O dia dezessete de junho de 2013 ficará para a história como aquele em que o Brasil acordou mais uma vez. Manifestações por todo o país tomaram conta das manchetes. A televisão não consegue mais ter o mesmo poder de distorcer os fatos. A internet e as redes sociais parecem começar a mostrar a sua força. Entre as diversas frases em cartazes erguidos por jovens podia se ler um que dizia: “saímos do Facebook!” Outra marca deste momento é o repúdio demonstrado contra os partidos políticos. Embora algumas bandeiras de partidos pudessem ser vistas, os protestantes em geral as hostilizavam. Em Belo Horizonte a letra de uma canção estampava outro cartaz: “o meu partido é um coração partido”. Enquanto nas grandes cidades do país milhares saem às ruas, na internet, no rádio e na televisão “especialistas” são entrevistados e chamados a dar sua opinião sobre o momento. Embora ainda não se saiba ao certo quais serão as consequências práticas de toda esta mobilização, o Brasil chamou a atenção do Mundo com algo mais que samba, mulatas e futebol.
Os governantes, num país democrático, são eleitos para cargos específicos e devem atender a objetivos bem concretos. Quando estes não cumprem aquilo para o que foram eleitos, a população tem todo o direito de se manifestar. A violência e o vandalismo devem ser repudiados. Dentre as expectativas pelo desdobramento das manifestações vislumbra-se um ano de eleições em 2014. Será que tudo isso repercutirá nas urnas? Pois é fato que muitos dos que hoje ocupam cargos nas diversas esferas de poder precisam ser retirados de lá. As vultosas quantias de dinheiro que são desviados com a corrupção poderiam garantir melhores condições de saúde, educação, segurança e transporte. Aliás, o discurso sobre a falta de recursos para estas questões básicas em contraste com os bilhões gastos para construir estádios suntuosos Brasil afora, soou como um despertador para um país que repousava em berço esplêndido.
A revolução dos vinte centavos extrapolou para uma pauta mais ampla. O perigo é se perder em generalizações e questões intangíveis que dispersam. Também não faltarão aqueles para se aproveitar do momento. Muitos oportunistas tentando se promover à custa! É quase impossível evitar algumas anomalias deste tipo bem como aqueles que saem para depredar o patrimônio público. Existe um risco sempre presente em grandes aglomerações. Mas, se o movimento ainda não mobilizou ao patamar das “Diretas Já” de 1984 ou dos “Caras Pintadas” pelo impeachment de Fernando Collor em 1992, é fato que a mobilização popular volta a pressionar. A primeira eleição direta após a ditadura não foi imediata. E, quando ocorreu, elegeu Collor. Estaríamos demonstrando que estamos aprendendo mais algumas lições sobre democracia?
Agradeço a todas as visitas e comentários! Seja bem vindo!!! Que Deus abençoe a tua vida!
terça-feira, 18 de junho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Sobre as Manifestações Pelo Brasil
Um Salmo:
"Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes. Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações"
(Salmos 82:1-8)
Um comentário da época da Reforma Protestante:
"[...] tudo o mais precisa ser tentado antes de se recorrer às armas. E nas duas espécies de atividade [a guerra e a punição de criminosos] os magistrados não devem se deixar empolgar por nenhuma paixão de ordem pessoal, porém ser guiados exclusivamente por uma preocupação pelo bem público. Fazer qualquer outra coisa representa o pior abuso de sua autoridade, que lhes é dada para o benefício e o serviço de outros, e não deles próprios"
(João Calvino, As Institutas - Sobre o Governo Civil)
O desafio consiste em observar os princípios e manter a capacidade de indignar-se contra a injustiça!
"Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes. Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações"
(Salmos 82:1-8)
Um comentário da época da Reforma Protestante:
"[...] tudo o mais precisa ser tentado antes de se recorrer às armas. E nas duas espécies de atividade [a guerra e a punição de criminosos] os magistrados não devem se deixar empolgar por nenhuma paixão de ordem pessoal, porém ser guiados exclusivamente por uma preocupação pelo bem público. Fazer qualquer outra coisa representa o pior abuso de sua autoridade, que lhes é dada para o benefício e o serviço de outros, e não deles próprios"
(João Calvino, As Institutas - Sobre o Governo Civil)
O desafio consiste em observar os princípios e manter a capacidade de indignar-se contra a injustiça!
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| jovem com cartaz em manifestação em Belo Horizonte |
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Navegar na Rede Sem Cair na Teia
Não sei qual tem sido a tua experiência com a internet e, especialmente as redes sociais. No meu caso, já desde o velho Orkut, um desafio tem sido encontrar uma utilidade que seja realmente construtiva. É muito fácil perder a noção do tempo enquanto navegamos pela rede. O brasileiro é quem, em média, passa mais tempo na internet, mais de oito horas diárias. Como temos investido esse tempo? Acredito que as redes sociais podem, sim, ser de grande utilidade, tanto para a nossa formação como também os nossos relacionamentos.
Ao refletir sobre o uso que fazemos da internet, de modo geral, não consigo ver outro caminho além da velha questão da disciplina. O mal não está naquilo que temos à nossa disposição. Apesar de o ser humano criar algumas coisas que são ruins em si, a regra é que a imagem e semelhança de Deus que herdamos faz com que criemos coisas boas (Genesis 1.31). Se devemos evitar certas coisas não é por causa da coisa em si, mas, por causa de nossa fraqueza. Nós é que damos uma direção errada à boa criação. E, isso acontece desde sempre, seja com a boa criação de Deus seja com a boa criação dos seres humanos. Antes de atacar a internet e as redes sociais, portanto, preciso lembrar-me de que sou pecador e que há dentro de mim um potencial para destruir, desvirtuar, corromper e buscar aquilo que alimente meus vícios e tendências autodestrutivas.
Pesquisas demonstram que infrações na web como racismo, homofobia e pornografia infantil vêm crescendo a cada ano. O mesmo acontece com crimes contra a honra da pessoa, como calúnia, difamação e injúria. De certa forma, a internet parece agir como um encorajador. Explico: pense naquela antiga estratégia de tomar ‘um gole’ antes para conseguir coragem para ir flertar com alguém. A internet funciona mais ou menos assim: pessoas que jamais teriam coragem de fazer determinados comentários frente a frente são capazes de postar ofensas e agressões sem nenhum pudor nas redes sociais. Navegar na rede funciona como estar num boteco virtual. E, isso não só pela ‘embriaguez’ que encoraja, mas também pelo tipo de conteúdo que geralmente é compartilhado. A questão é que nos enganamos, pois assim como somos vistos em nossas gafes depois de uns goles a mais, também há uma pessoa real por trás de cada perfil ou avatar na web. Portanto, não nos embriaguemos demais com a falsa sensação de anonimato e de invisibilidade no uso da internet! Como a rede mundial de computadores oferece cada vez mais um espaço onde as pessoas se relacionam, cresce também a preocupação a respeito de como ali nos relacionamos. A questão, portanto, não é demonizar, mas, conscientizar e fazer bom uso de nossa liberdade.
Ao refletir sobre o uso que fazemos da internet, de modo geral, não consigo ver outro caminho além da velha questão da disciplina. O mal não está naquilo que temos à nossa disposição. Apesar de o ser humano criar algumas coisas que são ruins em si, a regra é que a imagem e semelhança de Deus que herdamos faz com que criemos coisas boas (Genesis 1.31). Se devemos evitar certas coisas não é por causa da coisa em si, mas, por causa de nossa fraqueza. Nós é que damos uma direção errada à boa criação. E, isso acontece desde sempre, seja com a boa criação de Deus seja com a boa criação dos seres humanos. Antes de atacar a internet e as redes sociais, portanto, preciso lembrar-me de que sou pecador e que há dentro de mim um potencial para destruir, desvirtuar, corromper e buscar aquilo que alimente meus vícios e tendências autodestrutivas.
