Agradeço a todas as visitas e comentários! Seja bem vindo!!! Que Deus abençoe a tua vida!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Cristão é um Cético

Muitas pessoas confundem fé, crença e religiosidade. Costumam dizer que o Brasil é um país religioso, de crenças muito fortes e presentes no dia-a-dia das pessoas. É verdade. O Brasil é um país onde é possível identificar inúmeras crenças e propostas religiosas. E, tudo isso num convívio pacífico e tolerante. Devido ao testemunho negativo de muitos fiéis religiosos outros preferem se declarar ateus ou sem religião. O que não significa que essas pessoas estejam livres da religiosidade. Afinal, todos acabam encontrando a sua própria maneira de enxergar algum sentido para aquilo que não compreendem racionalmente. Dentre o povo mais cético eu destacaria os cristãos.
O cristão não acredita na força de simpatias, nas previsões do horóscopo e nem na força dos trabalhos feitos nas encruzilhadas. O seguidor de Jesus Cristo não é adepto da crença que se baseia na numerologia, astrologia e teosofismo. O cristão é descrente quanto a existência da reencarnação, da necessidade de boas obras para a salvação, da mediação de santos entre o ser humano e Deus. Os cristãos são céticos com relação às benzeduras, poderes de gurus espirituais e das visões oferecidas por tarôs, búzios e leituras de mãos. Um cristão não acredita no azar da sexta-feira treze, não se importa em passar debaixo de escadas e nem fica perturbado após quebrar um espelho ou cruzar com um gato preto. Cristãos não acreditam na necessidade de terem que agradar a Deus com correntes, campanhas e dízimos para serem merecedores das bênçãos de Deus. A fé cristã não vive dependente de ritos, amuletos, passes e despachos para cultivar o relacionamento com Deus. Os verdadeiros cristãos não vivem na dependência de líderes que se acham mais próximos de Deus, que se julgam detentores de orações fortes e autorizados a abençoar ou amaldiçoar em nome de Deus.
Os cristãos que cultivam um espírito aprendiz, humilde e aberto sabem que Deus está acima de todas as carências e neuroses humanas. Por isso, são livres para agir em amor e misericórdia. Livres para seguir os ensinamentos de Cristo sem muletas religiosas. Nossas ‘muletas’ são o próprio Cristo. E, não importa se nossa fé é forte ou vacilante. Em Cristo temos liberdade até para duvidar, expor nossos questionamentos, abrir o coração. E mesmo que passemos por crises tamanhas que nos façam duvidar da própria existência de Deus por vezes, ainda assim, Ele não duvidará. Assim como o sol continua a brilhar num dia de nuvens escuras e pesadas, Deus não deixa de ser Deus por maiores que sejam as tempestades em meu coração. Quanto mais céticos formos, mais reconheceremos a nossa dependência de Deus! E, ao mesmo tempo, mais livres seremos!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Oração ao Deus Desconhecido

"Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para a frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: ‘Ao Deus Desconhecido’.

Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Seu, sou eu, não obstante aos laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a serví-Lo.

Eu quero Te conhecer, Desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti”.

(Friedrich Nietzsche)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Deus Está Morto

Existe uma anedota que já foi bastante popular em púlpitos de igrejas pelo Brasil. Conta que o filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900) escreveu no muro de sua casa: “Deus está morto” e assinou. Alguns anos após sua morte teria aparecido no muro a seguinte frase: “Nietzsche está morto” e, logo abaixo, a “assinatura”: “Deus”. Muitos cristãos ainda hoje acreditam que ler Nietzsche ou outros filósofos pode ser uma ameaça à fé. Esse pensamento parece alicerçar-se numa fé rasa e frágil. Uma compreensão que vê a criatura como mais poderosa e capaz de maior influência do que o Deus em nome de quem contesta as supostas mentiras do mundo. Mal sabem tais pessoas que este deus está, sim, morto.
O deus que vigia seus fiéis para apanhá-los em alguma falta; o deus que precisa ser bajulado e agradado o tempo todo; o deus que recompensa de acordo com o montante de dinheiro que a pessoa dá para a igreja; o deus que ama mais a um do que a outro; o deus pelo qual líderes têm promovido guerras, morte e destruição; o deus em nome de quem tantos são feridos no mundo religioso; o deus com o qual se negocia para se conseguir uma vida mais próspera; o deus que recompensa de acordo com os méritos de cada um; o deus impessoal e distante que é tudo e ao mesmo tempo é nada; o deus que deu corda ao grande relógio da existência e depois se ausentou; o deus que valoriza mais programas e instituições do que pessoas; o deus do poder colocado acima do amor; o deus projetado segundo as nossas experiências com pais autoritários; o deus arquitetado por nosso inconsciente psicologicamente perturbado... O Deus criado segundo a imagem e semelhança daquilo que eu sou não existe. Está morto.
Sim, este deus está morto. E, não porque morreu, mas porque nunca viveu. Jamais existiu um deus assim além da imaginação e expectativas perturbadas de pessoas carentes por algo mais. O deus que eu mesmo projeto no meu coração precisa morrer. Um deus idolatrado, moldado segundo aquilo que eu acho que Deus deveria ser... esse não existe na realidade. Enquanto eu continuar me iludindo com minha própria imagem de Deus jamais poderei iniciar a caminhada espiritual que me permitirá um encontro com o verdadeiro Deus. Não posso conhecê-lo se isso depender apenas de mim mesmo. Quando Friedrich Nietzsche disse que “Deus está morto” muitos se assustaram. Mas o filósofo está rejeitando uma visão tradicional de Deus que não condiz com quem Deus realmente é. Tanto que Deus continua vivo. Posso falar com ele agora mesmo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A Presença de Deus

