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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ainda Sobre Religião

No seu livro A Criação Restaurada o professor de filosofia Albert M. Wolters faz uma afirmação intrigante. “Se os seus atos não se afinam com as suas crenças, você tende a mudar os seus atos ou as suas crenças. Você não conseguirá manter a sua integridade (ou saúde mental) por muito tempo se não fizer um esforço para resolver o conflito” (Albert M. Wolters - A Criação Restaurada, p. 16). Jesus Cristo certa vez falou sobre essa questão da coerência nos seguintes termos: “Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Mateus 7.16). Pode ser que não dê para mudar um espinheiro fazendo-o de repente produzir figos ou uvas. Mesmo os enxertos possibilitados pelos avanços científicos são ainda capazes de uma mudança essencial. No entanto, o que os Evangelhos ensinam e, no que Wolters concorda, é que nós, seres humanos, podemos mudar. A questão é: queremos?

Obviamente ninguém é 100% coerente em tudo. Nossas idéias mudam, as nossas opiniões mudam. É bom que seja assim. Afinal, uma das virtudes do ser humano é a sua capacidade de aprendizado e adaptação. E, é exatamente essa nossa capacidade que não deveria ser colocada de lado também na hora de refletir sobre as grandes questões da existência. Quando crianças já nos questionamos sobre a vida, Deus e o Universo. Somos questionadores. Vivemos em busca. Normalmente não nos satisfazemos com respostas simplistas. No entanto, sobre algumas questões essenciais há quem defenda a idéia de que simplesmente ‘é melhor não discutir’. Ou seja, fazer de conta que não existe. Um exemplo é o velho ditado que diz que “Futebol, Política e Religião não se discute”. Nada mais incoerente. Basta ver a realidade para constatar que são estes exatamente os temas mais discutidos.

É isso o que Wolters e os Evangelhos estão dizendo. E, o raciocínio lógico também irá confirmar. O ser humano tende a organizar a sua vida de modo que o resultado seja coerente com aquilo que ele acredita. Esta crença será composta de questões desde as mais subjetivas até as mais objetivas. Porém, o que ocorre em nossa época é que para sustentar um discurso que nos faça parecer sofisticados e afinados com o pensamento corrente, preferimos deixar a coerência de lado e repetir falácias, mesmo que para isso tenhamos que quebrar as regras da lógica. Ou seja, sustentamos certas crenças da boca pra fora, mas que são desmentidas por nosso estilo de vida! E sabem o que é mais curioso? Achamos tudo isso normal! E, ainda nos surpreendemos com as neuroses de uma sociedade cada vez mais afundada na crise moral.

Sobre Ser Religioso

Há quem acredite em Deus. Há quem não acredite. Há também quem acredite em vários deuses. Mediante isto, há quem defenda que a tolerância se constrói simplesmente ignorando as diferenças. Ou seja, melhor não discutir essas questões religiosas. Mas, se há discussão, é exatamente porque as crenças e opiniões divergem. E, isso não acontece somente sobre questões que o senso comum chama de religiosas. Existem divergências a respeito de praticamente tudo neste mundo. Por quê? Essencialmente porque toda idéia, opinião e até mesmo questões reivindicadas como científicas estão alicerçadas sobre um fundamento último que é religioso. Portanto, até podemos dizer que não gostamos de discutir religião. Porém, invariavelmente, sempre estaremos falando a partir de uma visão de mundo que mantemos a partir de um fundamento religioso. E, como consideramos isso precioso (sagrado) demais para nós, iremos sempre defender o nosso "ponto de vista" (ou, o nosso comprometimento religioso, como também poderia ser chamado).

Deixe-me tentar esclarecer um pouco aquilo que estou querendo dizer. Aquelas pessoas que acreditam em Deus consideram este Deus como o fundamento de todas as coisas criadas. Vejam que até mesmo o fato de eu dizer ‘coisas criadas’ já reflete a minha crença. Pois, para alguém que não acredita em Deus melhor seria dizer ‘coisas existentes’ ou o ‘cosmos’. Afinal, sem Deus não existiria um criador. Porém, este segundo grupo de pessoas teria, então, que encontrar uma outra explicação para a origem de todas as coisas. Uma possibilidade seria dizer que tudo sempre existiu. Tudo é matéria. E, a partir daí todas as coisas evoluíram até o seu estado atual. Uma conclusão óbvia é que, portanto, tudo continua evoluindo.

É aqui que todos os seres humanos revelam-se essencialmente religiosos. Pois se eu afirmo um Deus na origem da existência e, por isso, sou religioso, o que faz de alguém que afirma a matéria (sem um Deus anterior) como a origem do Universo alguém menos religioso? Nenhuma pessoa razoável negaria que existe alguma coisa em vez de nada. O Universo está aí. Nós estamos aqui. Para explicar isso existem inúmeras versões. Todas elas reivindicando ser a verdade. A grande pergunta a ser feita, então, é: qual é a explicação que faz mais sentido? Qual é a mais coerente? E, talvez, a pergunta mais importante: quais seriam os resultados se todas as pessoas decidissem viver de forma o mais coerente possível com a sua visão de mundo? Enfim, como seria a vida de alguém que decidisse viver de maneira coerente com a sua crença? Ora, fica o desafio: em que ou quem você crê? As crenças que você sustenta resistem a uma análise sincera do estilo de vida que você leva? “Se os seus atos não se afinam com as suas crenças, você tende a mudar os seus atos ou as suas crenças” (Albert M. Wolters).

Tudo Que Eu Vi Não É Tudo o Que Eu Preciso Aprender

A frase acima é de uma música de uma banda que eu curto bastante! Final de ano nos faz recordar que o tempo passa. Por isso mesmo, favorece o clima de reflexão. A você que nos acompanha aqui No Coração do Pai, um abençoado Natal e que 2012 seja um ano em que você continue aberto à transcendência. Que esta época de final de ano seja um período de avaliações, reflexão e reorientação. Entre sonhos, desejos e planos, lembremos: "Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas" (Mateus 6:33)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Tirano da Galiléia

Os sábios do oriente, ao retornarem para a sua terra, não obedeceram ao governador da Galiléia. Souberam que as intenções de Herodes para com o menino Jesus não eram das melhores. Retornaram, então, por outro caminho. Homem inseguro que era, Herodes sentiu-se traído pelos sábios e imediatamente colocou em ação um plano sanguinário buscando prevenir-se na posição. Seu passado já demonstrava que ele era capaz de qualquer coisa para sustentar o poder.

O homem conhecido como Herodes, o Grande, foi governador da Galiléia por quase cinco décadas. Um de seus primeiros casamentos já fazia parte de uma jogada política na tentativa de agradar os hasmonianos que controlavam Israel antes da dominação romana. Vendo, porém, que o casamento com Mariamne não foi suficiente para por fim às suspeitas dos hasmonianos, Herodes decidiu agir de maneira mais drástica. Começou a eliminar um a um todos os hasmonianos até que não sobrasse mais ninguém que pudesse ameaçar-lhe o poder. Livrar-se de todos significava, inclusive, por fim à própria Mariamne e aos filhos que tivera com ela. Infelizmente, os episódios de tirania e assassinatos não se restringem a estes. Uma pessoa que tem como características a sede de poder somado à insegurança pessoal é capaz das coisas mais terríveis na busca pela auto-afirmação. Com o tempo, passa a suspeitar de tudo e de todos. A paranóia faz aumentar os riscos para aqueles que o cercam.

Os homens do oriente que visitaram Herodes em busca do novo rei que havia nascido não podiam contar-lhe onde estava o menino Jesus. Furioso, o governador mais uma vez dá início a um plano tirânico e dos mais cruéis. Ordenou que todos os meninos abaixo de dois anos de idade em Belém e nas proximidades fossem mortos. Os soldados saíram para cumprir a ordem do governador. Grande foram o pranto e a lamentação das mães que perderam seus filhos naqueles dias. Maria e José, porém, já haviam deixado a região com o menino que, assim, escapou da matança. Esta, porém, não seria a primeira e nem mesmo a única vez que governantes inseguros e despreparados perpetrariam medidas despóticas na ânsia de assegurar o seu espaço.

A exemplo de todos os governantes, sejam eles reis, imperadores ou presidentes, Herodes também passou. Uma enfermidade fatal no estômago e nos intestinos foi suficiente para decretar a sua morte. Embora os governos sejam legítimos e necessários, ninguém é soberano sobre a vida e a morte. Também aqueles investidos de autoridade para governar devem fazê-lo no temor de Deus buscando assegurar condições para que haja justiça e que todos desfrutem de vida digna. Sempre que alguém confunde as coisas querendo assumir a soberania que cabe somente a Deus, mais uma vez fica evidente o pecado que faz do governo um mal necessário e de Jesus a solução indispensável!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os Sábios do Oriente

Como é típico da raça humana, também aqueles sábios homens do oriente buscavam por algum sinal de Deus. Seja na natureza, na ciência ou mesmo nas práticas ocultistas, o ser humano é alguém em busca. Como disse Agostinho de Hipona, não há como escapar do fato de que o nosso coração só encontra descanso em Deus. Os mistérios do universo sempre despertaram a atenção da humanidade levando à conclusão de que há um Criador. No antigo Oriente também magos e eruditos estavam ocupados com o tema. Mais que isso, serviam também aos imperadores procurando prever o nascimento de qualquer governante que pudesse ameaçar os poderes correntes. Que ameaça poderia ser maior do que deparar-se de repente com o grande legislador do universo?

Não sabemos ao certo quantos eram os sábios que rumaram para a cidade de Belém. Apenas alguns poucos versículos da Bíblia são dedicados a eles. As palavras contidas no Evangelho de Mateus também não permitem tirar grandes conclusões sobre o que exatamente teria sido o sinal que os magos viram. Uma estrela? Um cometa? Um anjo? Uma conjunção de planetas? Fato é que eles seguiram caminho e primeiramente chegaram até o rei Herodes a quem perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo" (Mateus 2.2). Como bom governante, Herodes também tinha os seus conselheiros constituídos por sacerdotes, mestres da lei e eruditos. Assustado com a notícia e a ameaça de um novo rei, tratou de consultá-los. Queria saber onde deveria nascer o Cristo. Dos primeiros, ouviu que seria "em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta: ‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’" (Mateus 2.5-6). Herodes então despediu os magos do Oriente pedindo que fosse imediatamente avisado a respeito de qualquer informação mais precisa sobre o menino que nascera.

