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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ou Tudo ou Nada?

A grande crise moral em que os brasileiros estão atolados deixa todo mundo confuso. Sem referenciais, os meios de comunicação tornaram-se para a geração pós-moderna a fonte de versões. Sim, versões. Não existem mais fatos. Cada um é livre para acreditar naquilo que bem entender. E, conforme as preferências ideológicas prévias, cada um, obviamente, escolherá dar crédito àqueles veículos que disserem coisas agradáveis aos ouvidos. Se reforçar aquilo que eu já estou pré-disposto a acreditar, é de confiança, merece respeito. Se contrariar meus interesses, então, eu encontro um rótulo qualquer para desqualificar as fontes. E, assim, vamos empobrecendo, nos limitando, reduzidos ao nosso mundinho.

Claro, não é simples, pois como verificar diretamente os fatos? Dependemos dos meios. Resta, ao que parece, escolher em quem vamos acreditar. E, convenhamos, voltamos à estaca zero. Afinal, a nossa tendência é acreditar naqueles que compartilham de nossas preferências. E, assim, subdividimo-nos em grupelhos, pequenos rebanhos à mercê daqueles que nos conduzem. Logo, cada segmento terá criado também o seu próprio código de ética. Se o outro faz é errado, mas, se o beneficiado sou eu, ou o meu grupo, então, está tudo certo.

A maior demonstração da crise em que nos encontramos vem sendo refletido na mídia com o caso que se tornou famoso como o “Escândalo do Mensalão”. Uma verdadeira guerra de notícias e informações vem sendo travada. E, consciente de ter feito também as minhas próprias escolhas, ouso dizer que algumas coisas deveriam incomodar quem ainda se preocupa com os rumos deste país. Por exemplo, a maneira como muitos tentam justificar uma possível impunidade dos mensaleiros presos pelo fato de outros corruptos estarem soltos. Ora, querem dizer, então, que ou se prende todos os corruptos ou, na impossibilidade disso, o correto seria deixar todos soltos? É isso mesmo??? Pensei que eu deveria celebrar por, finalmente, ver neste país políticos poderosos sendo legalmente punidos pelos seus crimes! Como já dizia o sábio:  "A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo” (Provérbios 14.34).

Infelizmente, no país do jeitinho, parece normal justificar um erro com outro erro. Afinal, já que não se pode ser perfeito, vamos desmoralizar com tudo de uma vez! Não. Não é assim. Não deveria, ao menos, ser assim. A prisão de alguns políticos corruptos mostra que não é assim. Há esperança! Muitos já não acreditam. Mas, os últimos acontecimentos mostram que a corrupção não é algo normal que deve ser tolerado. Os fins não justificam os meios. Embora saibamos também que nem sempre o que é legal é justo! Celebro, no entanto, por enquanto, que finalmente o Brasil começa a ser também um país de “políticos presos”!

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segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Deus Que Frustra

Como está a nossa busca espiritual?