Pesquisas demonstram que infrações na web como racismo, homofobia e pornografia infantil vêm crescendo a cada ano. O mesmo acontece com crimes contra a honra da pessoa, como calúnia, difamação e injúria. De certa forma, a internet parece agir como um encorajador. Explico: pense naquela antiga estratégia de tomar ‘um gole’ antes para conseguir coragem para ir flertar com alguém. A internet funciona mais ou menos assim: pessoas que jamais teriam coragem de fazer determinados comentários frente a frente são capazes de postar ofensas e agressões sem nenhum pudor nas redes sociais. Navegar na rede funciona como estar num boteco virtual. E, isso não só pela ‘embriaguez’ que encoraja, mas também pelo tipo de conteúdo que geralmente é compartilhado. A questão é que nos enganamos, pois assim como somos vistos em nossas gafes depois de uns goles a mais, também há uma pessoa real por trás de cada perfil ou avatar na web. Portanto, não nos embriaguemos demais com a falsa sensação de anonimato e de invisibilidade no uso da internet! Como a rede mundial de computadores oferece cada vez mais um espaço onde as pessoas se relacionam, cresce também a preocupação a respeito de como ali nos relacionamos. A questão, portanto, não é demonizar, mas, conscientizar e fazer bom uso de nossa liberdade.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Na Varanda
Eu contei. Desde quando nasci foram dezessete casas. Muitas mudanças. Quase uma a cada dois anos. Só não consigo me recordar da primeira. Foi onde nasci. Das cinco primeiras casas, até os meus dez anos de idade, todas elas tinham varanda. Depois, quanto maior as cidades, menos varandas.
As varandas da minha infância permanecem vivas na lembrança. Lugar de sentar com os irmãos, a família. Não se importar com o tempo que passa lentamente. Lugar de onde se enxerga longe. Observar e contar os carros que passam na estrada. Varanda é onde o vento passa livremente e a chuva alcança a gente. Lugar de brincar e de comer pão com doce de leite. Lugar também de ensaiar os primeiros desenhos com caroço de abacate. Como a tela foi a parede, os pais não gostaram muito. A varanda era lugar especial nas noites quentes de verão. Lugar de bater papo com os vizinhos.
Varanda virou sacada. Do lugar de convívio sobrou um cubículo decorativo. Hoje me dei conta de que a vida sem varandas é mais triste!
As varandas da minha infância permanecem vivas na lembrança. Lugar de sentar com os irmãos, a família. Não se importar com o tempo que passa lentamente. Lugar de onde se enxerga longe. Observar e contar os carros que passam na estrada. Varanda é onde o vento passa livremente e a chuva alcança a gente. Lugar de brincar e de comer pão com doce de leite. Lugar também de ensaiar os primeiros desenhos com caroço de abacate. Como a tela foi a parede, os pais não gostaram muito. A varanda era lugar especial nas noites quentes de verão. Lugar de bater papo com os vizinhos.
Varanda virou sacada. Do lugar de convívio sobrou um cubículo decorativo. Hoje me dei conta de que a vida sem varandas é mais triste!
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| Casas de tios... ES |
terça-feira, 4 de junho de 2013
Coando Mosquitos e Engolindo Camelos
Tempos difíceis! Como diria Cícero: "O tempora, o mores" (Que tempos os nossos! E que costumes!). Por um lado o patrulhamento do politicamente correto deixando tudo mais chato, mais afetado, mais hipócrita! Por outro lado, o cinismo e a indiferença que oprimem, gerando ainda mais incredulidade e acomodação. Todos parecem enxergar o que está errado. Todos denunciam as mazelas e a corrupção. Desde a mais alta cúpula do governo até donas de casa histéricas que espancam seus cachorrinhos, nada escapa às timelines de nossas páginas do Facebook. Se por um lado parece que não se pode dizer mais nada, por outro, se fala até demais. Vulgarização total! Superficialidade e pseudointelectualismo arrotados aos cântaros. Mendigamos um curtir ou, quem sabe, um compartilhar que eleve a nossa autoestima. Frases de autores que nunca lemos, imagens com causas que sequer compreendemos, divulgação da vida privada que vai desde o que comemos no café da manhã até onde estamos no momento (se for um aeroporto ou lugar turístico, melhor, claro!).