E, os magos seguiram o seu caminho rumo à Belém. Ao chegarem “viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra” (Mateus 2.11). Há quem veja nos presentes mais do que apenas valor material. O ouro simboliza que todo valor, toda riqueza pertencem a Cristo. O incenso serve como homenagem devida à sua divindade. E, a mirra prefigura a morte e os sofrimentos que aguardavam Jesus.

Realizados e cheios de júbilo, o grupo retornou à sua terra por outro caminho. Não eram conhecidos também como sábios em vão. Eles sabiam que a história de Herodes desejando saber o local exato para poder também ir adorar o novo rei, não passava de uma mentira. Com sua insegurança e sede de poder, ele seria capaz de qualquer coisa para eliminar tudo e todos que pudessem representar alguma ameaça.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma Noite Especial

Aquele foi um dia em que eles tiveram mais uma vez que sair em busca de uma ovelhinha que se perdera do rebanho. Não foi uma busca demorada. Encontraram-na com dificuldades para transpor algumas rochas no terreno acidentado onde fora aventurar-se. Agora todas já estavam juntas e em segurança. Bem alimentadas e cansadas, todas dormiam. Os três pastores preparavam-se para mais uma longa noite de sono, mas, também de vigília. Nunca se sabe quando um lobo selvagem pode aparecer para atacar o rebanho. A noite estava agradável. O clima ainda não era de muito frio naquela época do ano. Geralmente eles gostavam de passar um tempo conversando até o sono chegar. Gostavam de falar sobre como simples pastores como eles já foram grandemente usados por Deus na história. Compartilhavam, especialmente, as histórias de Moisés e Davi. Vez e outra lamentavam o fato de a atividade que desempenhavam dificultar em muito a participação na vida religiosa e suas observâncias. Mas, ao menos podiam orgulhar-se por cuidarem daquelas que seriam ovelhas especiais, reservadas para o sacrifício no templo.

O que aqueles humildes pastores não imaginavam é que aquela não seria apenas mais uma noite como as outras. Embora permaneçam anônimos, a sua experiência é digna de um Moisés. Quando a noite já envolvera a tudo e a todos, o sono já tomando conta, eis que de repente uma forte luz assusta a todos. Nenhuma tocha, nenhuma estrela e nenhuma fogueira jamais produziriam tal luminosidade. Assustados, mal podiam acreditar naquilo que viam. Um anjo estava bem diante deles. As ovelhas parecem não ter se assustado. O anjo falou: "Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura"(Lucas 2.10-12). E o que era, a princípio, apenas um anjo, logo se revelou como uma verdadeira milícia celestial a entoar: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor" (Lucas 2.14). E assim, os anjos se foram. Imediatamente os pastores se organizaram e seguiram para Belém. Eles estavam ansiosos para ver aquilo que o Senhor havia dado a conhecer.

Seguiram às pressas e de longe enxergaram uma pequena luz numa simples estrebaria. Encontraram José e Maria ao lado da manjedoura. Um bebê recém nascido era o centro das atenções. Os pastores não puderam se conter. Logo saíram a espalhar a notícia. Precisavam contar a todos as coisas incríveis que ficaram sabendo a respeito daquele menino. Eles não conseguiam esconder a sua alegria. Seguiam cantando e louvando pelo caminho de volta por tudo aquilo que haviam testemunhado. Suas vidas nunca mais seriam as mesmas. Haviam experimentado uma proximidade de Deus como nunca antes. À exemplo de Moisés e Davi, mais uma vez simples e desprezados pastores entram para a história. Deus continua demonstrando que gosta de revelar-se às pessoas humildes. Foram eles os primeiros a receber a proclamação que abalaria o mundo inteiro.

A Verdadeira Luz

Natal Luz. Cidade luz. Festa das luzes. Luzes por toda parte. Até as crianças sabem: o Natal chegou. Não sou adepto da paranóia que muitos cristãos criam em torno dos símbolos cristãos vendo neles apenas uma remontagem ao velho paganismo. Aliás, é curioso que em vez de simplesmente comemorarem o fato de que a força de Jesus Cristo e do Evangelho têm dado um novo significado a tantos símbolos, alguns cristãos insistem em simplesmente desenterrar velhos ritos e símbolos pagãos. Com relação à luz, a Bíblia fala a seu respeito já no terceiro verso: Disse Deus: "Haja luz", e houve luz (Genesis 1.3). E, o que a luz representa no natal? Penso em dois relatos do Novo Testamento. Antes mesmo do nascimento de Jesus, dizia-se dele que “estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens” (João 1.9). E, depois, uma estrela teria guiado os três reis magos até Belém onde encontrariam Jesus (Mateus 2.2ss). Temos, portanto, algumas questões importantes aqui: 1) a luz emana de Deus; 2) Jesus é a luz e; 3) uma luz serviu como guia e sinal.

Não é, portanto, nenhum exagero que a luz sirva para engrandecer este momento histórico tão especial que marca, nada mais nada menos, que a vinda do próprio Deus encarnado à Terra. Por outro lado, obviamente existem os exageros. Nenhuma luz artificial é capaz de refletir aquilo que somente Jesus Cristo é capaz de fazer ao mundo e ao coração do ser humano. E, o exagero das decorações e o excesso de luz parecem, muitas vezes, refletir exatamente o vazio existencial daqueles que ignoram a verdadeira luz. Ainda, para servir de sinal e guia, a luz deve ser única e especial. Não pode ser simplesmente um mar de luzes que mais confunde e ofusca do que orienta. Se fossemos perguntar às muitas pessoas que nessa época do ano enfeitam suas casas com as luzes natalinas, qual é o sentido nisso tudo, o que será que obteríamos como resposta?

Uma estrela possui luz própria. Não somos estrelas e, mesmo assim, muitos de nós queremos brilhar. O que o Natal representa? Exatamente o inverso. Não temos muito que resplandecer. A luz veio ao mundo. Ela vem iluminar as nossas trevas. Jesus Cristo vem pra reorientar as nossas vidas. E, mais do que isso, ele vem trazer redenção, reconciliação. Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida" (João 8.12). Quando se apela para o velho discurso sobre o sentido do Natal, existe muito mais em jogo do que as manjadas mensagens de paz e solidariedade. Se nossas luzes significam que estamos abertos e dispostos a deixar a verdadeira luz brilhar, então ainda resta esperança. Mas, se nossas luzes não passam de artificialidades para ofuscar ainda mais a verdadeira luz, então, nem todos os quilowatts do planeta serão suficientes para nos tirar das trevas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

João Ninguém

Quem nunca ouviu essa expressão!? Lembrei-me dela ao refletir sobre esse período do ano que os cristãos conhecem como Advento. Estamos no período de quatro semanas que antecede o Natal. O Novo Testamento trás em suas primeiras narrativas um pouco sobre a vida de João Batista. Se o Advento é também um período de preparação, de vinda e chegada, João é apresentado como aquele que veio como “testemunha, para testificar acerca da luz” que vem ao mundo (João 1.7). E, assim costumava apresentar-se: "Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor’" (João 1.22-23). Depois de Maria, José e Antônio, uma pesquisa revelou que João é o quarto nome mais comum no Brasil. João já era também um nome comum nos tempos bíblicos. O Advento e os Evangelhos oferecem-nos a oportunidade de refletir sobre como Deus olha para os João Ninguéns deste mundo.

A expressão João Ninguém se tornou popular significando um “indivíduo sem importância, que não tem peso social e destituído de qualquer poder econômico”; um “homem insignificante”; alguém que “não consta” ou, “pouco vale”. Mas, o que tem a ver a vida de João Batista com um João Ninguém? Por trás de cada nome existe um ser humano. Filho de um sacerdote chamado Zacarias e sua esposa Isabel, João é fruto de um desses milagres considerados mais extraordinários da vida. Ele nasceu quando seus pais já estavam numa idade bastante avançada. Um período em que normalmente o ser humano já não gera mais filhos. João nasceu e cresceu numa região montanhosa da Judéia. Ele tinha alguns hábitos estranhos, inclusive para aquela época. “As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre” (Mateus 3:4). Ele era o que na época chamavam de um asceta. Alguém que se separava, praticando exercícios espirituais como jejum, purificações, mortificação do corpo e etc, a fim de progredir espiritualmente. João Batista é também normalmente conhecido como a voz no deserto.

Esse João de hábitos excêntricos é que é anunciado como o homem que surgiu como enviado por Deus (João 1.6). Um João Ninguém que, apesar dos modos rudes e da mensagem dura, conseguia audiência. Tinha, inclusive, um bom grupo de seguidores. O significado que popularmente conhecemos para João Ninguém não existe para Deus. Para Ele não existem João Ninguéns! Este João, diz o Evangelho, “veio como testemunha, para testificar acerca da luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem” (João 1:7). Talvez fosse algo como isso que Paulo tivesse em mente quando ele diz que “Deus escolheu as coisas loucas do mundo”, que Ele “escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são” (1 Coríntios 1.27-28). Sim, Deus escolhe um João Ninguém e faz deste um alguém. Alguém que pode agora dar testemunho de que anunciar o Cristo, faz a sua alegria ser completa (João 3.30).

domingo, 27 de novembro de 2011

Natal..., de novo!!!

Mais uma vez, tudo nos lembra de que mais um ano vai chegando ao final. Muito se canta e se fala sobre o Natal. Já tenho refletido e escrito sobre isso há alguns anos. Clique Aqui para ler algumas dessa reflexões. E, que este seja um tempo de discernimento entre a nostalgia dos bons tempos e a repugnância pelos exageros e toda a banalização! Retenha o que é bom!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Três Lições Sobre Igreja

Para compreendermos o que é a Igreja, é necessário refletir sobre três questões fundamentais. A Bíblia é a fonte primária que nos revela o surgimento da igreja bem como viviam os primeiros cristãos. Primeiramente, vejamos as palavras de Jesus: “E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la” (Mateus 16. 18). O aspecto importante a se destacar aqui é quem edifica a igreja. Se a igreja é mais do que um templo ou um clube social, não podemos acreditar que ela seja edificada por nossos próprios esforços. A igreja é um corpo místico, fruto da obra do Espírito Santo. Ela não é fruto dos meus próprios esforços. Ela não é edificada por papas, pastores, missionários, presbíteros, monges, padres, bispos, teólogos ou pedreiros. Jesus afirmou que a Igreja é edificada por Ele.