É certo que vivemos a maior parte do nosso tempo ignorando totalmente a Deus. Seguimos pela vida como se Deus estivesse restrito a alguns programas, como se sua presença estivesse apenas em alguns lugares e durante algumas horas. Essa realidade parece gerar a vida dupla que muitos cristãos se esforçam para viver. Nos programas da igreja como cultos, reuniões de juventude, classes bíblicas, pequenos grupos e outros, todos são piedosos, sérios, comprometidos, levam quase que uma auréola de santidade sobre si. E, basta saírem desse gueto religioso para viverem uma ‘vida normal’. Os olhos fechados em oração se abrem bem para cobiçar, as mãos erguidas em aclamação se esgueiram a procura de algo para esconder, os lábios e a língua que deixam sair melodias de louvor não são refreados diante dos impulsos da fofoca e dos palavrões... E assim, até o próximo compromisso com a igreja, quando novamente ‘entro na presença de Deus’.
Essa dicotomia tem gerado verdadeira paranóia, hipocrisia e frustrações para muita gente. A credibilidade das igrejas também acaba cada vez mais arranhada pela falta de relevância dos cristãos no mundo. Um crente de programa é sal que perdeu o sabor, que para nada serve, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens (Mateus 5. 13). Ah, como esse sal está sendo pisado, humilhado e criticado no Brasil! Mais uma Palavra que se confirma. A igreja vem perdendo o sabor. Tem feito pouca diferença na sociedade brasileira. O entrar e sair da presença de Deus vai deixando todos confusos. O deus da igreja do entra e sai, do gospel e do secular, do templo e do mundo, é muito limitado, pequeno, fraco. É um ídolo que está cada vez mais assumindo as características de um povo que ignora as Escrituras em busca dos próprios interesses.
O Deus da tradição judaico-cristã é Senhor Criador de todas as coisas. Ele vê toda a humanidade (Salmos 33. 13) e governa sobre toda a Terra (Salmo 47). Nas palavras do próprio Jesus Cristo antes da ascensão: “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28. 20). Nada foge aos olhos e ao cuidado do Senhor. Somos chamados a viver integralmente nossa fé e as implicações dessa fé no dia-a-dia. O cristão é governado pelos valores de um novo reino: o reino de Deus. Esse reino já está em andamento, já começou. Eu não preciso mais entrar na presença de Deus. Antes, da sua presença, eu sequer posso sair (Salmo 139. 7-18). Ajuda-me Senhor, a não viver ignorando o teu reino e a tua presença sempre comigo! Obrigado Senhor, por estar aqui, agora.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Voz do que clama no deserto

Homem simples de hábitos humildes. Escolheu viver solitário no deserto. Cheio do Espírito Santo, pregava a proximidade do reino dos céus. Sua missão: preparar o caminho para o Senhor Jesus. Chegou a batizar Jesus Cristo. Fazia o seu trabalho com coragem e ousadia. Não tinha medo de denunciar o erro e a injustiça. O próprio Jesus chega a elogiá-lo, reconhecendo o seu valor. Com certeza um homem de Deus. Porém, esse homem nunca realizou grandes prodígios com sinais e milagres. Acabou preso e muitos dos seus discípulos o abandonaram para seguir a Cristo. Teve dúvidas. Da prisão, enviou homens para certificarem-se de que realmente esse Jesus era o messias. Foi assassinado brutalmente. Sua cabeça decepada foi oferecida num prato àqueles que ousou desafiar. Mas, como um homem de Deus pode acabar assim?
Você deduziu que é sobre João Batista que estamos falando. Refletindo sobre a sua vida, uma coisa em especial me chamou a atenção. O povo que seguia Jesus, vendo a sabedoria de suas palavras e tudo quanto realizava concluiu: “Embora João nunca tenha realizado um sinal miraculoso, tudo o que ele disse a respeito deste homem (Jesus) era verdade” (João 10. 41). É perfeitamente possível fazer muitos sinais e milagres e, ao mesmo tempo, distorcer a Palavra de Deus, criando fábulas e mentiras para enganar, obter reconhecimento, aplausos, fama, sucesso e dinheiro. Isso lembra uma advertência de Cristo: “Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” (Mateus 7. 22, 23).
A maior virtude do Batista foi falar a verdade sobre Jesus. Ele ganhou com isso a prisão e a cabeça cortada. Pregar a verdade de Deus e denunciar a injustiça pode ser perigoso. Podemos escolher ficar com nossos showzinhos gospel, arrepios na espinha, sentimentalismo barato e busca mesquinha por sinais e milagres que alimentam nosso ego e nossa vaidade. Com certeza não incomodaremos muita gente. É provável que tenhamos igreja cheia e ninguém jamais vai pedir a nossa cabeça por isso. No máximo incomodaremos os vizinhos por causa do barulho alto do nosso “louvor”.
Grandes sinais e prodígios ou compromisso ético com a verdade? João Batista não realizou nenhum milagre. Mas, tudo aquilo que falou a respeito de Jesus era verdade.

Veja Também:

Related Posts with Thumbnails