Depois que passamos a ter filhos notamos o quanto as pessoas fazem observações tentando identificar as semelhanças do bebê com seus pais. Enquanto uns encontram mais semelhança com a mãe, outros já veem a imagem do pai. Fato é que cada indivíduo é único, exclusivo, ao mesmo tempo semelhante e alguém diferente. Além de nos parecermos uns com os outros, existe ainda uma semelhança que diz respeito à nossa origem. É natural que um bebê apresente traços físicos e de personalidade que lembram os seus pais. Mas, com origem, refiro-me, ainda a algo mais. Assim como temos o nosso umbigo que lembra que não fomos feitos de e por nós mesmos, o ser humano também sabe que possui uma origem transcendente. Sabemo-nos, consciente ou inconscientemente, conectados a uma origem, a algo que está além, acima, e é maior do que nós. Por isso, nós estamos invariavelmente inclinados a nos conectar com algo, a buscar pelo que nos completa, que nos preencha e dê sentido. Somos, portanto, também portadores de uma imagem e uma semelhança que reflete esta fonte originadora.
Todos nós possuímos as nossas crenças, teorias e explicações para esta origem. E, como nem mesmo as teorias tidas como científicas gozam de aceitação universal, vivemos num mundo onde cada um acredita naquilo que pareça fazer mais sentido. Como cristãos, cremos que a nossa origem está em Deus. Lemos em Gênesis 1. 27 que “criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Existe uma longa tradição de textos e discussões a respeito do que seria essa imagem e semelhança de Deus no ser humano. Não haveria tempo e espaço aqui para fazermos uma exposição exaustiva a respeito. De forma bem resumida, a tradição reformada do cristianismo acredita que temos aí duas coisas, basicamente: 1) que fomos criados para governar sobre a Terra, sobre a boa criação de Deus; 2) Que existe em nós uma origem fora de nós, o que nos torna seres religiosos, adoradores, cultuadores. Assim como o umbigo lembra que nascemos de outro ser humano, a nossa essência religiosa nos leva a concluir que fomos criados por alguém que transcende o mundo que conhecemos.
Para compreender o primeiro ponto, basta verificarmos o quanto somos criativos, seres culturais, que interferem na realidade dando origem a novas coisas. Foi assim que Deus nos criou. É o mandato cultural. As duas questões estão inter-relacionadas, e, o ser humano criado à imagem de Deus é um adorador. Ele busca e necessita da referência transcendente assim como é fundamental para a criança crescer sob a educação, orientação e referencial dos pais. Sem Deus estamos incompletos! Ninguém é capaz de deixar de sentir esta ausência! A nossa tragédia inicia quando achamos que podemos preenchê-la com algo menor que Aquele que deu origem a tudo!
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* Quando falamos que fulano é o pai cuspido e escarrado, queremos dizer que o sujeito em questão é muito parecido com o genitor. E foi também por ser parecida com sua expressão original que o termo “cuspido e escarrado” surgiu. Ele é, na verdade, resultado de alguns mal-entendidos.
No Brasil colonial, os barões do café contratavam artistas para esculpirem seus bustos, num sinal de pompa. Para retratar fielmente o barão, era exigido que sua imagem fosse esculpida em mármore de carrara, famosa pedra italiana conhecida por ser o mármore mais duro que existe. A estátua, que ficava realmente muito parecida com o ilustre modelo, deu origem à expressão “esculpida em carrara”. Acontece que, da cozinha, os criados acabaram distorcendo-a para “cuspido e escarrado”. A nova – e bem mais nojenta – versão acabou pegando.