Para a segunda questão, vejamos as palavras do Apóstolo Paulo: “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1 Coríntios 12. 27). Paulo está escrevendo para a Igreja. É para uma comunidade cristã que ele afirma: “vocês são o corpo de Cristo”. A pergunta correta, portanto, não é o que é igreja, mas, quem é igreja? Se a igreja é comparada a um corpo, então, ninguém de nós é um corpo completo se isolado. Somos membros deste corpo que é a igreja. Por isso, a palavra correta geralmente utilizada sobre a filiação de alguém a uma comunidade de fé é membro. O mesmo Paulo diz ainda que “assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros” (Romanos 12. 4-5).

Sobre a terceira questão, Paulo declara que “Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador” (Efésios 5. 23). Se a igreja é um corpo, então, este corpo tem uma cabeça. Quem seria a cabeça dentre os diversos membros? O corpo humano é apenas uma metáfora para representar a igreja. Porém, uma metáfora bastante útil. Ela nos ajuda a entender a verdadeira natureza da Igreja de Cristo. Cristo é cabeça da Igreja. Lembremos que é na cabeça que está o cérebro. Qual é a sua função? A função do cérebro é controlar todos os movimentos do corpo humano. O cérebro é o órgão mais importante do sistema nervoso, pois é ele que controla os movimentos, recebe e interpreta os estímulos sensitivos, coordena os atos da inteligência, da memória, do raciocínio e da imaginação. Vejam porque tão facilmente encontramos pessoas que gostariam de ser cabeça. Queremos isso, no entanto, porque gostamos do poder, queremos controlar, fazer as coisas do nosso próprio jeito. Mas, por sermos pecadores, muitos de nós brigaríamos para ocupar esta função.

Felizmente o cabeça da igreja não é eleito por voto e nem nomeado por quem quer que seja. Jesus Cristo é o cabeça. É Ele que edifica a Igreja. Os que crêem são os membros. Você crê? Então você é Igreja.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sob a Graça

O ano de 2011 está chegando ao final. Dentre os diversos motivos de gratidão a Deus neste ano eu gostaria de compartilhar com vocês da alegrida por ter publicado o meu primeiro livro.

Sob a Graça: a espiritualidade no cotidiano tem o propósito de apresentar em linguagem simples e acessível algumas reflexões sobre a fé cristã. Na primeira parte procuro destacar algumas 'balizas' fundamentais para quem deseja trilhar um caminho espiritual sólido e inteligente. Na segunda parte o leitor encontrará capítulos que tratam sobre o relacionamento com Deus. Viver a espiritualidade é cultivar uma vida de proximidade com Deus. E, finalmente na terceira parte, são apresentadas algumas reflexões sobre a espiritualidade de alguns personagens bíblicos. São exemplos que servem de inspiração e que revelam muito sobre Deus e o seu amor pelo ser humano. Numa época de proliferação de literatura nas áreas da espiritualidade e da auto-ajuda, procuramos ser objetivos e simples sem, no entanto, cair no discurso comum. Se para cultivar uma vida espiritual você precisa assumir algumas crenças, nada mais natural do que buscar coerência para esta área tão importante da vida. Afinal, falar de espiritualidade é falar das coisas da alma.

A escolha do nome para o título do livro, se dá por uma razão muito simples. Creio que é assim que todo cristão deveria compreender-se: vivendo sob a maravilhosa graça de Deus.

Agradeço a todos pela leitura e pelos comentários. É muito importante receber o retorno de vocês!
Para adquirir Clique Aqui.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Igreja

Há 500 anos Martim Lutero disse que até uma criança de 7 anos sabe o que é igreja. Será que os evangélicos brasileiros hoje ainda sabem o que é igreja? É urgente que se resgate o verdadeiro significado de igreja. Para isso, precisamos ir às fontes. Ver os relatos de onde e quando a igreja começou. É na Bíblia que se fala primeiramente a seu respeito. Por que é tão importante trabalharmos com os conceitos corretos? Por que é fundamental que nós saibamos do que estamos falando quando nos referimos à igreja? As pessoas agem de acordo com aquilo que elas sabem. O nosso comportamento, as nossas atitudes, as decisões que tomamos, sofrem a influência direta daquilo que sabemos. Isso não significa, porém, que aquilo que sabemos é o certo.
Alguém pode acreditar que é correto uma coisa que, na realidade, não é. Uma pessoa pode achar, por exemplo, que é certo ou normal utilizar agrotóxicos nas plantações. A pessoa irá, então, agir de acordo com isso. Ou, podemos saber o que é correto, porém, agir de modo contrário. Nem sempre agimos de acordo com o que sabemos ser o correto. Alguém pode ter todas as informações sobre uma determinada coisa, saber o que é errado, e mesmo assim agir contra o bom senso, contra aquilo que sabe ser o certo. Por isso vemos tanta gente que não cumpre certas leis, mesmo que estas sejam boas. Muitas pessoas sabem e conhecem os prejuízos causados pelo uso de agrotóxicos, porém, continuam utilizando assim mesmo. Por quê? Por diversos motivos: não acreditam de fato no que é mais correto (possuem as informações, mas não levam tão a sério); não acreditam que exista uma outra opção melhor (pelo menos não estão convencidas disso); ou, ainda, porque colocam outras prioridades acima disso (lucro, comodidade, funcionalidade). Neste último caso poderíamos entrar na questão dos valores. O que vale mais? O dinheiro ou a saúde? O lucro ou uma vida mais plena? O trabalho ou a lei do mínimo esforço?
Poderíamos ainda lembrar outros exemplos sobre o que sabemos ser certo e, ainda assim, agirmos de modo contrário: fumar, abusar das bebidas alcoólicas, desrespeito à legislação de trânsito, etc. O apóstolo Paulo certa vez expressou esse dilema humano assim: “tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Romanos 7:18-19).
É claro que não podemos saber de tudo com certeza. Não sabemos, por exemplo, a maioria das coisas com relação ao futuro. Se eu sei que vai chover daqui a pouco, por exemplo, eu levo um guarda-chuva. Precisamos, portanto, trabalhar naquilo que é possível saber e, assim, corrigir, ou, pelo menos, reorientar a nossa vida de acordo com isso. Para Lutero a Igreja é algo muito simples: “os santos crentes e os cordeirinhos que ouvem a voz de seu pastor”.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Graça No Cinema

Longe de mim considerar-me um crítico de cinema. Não tenho qualificação e nem a pretensão para isso. O meu desejo é apenas compartilhar rapidamente a respeito de três filmes que eu recomendo a todos que admiram a sétima arte. Reforço a recomendação por serem filmes que tratam de um tema sobre o qual venho refletindo há algumas semanas. Todos eles foram lançados recentemente, são de 2011. São filmes que mostram o conflito do ser humano diante das circunstâncias da vida. Como responder aos fatos que nos acontecem todos os dias?

O primeiro filme foi traduzido para Graça e Perdão. É baseado no livro Amish Grace que, por sua vez, baseia-se em fatos reais que aconteceram em outubro de 2006 numa pequena comunidade Amish na Pensilvânia, EUA. Um crime terrível abala uma comunidade dos Amish. A partir de então, as diferentes reações das pessoas revela uma possibilidade que para muitos é inaceitável. Seria possível passar por dor e angústia sem deixar que isso se transforme em raiva e ódio? Apesar de não tratar-se de uma grande produção, é um filme capaz de inspirar e emocionar.

O Poder da Graça (The Grace Card) é dos mesmos criadores de A Prova de Fogo. O filme mostra como podemos deixar que fatos trágicos ocorridos em nosso passado nos mantenham presos e angustiados por anos. Como libertar-se? Como e onde encontrar forças para superar diferenças e preconceitos? Muitas vezes deixamos que as circunstâncias da vida nos confundam. Acabamos sentindo culpa, medo e até raiva daqueles que sequer conhecemos. Até mesmo Deus pode ser culpado indevidamente. Assim, acabamos trilhando caminhos que podem levar à auto-destruição.

A película mais famosa é sem dúvida A Árvore da vida, do diretor e roteirista Terrence Malick que foi indicado ao Oscar de 1998, em duas categorias, pela produção Além da Linha Vermelha (também recomendável). A Árvore da Vida, que tem Brad Pitt e Sean Penn como atores mais conhecidos, ganhou este ano o prêmio de melhor Filme do Festival de Cannes. Trata-se de um filme que tem dividido opiniões. Poderíamos dizer que este é um filme difícil. Exige atenção e paciência do espectador. Numa família dos anos 50, uma morte leva a questionamentos sobre Deus e o sentido da vida. Qual é o teu caminho na vida? O caminho da natureza ou o caminho da graça? Muitos sequer imaginam a diferença que isso faz! Um olhar atento pode levar-nos à reflexões profundas e à contemplação de algo que transcende a nossa existência.

Num tempo em que as religiões tem negligenciado a graça, é bom vê-la retratada no cinema. Se você é alguém que prefere um pouco de realismo na tela, pegue a pipoca e prepare-se para ser incomodado.
Clique no título dos filmes acima para ver o trailer.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Graça Reformadora

Foi no dia 31 de outubro de 1517. Quase 500 anos atrás. Um jovem monge fixava na porta de uma catedral 95 teses com o objetivo de chamar a atenção para vários equívocos na igreja da época. Havia grande contradição entre aquilo que a igreja pregava e aquilo que ela praticava. Enquanto o clero vivia no luxo os camponeses e artesãos viviam uma situação de miséria. Muita gente estava insatisfeita com a Igreja. Vários movimentos na Europa do século 14 e 15 já indicavam o desejo por mudanças. Dentre os diversos motivos que deflagraram a Reforma, o principal foi a venda de indulgências na Alemanha. A igreja, sob a liderança do papa Leão X, necessitava de dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro em Roma. O monge Tetzel era encarregado de vender as indulgências levando este comércio ao máximo.

