Agradeço a todas as visitas e comentários! Seja bem vindo!!! Que Deus abençoe a tua vida!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Falta Coragem

Muitas pessoas compreendem como cristãos aqueles que seguem algum padrão moral rigoroso. De fato, muitos evangélicos parecem ter o que dizer apenas quando o assunto envolve sexualidade, bebida alcoolica ou drogas (são contra, claro!). Poucos se arriscam a pensar por conta própria. Facilmente caímos na tentação de apenas repetir os chavões de algum líder mais eloquente. Nos tornamos, assim, um povo legalista e sem proposta. Se tirarmos essa 'meia dúzia' de assuntos polêmicos acabaremos sem nenhum cavalo de batalha para legitimar a nossa existência. Política só entrou no debate cristão esse ano por causa da ameaça envolvendo 'a moral e os bons costumes' (quase tudo relacionado à sexualidade). Quando, na verdade, não precisamos fazer dessas coisas uma discussão religiosa. Promiscuidade, encher a cara, fumar, usar outros tipos de drogas é mais burrice do que uma questão de fé. Não precisa ser cristão para perceber o que prejudica a si mesmo, o que faz mal à saúde, o que é expressão de carência afetiva, basta um mínimo de inteligência (Gálatas 6. 7).
Quem acredita que ser cristão é estar numa eterna luta entre os 'do contra' e os 'a favor' ainda não compreendeu nada. E, quem acha que o Evangelho (boa nova) é sair da casa do pai (Lucas 15. 11...) para se esbaldar à revelia, entendeu menos ainda. Um dos grandes problemas dos cristãos é que ainda não compreendemos bem a centralidade do Evangelho. Ignoramos o que significou a vinda, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Assim, vivemos com uma idéia vaga do que acreditamos ser o reino de Deus. Muitos se cansam de esperar e 'chutam o balde'. Quando na verdade, o que menos deveriam fazer é esperar. O problema é que o que nos falta nem é fé, compromisso, devoção, etc... Falta coragem. Falta ousadia para assumirmos de fato o Evangelho. Assim, seguimos em nossas leituras seletivas da Bíblia. Colhemos aquilo que nos convém. Nos omitimos de um estudo sistemático mais sério e profundo. Na verdade, queremos o light, o consumismo burguês, as benesses da mesa do rei (Daniel 1. 5-8), chafurdar na lavagem dos porcos... Esquecemos aquela ilustração básica da folha seca (que o vento leva para onde quer) ou do peixe morto (que se deixa levar pela correnteza). Sem coragem para assumir o Evangelho ou deixar de vez a religião vinculada, criamos a nossa própria versão self service.
É claro! Sim, o pai deixou partir o filho mais moço (Lucas 15. 12). Nenhuma religião deveria conduzir seus fiéis pelo cabresto (mesmo que muitos fiéis assim o queiram!). O objetivo dos dons e do serviço cristão é, entre outras coisas, "que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro" (Efésios 4. 13, 14).

Leia Também:
Dois Perigos na Religião
Vá e Faça
Eu Também Sou Corrupto

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Meu Herói!

