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terça-feira, 4 de junho de 2013

Coando Mosquitos e Engolindo Camelos

Tempos difíceis! Como diria Cícero: "O tempora, o mores" (Que tempos os nossos! E que costumes!). Por um lado o patrulhamento do politicamente correto deixando tudo mais chato, mais afetado, mais hipócrita! Por outro lado, o cinismo e a indiferença que oprimem, gerando ainda mais incredulidade e acomodação. Todos parecem enxergar o que está errado. Todos denunciam as mazelas e a corrupção. Desde a mais alta cúpula do governo até donas de casa histéricas que espancam seus cachorrinhos, nada escapa às timelines de nossas páginas do Facebook. Se por um lado parece que não se pode dizer mais nada, por outro, se fala até demais. Vulgarização total! Superficialidade e pseudointelectualismo arrotados aos cântaros. Mendigamos um curtir ou, quem sabe, um compartilhar que eleve a nossa autoestima. Frases de autores que nunca lemos, imagens com causas que sequer compreendemos, divulgação da vida privada que vai desde o que comemos no café da manhã até onde estamos no momento (se for um aeroporto ou lugar turístico, melhor, claro!).

Não. Não quero escrever uma mera crítica às redes sociais. Elas até que tem o seu lado positivo. O problema, mais uma vez, somos nós, seres humanos. É a direção que damos para as coisas, ou seja, a maneira como decidimos usá-las que é a questão. Portanto, vida longa às redes sociais e a tudo que elas tem de bom! Vida longa também a nós, seres humanos, para que tenhamos mais tempo para aprender a viver! Uma coisa, no entanto, continua incomodando. Quanto menos tolerância para com os pensamentos mais profundos, quanto menos reflexão e leitura, mais se multiplicará a mediocridade e o lugar comum. O problema é que não é necessário nenhum esforço para se acostumar com o medíocre. Basta deixar a vida te levar. Se você anda de bicicleta, imagine a diferença entre pedalar um caminho morro acima e outro morro abaixo. Se pudéssemos, faríamos sempre estradas que tivessem somente descidas! É claro que este é um absurdo ilógico. Mas quem ainda se preocupa com lógica ou coerência!?

Tudo aquilo que exige esforço e disciplina é impopular. Ler e ver um filme, por exemplo, não tem graça se não for por diversão. Logo, não temos mais “saco” para as coisas chatas que podem nos ensinar algo. Até mesmo escrever mais um texto para este espaço é enfadonho às vezes. Como evitar que isto seja notado? Uma contradição? Esconder nos tempos em que queremos revelar tudo (ou, quase tudo!)!? Não. Ninguém quer se mostrar como realmente é, ou, como realmente se sente. O importante é ser. Mas, se não dá, a gente faz parecer que é.

“Terminando mais um texto para o meu blog” (:

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Jeito de Deus

De certa maneira, o assunto de nossos textos abordando a lei ou a vontade de Deus significa dizer que existe uma ordem para todas as coisas. Essa lei é a maneira como Deus exerce a sua soberania sobre o mundo criado. Logo, agir de acordo com a vontade de Deus é agir conforme o jeito certo. Consequentemente, quem age conforme o jeito de Deus tem maiores chances de ver o fruto de seu empreendimento alcançar êxito. Existe uma maneira correta de agir para cada esfera da realidade: na economia, na estética, na ética, na comunicação, na pedagogia, na lógica, na psicologia, na biologia, na fé e etc. Portanto, sempre que alguém agir conforme a vontade de Deus numa destas áreas, o resultado inevitável será um “produto” de qualidade. O salmista já sabia bem disso: “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Salmo 1. 1-3).

No entanto, sabemos que para que pudéssemos ser de fato livres, Deus nos criou assim, com a possibilidade de tomarmos decisões. Logo, facilmente o ser humano caiu no erro de colocar a si mesmo no centro do universo. O que temos a seguir é resultado da desobediência e da pretensão humana de querer colocar-se como referencia para o mundo. E, assim, a direção que passamos a dar às coisas foi se distanciando da ordem divina na criação. Embotados pelo pecado, perdemos a sabedoria e a capacidade de discernir corretamente as coisas. Tudo consequência de nossa rebelião contra Deus. O mundo à nossa volta tem revelado como estas consequências podem ser catastróficas.

