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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Vazio

Depois do Papai Noel, o personagem sobre o qual mais se fala nessa época é Jesus. Por isso, resolvi procurá-lo. Saí a caminhar. Soube que ele estaria numa pequena cidade distante. Havia bastante movimento pelas ruas e estradas. Comerciantes eufóricos aproveitavam para faturar mais. Os hotéis estavam lotados. Fui orientado a seguir até um curral. Lembrei de já ter visto tantos servindo de decoração por aí. Até mesmo as casas estavam sem espaço com visitas mais importantes. Jesus nasceu entre os animais. Finalmente, cheguei. Seu berço, a manjedoura, estava vazia. Saí intrigado. Me disseram que o problema maior não era que a manjedoura estivesse vazia.
Ouvi dizer então, que Jesus estava preso. Busquei maiores informações. Bateram muito nele. Acusaram-no de coisas terríveis. Fui orientado a seguir para um monte onde criminosos eram executados. Recebi a notícia de que Jesus estava na cruz. Corri em direção ao Gólgota. De longe avistei cruzes. Foi quando lembrei que, na verdade, elas estão por toda parte. Aproximando-me consegui ler uma placa sobre uma delas que dizia: "este é o rei dos judeus". Mas, a cruz estava vazia. Permaneci ali algum tempo, em silêncio. Ainda confuso, me afastei. Lembrei-me da voz que já ouvira antes: o problema maior não é a cruz estar vazia.
Vagando pela cidade, descobri que Jesus estava sepultado. O túmulo não ficava muito longe dali. Com o coração mais apertado, segui a minha busca. Assim como uma cocheira e os lugares de execução, um cemitério não é ambiente muito popular. Não é muito fácil encontrar alguém que goste de visitar cemitérios. Ao me aproximar percebi algo estranho. A sepultura estava aberta. Observando ao redor, fui entrando lentamente. Já não foi surpresa quando constatei que o sepulcro estava vazio. Comecei a duvidar. Será que existe mesmo Jesus? Após refazer-me, sentado sobre uma pedra por alguns minutos, ouvi mais uma vez aquela voz cada vez mais familiar: O sepulcro estar vazio não é problema.
A minha jornada parecia ter perdido o destino. Foi então que comecei a compreender aquele gosto estranho que sentia após cada descoberta. Era a sensação potencializada daquilo que eu vivera por todos os meus dias. A vida é sede, é fome é busca... O que eu buscava não estava na manjedoura, na cruz ou no sepulcro. Foi quando eu finalmente compreendi. De fato o problema não é o vazio da manjedoura, da cruz ou do sepulcro. Vazio estava o meu coração. Continuar a busca? Ou, aceitar que toda busca termina quando se admite o vazio? O símbolo, a relíquia, o objeto, nada pode conter aquele que se esvazia para preencher. Aquilo que lá não estava, já estava antes mesmo de eu partir. Não encontrei. Fui encontrado. Religiões vazias, não são o problema. Vidas vazias, sim.

Um comentário:

Rita disse...

Olá irmão Rodomar, Paz
Que mensagem realista,e maravilhosa,enquanto lia,ficava mais curiosa pra saber o que estava vazio.
Que triste quando temos que constatar a dura realidade,são os corações,as almas,as mentes que estão fazendo eco de fome e sede de Deus,de Cristo.
Nem ao menos conseguem se dar conta do que sentem,e porque do VAZIO absoluto.
Que essa mensagem possa alcançar, e preencher muitas vidas!
Paz e graça!

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