Agradeço a todas as visitas e comentários! Seja bem vindo!!! Que Deus abençoe a tua vida!
terça-feira, 30 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
O Mandato Cultural
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| O Semeador de Vincent Van Gogh |
A ordem de Deus desde o princípio foi para que os seres humanos dominassem, subjugassem, cuidassem e cultivassem a criação. E, esta não poderia ser uma tarefa possível sem o envolvimento direto que configura trabalho para os seres humanos. Tal responsabilidade pressupõe a participação ativa do ser humano no desenvolvimento cultural do mundo. Deus chama o ser humano como um cooperador na tarefa de colocar ordem na sua Criação. Desde o princípio, trabalhar e cultivar o jardim são parte de nossa vocação divina. A cultura é, portanto, o resultado de nossa interação com a realidade. Todo resultado de nossa interferência na realidade é um produto cultural. Desta intervenção humana no mundo e na realidade é gerado algum tipo de desenvolvimento. Logo, temos uma relação entre a cultura e a história. Deus comissionou os seres humanos a participarem ativamente na sua criação e a desenvolverem cultura.
No desenvolvimento cultural a humanidade progrediu do cultivo de plantas até pesquisas de ponta que permitiram as descobertas mais extraordinárias. Temos hoje tecnologias que os seres humanos mais primitivos jamais poderiam imaginar. Que tipo de resultados essa nossa intervenção na realidade tem gerado? O padrão para compreendermos as palavras envolvidas no Mandato Cultural é o próprio Deus e sua avaliação da Criação em Gênesis 1.31: “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom”. Além de evangelizar, portanto, somos chamados por Deus a desenvolvermos a cultura de modo que esta reflita a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Ainda Não é o Fim
O ano de 2013 vem sendo marcado por uma série de manifestações pelo mundo. Seria arriscado querer listar os motivos dos protestos, uma vez que vários fatores vêm sendo apontados, dependendo do país onde ocorrem. Nota-se, no entanto, que em alguns casos uma reivindicação bem específica e pontual gera o primeiro movimento que torna-se o desencadeador de algo maior. Foi assim na Turquia com os primeiros protestos devido a um plano das autoridades para fazer mudanças no parque Gezi, na praça Taksim, em Istambul. Foi assim no Brasil onde o movimento começou protestando contra mais um aumento no preço das passagens do transporte coletivo. Vários fatores desde o desemprego até o aumento nos índices de criminalidade parecem ter sido o estopim das manifestações no Egito que acabou depondo o presidente Mohammed Morsi apenas um ano depois de sua eleição. Podemos acrescentar ainda a crise econômica e a instabilidade que são ameaça em todo mundo. Na era da informação, como manter alguma sensação de segurança diante de tantos rumores?
Viver é arriscar-se. Diz-se que o primeiro grande trauma a que somos submetidos ocorre no nascimento. Deixar o útero seguro da mãe é entrar neste mundo repleto de riscos, ameaças e todo tipo de mal. Ainda assim, todos celebram o dia de seu nascimento. De modo geral as pessoas encaram a vida como algo que vale a pena. De fato, por mais que um país seja pacífico e todas as coisas pareçam funcionar em seus lugares, permanece certo grau de risco. A morte permanece à espreita. Sempre foi assim. No entanto, uma palavra bíblica comum é “não tema”. Ao mesmo tempo, enquanto caminhamos orgulhosos, mostrando aos outros nossas conquistas e símbolos de status e poder, escutamos de Jesus algo como seu grupo mais próximo teve que ouvir: "Vocês estão vendo tudo isto? Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas" (Mateus 24:2).
Dentre as diversas vantagens em se ler e estudar a Bíblia, o fato de com isso não nos espantarmos mais com tantas coisas que acontecem ao redor é só mais uma delas. Enquanto Deus continua a erguer e derrubar impérios pelo mundo ao longo da história, aos seus Ele deixa um recado aparentemente singelo, porém, cheio de graça e misericórdia: “Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados” (Mateus 10:30). Nada foge à soberania e à autoridade de Deus. Ele que criou todas as coisas permanece no controle de tudo. Portanto: “Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim” (Mateus 24:6).