Não. Não quero escrever uma mera crítica às redes sociais. Elas até que tem o seu lado positivo. O problema, mais uma vez, somos nós, seres humanos. É a direção que damos para as coisas, ou seja, a maneira como decidimos usá-las que é a questão. Portanto, vida longa às redes sociais e a tudo que elas tem de bom! Vida longa também a nós, seres humanos, para que tenhamos mais tempo para aprender a viver! Uma coisa, no entanto, continua incomodando. Quanto menos tolerância para com os pensamentos mais profundos, quanto menos reflexão e leitura, mais se multiplicará a mediocridade e o lugar comum. O problema é que não é necessário nenhum esforço para se acostumar com o medíocre. Basta deixar a vida te levar. Se você anda de bicicleta, imagine a diferença entre pedalar um caminho morro acima e outro morro abaixo. Se pudéssemos, faríamos sempre estradas que tivessem somente descidas! É claro que este é um absurdo ilógico. Mas quem ainda se preocupa com lógica ou coerência!?
Tudo aquilo que exige esforço e disciplina é impopular. Ler e ver um filme, por exemplo, não tem graça se não for por diversão. Logo, não temos mais “saco” para as coisas chatas que podem nos ensinar algo. Até mesmo escrever mais um texto para este espaço é enfadonho às vezes. Como evitar que isto seja notado? Uma contradição? Esconder nos tempos em que queremos revelar tudo (ou, quase tudo!)!? Não. Ninguém quer se mostrar como realmente é, ou, como realmente se sente. O importante é ser. Mas, se não dá, a gente faz parecer que é.
“Terminando mais um texto para o meu blog” (:
Não. Não quero escrever uma mera crítica às redes sociais. Elas até que tem o seu lado positivo. O problema, mais uma vez, somos nós, seres humanos. É a direção que damos para as coisas, ou seja, a maneira como decidimos usá-las que é a questão. Portanto, vida longa às redes sociais e a tudo que elas tem de bom! Vida longa também a nós, seres humanos, para que tenhamos mais tempo para aprender a viver! Uma coisa, no entanto, continua incomodando. Quanto menos tolerância para com os pensamentos mais profundos, quanto menos reflexão e leitura, mais se multiplicará a mediocridade e o lugar comum. O problema é que não é necessário nenhum esforço para se acostumar com o medíocre. Basta deixar a vida te levar. Se você anda de bicicleta, imagine a diferença entre pedalar um caminho morro acima e outro morro abaixo. Se pudéssemos, faríamos sempre estradas que tivessem somente descidas! É claro que este é um absurdo ilógico. Mas quem ainda se preocupa com lógica ou coerência!?
Tudo aquilo que exige esforço e disciplina é impopular. Ler e ver um filme, por exemplo, não tem graça se não for por diversão. Logo, não temos mais “saco” para as coisas chatas que podem nos ensinar algo. Até mesmo escrever mais um texto para este espaço é enfadonho às vezes. Como evitar que isto seja notado? Uma contradição? Esconder nos tempos em que queremos revelar tudo (ou, quase tudo!)!? Não. Ninguém quer se mostrar como realmente é, ou, como realmente se sente. O importante é ser. Mas, se não dá, a gente faz parecer que é.