Martim Lutero era um homem extremamente exigente consigo mesmo. Desejava por todas as formas agradar a Deus e ver-se livre do tormento do Diabo. Outra coisa que passou a incomodar fortemente o jovem monge foi a venda de indulgências por parte da igreja. As indulgências eram vendidas sob a promessa de que aqueles que as adquirissem estariam livres do tormento do purgatório. A pessoa poderia, inclusive, pagar pela libertação da alma de parentes que já haviam falecido. Assim, milhares de pessoas entregavam o pouco que tinham para o seu sustento em troca de uma "salvação" prometida pelos lideres eclesiásticos. Toda essa religiosidade de trocas, de comércio com o sagrado, de auto-exigência, oprimia Lutero que cada vez mais percebia a incoerência entre aquilo que a igreja ensinava e aquilo que as Escrituras revelam. Foi somente depois de compreender a graça de Deus que Lutero pôde sentir o alívio e a verdadeira libertação do Evangelho. Lendo a carta de Paulo aos Romanos descobriu que "o justo viverá pela fé" (Romanos 1.17). A mensagem do Evangelho é que Jesus Cristo morreu pelos pecados e não há mais a necessidade de indulgências para o perdão ou remissão da pena. Isso foi libertador e desencadeou um processo que mudaria o mundo.

Suas teses abalaram a Europa. O Papa exigiu retratação. Lutero foi ameaçado de excomunhão se não negasse publicamente os seus escritos. Ao que respondeu: "Nada posso retirar dos meus livros, se não for convencido com claro testemunho das Sagradas Escrituras. Não quero e não posso retratar-me, porque não é correto um cristão falar contra a sua consciência. Aqui estou; não posso ser diferente; que Deus me ajude". Lutero foi excomungado e passou a dedicar-se à reforma da igreja. Reforma que transcendeu o movimento religioso, gerando implicações econômicas, políticas e sociais. O mundo nunca mais foi o mesmo. No entanto, muitas pessoas continuam preferindo as indulgências em vez da graça.

Conheça um pouco mais da trajetória de Martim Lutero através do filme:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Graça Transformadora

Aos 5 anos de idade John Wesley escapou de um incêndio que consumiu toda a casa da sua família. O pequeno John foi o último a ser resgatado. Este homem se tornaria um dos principais protagonistas do grande avivamento na Inglaterra do século XVIII. Vindo de uma família com dezenove filhos, sua mãe foi uma cristã piedosa que muito influenciou na educação e ministério de Wesley. Talvez devido à educação rígida, John tenha se tornado por demais exigente consigo mesmo. E, durante um período da sua vida, passou por perturbações por causa de dúvidas. Foi nessa época que aceitou um chamado para pregar o Evangelho aos silvícolas na colônia de Geórgia, na América. Seu desejo era ganhar sua salvação por meio de boas obras. Apesar das grandes multidões que iam ouvir as suas pregações, alguns acontecimentos logo o fizeram retornar à Inglaterra. E, uma declaração do próprio Wesley nesse período é surpreendente: "fui à América para converter outros, mas nunca fora realmente convertido a Deus". Faltava a Wesley a compreensão da graça que permitisse servir a Deus como um filho e não como um servo.

Naquela época a situação da igreja na Inglaterra era de apatia espiritual e irrelevância na sociedade. Muitos ministros foram expulsos da Igreja por recusarem a dobrar-se diante de um governo corrupto. Isso contribuiu decisivamente para o declínio espiritual e moral na Inglaterra. Os bispos que restaram não passavam de meros interesseiros e mercenários que não demonstravam mais compromisso com as Escrituras. A corrupção se espalhou até alcançar toda a população. Todo o país estava tomado por uma onda de devassidão e crimes. Uma igreja corrompida, perseguição aos cristãos que desejavam manter-se fiéis, escravidão, nepotismo, desigualdades sociais, injustiça, pena de mote, mortalidade infantil de 3 para cada 4 crianças nascidas, vícios e bestialidade, pobreza, violência, prostituição e assassinato. O esporte era marcado por tortura de animais e lutas sangrentas. No teatro e na literatura a depravação era total. As pessoas viviam com medo, pois ladrões e sequestradores se escondiam por toda parte.

Foi nessa época que João Wesley se tornou um pastor que pregava centenas de sermões por ano. Liberto e sob a graça de Deus, seu objetivo era ensinar o simples e ortodoxo cristianismo bíblico. Foi perseguido, difamado e proibido de pregar nas igrejas. Fez então do mundo a sua paróquia. Pregava ao ar livre e multidões saiam para ouvi-lo. Wesley sabia que só a regeneração pessoal é capaz de gerar regeneração social. O que se viu a partir daí permite à história falar de uma Inglaterra antes e depois de John Wesley. Os resultados do ministério de Wesley e do Grande Despertamento não ficaram restritos ao âmbito da Igreja. Mas, transformaram a economia, a legislação, a política, as artes, a teologia e a filantropia naquele país. A verdadeira compreensão da graça gera consequências práticas e concretas que transformam o mundo.

Assista aqui o filme e saiba mais a respeito de John Wesley:

domingo, 2 de outubro de 2011

Graça Pode Ser o Nome Para Uma Menina

Terminou no último dia 02 de outubro, no Rio de Janeiro, mais uma edição do famoso Rock In Rio. Entre as diversas bandas e artistas que ali se apresentaram, muitos sentiram a falta do U-2, uma das mais conhecidas mundialmente. Seja por motivo de cansaço por causa da última turnê ou por não se considerarem uma banda de rock, fato é que eles recusaram o convite. Uma das mais belas canções da banda é Grace, do álbum All That You Can't Leave Behind do ano 2000. Há quem diga que a banda irlandesa teria feito a letra em homenagem à Agnes Gonxha Bojaxhiu. Talvez porque "graça, é o nome para uma menina", e, "também é um pensamento que mudou o mundo".

O pensamento que mudou o mundo foi compreendido também por aquela menina. Ela que perdeu o pai muito cedo e cresceu ajudando a mãe na atividade de bordado e fazenda para poder manter a família. Nasceu em 1910 no sul da antiga Iugoslávia. Foi educada numa escola pública e, seguiu sua vocação religiosa, ingressando na Congregação Mariana. Em 1929 partiu para a cidade de Darjeeling, na Índia, onde as irmãs de Loreto tinham um colégio. Na Índia ela fez o seu noviciado, tomando o nome de Teresa. Viria, porém a ser conhecida pela cidade de Calcutá, onde a pobreza à sua volta era contrastante com a vida das meninas ricas do colégio em que trabalhava. Durante uma viagem, em 1946, Madre Tereza ouviu um chamado que a levou a abandonar o colégio e a viver definitivamente entre os pobres. No mesmo ano ela conseguiu nacionalidade indiana e passou a usar um traje típico, um sári branco com debruns azuis e uma pequena cruz no ombro. Sua vida e dedicação se traduzem por aquilo que no cristianismo conhecemos como encarnação. E, assim, doou-se ao povo pobre da Índia. Conquistou muitas seguidoras à sua causa. Fundou o instituto Missionárias da Caridade para a qual revelou o objetivo e missão que consistia em "saciar a infinita sede de Jesus sobre a cruz de amor e pelas almas, trabalhando para a salvação e para a santificação dos mais pobres entre os pobres”. Em 1979, Madre Teresa recebeu o prêmio Nobel da Paz, pelos serviços prestados à humanidade.

Se Bono Vox escreveu Grace em homenagem à Madre Tereza de Calcutá, eu não sei. Mas, aquela menina provou que a graça continua a mudar o mundo. Ela "assume a culpa; cobre a vergonha; remove a mancha. A Graça encontra bondade em tudo. Ela viaja para fora do karma. O que antes era dor; o que antes era atrito; o que deixava uma marca; não fere mais. Porque a Graça cria a beleza a partir das coisas feias". Cantada, pintada, recitada, projetada, emoldurada... Muitas são as maneiras de se comunicar a graça. Há quem prefira encarná-la . "Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos" (Madre Tereza de Calcutá).

Ouça abaixo a música Grace:



Assista o filme Madre Teresa de Calcutá:

sábado, 24 de setembro de 2011

História da Música Amazing Grace

John Newton , um ex-comandante de navio negreiro que se converteu ao cristianismo e se tornou pastor, é o autor do famoso hino Amazing Grace. Poucos, porém, fazem idéia de onde ele tirou a melodia para esta belíssima canção.



Esta canção, inspirada pela maravilhosa graça de Deus, é uma das mais conhecidas no mundo. Foi cantada e gravada por inúmeros artistas. Assim como John Newton, milhões de pessoas na história viram-se livres ao compreenderem o amor gracioso de Deus.
A voz do nosso Senhor Jesus Cristo continua a ecoar: "e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém" (Mateus 28. 20).