Você já ouviu a expressão ‘bater em bêbado’? Também deve ter ouvido falar de Davi e Golias. Que luta é essa? Um baixinho contra um gigante!? Um leigo contra um especialista em guerra, um pastor de ovelhas contra um guerreiro. Uma desproporcionalidade de forças. Imaginem Golias, um guerreiro, todo armado, bem treinado, experiente em combates, corpo atlético, musculoso... Contra Davi, um ingênuo pastor de ovelhas. Um rapaz baixo, rejeitado pelos irmãos, o caçula da família. Enquanto o gigante desafia com o que existe de mais moderno em tecnologia de guerra Davi vai com algumas pedrinhas e uma espécie de estilingue.
É como uma guerra aonde uma superpotência vai contra um país miserável do 3º mundo. É o Fluminense, líder do brasileirão, enfrentando um time de várzea de nosso bairro. Davi, o colono criador de ovelhas, está diante do maior desafio da sua vida. Como ele enfrentou essa batalha? E, quanto a nós? Como nós olhamos para os grandes desafios da nossa vida? Como nós entramos nessas batalhas? Confiamos em Deus ou em nossas próprias forças e habilidades? Davi confiou em Deus e a luta foi vencida em um único round.
Quem era Golias? O representante, a projeção de um grupo. O herói, o guerreiro, o campeão dos filisteus. O grupo sentia-se realizado nele. Em todo exército existem covardes. Nos times de futebol têm os pipoqueiros, nos sindicatos os acomodados, na igreja os temerosos – que não herdarão o reino (Apocalipse 21. 8). Existem aqueles que esperam que alguém faça alguma coisa. Esperam outros tomarem a iniciativa em seu lugar: 'Alguém tem que fazer alguma coisa!'
Os covardes do exército filisteu esperavam por Golias. Viam nele a projeção de seus desejos, sonhos e realizações. Os brasileiros também possuem seus ídolos. ‘Eu não sou ninguém, eu não me destaco, mas ele conseguiu, ela está lá.’ ‘Alguém igual a mim conseguiu’: Gisele Bündchen, Ronaldinho, Romário, Ayrton Senna, os ‘heróis’ do Bial no BBB... Projetar no outro aquilo que para mim parece inalcançável. O grupo dos filisteus se espelhava em Golias. ‘Não precisamos ir pra batalha, não precisamos guerrear, não precisamos correr os riscos, nós temos um representante: basta mandar Golias, ele guerreia em nosso nome, ele irá lutar por nós’. Golias cumpria as expectativas dos filisteus, era a projeção deles, o ídolo, o herói dos filisteus.
Davi confiava em Deus. Mas, Deus não lutou por Davi. Não existem soluções mágicas. O próprio Davi precisou encarar o problema de frente. Ninguém poderá fazer por você aquilo que só você poderá fazer por si mesmo.

(Texto baseado numa mensagem de Ricardo Gondim)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Jesus e o Templo

Uma das grandes mudanças que ocorre na expressão religiosa do povo de Deus com a vinda de Jesus Cristo é com relação ao templo. No Antigo Testamento o templo simboliza a presença física de Deus. Era, na crença judaica, o local da habitação de Deus. Um local onde se vai para adorar a Deus. É também onde se realizam os sacrifícios para perdão dos pecados cometidos pelo povo. Era local sagrado, edificado para a honra e a glória de Deus. Quando Salomão decidiu edificar um templo em Israel ele não o fez pensando em atrair turistas, rivalizar com outros templos pagãos, despertar ou produzir fé no povo e, nem mesmo, porque os fiéis mereciam. A edificação do templo também não dividiu a história num antes e num depois.
Jesus foi o cumprimento das profecias do Antigo Testamento que anunciavam a vinda do Messias. Mas, como Jesus lidou com a questão do templo? Certa vez, quando caminhava com seus discípulos, estes mostravam e falavam da grandiosidade do templo. O Evangelho de Mateus revela a reação de Jesus: "'Vocês estão vendo tudo isto?', perguntou ele. 'Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas'" (Mateus 24. 2). Jesus também denunciou a hipocrisia religiosa que apregoava a sacralidade do templo enquanto eles mesmos o profanavam. Maior do que qualquer templo é o próprio Cristo (Mateus 12. 5-7). No capítulo 23, Mateus relata como Jesus desmascara os líderes religiosos que invertiam as coisas, sacralizando objetos e adorando-os mais que ao próprio Deus. E, pior, os religiosos o fazem explorando o povo e impedindo que estes tenham acesso ao verdadeiro reino de Deus. E, o que Jesus está dizendo ao responder aos fariseus: "Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias" (João 2. 19)? No momento que Jesus entregou o seu espírito na cruz, "o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo" (Mateus 27. 51). Em três dias Ele ressuscitou.
Como fica a questão do templo para os cristãos então? Veja a resposta de Jesus à mulher samaritana que também quis saber sobre o local de adoração: "está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém (...). Está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura" (João 4. 21 e 23). O Apóstolo Paulo ainda ensinou: "Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? (...) O santuário de Deus, que são vocês, é sagrado" (I Coríntios 3. 16 e 17). E, "acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês..." (I Coríntios 6. 19). Portanto, "o Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas" (Atos 17. 24).

