e até mesmo ingenuidade. Assim, o religioso nada tem a dizer sobre as coisas da ciência. Religião é coisa privada. Ciência é coisa pública. Argumentar sobre qualquer assunto utilizando-se de algo que ao menos cheire a religião já é motivo para ser desacreditado. Mas, será que existe mesmo alguém que não seja religioso?
Vejamos um exemplo prático. Se alguém disser que Deus criou o mundo, essa pessoa poderá facilmente ser acusada de fazer uma afirmação religiosa. Se Deus não é a origem, o fundamento, a realidade primeira, então quem ou o que será? As outras respostas para essa questão não seriam igualmente religiosas? Respostas como: tudo o que há sempre existiu ou; não há Deus algum ou; tudo é matéria; etc... O que torna essas respostas mais ou menos religiosas do que aquela que admite um Deus na origem de todas as coisas? Portanto, será que religião e ciência estão mesmo assim tão distantes. Ou, somos todos seres religiosos e, a diferença é que alguns procuram aprender por meio da ciência e outros preferem permanecer com as explicações mais simplistas da realidade!?

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