Para saber mais sobre a história de John Newton Clique Aqui.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Graça, Sublime Graça

A graça só pode produzir mais graça. Pois a graça desperta para a gratidão. Enquanto a religião vive do 'buscar', do 'poder', das 'bençãos', das trocas e das compensações, a graça gera a consciência da gratidão. A graça informa que a benção maior já veio, que o poder se manifestou na fraqueza, que o Deus da benção e do poder não é inacessível. Ele não vive a nos observar como um Big Brother que nos colocou aqui para competir pela salvação ou por tronos e galardões. Não existem troféus ou medalhas de 'honra ao mérito' para quem entra no reino de Deus. "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Coríntios 12. 9). Sem a graça, o cristianismo se torna apenas uma religião, um esforço humano árduo, penoso, outras vezes pomposo, sofisticado, mas, ao final, frustrante como tantos tem experimentado, por ignorá-la. A simples idéia de que existem opções num cardápio religioso onde eu posso escolher aquele que me cai melhor, já é fruto de uma total ignorância a respeito da graça. Deus criou todas as coisas. Cada ser humano é digno de amor, misericórdia e compaixão. Criados à imagem e semelhança de Deus, todos têm igual valor. É a graça de Deus e a compreensão sobre seu amor que gera no ser humano o sentimento de gratidão que é capaz de nos colocar a serviço do próximo. Temos na história vários exemplos de pessoas que fizeram a diferença no mundo graças a esta consciência. William Wilberforce é um deste nomes. Foi graças ao seu esforço por várias décadas no parlamento inglês que uma lei abolindo a escravidão foi aprovada na Câmara dos Comuns em 1833. Foi a partir do momento em que ele compreendeu a graça de Deus no ano de 1784, que todo o seu esforço se intensificou levando-o a dedicar toda a sua carreira política nesse empreendimento. Wilberforce estava convicto de que não havia maior pecado pesando sobre as costas do Império Britânico do que o terrível e abominável tráfico de escravos. Em seu diário escreveu as palavras que se tornaram famosas: "O Deus todo-poderoso tem colocado sobre mim dois grandes objetivos: a supressão do comércio escravocrata e a reforma dos costumes". O que Wilberforce entendeu é que a fé cristã gera uma piedade prática que redunda em serviço relevante para a sociedade. Os esforços deste político britânico geraram consequências históricas no mundo. Um ano depois de sua morte , em julho de 1834, 800 mil escravos, principalmente na Índia Ocidental britânica, foram libertos. Em pouco tempo, a maior parte dos países ocidentais aboliria a escravidão em definitivo. A jornada de William Wilberforce pode ser vista no filme Amazing Grace (traduzido para Jornada Pela Liberdade) de 2006. O filme ajuda a mostrar como nem mesmo a oposição intensa dos que acreditavam que a escravidão estava diretamente ligada à estabilidade do império britânico foi capaz de intimidar um homem de fé que encontrara uma causa pela qual lutar.  

Trailer do filme Amazing Grace:

sábado, 17 de setembro de 2011

O Alívio da Graça

Se quisermos considerar o cristianismo como uma religião, então, para compreendê-lo, por causa da graça, devemos fazer uma primeira grande distinção: de um lado o cristianismo e de outro todas as demais religiões. Isso porque a graça é uma peculiaridade do cristianismo. A razão pela qual a graça é tão ameaçadora às pretensões humanas é que ao considerá-la, não sobra mais praticamente nada que sustente as grandes religiões. Todo serviço religiosos baseado na troca, nos sacrifícios, nos méritos e nos intermediários vai abaixo quando a graça é compreendida e aceita. Porém, a graça que é uma coisa muito simples é, ao mesmo tempo, algo inaceitável enquanto estivermos reféns de nosso próprio senso de justiça.

A graça representa uma revolução nos sistemas religiosos dos seres humanos. Por isso ela é tão ameaçadora. Pois ela desafia a nossa lógica e subverte todos os nossos aparatos. Ela purifica de todos os badulaques: santinhos, fumaça, sangue, trajes sacramentais, peregrinações, auto-flagelações, objetos ungidos, água fluidificada, amuletos, horóscopos, superstições, sacrifício de animais, penitências, esquemas baseados na troca de favores, pagamento de promessas, ritos sagrados, oração por copos de água e qualquer outro tipo de objeto pessoal, receitas com três, sete, dez ou quarenta passos, campanhas disso e daquilo, etc. Dá para compreender, então, porque a maioria das igrejas e das religiões ignora a graça. Se a considerassem, o que restaria de todos os esquemas tão bem montados? Onde ainda aferir lucro? Como conseguir status, poder, fama e influência?

Compreender a graça significa dar-se conta de que a coisa começa com arrependimento. Uma mudança na trajetória. A graça, salvo raras exceções, me deixa no anonimato. A unica honra está em servir por amor. Quando bem compreendida, a graça gera um suspiro. É o suspiro daqueles que de repente sentem-se aliviados. Sem qualquer preocupação em ter que competir ou julgar, sem precisar mais agradar a Deus para aplacar a sua ira com sacrifícios e ofertas, sem nenhuma necessidade de auto-afirmação, sem ser pressionado pela exigência de mais e mais boas obras para comprar um além melhor... O agraciado está livre para viver uma vida de gratidão. E, a consciência da gratidão pode gerar aquilo que nenhuma representação religiosa é capaz: pessoas que vivem em resposta e não como quem precisa conquistar. Para compreender isso, pense em como nós costumamos agir quando sentimo-nos gratos. É bem diferente do que quando precisamos de estratégias para conseguir algo de alguém. Se nós precisamos de ajuda para tantos coisas, o que nos faz acreditar que não precisaríamos justamente naquilo que é mais fundamental em nossas vidas?

domingo, 11 de setembro de 2011

A Graça Não Reconhece Outros Mediadores

Paulo exorta o jovem Timóteo a testemunhar do Senhor "segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos, sendo agora revelada pela manifestação de nosso Salvador, Cristo Jesus" (2 Timóteo 1. 8-10). Inúmeros versículos do Novo Testamento revelam que os autores estavam preocupados em exortar as igrejas a que permanecessem na graça. A mensagem a ser anunciada deveria ser a mensagem da graça de Deus. Isso porque a graça é diferente de tudo aquilo que as religiões costumam ensinar.
Se a graça ignora os méritos e os sacrifícios, ela também elimina a necessidade de qualquer outro mediador entre Deus e os seres humanos. Pois se há algum mediador, este é Cristo. Os discípulos Pedro e João, quando presos e interrogados diante do sumo sacerdote da religião predominante em sua época, declararam: "Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4.12). Com isso, eles estavam não somente declarando que Jesus era santo ou algum líder ousado que desafiou os poderes instituídos. Eles estavam certos de que Jesus Cristo era o Filho de Deus, único sem pecado, capaz de pagar o preço pelo pecado da humanidade.
Qualquer resgate que alguém fizer hoje na tentativa de instituir outros meios de salvação, parte da ignorância completa a respeito do sacrifício de Cristo. Pois "assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos" (Romanos 5. 19). A graça elimina a figura do guru. A graça permite livre acesso ao Pai. Com a graça, fica eliminada a necessidade de sacerdotes intermediários. A religiosidade que depende dos gurus, dos super-pastores, dos intermediários, vai se sentir profundamente ameaçada pela graça. A religião dos que se instituem a si mesmos como profetas, apóstolos, patriarcas, bispos, homens ou mulheres ungidos, pastores da oração forte, etc., devem ser vistos com discernimento e sabedoria. Pois o pecado nos embriaga a ponto de cegar-nos. A sedução do dinheiro e do poder facilmente podem levar líderes religiosos a usurparem o lugar que pertence somente a Deus.
Compreender a graça leva a uma "religião" de pessoas libertas: livres da necessidade de competir; livres da tentação de se colocar como juiz da vida dos outros; livres do orgulho e da vaidade espiritual; livres da auto-suficiência; livres da necessidade dos próprios méritos; livres da necessidade de apresentar sacrifícios e; livres dos gurus intermediários. Porque a graça põe abaixo tudo isso. Definitivamente, a graça é um péssimo negócio para a religião de mercado. E, por isso, a graça não encontra espaço no discurso daqueles que desejam fazer da religião um negócio lucrativo ou um trampolim para o poder.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Graça Ignora os Sacrifícios

Ao lermos o Antigo Testamento, na Bíblia, nos deparamos com um fato que pode soar estranho para os nossos dias. O povo de Israel tinha como hábito sacrificar animais para obter perdão pelos seus pecados. Deus alertou: "não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá" (Gênesis 2.17). Séculos depois o Apóstolo Paulo apenas relembrou que "o salário do pecado é a morte" (Romanos 6.23). O sacrifício de animais, portanto, era uma maneira de o povo expiar os seus pecados. A nossa rebelião e desobediência têm como consequência a morte. Ao sacrificar um animal eles estavam lembrando isso. Essa 'disciplina', digamos assim, ajudou a preparar o caminho para algo maior e definitivo que Deus faria na história.

Eis a essência do Evangelho: "Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16). Assim como um animal era morto no lugar de quem realmente pecou, Deus envia o seu próprio filho, Jesus Cristo, que morre definitivamente pelos pecados da humanidade. Esse sacrifício tem dimensões cósmicas e nos reconcilia novamente com Deus. Cristo morre a nossa morte para que possamos desfrutar com Ele  a vida na ressurreição. E, isso não é obra nossa, é dom de Deus.

Sem compreender ou não querendo aceitar isso, muitos tem preferido organizar os seus próprios caminhos religiosos em busca de alívio e sentido existencial. Daí nascem as religiões diversas. E, para daí surgirem os mais variados sistemas de exploração e manipulação foi um passo. Os projetos religiosos são arquitetados sobre esquemas de ofertas e sacrifícios. Para estes, a graça é um péssimo negócio. Todo e qualquer esquema religioso que se utiliza e se beneficia de rituais, sacrifícios e ofertas, terá que excluir a graça. Num contexto de exploração e fé mercantilizada, o Evangelho não é bem-vindo.