Quando nos rendemos novamente a Deus, a pergunta natural que deveríamos fazer se dirige a Ele: qual é a tua vontade Senhor? E, assim, com oração, meditação, leitura e estudo nas Sagradas Escrituras, nos entregarmos a um relacionamento onde humildemente nos deixamos ensinar por Deus. Obviamente continuaremos cometendo erros. No entanto, com humildade e perseverança, manteremos o foco naquele que sabe todas as coisas! O fato de não podermos alcançar uma perfeição não anula a possibilidade de que podemos melhorar. Eu posso compor uma música e tentar interpretá-la para você com a ajuda de um piano. Mas, garanto que todos concordarão que me sairei muito melhor se antes tiver aulas de canto, teoria musical, iniciação em piano e praticar bastante! Existe um jeito para executar boa música. Quem o descobre, rende-se a ele e pratica, inevitavelmente será um artista que nesta área, estará se submetendo à ordem da criação de Deus.

sábado, 11 de maio de 2013

Além Do Que Os Olhos Podem Ver

O leitor mais atento deve ter notado que temos refletido um mesmo tema numa série que iniciou junto com o ano de 2013. Chegamos ao décimo nono texto tratando a respeito de um tema central na vida das pessoas: a vontade de Deus. Não que todas as pessoas fazem desta uma preocupação central em suas vidas. O que queremos dizer é que este é um tema central, quer saibamos disso ou não. A existência de uma Lei Moral pode ser notada mesmo antes de se reivindicar que por trás dela esteja o Deus da tradição judaico-cristã. No entanto, com muito mais propriedade que eu jamais conseguiria fazer, prefiro indicar ao leitor que busque a companhia de um dos maiores autores cristãos do século XX.

Nos últimos dias comecei a reler Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis. Além desta que é uma obra magnifica, este pensador irlandês deixou um legado que vale a pena conhecer. Textos como Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz, A Abolição do Homem, O Grande Abismo e muitos outros marcaram uma geração de cristãos pelo mundo. Professor de literatura medieval e renascentista, C. S. Lewis ficou mais conhecido no Brasil graças a uma de suas obras que também vem sendo adaptada para o cinema: As Crônicas de Nárnia. Ateu durante boa parte de sua vida, Lewis rendeu-se à fé cristã numa busca séria e racional que durou algum tempo. No livro Surpreendido Pela Alegria ele relata em uma biografia espiritual essa jornada de volta ao pleno cristianismo.

Voltando ao nosso tema, tomo a liberdade de indicar a leitura de Cristianismo Puro e Simples para todos que desejam buscar maior aprofundamento. Na primeira parte da obra, Lewis aborda o certo e o errado como chaves para a compreensão do sentido do universo. Para ele, “os seres humanos, em todas as regiões da Terra, possuem a singular noção de que devem comportar-se de certa maneira, e, por mais que tentem, não conseguem se livrar dessa noção”. As pessoas sabem “que na prática não se comportam dessa maneira. Os homens conhecem a Lei natural e transgridem-na. Esses dois fatos são o fundamento de todo pensamento claro a respeito de nós mesmos e do universo em que vivemos” (Cristianismo Puro e Simples, versão em português pela Martins Fontes, 2009. p. 12). Lewis vai abordar ainda algumas objeções que questionam se tal moralidade não seria apenas um instinto gregário ou fruto de uma convenção social. Trata-se, portanto de uma leitura bastante útil na companhia deste sábio pensador que nos desafia a enxergar a realidade para além dos fatos. Afinal, além de tudo o que nós - seres humanos - fazemos, sabemos que muitas vezes o nosso comportamento deveria ser diferente.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Saber

Já argumentamos que seguir as leis de Deus é antes uma questão de bom senso do que mera religiosidade sem sentido. Mas, isso não seria destituir o nosso comportamento de qualquer senso de moralidade para um mero pragmatismo? Eu prefiro utilizar a escada ou o elevador para descer um prédio. Será que ao agir assim em vez de simplesmente saltar lá de cima eu estaria mesmo buscando seguir a vontade de Deus? Ou, opto por isso simplesmente porque é melhor para a minha saúde e segurança? Quando eu me importo com as árvores porque ao derrubá-las sei que as cidades ficarão mais poluídas eu não estaria alegando apenas um motivo egoísta? É claro que geramos sofrimento para nós mesmos e para os outros quando violamos a verdade de Deus. Mas, o cristão não age somente por razões pragmáticas. A base de nossa ação é que Deus existe e fez todas as coisas. Amar o próximo, respeitar a natureza, zelar por nossa cidade não é algo em si mesmo. Tudo o que existe tem o direito de ser conforme a ordem criada por Deus. Muito mais do que bom senso, pragmatismo ou medo, é uma questão de confiança irrestrita!