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Réplicas...


Um dos fatores que desencadearam na Reforma Protestante do Século XVI foi a venda de indulgências liderada pelo padre João Tetzel. Ele recebeu do Papa Leão X a autoridade para realizar esta prática a fim de angariar recursos para a construção da Basílica de São Pedro em Roma. Uma das frases que se tornou célebre nessa campanha de Tetzel era de que "no momento em que uma moeda tilinta no fundo do gazofilácio, uma alma escapa do purgatório". Assim, as pessoas eram levadas a acreditar que sua contribuição poderia garantir a libertação da alma dos entes queridos que estavam presas a um purgatório. Foi o marketing agressivo de João Tetzel que indignou o monge Martim Lutero levando-o a escrever as suas 95 teses. A Basílica de São Pedro é uma obra monumental e que levou mais de um século para ser concluído.
A transformação da religião em negócio, portanto, é coisa antiga. Encontramos exemplos sendo denunciados já por Jesus e os apóstolos nos textos bíblicos. Hoje as seitas neopentecostais continuam a prática através da cobrança ilegítima dos dízimos, do ensino a respeito de amuletos sagrados, dos sacrifícios, campanhas, votos, pactos e tantas outras práticas ensinadas como necessárias para se obter bênçãos, cura, riquezas, prosperidade... O desafio do 'papa' do neopentecostalismo agora consiste em construir uma réplica do templo de Salomão bem no centro de São Paulo. O objetivo seria "trazer a fé de Israel, aquela fé abraãmica para os dias de hoje". Seria uma obra bem maior do que acreditam ter sido a construção original de Jerusalém. Deve ocupar 35 mil metros quadrados, com 55 metros de altura (equivalente a um prédio de 18 andares), o altar e fachada do templo serão feitos com pedras trazidas de Israel, um complexo para aproximadamente 10 mil pessoas sentadas. O custo inicial da obra é de 350 milhões de reais. Recursos que virão dos fiéis. Nas palavras do líder religioso e idealizador da obra "aqueles que contribuírem, aqueles que lutarem, aqueles que se esforçarem para contribuir e ajudar vão ser ricos... vão ser ricos... vão ser ricos..."
Se no século XVI a motivação para extorquir dinheiro dos fiéis era a de que entes queridos ganhariam em troca o céu, hoje a promessa é de riquezas aqui e agora. Se Tetzel precisava percorrer a Alemanha para arrecadar, hoje os meios de comunicação facilitam o empreendimento. Os bancos ajudam a seita servindo de gazofilácios em todo território nacional. Mas, trata-se de uma réplica. Bastante conveniente a uma fé que não passa disso, uma réplica fajuta do Evangelho de Jesus Cristo.

Leia também:

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quem não tiver Pecado...