Viver é arriscar-se. Diz-se que o primeiro grande trauma a que somos submetidos ocorre no nascimento. Deixar o útero seguro da mãe é entrar neste mundo repleto de riscos, ameaças e todo tipo de mal. Ainda assim, todos celebram o dia de seu nascimento. De modo geral as pessoas encaram a vida como algo que vale a pena. De fato, por mais que um país seja pacífico e todas as coisas pareçam funcionar em seus lugares, permanece certo grau de risco. A morte permanece à espreita. Sempre foi assim. No entanto, uma palavra bíblica comum é “não tema”. Ao mesmo tempo, enquanto caminhamos orgulhosos, mostrando aos outros nossas conquistas e símbolos de status e poder, escutamos de Jesus algo como seu grupo mais próximo teve que ouvir: "Vocês estão vendo tudo isto? Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas" (Mateus 24:2).
Dentre as diversas vantagens em se ler e estudar a Bíblia, o fato de com isso não nos espantarmos mais com tantas coisas que acontecem ao redor é só mais uma delas. Enquanto Deus continua a erguer e derrubar impérios pelo mundo ao longo da história, aos seus Ele deixa um recado aparentemente singelo, porém, cheio de graça e misericórdia: “Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados” (Mateus 10:30). Nada foge à soberania e à autoridade de Deus. Ele que criou todas as coisas permanece no controle de tudo. Portanto: “Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim” (Mateus 24:6).
terça-feira, 2 de julho de 2013
As Autoridades Governamentais
As autoridades governamentais não existem para si mesmas. Quando o apóstolo Paulo trata sobre o assunto, deixa claro que as autoridades existem para trabalhar pelo bem das pessoas, manter a ordem e punir aqueles que praticam o mal (Romanos 13. 3-5). Ao longo da história vários trabalhos, debates e reflexões se deram em torno da organização do estado e do papel das autoridades. No entanto, perceber que este tema é abordado já nas Escrituras, nos leva a refletir sobre o assunto numa perspectiva cristã. A grande revelação dos ensinamentos bíblicos é que nenhuma autoridade está livre da prestação de contas. Se no estado democrático de direito os governantes devem responder ao povo, antes disso, sabemos que as autoridades também respondem a Deus: “pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas” (Romanos 13. 1). E, não se trata apenas das boas autoridades, mas, todos aqueles que governam, desde o mais justo até o mais tirânico. Lembremos as palavras de Jesus à Pôncio Pilatos: "Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima” (João 19. 11).
A função de governar é algo legítimo. Uma nação deve se organizar com suas leis e autoridades. Os cristãos não são anarquistas ou subversivos irresponsáveis. Reconhecemos o valor das autoridades e nos submetemos a elas. Nós sabemos que o ideal divino é diferente da realidade humana. Todo cristão sabe da realidade do pecado. Embora esta palavra não seja muito popular, sendo substituído por tantos outros sinônimos, o ser humano carrega em sua natureza o potencial para o mal. Por isso, não deveríamos nos deixar enganar pelas falsas utopias. Nenhuma autoridade é instituída e autorizada a agir com tirania contra o povo. O limite da nossa obediência vai até onde a obediência ao estado não implicar em desobediência a Deus. Simplesmente dar vazão a todo nosso potencial de destruição e vandalismo de maneira inconsequente implica em outra coisa. Quando vândalos saem para causar dano ao patrimônio, seja público ou privado, então, estes não se encaixam em algum tipo de desobediência ou protesto civil, pois estão cometendo crime.
A função do Estado é reprimir o potencial de destruição anárquico do ser humano. “Os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem” (Romanos 13. 3). Os principais reformadores eram defensores da submissão às autoridades, embora não irrestrita. Mas, eles conheciam o risco que é deixar poder demais concentrado nas mãos de uma só ou poucas pessoas. Lembro as palavras de João Calvino: “é por causa dos vícios ou imperfeições dos seres humanos que a mais tolerável e confiável forma de governo consiste em várias pessoas governarem [conjuntamente], cada uma auxiliando as outras e lembrando-lhes seu dever; de tal modo que, se algum deles elevar a si mesmo em demasia, os outros poderão agir como seus censores e senhores”.