Talvez você argumente que agora estamos entrando em contradição. Afirmamos que viver segundo a vontade de Deus não se trata apenas de motivo religioso. E, agora, dizemos que devemos viver segundo a vontade de Deus simplesmente porque Deus existe. O fato é que há uma maneira como Deus fez todas as coisas e é esta a realidade que temos diante de nós. Exatamente isso. É uma questão de fé. Mas, não uma fé na fé. Mas uma fé em algo objetivo, que pode ser observado, analisado, estudado, testado. Não estou falando de fantasmas ou coisas de algum outro mundo fictício. O que temos é o mundo em que vivemos e que Deus criou para que vivêssemos nele. Qualquer outra explicação para o mundo e a realidade terá seu próprio fundamento que é tão ou mais religioso. A honestidade intelectual exige, no entanto, que consideremos e comparemos todas as visões para ver qual é a mais coerente. Não se trata, portanto, de uma religiosidade arbitrária.

A fé cristã não teme a dúvida, as perguntas e nem mesmo a ciência. Aliás, a ciência moderna é fruto do empreendimento de muitos pensadores cristãos. Os cristãos creem na existência do mundo real. Um mundo que está aí e que pode ser investigado, estudado, pesquisado. Crenças que consideram tudo irreal ou ilusório, ou que acreditam que tudo está possuído de espíritos, não aceitam interferir. Ou porque é perda de tempo ocupar-se com o irreal ou porque não devem profanar os espíritos. Os cristãos, no entanto, creem que a criação é confiada aos seres humanos para que cuidemos e cultivemos. Podemos e devemos interferir. E, assim, desenvolvemos cultura e fazemos ciência. Não significa que temos a capacidade de saber tudo. Mas, também não significa que sejamos incapazes de saber algo.

domingo, 28 de abril de 2013

Os Três Tipos de Lei na Bíblia

Existem três tipos de leis mencionados na Bíblia. Trata-se, na realidade, de uma distinção entre os aspectos moral, cerimonial e judicial da lei. Este desdobramento da lei foi matéria da teologia durante toda a história do cristianismo. Na tradição protestante vemos que os reformadores já falavam sobre as três funções da lei. Este é um discernimento importante para evitar confusão hoje. A lei cerimonial foi cumprida com a vinda de Cristo. Trata-se da lei que tinha como objetivo educar e preparar o povo para vinda de Jesus. Todos os sacrifícios que o povo realizava como cumprimento à lei mantinha-os conscientes de seu pecado. A função da lei era, assim, mostrar ao povo a sua fraqueza e sua natureza pecaminosa. Além disso, deixava as pessoas conscientes quanto à sua incapacidade para satisfazer as exigências da lei. Entra aqui, por exemplo, o sacrifício de animais para purificação do pecador. Por isso que Jesus é também chamado na Bíblia como o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Jesus foi o sacrifício definitivo. Assim, toda lei cerimonial que encontramos no Antigo Testamento são hoje desnecessárias.

Um segundo uso da lei é aquele que é necessário para a ordem social. Nem todos são tementes a Deus e estarão dispostos a viver segundo a sua vontade. Por isso, a sociedade precisa de leis para que a convivência seja possível. Não fossem estas leis a sociedade, por causa do pecado, se degeneraria totalmente. Afinal, muitos irão obedecer apenas por temor a lei. Se não houvesse um limite de velocidade com penalidades imagine o quão pior o trânsito seria? Se não houvesse nenhuma penalidade para crimes como assassinato, roubo e estupro imagine como seria o convívio social? Portanto, já entre o antigo povo de Israel havia também esse tipo de leis. É a lei de uso político ou civil necessária em todas as civilizações para que estas se organizem de acordo com o seu contexto e realidade. Aquelas leis do povo de Israel caducaram, afinal, não vivemos mais naquela cultura e nem nas mesmas circunstâncias históricas. Portanto, cada nação deve ter a liberdade de criar as leis que lhe sejam convenientes, sem querer conformá-las aos costumes dos tempos bíblicos.