Após a ressurreição, Jesus encontra os discípulos tristes, com medo, chorando. Ele censura a incredulidade e o coração endurecido dos onze. É assim! Muitas vezes a vontade de Deus nos choca, e, até nos frustra. A nossa vontade geralmente está fora da sintonia da vontade de Deus. Nossos desejos e tendências são contrários aos propósitos de Deus. O pecado faz-nos resistentes ao seu amor e à sua graça. Quando a minha vontade é diferente da vontade de Deus o resultado pra mim será sempre frustração. Eu esperando ganhar uma bicicleta e Deus me dá um livro; Eu preocupado comigo mesmo, em satisfazer as minhas vontades e Deus dizendo ‘ame o seu próximo’. Os discípulos esperavam que Jesus tomasse o poder de Roma e, no entanto, vêem seu mestre ser crucificado.
É por isso que a igreja, ou gera frustrados ou atende as vontades de cada um e vai se distanciando da vontade de Deus. A igreja do mercado usa a lógica do Marketing: dar aquilo que o consumidor deseja – satisfação das vontades do cliente! Fazem de Deus um produto ao gosto das vontades de cada cliente. Já a igreja de Jesus Cristo que tem por objetivo implantar o Reino de Deus caminha por outra lógica: Ela anuncia a Palavra e a vontade de Deus, mesmo que isso não dê IBOPE. Pois o reino de Deus é onde a vontade de Deus prevalece! Quando todos querem satisfazer apenas as suas próprias vontades temos o reino de satanás! Como está a nossa busca espiritual? Temos experimentado frustração? A Palavra de Deus incomoda, exorta, desafia? Se diante da vontade de Deus eu vejo as minhas próprias vontades desafiadas e contrariadas, então estou no caminho certo. Um evangelho ‘água com açúcar’ que fica tentando ajeitar as coisas para que todos tenham as suas vontades satisfeitas não é o Evangelho de Jesus Cristo.
“Jesus apareceu aos Onze enquanto eles comiam; censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração” (Marcos 16. 14). Ah! Como eu preciso sempre de novo da repreensão de Jesus! A minha natureza egocêntrica sempre de novo me lança na incredulidade petrificando o meu coração. Um coração de pedra já não se deixa exortar, corrigir, aconselhar... O rebelde desconhece a fé. O critério, a referência não é Deus ou a sua vontade. O EU é a referência: Meus gostos, Meus interesses, Minhas vontades.
A rebeldia não aceita nenhuma autoridade: Deus é visto como um estraga prazeres, alguém que está sempre querendo se meter na minha vida. Aceitar a exortação de Jesus que revela a vontade de Deus significa ser desafiado: desafiado a viver para o outro; desafiado a amar e colocar os interesses do outro acima dos meus próprios interesses; Jesus me desafia a viver uma igreja onde Ele é Senhor. A vontade de Deus incomoda, pois o meu ego precisa ser desinstalado para dar lugar ao Senhorio de Cristo sobre a minha vida.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Pregar e Andar

“...pelos seus frutos vocês os reconhecerão!”

Uma pequena história sobre a vida de Francisco de Assis conta que certa vez ele sugeriu a um jovem monge: "Vamos andar pelas ruas e pregar aos homens". Assim, andaram pelas ruas de Assis e atravessaram a praça do mercado, conversando sobre suas experiências e seus conhecimentos espirituais. No caminho de volta, repentinamente o jovem monge exclamou, assustado: "Padre, esquecemos de pregar aos homens!" Francisco sorriu e colocou a mão no ombro do jovem: "Meu filho", respondeu ele, "não fizemos outra coisa o tempo todo. Fomos observados e partes da nossa conversa foram ouvidas. Nossos semblantes e nossa conduta foram observados. É assim que pregamos" Acrescentou: "Lembre-se, meu filho, de nada adianta andar para pregar se não pregamos andando".

Esse episódio me lembra uma frase de Jesus: “Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas” (Lucas 6. 44). As palavras de Jesus ganham ainda mais força quando percebemos o contexto em que foram proferidas. O Mestre acabara de escolher os doze discípulos a quem ensinaria e com quem passaria seus últimos três anos de vida na Terra. Jesus estava chamando a atenção para aquilo que identificaria o verdadeiro discípulo cristão. Além dos autênticos, existem também os nominais e os falsos. Os nominais permanecem indiferentes. No máximo esperam algum benefício, aproveitam alguma eventual vantagem que possam obter. Os falsos se utilizam do nome de cristão para benefício próprio. Estes se apropriam de títulos como evangélico, missionário, pastor, bispo e apóstolo para explorar a boa fé e ignorância do povo.

Vivemos um mundo de aparências. Tudo é maquiado, camuflado, produzido. É o mundo da justificativa para tudo. Todos gostam de separar o público do privado. Assim, a falta de caráter, a corrupção, a promiscuidade e todo tipo de maldade são cultivados no secreto. Lá fora, tudo são flores e simpatia. Jesus, conhecendo bem o coração degenerado do ser humano, faz o alerta: “pelos seus frutos vocês os reconhecerão!” (Mateus 7. 20). A primeira marca de um verdadeiro discípulo de Cristo é a integridade. Bela folhagem e lindas flores podem encher os olhos temporariamente. Mas, somente o fruto alimenta de verdade.



Figirura. Fonte: Pseudo-arte.

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