A função de governar é algo legítimo. Uma nação deve se organizar com suas leis e autoridades. Os cristãos não são anarquistas ou subversivos irresponsáveis. Reconhecemos o valor das autoridades e nos submetemos a elas. Nós sabemos que o ideal divino é diferente da realidade humana. Todo cristão sabe da realidade do pecado. Embora esta palavra não seja muito popular, sendo substituído por tantos outros sinônimos, o ser humano carrega em sua natureza o potencial para o mal. Por isso, não deveríamos nos deixar enganar pelas falsas utopias. Nenhuma autoridade é instituída e autorizada a agir com tirania contra o povo. O limite da nossa obediência vai até onde a obediência ao estado não implicar em desobediência a Deus. Simplesmente dar vazão a todo nosso potencial de destruição e vandalismo de maneira inconsequente implica em outra coisa. Quando vândalos saem para causar dano ao patrimônio, seja público ou privado, então, estes não se encaixam em algum tipo de desobediência ou protesto civil, pois estão cometendo crime.
A função do Estado é reprimir o potencial de destruição anárquico do ser humano. “Os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem” (Romanos 13. 3). Os principais reformadores eram defensores da submissão às autoridades, embora não irrestrita. Mas, eles conheciam o risco que é deixar poder demais concentrado nas mãos de uma só ou poucas pessoas. Lembro as palavras de João Calvino: “é por causa dos vícios ou imperfeições dos seres humanos que a mais tolerável e confiável forma de governo consiste em várias pessoas governarem [conjuntamente], cada uma auxiliando as outras e lembrando-lhes seu dever; de tal modo que, se algum deles elevar a si mesmo em demasia, os outros poderão agir como seus censores e senhores”.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
A Cada Um o Que Lhe é Devido
Escrevendo para a igreja de Roma, o apóstolo Paulo apresenta um trecho interessante e que deveria ser motivo de reflexão neste momento que o Brasil está vivendo. Já naquela época Paulo trata de questões que envolvem a relação entre cristãos (igreja) e Estado. A época e o contexto político obviamente são diferentes. Paulo não está falando de nenhum Estado cristão. Também sequer está falando de governantes cristãos. O cristianismo era marginal, estava iniciando. Não havia governantes cristãos ou alguma coisa parecida com um Estado cristão. Pelo contrário, eram todos romanos ou judeus e, na maioria dos casos, bastante hostis aos cristãos. Refiro-me ao trecho de Romanos 13. 1-7.
“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra” (Romanos 13:1-7).
Nosso partidarismo pode fazer com que tenhamos diferentes reações diante destas palavras. Alguns podem celebrá-lo, outros condená-lo. Enquanto para alguns o texto não passa de manipulação religiosa para manter as coisas como estão, outros o tomam como justificativa para falar contra toda e qualquer manifestação. As reações aos acontecimentos em torno das manifestações no Brasil tornaram-se uma disputa ideológica. As leituras mais superficiais veem tudo como uma disputa entre esquerda e direita. Enquanto permanecer esse tipo de disputa partidária e ideológica do poder pelo poder, as razões legítimas que levam o povo a clamar nas ruas mais uma vez ficam em segundo plano. E, o que é pior, não importa quem, no final, vencerá a guerra, o mais importante não é o que se pode agora fazer pelo povo, mas, apenas impor a sua agenda pelo poder absoluto. Enquanto se desenrola batalha após batalha na luta pelo poder, a única certeza que se têm é que os perdedores continuam os mesmos.
Para ler mais sobre o meu pensamento a respeito de como os cristãos deveriam se colocar frente às ideologias e pluralidade de propostas, lei o artigo O Cristão Retém O que é Bom.
“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra” (Romanos 13:1-7).