Lembremos o que aconteceu após Paulo anunciar o Evangelho em Éfeso: "Grande número dos que tinham praticado ocultismo reuniram seus livros e os queimaram publicamente. Calculado o valor total, este chegou a cinquenta mil dracmas" (Atos 19. 19). Sim, a graça elimina todo tipo de esforço humano que equivocadamente achamos necessário para obtermos bênçãos, favores e perdão da parte de Deus. Logo, aqueles que se beneficiam e lucram com os esquemas religiosos, não vão gostar que o Evangelho seja pregado (confira Atos 19. 24-28). A graça elimina a fonte de lucro daqueles que fazem da fé um negócio comercial. O mais importante, porém, é que a graça é libertadora. Deus está plenamente satisfeito comigo por aquilo que Jesus Cristo fez. Pois, por mim mesmo, nada poderia fazer e nem teria a oferecer senão a minha culpa e pecado. "Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?" (Romanos 8. 32).

sábado, 3 de setembro de 2011

A Graça Aniquila a Competitividade

Quem tem um mínimo de intimidade com a Bíblia sabe que ali a igreja não é um templo ou um clube social. A primeira coisa que costuma vir à nossa cabeça ao escutarmos a palavra igreja geralmente está relacionado a um tipo de prédio, algum programa ou mesmo a figura de um padre ou pastor. No entanto, a imagem bíblica utilizada para igreja é a de um corpo vivo. Um sistema orgânico onde as pessoas são os membros. Em nosso corpo, cada membro possui uma diferente finalidade. O apóstolo Paulo expressa isso assim: "Cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada" (Rm 12.4-6). Aquilo que somos e o que temos é obra da graça de Deus. Se a igreja é, portanto, um corpo formado por pessoas comuns, ela não é perfeita. Porém, aqueles que começam a compreender a graça imerecida de Deus, compreendem-se como parte deste corpo apesar de suas imperfeições. O segredo da igreja, portanto, não está na perfeição ou aparente santidade de seus membros. Mas, na humildade, auto-conhecimento, consciência do pecado e, principalmente, na certeza do perdão e do amor de Deus. É isso que nos liberta para também amarmos e perdoarmos o próximo. Alguém que se considera perfeito não se sentirá bem na igreja, pois olhará para os lados e enxergará apenas pobres pecadores que nada podem oferecer a Deus, a não ser a sua culpa. Numa igreja composta por pecadores encontraremos os mais variados tipos de imperfeições e atitudes nem um pouco nobres às vezes. O problema é quando a pessoa perde a consciência do pecado, tornando-se, assim, incapaz de reconhecer o seu erro e arrepender-se. Esse alguém acaba por tornar-se impossibilitado de receber perdão. Afinal, ela não reconhece em si nada que precise ser perdoado. O orgulho e a vaidade são os maiores sintomas de que somos pecadores. Assim como os membros do nosso corpo não competem entre si, seja por destaque, força, vaidade e etc, também a igreja é desafiada a viver em espírito de cooperação. Isso fica claro quando encontramos na Bíblia inúmeras exortações sob a expressão "uns aos outros". Também nas diversas palavras de instrução, conselho, repreensão e alertas como: "Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem" (Efésios 4. 29). A graça de Deus é, portanto, ilimitada. É super abundante. Por isso, todo espírito de competição entre os agraciados soa ridículo, sem sentido. Não precisamos competir por aquilo que nos é dado graciosamente. Assim como não podemos conquistar aquilo que não nos é dado como um prêmio. O prêmio é algo conquistado por méritos (honra ao mérito). A graça desconhece medalhas e troféus. Não faz sentido disputar com alguém por aquilo que eu já tenho.

domingo, 28 de agosto de 2011

A Graça Salva da Auto-Suficiência

Você também já viveu a experiência de ler um desses livros de auto-ajuda e ficar empolgado durante a leitura? É como se tudo ficasse mais claro e você finalmente soubesse como agir de agora em diante. Mas, de repente, o livro termina e por algum tempo você até muda algumas atitudes. E, quando menos espera, está novamente frustrado, deprimido, sentindo-se incapaz para uma série de coisas. Tudo até parece pior do que antes! O que aconteceu? Suspeito que a resposta esteja no fato de que tudo aponta somente de volta para nós mesmos. Sentimo-nos fragilizados e incapazes diante da vida e do mundo. Procuramos resposta, buscamos por alguma ajuda, e tudo o que obtemos é um sonoro "se vira você mesmo". E, enquanto as pessoas buscarem soluções nas prateleiras, a roda do consumo continuará a girar. É natural que busquemos por bem-estar. E, é certo também que temos responsabilidades perante a vida. Devemos agir em todas as coisas que pudermos para melhorar a nossa situação por pior que ela seja. Existe uma carência, no entanto, que não pode ser suprida por nossos próprios esforços. Agostinho de Hipona já dizia que o nosso coração vive inquieto enquanto não encontrar descanso em Deus. A Bíblia revela que Deus "pôs no coração do homem o anseio pela eternidade" (Eclesiastes 3. 11). Sabemos que existe um algo mais. Na tentativa de encontrar, acabamos mergulhando em ilusões. Muitos querem nos fazer acreditar que a resposta está em nós mesmos. Jesus faz um convite interessante: "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus 11. 28-30). O convite é para que tiremos os olhos de nós mesmos. É um convite gracioso. A graça é compreendida quando eu admito que não posso sozinho. A graça não combina com auto-ajuda. A graça é um gesto que vem na minha direção. Não é algo que eu posso produzir por ou para mim mesmo. Ninguém é auto-suficiente. Simplesmente não fomos criados dessa forma. Dependemos uns dos outros. Todos dependemos de Deus. Ao reconhecer isso, começo a experimentar o que é descansar na graça. Deixar que Deus me conduza, me liberte, me fortaleça, me salve. Somos salvos pela graça. E, isso tem início por um processo que me faz tirar o foco de mim mesmo. Somente quando eu saio do centro da minha vida é que eu deixo lugar para Aquele que me criou. Encontro paz e descanso. Compreendo-me como alguém que faz parte de um todo, algo maior. No fim, descubro que eu não fiz nada. Ele já fez tudo. Está consumado.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Graça Anula o Orgulho Espiritual

O fato de alguém estar numa igreja não faz dela alguém mais querida e amada diante de Deus. Deus ama a todos as pessoas, independentemente de credo, raça, cultura, classe social, etnia, etc. O fato de que muitos de nós nos ressentimos porque aparentemente algumas pessoas parecem ter mais sorte ou melhores condições do que outras, é reflexo de nós mesmos. Deus criou todas as coisas e deu ao ser humano para que este administrasse a boa criação. A nossa rebeldia e incapacidade de viver numa inter-relação com Deus e com o próximo é que resultaram no desequilíbrio da criação de Deus. Assim, passamos a viver neste mundo como se estivéssemos numa competição. Logo, na busca por Deus, produzimos uma religião onde alguns se destacam e são mais abençoados que outros. Criamos um sistema religioso que reflete a corrupção do nosso próprio coração. O resultado disso é que muitas pessoas acabam não mais discernindo entre aquilo quem é Deus no meio disso tudo, daquilo que não passa de projeção humana. Culpamos a Deus pelas desgraças e injustiças no mundo, quando na verdade, miramos apenas o resultado da ação de seres humanos caídos. Conhecer a Deus e compreender a graça nos ajuda a redirecionar o foco. Nas palavras bíblicas, "vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2. 8-9). Vivendo num mundo de desordem e injustiças, podemos facilmente nos orgulhar por agirmos diferente aqui e ali. A nossa saudade de Deus - resquícios da sua imagem e semelhança - faz com que continuemos a desejar um mundo melhor. O problema é imaginarmos que somos melhores do que os outros pelos critérios que nós mesmos estabelecemos para definir quem é mais e melhor. O orgulho espiritual é cruel. Orar mais, cantar melhor, ser mais assíduo num programa religioso, ser mais generoso nas ofertas, sacrifícios mais exigentes e etc., no entanto, não representam nenhum pontinho a mais diante de Deus. Há dois mil anos atrás o apóstolo Paulo já ensinava: "Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele. É, porém, por iniciativa dele que vocês estão em Cristo Jesus, o qual se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção, para que, como está escrito: "Quem se gloriar, glorie-se no Senhor" (1 Coríntios 1. 26-31). Se não há mérito nenhum em nós mesmos; se a graça não é uma conquista; se ela não é um prêmio por merecimento; então, como eu poderia me vangloriar dela? Se a graça está à disposição do mundo, quem sou eu para querer me apropriar dela com soberba?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Graça Me Liberta de Ser Juiz

A graça é mais do que uma palavra singela. É um gesto na direção do ser humano. Mas, não é um gesto que escolhe alguns. A triste realidade da religião arquitetada pelos homens é a sua distinção baseada em méritos, qualidades, esforços, exercícios e etc... Tudo depende de você. Portanto, 'se' você 'isso', então, poderá conseguir 'aquilo'. O apóstolo Paulo escreve que "Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos" (Efésios 2. 4, 5). A Bíblia utiliza o plural: "pela graça vocês são salvos". Quem sou eu para excluir alguém? Não é isso também o que Jesus ensina na sua parábola do joio e do trigo (Mateus 13. 24-30)? Se existe alguma separação, nenhum ser humano está autorizado a traçar a linha divisória. Existe uma diferença entre julgar, exortar e condenar. A maneira como a Bíblia considera julgar é diferente de condenar. Não se trata de julgar como se estivéssemos num tribunal onde vamos, ao final, condenar alguém. Julgar significa examinar uma causa, avaliar uma idéia ou analisar uma questão. E, mediante isto, sim, tomar uma posição. É dessa maneira, por exemplo, que Paulo se expressa ao dizer: "Estou falando a pessoas sensatas; julguem vocês mesmos o que estou dizendo"(1 Coríntios 10. 15). Pessoas sensatas estão em condições de analisar as coisas e chegar, assim, às suas próprias conclusões. Pensar diferente de alguém, no entanto, não faz de mim um inimigo dessa pessoa. Já a palavra condenar significa impor uma pena. E, isso nenhum de nós tem o direito de fazer contra o outro. Esta é a lição da parábola do Joio e do Trigo. Exortar, por sua vez, significa incitar ou aconselhar à prática do que é bom ou conveniente. Jesus mesmo declarou, em João 3. 17 que "Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele". Ora, nem mesmo a intenção de Deus é de condenar. É por isso que "todos falavam bem dele (Jesus), e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios" (Lucas 4. 22). Se houver algum tipo de condenação, ela será imposta por quem tem a autoridade para tal. E, no devido tempo. A única certeza de que disponho hoje é que a graça de Deus é superabundante e está à disposição de todos. Não tenho, portanto, o direito de estabelecer critérios que determinem quem está dentro e quem está fora em se tratando de salvação. Sim, alguém pode argumentar pela Bíblia que isso é possível. No entanto, um olhar mais criterioso a partir do contexto revelará que não é bem assim. Portanto, a graça deveria nos tornar mais humildes, uma vez que não depende de nós. E, a graça é estendida a todos, inclusive àqueles que eu tenho dificuldades para aceitar ou lidar. Somente alguém que compreende-se agraciado será capaz de deixar essa graça transbordar para outros. Então compreenderemos também que podemos julgar e exortar, porém, jamais condenar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Graça Ignora os Méritos