Há ainda o terceiro uso da lei que seria uma aplicação através da qual se encoraja os cristãos a se submeterem mais plenamente à vontade de Deus. É a lei que nos ajuda a discernir o bem e o mal. É aplicável em todas as épocas e ocasiões. A fé, portanto, não nos isenta das boas obras. Não estamos mais sob a maldição ou o castigo da lei quando a descumprimos. O que não significa estar livre das consequências de nossos atos. É, no entanto, somente a partir deste terceiro uso da lei que se pode deduzir uma ética cristã. Como já dissemos em outra oportunidade, quem duvidaria que se nós todos observássemos ao menos os Dez mandamentos teríamos uma sociedade muito melhor?

Muita atenção, portanto, na leitura que fazemos das Escrituras. Pois na Bíblia encontraremos estes três tipos de leis. Sem discernimento correremos o risco de misturar as coisas e transformar a Palavra de Deus em mera repetição de leis sem nenhum aplicação para os dias de hoje!

terça-feira, 23 de abril de 2013

As Escrituras

Existe muita confusão no que se refere à lei de Deus e a Bíblia. E, isso acontece especialmente porque para muitas pessoas a Bíblia não passa de um livro de regras. Infelizmente, devemos admitir, é assim também que muitos cristãos a tratam. Por isso, quando, por exemplo, escutam alguém argumentando contra o aborto, contra a eutanásia ou contra a homossexualidade, se defendem dizendo que deveríamos, então, seguir todas as leis da Bíblia. Com isso elas querem dizer que não é coerente seguir apenas algumas “regras” da Bíblia, mas, todas, como aquelas que falam em pena de morte por apedrejamento e etc. É um tipo de resposta que revela pouco conhecimento bíblico e teológico. Como já dissemos, muitas pessoas encaram a Bíblia como um livro religioso de normas que deveria ficar restrito aos adeptos desse tipo de leitura fundamentalista.

Uma leitura mais atenta, porém, revelará algo mais. Já entre os grandes reformadores como Martim Lutero e João Calvino, percebe-se uma distinção entre os aspectos moral, cerimonial e judicial da lei. Na literatura cristã e nos estudos teológico encontramos uma vasta gama de autores e pesquisadores que nos ajudam a compreender este aspecto. Portanto, não estamos sós diante das Escrituras. Além da comunidade de fé, temos também o testemunho e o trabalho sério de muitos outros cristãos na história para nos auxiliar. O estudo, a reflexão, o aprendizado, como temos dito, fazem parte da nossa natureza. Vamos nos empenhar e fazer bom uso desse talento!

O que estamos dizendo, então, é que existem, sim, aspectos da lei que encontramos na Bíblia e que estão obsoletos. Por quê? A resposta é que haviam leis que eram condicionados àquele tempo, povo e lugar a que o relato bíblico se refere. Lembremos novamente que a revelação de Deus não se dá num vácuo. Deus se revela a um povo, dentro da história e numa cultura específica. Logo, é necessário atenção a isto para não confundirmos a vontade de Deus com aspectos culturais, como costumes, ritos e até mesmo leis civis e judiciais daquele povo em questão. É aí que as ciências podem ajudar. A exegese e a hermenêutica bem como estudos históricos, geográficos, antropológicos e sociológicos dos tempos bíblicos tornam-se recursos indispensáveis para uma melhor compreensão da mensagem. Não nos esqueçamos, porém, que os estudiosos também são seres humanos pecadores. Como tais, podem buscar apenas reforçar seus pressupostos por meio de seu empreendimento científico. É por isso que a Bíblia não é um livro para ser interpretado e lido apenas individualmente. Deus revela a sua vontade para a comunidade. E, esta vontade é confirmada ou refutada pela realidade.

terça-feira, 9 de abril de 2013

A Família

O fato de Deus ter-nos feito com inteligência, criatividade e capacidade de discernimento, permite que sejamos aprendizes. Estamos sempre aprendendo algo novo, somos curiosos e investigamos as coisas. É assim que o ser humano vem desvendando os mistérios do Universo e pode perceber a estrutura da boa Criação de Deus. Deus criou todas as coisas com ordem, em seus devidos lugares, de modo que há uma harmonia que permite a vida e o bom funcionamento das coisas no mundo. As leis naturais e as leis morais não são arbitrárias servindo apenas para oprimir a humanidade. Elas são boas e essenciais para que haja vida. Os seres humanos criados à imagem e semelhança do seu criador podem descobrir e discernir essas leis. Além da nossa consciência e da revelação escrita, temos também a revelação especial de Deus em Jesus Cristo e em toda a Escritura. Cabe a nós assumirmos todo o nosso potencial criativo e discernir neste Universo criado a ordem ou, estrutura da criação, para vivermos segundo a vontade de Deus.