Nosso partidarismo pode fazer com que tenhamos diferentes reações diante destas palavras. Alguns podem celebrá-lo, outros condená-lo. Enquanto para alguns o texto não passa de manipulação religiosa para manter as coisas como estão, outros o tomam como justificativa para falar contra toda e qualquer manifestação. As reações aos acontecimentos em torno das manifestações no Brasil tornaram-se uma disputa ideológica. As leituras mais superficiais veem tudo como uma disputa entre esquerda e direita. Enquanto permanecer esse tipo de disputa partidária e ideológica do poder pelo poder, as razões legítimas que levam o povo a clamar nas ruas mais uma vez ficam em segundo plano. E, o que é pior, não importa quem, no final, vencerá a guerra, o mais importante não é o que se pode agora fazer pelo povo, mas, apenas impor a sua agenda pelo poder absoluto. Enquanto se desenrola batalha após batalha na luta pelo poder, a única certeza que se têm é que os perdedores continuam os mesmos.
Para ler mais sobre o meu pensamento a respeito de como os cristãos deveriam se colocar frente às ideologias e pluralidade de propostas, lei o artigo O Cristão Retém O que é Bom.
terça-feira, 18 de junho de 2013
O Brasil Em Ebulição
O dia dezessete de junho de 2013 ficará para a história como aquele em que o Brasil acordou mais uma vez. Manifestações por todo o país tomaram conta das manchetes. A televisão não consegue mais ter o mesmo poder de distorcer os fatos. A internet e as redes sociais parecem começar a mostrar a sua força. Entre as diversas frases em cartazes erguidos por jovens podia se ler um que dizia: “saímos do Facebook!” Outra marca deste momento é o repúdio demonstrado contra os partidos políticos. Embora algumas bandeiras de partidos pudessem ser vistas, os protestantes em geral as hostilizavam. Em Belo Horizonte a letra de uma canção estampava outro cartaz: “o meu partido é um coração partido”. Enquanto nas grandes cidades do país milhares saem às ruas, na internet, no rádio e na televisão “especialistas” são entrevistados e chamados a dar sua opinião sobre o momento. Embora ainda não se saiba ao certo quais serão as consequências práticas de toda esta mobilização, o Brasil chamou a atenção do Mundo com algo mais que samba, mulatas e futebol.
Os governantes, num país democrático, são eleitos para cargos específicos e devem atender a objetivos bem concretos. Quando estes não cumprem aquilo para o que foram eleitos, a população tem todo o direito de se manifestar. A violência e o vandalismo devem ser repudiados. Dentre as expectativas pelo desdobramento das manifestações vislumbra-se um ano de eleições em 2014. Será que tudo isso repercutirá nas urnas? Pois é fato que muitos dos que hoje ocupam cargos nas diversas esferas de poder precisam ser retirados de lá. As vultosas quantias de dinheiro que são desviados com a corrupção poderiam garantir melhores condições de saúde, educação, segurança e transporte. Aliás, o discurso sobre a falta de recursos para estas questões básicas em contraste com os bilhões gastos para construir estádios suntuosos Brasil afora, soou como um despertador para um país que repousava em berço esplêndido.
A revolução dos vinte centavos extrapolou para uma pauta mais ampla. O perigo é se perder em generalizações e questões intangíveis que dispersam. Também não faltarão aqueles para se aproveitar do momento. Muitos oportunistas tentando se promover à custa! É quase impossível evitar algumas anomalias deste tipo bem como aqueles que saem para depredar o patrimônio público. Existe um risco sempre presente em grandes aglomerações. Mas, se o movimento ainda não mobilizou ao patamar das “Diretas Já” de 1984 ou dos “Caras Pintadas” pelo impeachment de Fernando Collor em 1992, é fato que a mobilização popular volta a pressionar. A primeira eleição direta após a ditadura não foi imediata. E, quando ocorreu, elegeu Collor. Estaríamos demonstrando que estamos aprendendo mais algumas lições sobre democracia?