Certo dia, enquanto Jesus ensinava no templo, Ele é interrompido por alguns mestres da religião judaica. Estes trazem e expõem ao público uma mulher que teriam flagrado em adultério. Os fariseus e mestres da lei queriam que Jesus resolvesse a questão e foram logo adiantando: “Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz?” (João 8. 5). Jesus parece não ter muita pressa para responder. Sabia muito bem onde aqueles homens queriam chegar. Como insistiram nas interrogações, Jesus se ergue mansamente e diz a eles: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”. O texto bíblico nos revela que, mediante essa resposta, todos foram saindo de fininho, a começar pelos mais velhos. Ficaram somente Jesus e a mulher.
‘Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra’. Hoje em dia é comum ouvirmos essa frase bíblica que se tornou uma espécie de ditado popular. Porém, como a maioria dos ditados populares, revela apenas mais uma maneira que o ser humano encontrou para se justificar. Tirando a frase de Jesus do contexto ela é usada por pessoas que, confrontadas ou exortadas por causa do seu erro, logo arrematam: ‘Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra’. Ou seja, ‘eu na minha e você na sua’. Errar é humano. Ninguém tem o direito de querer chamar a atenção, exortar ou corrigir ninguém. Assim, eis uma bela frase, bíblica, usada pelo próprio Cristo, que serve aos caprichos e necessidade de fuga que carregamos. Utilizado convenientemente como justificativa para continuar pecando sem assumir responsabilidades pelos próprios atos.
Se texto utilizado fora do seu contexto vira pretexto, então fica mais fácil compreender as inúmeras heresias do ‘gospélico’ tupiniquim. Pseudo-teologias varrem o país disseminando um cristianismo light, distorcido, baseado na troca de favores e sem nenhum compromisso ético. Para quem ainda valoriza um mínimo de coerência e gosta da verdade, sugiro ler o texto do Evangelho de João 8. 1-11 na íntegra. Quem o fizer verá que Jesus não deu a resposta aos fariseus para simplesmente justificar a mulher e dizer que estava tudo bem. Não podemos ignorar que Jesus queria mostrar sim que os religiosos metidos a santos eram também pecadores. Porém, depois de ficar a sós com a mulher, as palavras de misericórdia de Jesus continuaram: “‘Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou?’ ‘Ninguém, Senhor’, disse ela. Declarou Jesus: ‘Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado’”. Sem essa conclusão, as primeiras palavras de Jesus podem ser interpretadas para continuar a justificar o jeitinho brasileiro para qualquer coisa! Afinal, quem é que nunca...!?

Leia também:
O Poder do Perdão
O Que a Bíblia Diz Sobre o Perdão
Liberdade ou Conveniência

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os Novos Evangélicos

Recentemente uma revista de circulação nacional trouxe em sua matéria de capa o título: "Os Novos Evangélicos: um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas - e propõe uma nova reforma protestante". De acordo com a reportagem a igreja evangélica brasileira estaria passando por um período de transição: "Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV". O número de evangélicos no Brasil continua crescendo. A pergunta que muitos levantam é: e daí? Qual a diferença que isso está fazendo na sociedade? Quais os impactos desse crescimento para o Brasil? São perguntas válidas se lembrarmos que Jesus definiu os discípulos como sendo sal e luz. São elementos que fazem a diferença. A igreja que cresce no Brasil estaria sendo influenciada pela Bíblia ou simplesmente pela sociedade de Consumo?
Ultimamente não tem sido difícil criticar os chamados evangélicos, os tele-pastores, e toda a onda gospel no Brasil. São escândalos, projetos megalomaníacos, apelo desenfreado por dinheiro, falta de integridade e muito pouco daquilo que a Bíblia apresenta como o Evangelho. Há aqueles que torcem o nariz para qualquer crítica. Dizem que o importante é que a Palavra está sendo semeada. Ou, que não devemos tocar nos "ungidos do Senhor". Outra objeção levantada é de que não se deve julgar. Bem, desculpem, mas considero tudo isso papo furado de quem está se beneficiando com a sujeira que está cada vez mais difícil de manter escondida debaixo do tapete. Faz parte do ministério profético sério denunciar as mazelas, sejam elas políticas, econômicas, sociais ou religiosas. Por outro lado, devemos cuidar para não sermos meros reprodutores de "fofoca gospel". Também os crentes facilmente se veem fascinados diante dos escândalos envolvendo celebridades evangélicas, aberrações e falcatruas do gueto que dispõe de seus próprios blogs, comunidades virtuais, sites, jornais e programas (ou redes) de rádio e TV.
É natural que surgissem vozes discordantes. O cuidado ao se fazer a crítica é não esquecer que também somos passíveis dela. A onda anti-institucional deve lembrar que logo ela mesma tende também a se institucionalizar. Se perguntado sobre qual é o problema da igreja brasileira, preciso de humildade e sinceridade suficientes para responder: 'eu!' Toda e qualquer instituição, movimento ou onda continuará sujeita ao erro enquanto composta de pessoas. Reconhecer-se pecador e dependente de Deus é legitimamente Evangélico. O que não podemos é ser condescendentes com o erro. Mas, isso também não significa promover uma cruzada contra indivíduos. Precisamos de maturidade para debater idéias e combater o "orgulho humano que não deixa que as pessoas conheçam a Deus". E, assim, "levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo" (2 Coríntios 10. 5).