“Terminando mais um texto para o meu blog” (:
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O Jeito de Deus
De certa maneira, o assunto de nossos textos abordando a lei ou a vontade de Deus significa dizer que existe uma ordem para todas as coisas. Essa lei é a maneira como Deus exerce a sua soberania sobre o mundo criado. Logo, agir de acordo com a vontade de Deus é agir conforme o jeito certo. Consequentemente, quem age conforme o jeito de Deus tem maiores chances de ver o fruto de seu empreendimento alcançar êxito. Existe uma maneira correta de agir para cada esfera da realidade: na economia, na estética, na ética, na comunicação, na pedagogia, na lógica, na psicologia, na biologia, na fé e etc. Portanto, sempre que alguém agir conforme a vontade de Deus numa destas áreas, o resultado inevitável será um “produto” de qualidade. O salmista já sabia bem disso: “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Salmo 1. 1-3).
No entanto, sabemos que para que pudéssemos ser de fato livres, Deus nos criou assim, com a possibilidade de tomarmos decisões. Logo, facilmente o ser humano caiu no erro de colocar a si mesmo no centro do universo. O que temos a seguir é resultado da desobediência e da pretensão humana de querer colocar-se como referencia para o mundo. E, assim, a direção que passamos a dar às coisas foi se distanciando da ordem divina na criação. Embotados pelo pecado, perdemos a sabedoria e a capacidade de discernir corretamente as coisas. Tudo consequência de nossa rebelião contra Deus. O mundo à nossa volta tem revelado como estas consequências podem ser catastróficas.
Quando nos rendemos novamente a Deus, a pergunta natural que deveríamos fazer se dirige a Ele: qual é a tua vontade Senhor? E, assim, com oração, meditação, leitura e estudo nas Sagradas Escrituras, nos entregarmos a um relacionamento onde humildemente nos deixamos ensinar por Deus. Obviamente continuaremos cometendo erros. No entanto, com humildade e perseverança, manteremos o foco naquele que sabe todas as coisas! O fato de não podermos alcançar uma perfeição não anula a possibilidade de que podemos melhorar. Eu posso compor uma música e tentar interpretá-la para você com a ajuda de um piano. Mas, garanto que todos concordarão que me sairei muito melhor se antes tiver aulas de canto, teoria musical, iniciação em piano e praticar bastante! Existe um jeito para executar boa música. Quem o descobre, rende-se a ele e pratica, inevitavelmente será um artista que nesta área, estará se submetendo à ordem da criação de Deus.
sábado, 11 de maio de 2013
Além Do Que Os Olhos Podem Ver
O leitor mais atento deve ter notado que temos refletido um mesmo tema numa série que iniciou junto com o ano de 2013. Chegamos ao décimo nono texto tratando a respeito de um tema central na vida das pessoas: a vontade de Deus. Não que todas as pessoas fazem desta uma preocupação central em suas vidas. O que queremos dizer é que este é um tema central, quer saibamos disso ou não. A existência de uma Lei Moral pode ser notada mesmo antes de se reivindicar que por trás dela esteja o Deus da tradição judaico-cristã. No entanto, com muito mais propriedade que eu jamais conseguiria fazer, prefiro indicar ao leitor que busque a companhia de um dos maiores autores cristãos do século XX.
Nos últimos dias comecei a reler Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis. Além desta que é uma obra magnifica, este pensador irlandês deixou um legado que vale a pena conhecer. Textos como Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz, A Abolição do Homem, O Grande Abismo e muitos outros marcaram uma geração de cristãos pelo mundo. Professor de literatura medieval e renascentista, C. S. Lewis ficou mais conhecido no Brasil graças a uma de suas obras que também vem sendo adaptada para o cinema: As Crônicas de Nárnia. Ateu durante boa parte de sua vida, Lewis rendeu-se à fé cristã numa busca séria e racional que durou algum tempo. No livro Surpreendido Pela Alegria ele relata em uma biografia espiritual essa jornada de volta ao pleno cristianismo.