Os governantes, num país democrático, são eleitos para cargos específicos e devem atender a objetivos bem concretos. Quando estes não cumprem aquilo para o que foram eleitos, a população tem todo o direito de se manifestar. A violência e o vandalismo devem ser repudiados. Dentre as expectativas pelo desdobramento das manifestações vislumbra-se um ano de eleições em 2014. Será que tudo isso repercutirá nas urnas? Pois é fato que muitos dos que hoje ocupam cargos nas diversas esferas de poder precisam ser retirados de lá. As vultosas quantias de dinheiro que são desviados com a corrupção poderiam garantir melhores condições de saúde, educação, segurança e transporte. Aliás, o discurso sobre a falta de recursos para estas questões básicas em contraste com os bilhões gastos para construir estádios suntuosos Brasil afora, soou como um despertador para um país que repousava em berço esplêndido.
A revolução dos vinte centavos extrapolou para uma pauta mais ampla. O perigo é se perder em generalizações e questões intangíveis que dispersam. Também não faltarão aqueles para se aproveitar do momento. Muitos oportunistas tentando se promover à custa! É quase impossível evitar algumas anomalias deste tipo bem como aqueles que saem para depredar o patrimônio público. Existe um risco sempre presente em grandes aglomerações. Mas, se o movimento ainda não mobilizou ao patamar das “Diretas Já” de 1984 ou dos “Caras Pintadas” pelo impeachment de Fernando Collor em 1992, é fato que a mobilização popular volta a pressionar. A primeira eleição direta após a ditadura não foi imediata. E, quando ocorreu, elegeu Collor. Estaríamos demonstrando que estamos aprendendo mais algumas lições sobre democracia?
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Sobre as Manifestações Pelo Brasil
Um Salmo:
"Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes. Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações"
(Salmos 82:1-8)
Um comentário da época da Reforma Protestante:
"[...] tudo o mais precisa ser tentado antes de se recorrer às armas. E nas duas espécies de atividade [a guerra e a punição de criminosos] os magistrados não devem se deixar empolgar por nenhuma paixão de ordem pessoal, porém ser guiados exclusivamente por uma preocupação pelo bem público. Fazer qualquer outra coisa representa o pior abuso de sua autoridade, que lhes é dada para o benefício e o serviço de outros, e não deles próprios"
(João Calvino, As Institutas - Sobre o Governo Civil)
O desafio consiste em observar os princípios e manter a capacidade de indignar-se contra a injustiça!
"Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes. Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações"
(Salmos 82:1-8)
Um comentário da época da Reforma Protestante:
"[...] tudo o mais precisa ser tentado antes de se recorrer às armas. E nas duas espécies de atividade [a guerra e a punição de criminosos] os magistrados não devem se deixar empolgar por nenhuma paixão de ordem pessoal, porém ser guiados exclusivamente por uma preocupação pelo bem público. Fazer qualquer outra coisa representa o pior abuso de sua autoridade, que lhes é dada para o benefício e o serviço de outros, e não deles próprios"
(João Calvino, As Institutas - Sobre o Governo Civil)
O desafio consiste em observar os princípios e manter a capacidade de indignar-se contra a injustiça!
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| jovem com cartaz em manifestação em Belo Horizonte |
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Navegar na Rede Sem Cair na Teia
Não sei qual tem sido a tua experiência com a internet e, especialmente as redes sociais. No meu caso, já desde o velho Orkut, um desafio tem sido encontrar uma utilidade que seja realmente construtiva. É muito fácil perder a noção do tempo enquanto navegamos pela rede. O brasileiro é quem, em média, passa mais tempo na internet, mais de oito horas diárias. Como temos investido esse tempo? Acredito que as redes sociais podem, sim, ser de grande utilidade, tanto para a nossa formação como também os nossos relacionamentos.
