
Não precisamos ser muito inteligentes para deduzirmos que uma atitude assim é fruto da descrença. Transformamos Deus num mito, um ser do qual as pessoas dependem para sentirem-se melhores. E que, por isso, toleramos desde que não se intrometa em nossas vidas. Há os que mantêm uma espécie de religiosidade privada, desencarnada, mística, separada do mundo e da realidade. E, há quem desconsidere a Deus totalmente, até ridicularizando a possibilidade da sua existência. O segundo grupo, no entanto, não deixa de ter os seus próprios pressupostos, o que os torna tão religiosos quanto os demais. É claro que não vão gostar disso e, por isso, não o admitem. Religiosos são os outros. Mas, é fato que somos todos religiosos, quer o reconheçamos por nossa confissão pública de fé num Deus pessoal, quer o expressemos em nossas ideologias que por fé adotam outro tipo de origem e fundamento de toda a realidade. É a partir dessa base assumida em fé que vão dar sentido à sua vida e explicar o mundo à sua própria maneira.
Com base no que temos dito aqui, podemos deduzir algo: vivemos entre a adoração a Deus ou a adoração a algum ídolo. E, este ídolo não se resume a uma imagem esculpida diante do qual acendemos uma vela ou fazemos uma promessa. Ídolo é tudo aquilo que toma o lugar de Deus como o único digno de adoração. Pois se Ele é o Criador e o fundamento de tudo, tudo o mais que alguém elege para ser colocado no lugar de Deus será menor do que Ele. E, esta coisa estará usurpando uma posição que não lhe pertence. Adorar não é apenas orar, cantar louvores, curvar-se fisicamente diante de algo. Adoramos aquilo segundo o qual vivemos. Vivemos segundo aquilo em que cremos. Não cremos no que confessamos, mas naquilo que revelamos com nossas vidas. Como você crê, assim você vive. Como você vive revela em que você crê (Mateus 7. 16).