A graça de Deus é o que existe de mais peculiar no cristianismo. Só compreende a diferença do cristianismo, quando comparado às demais religiões, quem compreendeu a graça. A graça nos permite abrir mão de todo e qualquer esforço religioso. A religião do fardo, dos sacrifícios, das exigências e da lei é totalmente incompatível com a graça. Por isso, para compreender a graça é necessário render-se. Literalmente, desistir dos caminhos da religião. Reconhecer que esta é uma luta vã, cansativa e frustrante. A maior benção da graça é descobrir que devemos definitivamente desistir de tentar agradar a Deus para obter salvação.
É sempre mais fácil falar a respeito da graça do que compreender e viver de fato as suas implicações. Quais seriam as consequências na vida de alguém que finalmente compreendeu a graça? Nas próximas semanas vamos refletir um pouco sobre as implicações da graça. Primeiramente, sabemos que a graça elimina qualquer necessidade de méritos. Isso significa que Deus nos ama não devido às nossas obras, ou por alguma aptidão especial que apresentamos e, sequer, por todo trabalho que pudéssemos exercer. O Apóstolo Paulo lembra que nada há que possamos reivindicar "com base em nossos próprios méritos, mas a nossa capacidade vem de Deus" (2 Coríntios 3. 5). Sim, a graça não espera enxergar os méritos para dizer eu te amo. Afinal, "se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça" (Romanos 11. 6).
Vivemos numa sociedade que recompensa por méritos. Em si, isso não é um problema. Pode ser interessante que empresas, por exemplo, procurem estruturar-se desse modo quando elaboram o seu plano de gestão. Mas, nesse caso, estamos falando de outra coisa. Um relacionamento entre patrões e colaboradores numa empresa não é exemplo para o tipo de relacionamento que Deus deseja com os seus filhos. Da mesma maneira, também numa família os pais devem amar os filhos de igual modo apesar das diferenças entre estes. Essas diferenças, no entanto, levarão os pais a agir de modo unico com cada filho. E, quando um filho se dá conta de quem ele é, já terá apenas o que agradecer.
A graça é Deus nos encontrando de mãos vazias. Nada temos a oferecer. Ela é anterior a qualquer possibilidade de podermos oferecer algo de bom em nós mesmos para nos tornarmos merecedores. A graça nos surpreende como se nós nos apresentássemos com uma considerável quantia em dinheiro para comprar algo que já é nosso. Pode ser frustrante olhar pra trás e ver que tanto esforço, tantos "pontos" conquistados e todo o dinheiro poupado, não fazem a mínima diferença. Pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho... (João 3. 16)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Causa Gay e o Texto Bíblico da Mulher Adúltera

As razões porque o texto de João 8. 1-11 não deveria ser utilizado como argumento pelos homossexuais que dizem que a prática homossexual não é pecado.

Quero, aqui, argumentar sobre um texto bíblico bastante utilizado por homossexuais e simpatizantes da causa. Antes de mais nada, preciso confessar-me um militante da causa. Sou totalmente favorável aos direitos de todos, das minorias, dos diferentes, dos oprimidos... Favorável, inclusive, ao direito dos homossexuais de poderem ter acesso a todos os recursos necessários caso queiram largar a prática. Lembrando que existem as mais diversas interpretações para aquilo que se compreende como direitos. Por isso, preciso esclarecer que neste texto vou tratar da questão sobre a homossexualidade no contexto religioso cristão que se refere ao pecado. Pois, apesar de muitos homossexuais e simpatizantes não confessarem a fé cristã, aqueles que buscam legitimação para a prática no contexto cristão costumam também argumenta a partir da Bíblia.

Esclareço ainda que se em algum momento pareço exagerar ou utilizar ironias não é de forma alguma para ridicularizar, mas, para tentar dar força e clareza ao argumento. E, obviamente não posso aqui escrever um tratado sob o risco de ninguém ler. Então, considerem o fato de não ter entrado em maiores detalhes. Permaneço, no entanto, à disposição para eventuais questionamentos e pedido de esclarecimentos.
O texto em questão é João 8. 1-11.

Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras.
Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo.
Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos
e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.
Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? "
Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela".
Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele.
Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? "
"Ninguém, Senhor", disse ela. Declarou Jesus: "Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado
". (João 8. 1-11)

Por que esse texto, na minha leitura, é utilizado de forma equivocada como argumento na discussão sobre a questão homossexual?
O caso relatado nos revela que os escribas e fariseus trouxeram a Jesus uma mulher que fora flagrada em adultério. O Adultério era considerado pecado nos tempos bíblicos e assim o é até os dias de hoje.
Os fariseus na verdade estavam pouco interessados naquela mulher. Eles estavam mesmo é interessados em fazer uma 'pegadinha' pra Jesus. Pensavam que Jesus teria apenas duas opções e qualquer uma delas o incriminaria. Ou porque Jesus se colocaria contra a lei de Moisés ou porque iria contra a lei do império romano.
Jesus demonstra, com a sua atitude, que além de conhecer a natureza humana melhor do que ninguém, Deus ama e acolhe apesar do pecado.
Isso, no entanto, não significa que o adultério deixa de ser pecado. Tanto que o texto não está completo nessa narrativa se formos somente até o verso 7 ou, mesmo até o verso 10. Uma boa exegese e uma boa hermenêutica pedem que o texto seja considerado em sua totalidade.

Portanto, o fato que principalmente torna complicado a utilização desse texto na argumentação homossexual recorrente é que adultério era e é considerado pecado. Creio que ninguém discorda disso.
Já a homossexualidade, embora que fosse considerado pecado no período bíblico e pela igreja (ou pelos cristãos) até bem recentemente (e, para a maioria, continua sendo), é hoje reivindicado como algo de que se pode orgulhar. Bem diferente do caso de adultério. Ainda não existe, pelo menos que eu saiba, nenhuma parada do orgulho adúltero. A questão, então, é que existe uma diferença de 'natureza' nas duas 'acusações'. Embora os fariseus estivessem testando Jesus e pouco interessados na vida daquela mulher e, Jesus com sua atitude tivesse desmascarado a hipocrisia destes, ninguém nega o fato de que o adultério é pecado. Se não fosse, Jesus não poderia jamais ter lançado contra os acusadores o argumento: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela" (verso 7). A partir do argumento de que estavam apresentando a Jesus uma pecadora (flagrada em adultério) é que Jesus dá essa resposta.

No caso da homossexualidade, não sendo pecado, os fariseus sequer poderiam usar um homossexual como 'isca'. E, vejam, estou apenas tentando raciocinar do ponto de vista daqueles que argumentam que a homossexualidade não é pecado. Que trata-se simplesmente de preconceito de religiosos fanáticos.

Agora, se admitirmos que a homossexualidade é sim pecado, então precisamos também admitir que Jesus assim o considera se quisermos continuar a usar o texto de João 8. 1-11. E, a pergunta inevitável é o que significam as palavras de Jesus no verso 11: "vai-te, e não peques mais".

De acordo com a argumentação utilizada pelos militantes gay, a prática da homossexualidade não é pecado, logo, Jesus não pediria algo assim. Então, mais uma vez, esse texto não serve à argumentação. No caso da mulher adúltera, dificilmente podemos imaginar que ela tenha entendido algo diferente do que 'vá e não continue nessa prática do adultério'. O texto não revela em nenhum momento que ela tenha contestado os fariseus ou mesmo a Jesus. Ela não tentou se defender e parece que ninguém mais ousou fazê-lo. Seria incorrer em pura conjectura tentar achar que tratava-se uma falsa acusação (A acusação de adultério só se tornava legal quando confirmada por pelo menos duas testemunhas. Ver Deuteronômio 19. 15). Até mesmo porque, repito, o adultério era, sim, pecado como, acredito, todos continuamos acreditando que seja. Sabemos também sobre a cultura machista da época e que sequer menciona o homem que foi, portanto, igualmente adúltero. Mas, isso em nada interfere naquilo que estamos tentando demonstrar aqui.

O fato é que os homossexuais procuram se utilizar de um texto em que se acusa uma pessoa flagrada num ato considerado pecado comparando-o e aplicando-o com um ato que não é pecado. Pelo contrário, é algo perfeitamente legítimo, do que a sociedade deve, inclusive se orgulhar, afinal, nada mais é do que demonstração de amor.

Portanto, não há como utilizar esse texto sem considerar o homossexualismo pecado e, se assim o for, aceitar a exortação final de Jesus "vai-te, e não peques mais". Agora, se o homossexualismo não é pecado, esse texto deveria ser abandonado para justificar-se. A menos que se cometam verdadeiras distorções e se fantasie em cima. Isso porém, não seria nada honesto com o texto e nem mesmo com a tradição cristã no que se refere à leitura e à interpretação dos textos sagrados.
Obviamente aqueles que consideram o homossexualismo pecado, continuam tendo que ouvir de Jesus: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra". Agora, para aqueles que dizem que o homossexualismo não é pecado, essa fala de Jesus não faz o menor sentido, tampouco o "vá e abandone sua vida de pecado".

Concluo, então, compreendendo que só existem duas opções diante desse texto caso queira-se continuar lançando mão dele pra argumentar nesse contexto: ou o homossexualismo é pecado e admite-se honestamente refletir sobre o que Jesus quer dizer com o verso 11. Ou, o homossexualismo não é pecado e abandona-se definitivamente este texto por não se aplicar ao caso.