Ao refletir sobre o uso que fazemos da internet, de modo geral, não consigo ver outro caminho além da velha questão da disciplina. O mal não está naquilo que temos à nossa disposição. Apesar de o ser humano criar algumas coisas que são ruins em si, a regra é que a imagem e semelhança de Deus que herdamos faz com que criemos coisas boas (Genesis 1.31). Se devemos evitar certas coisas não é por causa da coisa em si, mas, por causa de nossa fraqueza. Nós é que damos uma direção errada à boa criação. E, isso acontece desde sempre, seja com a boa criação de Deus seja com a boa criação dos seres humanos. Antes de atacar a internet e as redes sociais, portanto, preciso lembrar-me de que sou pecador e que há dentro de mim um potencial para destruir, desvirtuar, corromper e buscar aquilo que alimente meus vícios e tendências autodestrutivas.
Pesquisas demonstram que infrações na web como racismo, homofobia e pornografia infantil vêm crescendo a cada ano. O mesmo acontece com crimes contra a honra da pessoa, como calúnia, difamação e injúria. De certa forma, a internet parece agir como um encorajador. Explico: pense naquela antiga estratégia de tomar ‘um gole’ antes para conseguir coragem para ir flertar com alguém. A internet funciona mais ou menos assim: pessoas que jamais teriam coragem de fazer determinados comentários frente a frente são capazes de postar ofensas e agressões sem nenhum pudor nas redes sociais. Navegar na rede funciona como estar num boteco virtual. E, isso não só pela ‘embriaguez’ que encoraja, mas também pelo tipo de conteúdo que geralmente é compartilhado. A questão é que nos enganamos, pois assim como somos vistos em nossas gafes depois de uns goles a mais, também há uma pessoa real por trás de cada perfil ou avatar na web. Portanto, não nos embriaguemos demais com a falsa sensação de anonimato e de invisibilidade no uso da internet! Como a rede mundial de computadores oferece cada vez mais um espaço onde as pessoas se relacionam, cresce também a preocupação a respeito de como ali nos relacionamos. A questão, portanto, não é demonizar, mas, conscientizar e fazer bom uso de nossa liberdade.
Ao refletir sobre o uso que fazemos da internet, de modo geral, não consigo ver outro caminho além da velha questão da disciplina. O mal não está naquilo que temos à nossa disposição. Apesar de o ser humano criar algumas coisas que são ruins em si, a regra é que a imagem e semelhança de Deus que herdamos faz com que criemos coisas boas (Genesis 1.31). Se devemos evitar certas coisas não é por causa da coisa em si, mas, por causa de nossa fraqueza. Nós é que damos uma direção errada à boa criação. E, isso acontece desde sempre, seja com a boa criação de Deus seja com a boa criação dos seres humanos. Antes de atacar a internet e as redes sociais, portanto, preciso lembrar-me de que sou pecador e que há dentro de mim um potencial para destruir, desvirtuar, corromper e buscar aquilo que alimente meus vícios e tendências autodestrutivas.
Pesquisas demonstram que infrações na web como racismo, homofobia e pornografia infantil vêm crescendo a cada ano. O mesmo acontece com crimes contra a honra da pessoa, como calúnia, difamação e injúria. De certa forma, a internet parece agir como um encorajador. Explico: pense naquela antiga estratégia de tomar ‘um gole’ antes para conseguir coragem para ir flertar com alguém. A internet funciona mais ou menos assim: pessoas que jamais teriam coragem de fazer determinados comentários frente a frente são capazes de postar ofensas e agressões sem nenhum pudor nas redes sociais. Navegar na rede funciona como estar num boteco virtual. E, isso não só pela ‘embriaguez’ que encoraja, mas também pelo tipo de conteúdo que geralmente é compartilhado. A questão é que nos enganamos, pois assim como somos vistos em nossas gafes depois de uns goles a mais, também há uma pessoa real por trás de cada perfil ou avatar na web. Portanto, não nos embriaguemos demais com a falsa sensação de anonimato e de invisibilidade no uso da internet! Como a rede mundial de computadores oferece cada vez mais um espaço onde as pessoas se relacionam, cresce também a preocupação a respeito de como ali nos relacionamos. A questão, portanto, não é demonizar, mas, conscientizar e fazer bom uso de nossa liberdade.
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