Leia também:
Que Deus é Esse
Você Não Precisa Agradar a Deus
O Cristão é um Cético

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Eu Não Fiz Por Merecer!

Em tempos de ativismo, correria e produção facilmente confundimos a vida religiosa também com uma série de atividades, serviços e práticas a fim de ganhar pontos com Deus. Na vida somos avaliados, recompensados e promovidos de acordo com aquilo que produzimos. Recebemos pontos e notas. Aprendemos que é preciso fazer por merecer. Até mesmo um elogio precisa ser conquistado. Essa lógica de causa e efeito gera em nós alguma dificuldade para compreendermos o verdadeiro sentido da fé cristã. Nosso senso de justiça, que até pode apresentar uma lógica correta para as relações humanas, atrapalha se aplicado na relação de Deus com a humanidade. Reconheço que corro o risco de não ser bem compreendido nessas questões. No entanto, ouso aventurar-me assim mesmo neste texto curto para tópico tão importante.
Todos nós já ouvimos exaustivamente falar a respeito do amor de Deus. Conhecemos também o supra sumo da lei: "Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo" (Mateus 22. 37 e 39). Porém, uma apreensão meramente intelectual não pode dar conta do real significado dessas verdades. Basta vermos o quanto é fácil exigirmos aquilo que não é exigível. Como querer que alguém me ame? O amor não se compra, não se barganha, não dá para reivindicar como direito. Tampouco é algo que preciso fazer por merecer. Qualquer relação baseada no que o outro pode oferecer em troca deixa de ser amor. Vira negócio. Não falo meramente de um amor romântico, dos enamorados. Mas, com tudo isso também não quero dizer que o amor seja condescendente. Logo se tornaria indiferença. Se aproximaria novamente da lógica da troca: 'não abordo para não chatear, não chateio para não perder a simpatia'.
Em que se baseia a vida cristã? O que é o discipulado? No Evangelho de Marcos encontramos Jesus estendendo um convite (ou seria uma convocação?) a doze pessoas. Sim, esse chamado implica numa missão. Eles receberiam uma tarefa. Mas, uma leitura mais atenta vai perceber um algo mais no texto: "Jesus subiu a um monte e chamou a si aqueles que ele quis, os quais vieram para junto dele. Escolheu doze, designando-os como apóstolos, para que estivessem com ele..." (Marcos 3. 13, 14). Jesus não estabelece critérios de seleção. Ninguém ali 'fez por merecer'. Primeiramente, Jesus chamou os doze para junto dele, para que estivessem com Ele. A autoridade daquelas pessoas viria de estarem com Jesus, de desfrutarem da intimidade do Mestre. Aquele grupo de amigos deu início a um movimento que revolucionou o mundo. Antes de qualquer tarefa, de qualquer grande missão, o desafio do discipulado consiste em viver sob a influência de Cristo. Isso acontece nos relacionamentos. A experiência de ser. Não podemos oferecer daquilo que não recebemos!

Você já leu o Post mais acessado do Blog?

A História de John Newton e Amazing Grace

Veja Também:

Related Posts with Thumbnails