Muito antes de Jesus vir ao mundo, a tradição judaica já anunciava a vinda de um messias. Quando Jesus finalmente veio, poucos conseguiram reconhecê-lo. As expectativas eram outras. Um rei jamais poderia vir tão humilde, pobre, nascendo num curral, entre animais num vilarejo distante e sem expressão. Jesus cresceu, começou a chamar algumas pessoas que formariam o seu grupo de discípulos. A incredulidade continuava a mesma. Certa vez, Jesus andava pela Galiléia e viu um homem chamado Filipe. Jesus chamou-o a ser um seguidor. Filipe ouviu e logo foi convidando para se juntar ao grupo o amigo Natanael a quem disse: “Achamos aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei, e a respeito de quem os profetas também escreveram: Jesus de Nazaré, filho de José”. A resposta de Natanael a 2 mil anos atrás ainda não serviu de exemplo para nos ensinar hoje e continuamos nos surpreendendo com a contra mão das coisas: “Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá?” (João 1. 46)
Jurados e platéia riram não somente quando Susan Boyle disse que veio de um lugar esquecido chamado West Lothian, mas, da sua idade, aparência, jeito caipira, desengonçado, simples e inocente...
São as coisas loucas...!
Agradeço a todas as visitas e comentários! Seja bem vindo!!! Que Deus abençoe a tua vida!
sexta-feira, 24 de abril de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
A Diferença

É comum ouvirmos pessoas falando mal da sua cidade, sonhando em ir embora, desejando viver e trabalhar em outro lugar. Eu nunca vi isso ser mais verdade do que em Pelotas. A realidade mostra que realmente muita gente vai ou deseja partir. Muitos jovens já entram na universidade sonhando em ir embora após a formatura. Muitos vão. Poucos voltam. Existe certo clima de pessimismo, descrença e saudosismo que marca a cidade. É como se aqui nada pudesse dar certo. A solução é ir embora. Existem lugares mais progressistas, modernos e com melhores oportunidades. Mas, qual seria a real diferença entre os tantos lugares onde alguém poderia viver e trabalhar? O que torna uma região menos ou mais desenvolvida?
Seja São Paulo, Curitiba ou as cidades da região serrana do Rio Grande do Sul, o recurso mais precioso disponível é o mesmo que encontramos aqui em Pelotas: seres humanos. Cada um de nós foi criado de maneira única, especial, com talentos e criatividade para inovar, criar, empreender, sonhar e realizar. Todas as tecnologias existentes foram inventadas e desenvolvidas por pessoas. Logo, a diferença entre as regiões não está tanto nos recursos naturais, no clima, na geografia ou nas empresas, e sim, nas pessoas e naquilo em que elas acreditam.
Idéias trazem conseqüências. Aquilo em que você acredita vai resultar em ações que vão moldar o seu mundo. As propostas, sugestões e intervenções que fazemos possuem uma motivação. Nasce de um modo de ver as coisas e compreendermos a realidade à nossa volta. Se acreditarmos sempre que as oportunidades estão ‘lá fora’ e que dependem dos outros ou de um clima diferente, uma geografia mais recortada, uma terra pouco explorada, uma cidade mais desenvolvida, estaremos sempre sujeitos às frustrações. Estaremos buscando o diferente para nos amoldar. Agora, se você sabe que o potencial está em você e que nos seres humanos está o maior recurso do mundo, então, irá compreender que pode fazer a diferença ali mesmo onde Deus te colocou.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
ESCUTATORIA
por Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor...
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Vejam a semelhança... Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio... Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...
Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades. Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado. Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência...
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia... Que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
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