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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Saudades no Silêncio

Quando criança, eu acompanhava meus pais a igreja (IECLB). Fui batizado com três anos de idade. Na fase adolescente a minha mãe foi a maior influência cristã. Freqüentei os dois anos do Ensino Confirmatório na Igreja Luterana. Minha adolescência e juventude foram marcados por uma vida de oração diária e pelo envolvimento maior com as atividades eclesiásticas: edificação de uma nova comunidade, liderança de grupos de juventude, participação em presbitério de comunidade, etc.
Entre 1986 e 1996 morei com minha família no interior e vivíamos do trabalho na lavoura, principalmente café. Foi o tempo mais longo que morei num mesmo lugar até hoje. Lá no estado do Espírito Santo eu devo ter morado em mais ou menos dez casas diferentes. Nossa família se mudava muito. Lembro-me bem que no serviço braçal a mente ficava mais livre para deixar voar a imaginação, fluir a criatividade e filosofar sobre a vida. A insatisfação com a realidade difícil gerava tristeza e sentimentos de profunda depressão. No entanto, mesmo capinando debaixo de sol forte, o que eu definitivamente não gostava, experimentava flashes de profunda alegria inexplicável. Algumas dessas experiências estão diretamente relacionadas à oração e certeza da presença de Deus.
Uma dessas experiências, eu não me lembro bem quando e nem o que desencadeou o processo, aconteceu na lida da roça. Não sei se nos dias anteriores eu havia participado de alguma programação da igreja ou coisa parecida, mas, enquanto capinava minha mente livre estava a mil... Entre os pensamentos e sentimentos envolvidos, de repente experimentei uma profunda alegria e certeza do amor de Deus na minha vida. Algo inexplicável. Se alguém olhasse poderia ver que eu ria sozinho. A vontade era de gritar até, coisa que minha timidez e preocupação com a opinião alheia não permitiram. Normalmente trabalhávamos juntos em família. Apesar de já terem se passado cerca de quinze anos, nunca esqueci aquele momento.
A vida no campo suscita lembranças de momentos onde a mente era livre para refletir, os olhos podiam alcançar mais longe do alto dos morros capixabas, a natureza era uma realidade envolvente, o silêncio permitia ouvir a ausência do coração. Alguns daqueles momentos lembravam o sentimento da saudade. Saudades de algo que eu ainda não tinha vivido. Saudades de voltar para onde eu nem sabia que tinha partido. Hoje, o silêncio é mais difícil. Falta contemplação. Sei que Deus não se prende a um lugar. Sou eu quem precisa deixar-se encontrar!

2 comentários:

Fabiane disse...

um dos textos mais lindos que já escreveste. parabéns.

Eliane Becker disse...

Um dos textos que mais me identifiquei. Obrigada por escrever palavras tão bonitas e verdadeiras. No mundo de hoje não esta fácil buscar o silêncio, temos que ter calma e aguardar o momento, momento este que Deus irá nos ajudar a identificar. Que possas, nesta nova etapa, aos poucos identificar alguns momentos!

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