Voltando ao nosso tema, tomo a liberdade de indicar a leitura de Cristianismo Puro e Simples para todos que desejam buscar maior aprofundamento. Na primeira parte da obra, Lewis aborda o certo e o errado como chaves para a compreensão do sentido do universo. Para ele, “os seres humanos, em todas as regiões da Terra, possuem a singular noção de que devem comportar-se de certa maneira, e, por mais que tentem, não conseguem se livrar dessa noção”. As pessoas sabem “que na prática não se comportam dessa maneira. Os homens conhecem a Lei natural e transgridem-na. Esses dois fatos são o fundamento de todo pensamento claro a respeito de nós mesmos e do universo em que vivemos” (Cristianismo Puro e Simples, versão em português pela Martins Fontes, 2009. p. 12). Lewis vai abordar ainda algumas objeções que questionam se tal moralidade não seria apenas um instinto gregário ou fruto de uma convenção social. Trata-se, portanto de uma leitura bastante útil na companhia deste sábio pensador que nos desafia a enxergar a realidade para além dos fatos. Afinal, além de tudo o que nós - seres humanos - fazemos, sabemos que muitas vezes o nosso comportamento deveria ser diferente.
Nos últimos dias comecei a reler Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis. Além desta que é uma obra magnifica, este pensador irlandês deixou um legado que vale a pena conhecer. Textos como Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz, A Abolição do Homem, O Grande Abismo e muitos outros marcaram uma geração de cristãos pelo mundo. Professor de literatura medieval e renascentista, C. S. Lewis ficou mais conhecido no Brasil graças a uma de suas obras que também vem sendo adaptada para o cinema: As Crônicas de Nárnia. Ateu durante boa parte de sua vida, Lewis rendeu-se à fé cristã numa busca séria e racional que durou algum tempo. No livro Surpreendido Pela Alegria ele relata em uma biografia espiritual essa jornada de volta ao pleno cristianismo.
Voltando ao nosso tema, tomo a liberdade de indicar a leitura de Cristianismo Puro e Simples para todos que desejam buscar maior aprofundamento. Na primeira parte da obra, Lewis aborda o certo e o errado como chaves para a compreensão do sentido do universo. Para ele, “os seres humanos, em todas as regiões da Terra, possuem a singular noção de que devem comportar-se de certa maneira, e, por mais que tentem, não conseguem se livrar dessa noção”. As pessoas sabem “que na prática não se comportam dessa maneira. Os homens conhecem a Lei natural e transgridem-na. Esses dois fatos são o fundamento de todo pensamento claro a respeito de nós mesmos e do universo em que vivemos” (Cristianismo Puro e Simples, versão em português pela Martins Fontes, 2009. p. 12). Lewis vai abordar ainda algumas objeções que questionam se tal moralidade não seria apenas um instinto gregário ou fruto de uma convenção social. Trata-se, portanto de uma leitura bastante útil na companhia deste sábio pensador que nos desafia a enxergar a realidade para além dos fatos. Afinal, além de tudo o que nós - seres humanos - fazemos, sabemos que muitas vezes o nosso comportamento deveria ser diferente.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Saber
Já argumentamos que seguir as leis de Deus é antes uma questão de bom senso do que mera religiosidade sem sentido. Mas, isso não seria destituir o nosso comportamento de qualquer senso de moralidade para um mero pragmatismo? Eu prefiro utilizar a escada ou o elevador para descer um prédio. Será que ao agir assim em vez de simplesmente saltar lá de cima eu estaria mesmo buscando seguir a vontade de Deus? Ou, opto por isso simplesmente porque é melhor para a minha saúde e segurança? Quando eu me importo com as árvores porque ao derrubá-las sei que as cidades ficarão mais poluídas eu não estaria alegando apenas um motivo egoísta? É claro que geramos sofrimento para nós mesmos e para os outros quando violamos a verdade de Deus. Mas, o cristão não age somente por razões pragmáticas. A base de nossa ação é que Deus existe e fez todas as coisas. Amar o próximo, respeitar a natureza, zelar por nossa cidade não é algo em si mesmo. Tudo o que existe tem o direito de ser conforme a ordem criada por Deus. Muito mais do que bom senso, pragmatismo ou medo, é uma questão de confiança irrestrita!