Uma destas vontades de Deus é a família. A melhor maneira de se educar uma criança é permitir a ela crescer num lar com pai e mãe. O melhor relacionamento entre duas pessoas, além da amizade, é o do casamento heterossexual. É nesse tipo de relacionamento que experimentamos a plenitude da boa vontade de Deus para a família. E, como deduzimos isto? Voltando à narrativa da criação encontramos Deus criando os seres humanos, “à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1.27). Portanto, ser homem e ser mulher é uma questão biológica, estrutural, criacional. Foi assim que Deus planejou e fez. Isto pode ser descoberto e observado assim como a lei gravitacional. A família é mencionada ainda nos Dez Mandamentos das tábuas da lei: "Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Êxodo 20.12).

A revelação bíblica e especial de Deus permite que confirmemos a questão da família como a célula base e essencial da sociedade. Jesus, quando mais uma vez instigado pelos fariseus, confirmou o que já estava instituído por Deus: “o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne” (Mateus 19.5). Se há problemas nas famílias – e, alguns bem graves como a violência doméstica, abusos e divórcio - isso acontece porque somos seres caídos, pecadores. O pecado, porém, não revoga a lei de Deus. A boa vontade de Deus permanece. Assim como permanece também a benção para aqueles que se esforçam para viver o casamento e a família segundo os padrões de Deus. O nosso fracasso não pode ser desculpa para fingirmos que Deus e suas leis não existem!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Jesus e a Lei

A dificuldade de muitas pessoas para se curvarem à vontade de Deus leva a desculpas das mais esdrúxulas. Por desconhecerem as Escrituras, não conseguem vê-la num todo harmônico. Logo, também não conseguem compreender como alguém já justificado, portanto, salvo diante de Deus, precisaria ainda buscar conforma-se a vontade deste Deus. A questão é que mesmo após a vinda de Jesus as boas leis de Deus permanecem. Vejamos essa questão nas palavras do próprio Jesus em seu famoso Sermão da Montanha: "Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus” (Mateus 5.17-19).

Não há aqui nenhuma confusão. O nosso destino, a nossa salvação, o nosso futuro não dependem do quanto seguimos a lei ou não. É fato que não conseguimos cumpri-la. Somos culpados. Por isso, Jesus é a nossa salvação. Entregues à própria sorte estaríamos perdidos eternamente. Logo, não seguimos mais a lei para garantir pontos com Deus. Mas, para que vivamos mais plenamente. Assim como, mesmo após a vinda de Cristo, a maça continua a cair do pé por causa da lei da gravidade, também a norma de Deus para a cultura, a sociedade e os relacionamentos humanos permanece. A lei moral continua nos mostrando o quanto somos limitados, inconsequentes, rebeldes – pecadores. A diferença é que não precisamos mais nos desesperar. O ideal seria não pecar, mas, se pecarmos, e pecamos, “temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2.1). É por isso também que Paulo não se desespera ao deparar-se com seu dilema de não conseguir viver a altura dos padrões de Deus. Ele reconhece o problema, mas, imediatamente identifica a solução: “Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!” (Romanos 7.24-25).

Qual é, então, a função da lei para nós, hoje? Além de permanecer como a revelação da boa vontade de Deus e nos revelar a nossa pecaminosidade, ela nos orienta para uma vida plena. Alinhar-nos segundo a ordem das coisas criadas e, com toda a boa vontade de Deus, é sinal de sabedoria e bom senso. Ao quebrarmos uma lei ela continua sendo a boa lei de Deus. A boa notícia é que não somos mais condenados por não cumprir a lei. Temos alguém que a cumpriu por nós. A fé consiste em crer naquele que observou plenamente a vontade de Deus: Jesus. Logo, querer viver segundo a vontade do Deus em quem se crê e, que nos amou de tal maneira, será algo natural para o cristão.

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