Leia também:
Quem não tiver Pecado...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Graça

Se me perguntassem o que o cristianismo tem de peculiar, de especial, de diferente e original quando comparado às demais religiões, eu diria que é a graça. Não estou sozinho nisso. A história revela que muitos outros antes de mim já pensavam assim. Nenhuma outra religião do mundo, além do cristianismo, tem a graça. É a graça que faz toda a diferença. A graça faz do cristianismo algo mais do que uma mera religião. A graça do cristianismo está na graça. Eu sei que essa conversa pode soar arrogante, presunçosa e exclusivista. Principalmente numa época em que o politicamente correto mascara a autenticidade. Porém, é um paradoxo inevitável. Justamente a graça, tão sublime, tão humilde, tão aberta, tão inclusiva, se tomada meramente como discurso, pode soar como algo totalmente contrário à sua essência.
Quem se considera adepto do cristianismo, mas não compreendeu a graça, pode mudar a qualquer momento de religião, afinal, sem a graça, o cristianismo não passa de mais uma oferta no menu de propostas religiosas. E, para quem não entendeu a graça e está fora do cristianismo, não há como ver o cristianismo como mais do que apenas uma religião entre tantas outras. Só entende a diferença, quem compreende a graça. Logo, é inútil envolver-se num debate religioso quando não há uma compreensão mínima sobre a graça. Pois, quem entende a graça sabe que é impossível confessar outra fé, pois nenhum outro sistema religioso é coerente com a graça. Considerar a graça desmontaria todo o sistema em qualquer outra religião.
Graça, sublime graça. Curiosamente, a graça, algo muito simples é, ao mesmo tempo, tão distante de nossa capacidade de compreensão e apreensão! Talvez porque a graça seja algo tão divino, tão sublime, tão libertador..., que é o que existe de mais hostil à nossa natureza rebelde e pecadora. A graça é o que existe de mais próximo e acessível à natureza divina. A graça subverte a nossa lógica. Ela nos ofende. A graça é algo tão desafiador, que preferimos, muitas vezes, rejeitá-la a ter que admitir que a compreendemos. Pois compreendê-la implicaria em mudanças radicais. Teríamos que rever muitas coisas e, na verdade, não é exatamente isso que nós gostaríamos.
Sim. A graça subverte a religião. Religião é aquilo que os seres humanos constroem na busca por salvação. Religião é a tentativa humana de construir pontes até Deus. A religião é uma obra humana. E, por isso, gera vaidade, orgulho, sacrifícios, auto-suficiência, baseia-se nos méritos, esforço e muita dedicação. Na religião pode-se facilmente classificar quem está dentro e quem está fora. A religião produz os seus mediadores e gurus. Dá muito dinheiro também. Assim, a religião acaba refletindo a corrupção humana. A religião, portanto, não pode suportar a graça. Porque a graça põe abaixo qualquer sistema religioso humano. O impulso religioso, no entanto, é algo inato ao ser humano. E, este, apenas encontra sossego na graça.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Pedofilia nos Cinemas

Em fevereiro deste ano, numa sessão parlamentar sobre um projeto de lei relativo a crimes sexuais contra crianças em OTTAWA, Ontario, Canadá, especialistas em psicologia afirmaram que a pedofilia é uma “orientação sexual” comparável à homossexualidade ou heterossexualidade. Já não é tão difícil encontrar na internet quem defenda a pedofilia como algo normal, apenas mais uma forma de expressão amorosa na diversidade de possibilidades. Na Holanda, já existe até um partido político criado por pedófilos com o objetivo de defender os seus interesses. É evidente que hoje a mídia é quem dita as tendências. Basta que os donos do poder mediático queiram para que um determinado produto faça sucesso e arrecade milhões. É assim que jogadores de futebol são projetados, roupas são colocados em evidência e viram moda, comportamentos são moldados. Quem algum dia já assistiu a uma telenovela sabe do que eu estou falando. Quem nunca ouviu a expressão "já é normal!"?
Os festivais de cinema no Brasil estão apresentando atualmente o filme "A Serbian Film: Terror sem Limites". Para que o leitor tenha uma idéia, este é o filme mais censurado dos últimos 16 anos no Reino Unido (só foi liberado para exibição após 49 cortes). De acordo com o site Folha.com "o longa tem incesto, pedofilia, necrofilia, violência a granel (incluindo dois assassinatos em que a arma é um pênis) e, em seu momento mais polêmico e chocante, o estupro de um recém-nascido". O trailer do filme já pode ser visto em sites e blogs na rede. Enquanto alguns argumentam que o filme mostra apenas a 'realidade', outros ainda conseguem demonstrar a saudável capacidade humana de se indignar. Já o diretor do filme, o sérvio Srdjan Spasojevic, 35, argumenta contra as críticas dizendo que "estamos no século 21, seria de imaginar que tudo já foi dito e visto, mas de novo estamos vendo uma caça às bruxas porque alguém não gostou de um filme". Ou seja, parece que estar no século XXI justifica qualquer coisa. O diretor estreante se surpreende de que ainda haja alguma coisa que não seja normal!
Mesmo que o filme não queira exaltar a pedofilia nem a necrofilia, fica a questão a respeito dos limites da arte. Sim, o ser humano é capaz das coisas mais horrendas. E, o fato de muitos sentirem algum tipo de prazer mórbido com esse tipo de espetáculo, apenas confirma isso. Portanto, não serei surpreendido quando os 'moderninhos' da televisão começarem a 'inovar' também nas telenovelas brasileiras, gerando debates e entrevistas em programas de auditório para abrir a mente da retrógrada sociedade brasileira sobre a beleza do amor 'diferente'. Afinal, é a realidade, não é!? Viva a diversidade! Dizer algo mais seria atentar contra a liberdade de expressão! Enquanto isso, os verdadeiros artistas, aqueles que realmente conseguem enxergar a realidade e expressar isso em sua arte, permanecem no ostracismo.

E você leitor, iria ao cinema com a família para assistir "A Serbian Film: Terror sem Limites"? Deixe o seu comentário e participe do debate sobre a pedofilia, a arte e a natureza humana.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Você Também é Religioso

É cada vez mais comum ouvirmos alguém dizendo que possui um lado espiritual independente de religião. A intenção da frase e, o que geralmente compreendemos, é que a pessoa cultiva uma certa espiritualidade sem frequentar programas promovidos por instituições religiosas. Trata-se de alguém, por exemplo, que não é filiado e nem mesmo frequenta uma igreja. A grande questão aqui, porém, é se realmente é possível para alguém ser autônomo ou independente da religião. Para refletirmos melhor sobre isso precisamos compreender bem o que queremos dizer quando falamos do religioso. Trata-se de muito mais do que meros programas ou instituições. Ser religioso é algo que vai além de ser budista, islâmico, judeu ou cristão. As instituições, os programas e os ritos poderiam ser classificados como formas de dar expressão á nossa religiosidade. E, mais do que isso, religiões são sistemas que sintetizam uma determinada filosofia de vida que procura oferecer uma compreensão de mundo.
Desde sempre o ser humano procura explicar o mundo de forma que este faça sentido para ele. Os mitos, a religião e a ciência são os instrumentos que servem a este propósito. Porém, a partir da Modernidade passou-se a acreditar que apenas a ciência possuía a autoridade para dar essa explicação. Testemunhou-se uma grande evolução na ciência e tudo aquilo que cheirasse à religião deveria, no máximo, ser relegado à vida privada. Logo a religião passou a ser vista como obscurantismo, fanatismo e até mesmo ingenuidade. Assim, o religioso nada tem a dizer sobre as coisas da ciência. Religião é coisa privada. Ciência é coisa pública. Argumentar sobre qualquer assunto utilizando-se de algo que ao menos cheire a religião já é motivo para ser desacreditado. Mas, será que existe mesmo alguém que não seja religioso?
Vejamos um exemplo prático. Se alguém disser que Deus criou o mundo, essa pessoa poderá facilmente ser acusada de fazer uma afirmação religiosa. Se Deus não é a origem, o fundamento, a realidade primeira, então quem ou o que será? As outras respostas para essa questão não seriam igualmente religiosas? Respostas como: tudo o que há sempre existiu ou; não há Deus algum ou; tudo é matéria; etc... O que torna essas respostas mais ou menos religiosas do que aquela que admite um Deus na origem de todas as coisas? Portanto, será que religião e ciência estão mesmo assim tão distantes. Ou, somos todos seres religiosos e, a diferença é que alguns procuram aprender por meio da ciência e outros preferem permanecer com as explicações mais simplistas da realidade!?

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Unico Segredo

Existem muitos livros e vários tipos de mensagens procurando despertar a atenção do público com títulos que prometem revelar algum grande segredo para o sucesso. Não passam, em sua maioria, de tentativas para destacar-se em meio a uma era saturada de informações. Infelizmente, também muitas igrejas caem na tentação de reduzir a sua mensagem às técnicas de marketing. Por outro lado, haveria ou não algo de essencial para a vida cristã? Qual seria "o segredo" de uma vida cristã bem sucedida? Arrisco-me a apontar três questões.
1. Meditação: não se trata de nenhum tipo de meditação transcendental como tantas outras. Não tem nada a ver com um mero esvaziar-se. A meditação cristã consiste em deixar-se preencher (Efésios 5. 18ss). Permanece a importância do silêncio e da solitude. A meditação cristã consiste em conhecer, estudar e refletir na Palavra de Deus. A Bíblia, portanto, é indispensável, leia-a.
2. Oração: inúmeros líderes cristãos concordam que orar é simplesmente dialogar com Deus. Além da Bíblia, a oração é outra maneira indispensável de manter comunhão com Deus. Orar, porém, não é tentar impressionar a Deus com palavra bonitas ou piedosas. Orar é deixar que seus pensamentos mais íntimos e sinceros sejam dirigidos ao Senhor. Descobrir um Deus que nos conhece totalmente e ainda assim é capaz de nos amar é uma experiência profundamente libertadora. Você pode orar em qualquer lugar, com palavras ou pensamentos. Ore.
3. Comunhão: Uma autentica vida de meditação na Palavra de Deus e de oração inevitavelmente nos tornarão sensíveis ao próximo. Não existe comunhão com Deus sem comunhão com outras pessoas. A fé cristã não foi feita pra ser vivida no isolamento. É na comunhão e por causa da existência de outras pessoas que os fruto do Espírito (Gálatas 5. 22, 23), por exemplo, fazem todo sentido. Afinal, "se alguém afirmar: 'Eu amo a Deus', mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê" (I João 4. 20). Essa comunhão se traduz em serviço, amor e perdão. Perdoe.

A estas coisas chamamos de disciplinas. Pois não possuem nenhum poder em si mesmos para agradar a Deus ou para com isso ganharmos pontos para a nossa salvação. Somente podemos praticar essas disciplinas porque Ele nos amou primeiro (I João 4. 19). E, nessa consciência, sinto-me motivado a viver no Seu amor. Ah, não fique surpreso se você concluiu que já sabia disso o tempo todo. O desafio permanece: fazer com que aquilo que você já sabe torne-se uma prática.

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