Talvez você argumente que agora estamos entrando em contradição. Afirmamos que viver segundo a vontade de Deus não se trata apenas de motivo religioso. E, agora, dizemos que devemos viver segundo a vontade de Deus simplesmente porque Deus existe. O fato é que há uma maneira como Deus fez todas as coisas e é esta a realidade que temos diante de nós. Exatamente isso. É uma questão de fé. Mas, não uma fé na fé. Mas uma fé em algo objetivo, que pode ser observado, analisado, estudado, testado. Não estou falando de fantasmas ou coisas de algum outro mundo fictício. O que temos é o mundo em que vivemos e que Deus criou para que vivêssemos nele. Qualquer outra explicação para o mundo e a realidade terá seu próprio fundamento que é tão ou mais religioso. A honestidade intelectual exige, no entanto, que consideremos e comparemos todas as visões para ver qual é a mais coerente. Não se trata, portanto, de uma religiosidade arbitrária.
A fé cristã não teme a dúvida, as perguntas e nem mesmo a ciência. Aliás, a ciência moderna é fruto do empreendimento de muitos pensadores cristãos. Os cristãos creem na existência do mundo real. Um mundo que está aí e que pode ser investigado, estudado, pesquisado. Crenças que consideram tudo irreal ou ilusório, ou que acreditam que tudo está possuído de espíritos, não aceitam interferir. Ou porque é perda de tempo ocupar-se com o irreal ou porque não devem profanar os espíritos. Os cristãos, no entanto, creem que a criação é confiada aos seres humanos para que cuidemos e cultivemos. Podemos e devemos interferir. E, assim, desenvolvemos cultura e fazemos ciência. Não significa que temos a capacidade de saber tudo. Mas, também não significa que sejamos incapazes de saber algo.
Talvez você argumente que agora estamos entrando em contradição. Afirmamos que viver segundo a vontade de Deus não se trata apenas de motivo religioso. E, agora, dizemos que devemos viver segundo a vontade de Deus simplesmente porque Deus existe. O fato é que há uma maneira como Deus fez todas as coisas e é esta a realidade que temos diante de nós. Exatamente isso. É uma questão de fé. Mas, não uma fé na fé. Mas uma fé em algo objetivo, que pode ser observado, analisado, estudado, testado. Não estou falando de fantasmas ou coisas de algum outro mundo fictício. O que temos é o mundo em que vivemos e que Deus criou para que vivêssemos nele. Qualquer outra explicação para o mundo e a realidade terá seu próprio fundamento que é tão ou mais religioso. A honestidade intelectual exige, no entanto, que consideremos e comparemos todas as visões para ver qual é a mais coerente. Não se trata, portanto, de uma religiosidade arbitrária.
A fé cristã não teme a dúvida, as perguntas e nem mesmo a ciência. Aliás, a ciência moderna é fruto do empreendimento de muitos pensadores cristãos. Os cristãos creem na existência do mundo real. Um mundo que está aí e que pode ser investigado, estudado, pesquisado. Crenças que consideram tudo irreal ou ilusório, ou que acreditam que tudo está possuído de espíritos, não aceitam interferir. Ou porque é perda de tempo ocupar-se com o irreal ou porque não devem profanar os espíritos. Os cristãos, no entanto, creem que a criação é confiada aos seres humanos para que cuidemos e cultivemos. Podemos e devemos interferir. E, assim, desenvolvemos cultura e fazemos ciência. Não significa que temos a capacidade de saber tudo. Mas, também não significa que sejamos incapazes de saber algo.
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